Sociedade Paulista de Psiquiatria Clínica
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Psiquiatria Acadêmica Cadernos Especiais CID.10 Dicionário de Psiquiatria
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APRENDENDO PSICOPATOLOGIA

 

MESAS REDONDAS DO VII CONGRESSO DE PSIQUIATRIA CLÍNICA  

 
Perguntas (gerais) para Residência
UERJ (1990)
UERJ (1994)
UFRJ (1994)
UFF (1997)

 

   

III FÓRUM DE PSIQUIATRIA DO INTERIOR PAULISTA
2000
Alguns resumos

DEPRESSÃO NA MULHER - VISÃO DO GINECOLOGISTA
Prof. Dr. Ricardo Barini

DEPRESSÃO NA MENOPAUSA E O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
Florence Kerr-Corrêa

ABORDAGEM CLÍNICA E TERAPÊUTICA DA DEPRESSÃO PUERPERAL
Erikson Felipe Furtado

ATUALIZAÇÃO DO USO DE ECT NA DEPRESSÃO
Paulo Dalgalarrondo, Lorena Azi e Neury J. Botega

ABORDAGENS PESICOTERAPÊUTICAS NA DEPRESSÃO
Sergio Ishara

PERFIL PSIQUIÁTRICO DE PACIENTES COM OBESIDADE MÓRBIDA
Daphne Marussi, Paulo Dalgalarrondo

ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS: PADRÃO DE CONSUMO E COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS
Gamaliel C. Macedo, Edneia Zanuto, Cintia Azevedo Marques, Daniel Cordeiro & Pedro Altenfelder Silva

PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS DE HUMOR E DE IDEAÇÃO SUICIDA NUMA POPULAÇÃO DE ADOLESCENTES GRÁVIDAS
Gisleine Vaz Scavacini de Freitas, Neury José Botega

PSICOSE E EPILEPSIA
Florindo Stella

A RELAÇÃO MÃE-CRIANÇA E A MANIFESTAÇÃO DE QUADROS PSICOSSOMÁTICOS NO PRIMEIRO ANO DE VIDA
Luciana Queiroz, Gimol Benzaquen Perosa,
Francisca Teresa Veneziano Faleiros

APRESENTAÇÃO CLÍNICA DO TRANSTORNO DO PÂNICO: ESTUDO DESCRITIVO
Mendes, R.; Dias, R.; Smaira, S.I. e Torres, A.R.

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  Outros temas livres

 

 Links Relacionados: 


Links Específicos (por doença)
Revistas e Jornais de Psiquiatria
Dep de Psiquiatria - Unifesp/EPM

Instituto Psiquiatria - USP

Departamento Psiquiatria - UFRGS

Revista de Psiquiatria Consiliar

 

Livros


Atualização sobre o uso da ECT na Depressão
Mesa Redonda: Atualização sobre o uso da ECT na Depressão

Paulo Dalgalarrondo, Lorena Azi e Neury J. Botega
Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria
Faculdade de Ciências Médicas -UNICAMP

Resumo

Desde a década de 40, a ECT passou a ser utilizada amplamente no tratamento da depressão maior. Atualmente a ECT é considerada uma das opções mais importantes para formas graves de depressão. A taxa de remissão nestes casos fica em torno de 80 a 90%, contra 60 a 70% nos ensaios terapêuticos. farmacológicos. A ECT deve ser considerada como possível tratamento de primeira escolha para casos nos quais sintomas psicóticos ou catatônicos estão presentes, para pacientes nos quais há necessidade de resposta terapêutica rápida, tais como pacientes com alto grau de suicidalidade ou recusa alimentar e problemas nutricionais sérios. Além disso, recomenda-se atualmente que se considere a possibilidade da ECT para pacientes com um alto grau de intensidade ' e gravidade dos sintomas, prejuízos funcionais muito relevantes, e pacientes refratários a tratamentos farmacológicos bem conduzidos previamente.

A partir da década de 40, o uso da ECT na prática psiquiátrica passou a ser cada vez mais difundido. Desde cedo os clínicos perceberam que a sua utilidade no tratamento das formas graves de depressão era muito marcante. Verificou-se também que a mortalidade dos pacientes por complicações da depressão foi claramente reduzida (suicídio, complicações clínicas da desidratação e desnutrição associadas à depressão grave, etc.). Assim, a ECT passou a ser utilizada amplamente para o tratamento da depressão maior, mesmo antes de contarmos com estudos controlados.

