Sociedade Paulista de Psiquiatria Clínica
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Psiquiatria Acadêmica Cadernos Especiais CID.10 Dicionário de Psiquiatria
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APRENDENDO PSICOPATOLOGIA

 

MESAS REDONDAS DO VII CONGRESSO DE PSIQUIATRIA CLÍNICA  

 
Perguntas (gerais) para Residência
UERJ (1990)
UERJ (1994)
UFRJ (1994)
UFF (1997)

 

   

III FÓRUM DE PSIQUIATRIA DO INTERIOR PAULISTA
2000
Alguns resumos

DEPRESSÃO NA MULHER - VISÃO DO GINECOLOGISTA
Prof. Dr