Nos anos sessenta, foram realizados importantes estudos multicêntricos comparando-se a ECT com imipramina, fenelzina e placebo. A ECT mostrou-se quase sempre superior aos outros tratamentos na maioria dos estudos (KENDELL, 1981). Na década de oitenta, JANICAK e colaboradores (1985) realizaram uma revisão sistemática da maioria dos estudos anteriores. evidenciando o sucesso da ECT para formas graves e refratárias de depressão.

Em 1988, RIFKIN e colaboradores analisaram todos os estudos duplo-cegos randomizados realizados até então, comparando a ECT a antidepressivos tricíclicos. Oito deles foram realizados entre 1963 e 1966 e um em 1982.

Infelizmente, os nove estudos diferiram em relação à qualidade metodológica (variação das doses utilizadas, seleção da amostra, duração e avaliação dos resultados), não podendo o autor chegar a conclusão consistente. .....

Formas de depressão que respondem melhor à ECT

Já na década de sessenta vários trabalhos mostravam que os sintomas clássicos da chamada depressão endógena (piora pela manhã, retardo motor, insônia terminal, perda de apetite e de peso, etc.) eram bons preditores de resposta a ECT, quando comparados aos sintomas da depressão "tipo neurótica" (KENDELL, 1981).

Segundo PIANA (1995) a resposta a ECT é particularmente favorável em episódios depressivos primários graves, não complicados por outra comorbidade física ou psiquiátrica. Nestes casos o índice de remissão esperado fica em torno de 80 a 90%, contra 60 a 70% nos ensaios terapêuticos farmacológicos. Além disso, é cada vez mais evidente que os pacientes que apresentam sintomas psicóticos (particularmente os delírios) e retardo motor beneficiam-se de forma muito pronunciada com a utilização da ECT, parecendo haver inclusive um efeito sinérgico da presença concomitante de delírio e retardo motor para a resposta à ECT (BUCHAN et al., 1992).

Na prática clínica diária tornou-se corriqueira a idéia de que a ECT deveria ser utilizada apenas para pacientes que não respondem a tratamentos farmacológicos prévios, localizando a ECT como "último recurso" no tratamento do paciente depressivo grave. Entretanto, algumas pesquisas recentes indicam que pacientes com depressão resistente a tratamento farmacológico adequado têm pior resposta clínica à ECT. Além disso, há evidências de que uma maior duração do episódio parece associar-se à pior resposta à ECT (PRUDlC et al, 1996),

Em contraposição aos antidepressivos tricíclicos, há evidências de que a resistência a antidepressivos ISRS não prediz má resposta à ECT. Assim, alguns autores especulam de que talvez existam mecanismos comuns entre a ECT e os antidepressivos heterocíclicos (PRUDlC et al, 1996).

O Consenso da American Psychiatric Association de abril de 2000

Em abril de 2000, a American Psychiatric Association - APA publicou um suplemento de sua revista (Am. J. Psychiatry) intitulado: "Practice Guideline for the treatment of patients with Major Depressive Disorder-Revision". Nesse volume, editado por T. Byram Karasu, a APA procurou oferecer aos clínicos que lidam com pacientes com depressão maior, o que há de mais atual e consistente no que concerne ao tratamento da depressão maior.

Nesse Guideline há várias observações e recomendações sobre o uso da ECT em depressão maior. A seguir resumimos o que encontramos de mais relevante, particularmente o que concerne especificamente à ECT. Por exemplo, segundo a APA: A ECT deve ser considerada para pacientes com transtorno depressivo maior com um alto grau de intensidade e gravidade dos sintomas, e prejuízos funcionais, ou para casos nos quais sintomas psicóticos ou catatônicos estão presentes.

A ECT pode ser também o tratamento de escolha para pacientes nos quais há necessidade de resposta terapêutica rápida, tais como pacientes suicidas ou que recusam alimentação, estando em estado nutricional comprometido.

Segundo a força tarefa da APA a proporção de pacientes com depressão maior que responde à ECT é alta, estando em torno de 80 a 90%. Além disso, é de se destacar que estudos controlados têm também evidenciado que cerca da metade dos pacientes com depressão maior que não responderam aos tratamentos farmacológicos, respondem bem à ECT. Os grupos de pacientes nos quais a ECT deve ser considerada como o tratamento mais eficaz e possivelmente de primeira escolha são apresentados no quadro 1 .

GRUPOS DE PACIENTES NOS QUAIS A ECT DEVE SER CONSIDERADA A PRIMEIRA ESCOLHA

Pacientes com sintomas psicóticos (depressão grave com sintomas psicóticos)
Pacientes com estupor e sintomas catatônicos (mutismo, negativismo, apatia no leito, sem resposta ao ambiente)
Pacientes com risco grave de suicídio
Pacientes com recusa alimentar e estado nutricional prejudicado
Pacientes grávidas que precisam resposta terapêutica rápida
Pacientes que já responderam previamente à ECT de forma marcante
Pacientes que façam opção pessoal pela ECT como primeira escolha

RELATÓRIO DA OMS – Doenças Mentais do Mundo

SIMPÓSIO SOBRE SUICÍDIO (J.Hopkins Hospital)

PSICOPATOLOGIA E O MODELO MÉDICO

ALCOOLISMO COMO PROBLEMA DE SAÚDE NO TRABALHO

DEPRESSÃO PÓS-PARTO E RELAÇÃO MÃE-FILHO

REVISÃO DE SUICÍDIOS COM TRANQÜILIZANTES

MESAS REDONDAS do VII... - 2002

TEXTOS DOS POSTERS do VII Congresso Brasileiro de Psiquiatria Clínica - 2002

 

 

Eletroconvulsoterapia é o tratamento mais controverso e polêmico da psiquiatria. A própria natureza do tratamento, seu historico de abuso, as apresentações desfavoráveis da midia, testemunhos de pacientes que se julgaram lesados, a atenção especial do sistema legal e a opinião leiga tão convincente quanto desinformada, contribuiram para o contexto extremamente controverso da Eletroconvulsoterapia.

A psiquiatria não teve, junto à mídia, a mesma sorte que teve a cardiologia. Na cardiologia o fortíssimo choque elétrico de 600 volts aplicados no peito para reverter uma fibrilação cardíaca é tido sempre como medida heróica.

Quando a cena aparece em filmes, a platéia respira aliviada por saber que alguma coisa heróica está sendo feita para evitar a morte.
Na psiquiatria, com uma voltagem muitíssima menor, o choque aplicado nas têmporas é criticado e condenado não apenas pela mídia e, conseqüentemente pela sociedade, mas, inclusive, por pessoas ligadas à área de saúde mental. Será que essas pessoas acreditam, de fato, que a morte por parada cardíaca é mais letal que a morte causada pelo suicídio?
 

De vez em quando somos surpreendidos por notícias sobre hospitais que continuam praticando a ECT, pejorativamente chamada de "eletrochoque", como se esta afirmativa, por si só, colocasse o hospital como praticante de alguma tortura medieval.

Ao contrário do que a população leiga, e curiosamente alguns profissionais da área de saúde mental costumam imaginar, a ECT continua sendo bastante empregada pela moderna psiquiatria. Na Europa em geral e, particularmente nos países nórdicos, a ECT tem sido a primeira indicação terapêutica nas tentativas sérias de suicídio. 

A ECT é um tratamento biológico altamente eficaz e bem estabelecido para transtornos psiquiátricos, com efeitos colaterais relativamente benignos e tecnicamente muito bem empregado mediante o uso de anestésicos e relaxantes musculares.

A ECT é usada principalmente para os quadros depressivos graves, com ou sem sintomas psicóticos, nos episódios de mania aguda e esquizofrenia, principalmente no tipo catatônica. Para pacientes com depressão grave e sintomas psicóticos, a ECT é a indicação mais efetiva, entre os tratamentos atualmente disponíveis, com início do efeito mais rápido que outros psicotrópicos (antidepressivos ou antipsicóticos).
Quando se compara a ECT com psicotrópicos, de um modo geral, as evidências apontam para um benefício maior da ECT, freqüentemente exercendo um bom efeito, num prazo curto, principalmente em relação ao risco de suicídio. Veja a página

 

Os pacientes deprimidos podem apresentar a depressão de duas maneiras; depressão atípica e, depressão típica. Vejamos os 2 tipos:

PACIENTES COM SINTOMAS PREDOMINANTEMENTE FÍSICOS
Começamos com o esquema de abordagem dos pacientes com quadros somáticos. Podem ser eles:
1. - Síndrome do Pânico
2. - Quadros Fóbicos
2.1 - Fobia Social
2.2 - Fobia Simples
2.3 - Agorafobia
3. - Quadros Obsessivos-Compulsivos
4. - Quadros Somatiformes
4.1 - Dor Psicogênica
4.2 - Hipocondria
4.3 - Somatizações (Transtorno Somatomorfo)

Todos esses quadros acima podem se manifestar com exuberantes sintomas autossômicos, determinados por desequilíbrio do SNA (Sistema Nervoso Autônomo) e/ou com a coexistência de Transtornos Psicossomáticos (Lista 3).
Havendo necessidade do tratamento médico, este deve ser direcionado à Depressão e à Ansiedade. A maioria dos clínicos gerais e especialistas não psiquiatras têm optado, por várias razões, aos ansiolíticos como primeira opção medicamentosa. Entre as razões dessa escolha estão, principalmente, o hábito e o desconhecimento do manuseio com antidepressivos. Entretanto, sabendo que a Depressão pode estar sendo a base psicofisiológica dos sintomas ansiosos, o mais correto seria iniciarmos o tratamento com antidepressivos; isoladamente ou, conforme ao caso, temporariamente associados aos ansiolíticos.
A existência de sintomas físicos em pacientes emocionais exige sempre uma adequada avaliação clínica. Não havendo confirmação clínica e laboratorial das queixas físicas estaremos diante de Quadros Somatiformes, havendo alterações clinicamente constatadas estaremos diante dos Transtornos Psicossomáticos. Veja Depressão

 

 

 

Abordagens Psicoterapêuticas na Depressão

Sergio Ishara
Departamento de Neurologia, Psiquiatria e Psicologia Médica
Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto USP

Inicialmente abordaremos aspectos introdutórios ao estudo das psicoterapias, destacando o funcionamento psicodinâmico na depressão. A seguir, apresentaremos um resumo com as características das abordagens psicoterapêuticas mais utilizadas. Por fim, discutiremos as nossas experiências com pacientes deprimidos tratados em hospital dia.

Os estados depressivos abrangem um amplo espectro de situações clínicas e características de tratamento. Em decorrência desta diversidade, as práticas psicoterapêuticas apresentam-se diferenciadas em vários aspectos, segundo as características dos pacientes, os objetivos terapêuticos, a natureza do setting e o tempo de duração do tratamento.

Porém, pode-se delinear algumas características mais comuns ao funcionamento e ao tratamento dos pacientes deprimidos.Tendo em vista a proliferação de diferentes abordagens para o tratamento das doenças psiquiátricas, cabe inicialmente ressaltar que a psicoterapia vai além de uma conversa bem intencionada.

Neste sentido, lembramos Freud (1905): "Nosso consolo corriqueiro, que tão liberalmente dispensamos aos enfermos –" Você logo ficará bom de novo!", corresponde a um dos métodos psicoterapêuticos; mas agora que temos um discernimento mais profundo da natureza da neurose, não somos obrigados a ficar restritos a esse consolo."

Os psicoterapeutas trabalham segundo princípios de um determinado método clínico. Esta prática, realizada por profissionais habilitados, pode permitir uma diferenciada e valiosa contribuição ao tratamento dos quadros depressivos.

Na etapa inicial do tratamento, destaca-se a necessidade de conhecer o paciente, pois encontrar um paciente deprimido não implica em iniciar uma psicoterapia. Há a necessidade de evitar enganos, como tratar distúrbios orgânicos e também verificar se o paciente deprimido quer ou pode iniciar uma psicoterapia. Esta etapa do conhecimento, ou da busca de diagnósticos, permite uma razoável compreensão sobre as necessidades do paciente, o grau de sofrimento psíquico, a gravidade dos sintomas, os recursos da mente, o estado de interação e suporte social, as expectativas do paciente e familiares e as condições para realização do tratamento.

Desde o início, a atitude do terapeuta será sempre o alicerce básico para as intervenções terapêuticas. Neste sentido, pouco importa se tratamos o paciente deprimido ou psicótico. O sucesso das práticas psicoterapêuticas começa pela possibilidade de estabelecimento do vínculo terapeuta paciente, pela capacidade de contato e compreensão do outro.

Rogers (1977) descreveu com profundidade o significado destas características básicas para a relação terapêutica, denominando-as empatia, congruência e aceitação incondicional do paciente. A psicoterapia constrói-se dentro de uma relação e por isso, torna-se pertinente destacar a atitude do terapeuta sobre a sua habilidade em reproduzir algum procedimento técnico.

Vários estudos realizados com pacientes depressivos têm permitido ampliar a compreensão sobre a doença e as práticas terapêuticas. Entre as abordagens psicoterapêuticas atuais, Hirschfeld & Shea (1999) destacaram a Psicanálise, a Terapia Interpessoal, as Abordagens Comportamentais e a Terapia Cognitivo Comportamentais.

A Psicanálise trouxe uma valiosa contribuição para compreensão e o tratamento da depressão. De acordo com Millan (1997), os estados depressivos estão ligados a sentimentos de perda consciente e/ou inconsciente. Perder significa arruinar ou destruir, implicando em estado de culpa por sentir que causou dano ao objeto amado e crítica por sentir que este o frustrou e abandonou, desencadeando um processo auto destrutivo. Quanto maior for a integração do ego e a confiança nos objetos reais internalizados maior será a tolerância às frustrações e aos impulsos destrutivos. Desenvolver estes fatores torna-se o objetivo do tratamento psicológico. Entre as características do atendimento psicológico destacam-se a continência, a investigação da perda, o questionamento das convicções e a interpretação dos aspectos narcísicos e agressivos.

A continência significa estar disponível, funcionando como um ego auxiliar que recebe o que o paciente traz, metabolizando e devolvendo de maneira elaborada as emoções do paciente. A ênfase não é na supressão do sofrimento, mas no desenvolvimento de recursos para lidar com a experiência, basicamente a capacidade de pensar. No processo psicoterapêutico busca-se a investigação das perdas, visto que existem perdas por fatores externos e outras que ocorrem no plano mental.

O paciente nem sempre tem consciência do que realmente foi perdido, o processo psicoterapêutico permite o questionamento das convicções a respeito de si mesmo, por exemplo, a crença sobre a sua incapacidade. O questionamento dessas convicções, permite ao paciente perceber as diferenças entre a realidade psíquica e a realidade externa, ampliando o seu mundo mental (Millan, 1997).

A interpretação dos aspectos narcisos e agressivos baseia-se no reconhecimento de que a escolha do objeto perdido pelo paciente deprimido é de natureza narcísica. Através do objeto, o sujeito conseguia manter uma fonte de satisfação narcísica de seu próprio valor. Muito do sofrimento do paciente referese as perdas sofridas pelo ego. Com a perda do outro a fonte de satisfação narcísica deixa de existir e o paciente fica vulnerável a sua baixa auto-estima. A auto acusação surge como resposta agressiva a frustração. O papel do terapeuta será ajudar o paciente a tolerar este estado doloroso e promover uma reorganização de seu mundo interno, a partir do desenvolvimento de uma relação empática e um ambiente acolhedor. O tratamento permite ao paciente ~der a elaborar as experiências de frustração e reconhecer a distância entre situação real e a idealizada (Millan 1997).

Na Terapia Interpessoal destacam-se as experiências interpessoais atuais do paciente e a ligação entre o rompimento de vínculos e a vulnerabilidade a depressão. Entre os objetivos da terapia enfatiza-se a necessidade de ajudar o paciente a desenvolver estratégias mais eficientes para lidar com seus relacionamentos sociais e interpessoais. (Hirschfeld & Shea, 1999).

Nas Abordagens Comportamentais, a depressão seria causada pela perda do reforço positivo pelo indivíduo. A alteração do comportamento seria a forma mais eficiente de mudar pensamentos e sentimentos.

Entre os objetivos destacam-se aumentar as interações positivas e reforçadoras, diminuir o número de interações negativas e a melhora das habilidades sociais (Hirschfeld & Shea, 1999).

Segundo Beck e col. (1979), a Terapia Cognitiva permite experiências de aprendizado altamente específicas visando reduzir esquemas distorcidos e erros cognitivos. O objetivo consiste em ajudar o paciente a reconhecer as conecções entre cognição, afeto e pensamento, identificar e rever os pensamentos negativos, desenvolvendo esquemas de pensamento menos rígidos a partir de expectativas mais adequadas a realidade.

Os pacientes graves têm-se beneficiado de tratamentos intensivos e multidisciplinares, que trabalham com abordagens psicoterapêuticas distintas e diversificadas, em função da sintomatologia e do tipo de setting terapêutico. Um exemplo atual da necessidade de complementariedade multidisciplinar tem sido o tratamento da depressão em pacientes com AIDS, evidenciando a necessidade de abordagens multidisciplinares que contemplem aspectos como 0 comprometimento do sistema nervoso central, as perdas advindas da exclusão social e o estado psíquico com sentimentos de tristeza e culpa.

Em nossa experiência, no Hospital Dia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP, nos últimos dois anos receberam tratamento 153 pacientes psiquiátricos, em regime de semi internação, sendo que deste total, aproximadamente 60% apresentavam sintomatologia depressiva por ocasião da admissão no serviço e em aproximadamente 27% dos pacientes foi detectada a presença de ideação suicida.

No ambiente hospitalar, a instituição organiza-se de maneira a constituir-se em um ambiente de cura. Os princípios de comunidade terapêutica preconizam a valorização de todos os espaços institucionais numa perspectiva terapêutica. De acordo com Cornaglia (1985), a instituição precisa desenvolver um ambiente cuidado, alegre e rico em possibilidades.

Os espaços externos e internos devem expressar a vitalidade institucional. Neste sentido, todas as atividades realizadas junto ao paciente e seus familiares são valorizadas como ocasiões de diagnóstico e ajuda.

O paciente tem dificuldade para compreender a sua doença e aceitar a si mesmo nesta condição. Freqüentemente o ambiente social amplifica estas dificuldades criticando e excluindo o doente. Um ambiente genuinamente acolhedor a¡uda a romper o ciclo de auto e hétero hostilidade.

O terapeuta ajuda o paciente a decodificar seus sintomas e seu comportamento, favorecendo a melhora da auto-estima e a adesão ao tratamento.

Os estudos clínicos com pacientes deprimidos têm demonstrado que a abordagem psicoterapêutica constitui-se em uma modalidade de tratamento que pode ser combinadas de maneira complementar com outras abordagens como a biológica, familiar e social.

No Hospital Dia, o conjunto de procedimentos terapêuticos que compõem o espectro da abordagem psicossocial inclui a psicoterapia de grupo, a psicoeducação, a terapia familiar, a terapia ocupacional e as atividades recreativas. Os grupos terapêuticos oferecem a possibilidade para o paciente conversar sobre a sua doença, trocar experiências com outros pacientes com dificuldades semelhantes experimentando a compreensão de outras pessoas em relação ao seu sofrimento, fator importante na reabilitação do paciente deprimido, que habitualmente relata não ser compreendido na sua doença.

O uso de técnicas grupais vem sendo amplamente difundido. Segundo Brook (1996), os grupos variam desde grupos de medicação até os grupos psicanalíticos, passando pelos grupos de apoio e cognitivo comportamentais. O autor destaca a utilidade dos grupos de medicação para aumentar a adesão ao tratamento, o conhecimento sobre a doença e as medicações, permitir a expressão de sentimentos e fornecer apoio.

No Hospital Dia, a psicoeducação permite a orientação sobre a doença e o tratamento, bem como o desenvolvendo das possibilidades de mútua ajuda entre pacientes e familiares (Ishara, 1999). Entre os aspectos que temos desenvolvido dentro do programa de psicoeducação com os pacientes deprimidos, destacamos a busca do auto-conhecimento e auto valorização.

Como exemplo recente, citamos uma atividade que consistiu na elaboração de uma pequena biografia dos pacientes internados. Observamos que, a adequada utilização dos dados da história pessoal facilita o processo de auto valorização, colaborando no reconhecimento dos aspectos positivos da identidade pessoal de cada paciente.

O sentido da vida e a ideação suicida constituíram-se em um outro assunto de destaque dentro do programa de psicoeducação. Temos utilizado a experiência de pacientes que já tentaram suicídio, aproveitando a aprendizagem que esses pacientes adquiriram em situações limites como essa para promover debates realistas em torno do tema. Os relatos de experiências pessoais, facilitam a identificação dos pacientes e a ajuda mútua. Além disso, observamos que este processo tem favorecido o amadurecimento dos pacientes que colaboram relatando exemplos refletidos de suas histórias pessoais.

Segundo Mueser & Gingerich (1994), a psicoeducação com a depressão de pacientes com esquizofrenia tem merecido especial atenção.

Basta lembrar que aproximadamente metade dos paciente com esquizofrenia realiza alguma tentativa de suicídio durante a sua vida e que um em cada dez pacientes morre de suicídio. O estabelecimento de objetivos realistas de tratamento, organizados etapa por etapa contribui para rever expectativas não realistas desencadeadoras de frustração.

A atitude dos terapeutas busca valorizar toda habilidade e possibilidade de participação de pacientes e familiares, visando contribuir para melhora da auto-estima. De acordo com Nardi (1998), os pacientes depressivos são tipicamente sensíveis ao estresse e podem beneficiar-se de estratégias para mantê-lo sob controle. Neste sentido, a partir do levantamento de estressores, o psicoterapeuta pode formular intervenções de orientação a fim de ajudar o paciente a identificar estes estressores e iniciar o aprendizado de como manejá-los.

Este mesmo autor, destaca a importância do suporte familiar. A terapia familiar auxilia a compreender o funcionamento familiar, corrigindo déficits de comunicação e desenvolvendo papéis mais adaptados.

Começar a percorrer o caminho para compreensão do funcionamento psíquico e das possibilidades terapêuticas do paciente deprimido motiva a um longo trabalho de estudo e pesquisa. Além disso, Mueser & Gingerich (1994) destacam que um aspecto fundamental para o terapeuta que trabalha com o paciente depressivo consiste em aprender a manejar a própria depressão. O terapeuta estará mais habilitado a compreender o seu paciente na medida em que tenha aprendido sobre o funcionamento dos quadros depressivos e elaborado uma compreensão sobre seus próprios estados depressivos.

Finalmente, lembramos Freud (1905): "Da mesma forma, chegam-me notícias de que tal ou qual colega marcou consultas com um paciente para fazer com ele um tratamento psíquico, embora eu tenha certeza de que ele não conhece a técnica de tal tratamento. Deve estar esperando, portanto, que o paciente o presenteie com seus segredos, ou talvez esteja buscando a cura em alguma espécie de confissão ou confidência. Não me surpreenderia que um paciente assim tratado extraísse disso mais prejuízos do que benefícios. E que o instrumento anímico não é assim tão fácil de tocar. Nessas ocasiões, não posso deixar de pensar nas palavras de um neurótico mundialmente famoso, que decerto nunca esteve em tratamento com um médico, pois viveu apenas na fantasia de um poeta. Refiro-me a Hamlet, Príncipe da Dinamarca. 

O Rei enviara dois cortesãos, Rosenkranz e Guildenstern, para sondá-lo e arrancar dele o segredo de seu desgosto. Ele os repele; aparecem então algumas flautas no palco. Tomando uma delas", Hamlet". pede a um de seus algozes que a toque, o que seria tão fácil quanto mentir. O cortesão se recusa, pois não conhece o manejo do instrumento, e, não conseguindo persuadi-lo a tentar, Hamlet finalmente explode: "Pois vede agora em que mísera coisa me transformais! Quereis tocar-me; (...) quereis arrancar o cerne de meu mistério; pretendeis extrair-me sons, de minha nota mais grave até o topo de meu diapasão; e embora haja muita música, excelente voz neste pequenino instrumento, não podeis fazê-lo falar. Pelo sangue de Cristo, julgais que sou mais fácil de tocar do que uma flauta? Chamai-me do instrumento que quiserdes, pois se podeis desafinar-me, ainda assim não me podeis tocar." (Ato III, Cena 2.)

Compreender cada paciente é um cuidadoso processo. Embora, a experiência pessoal permita o aprendizado, a capacidade terapêutica precisa ser desenvolvida e atualizada dentro de cada processo terapêutico, considerando a singularidade de cada novo paciente e os recursos do terapeuta.

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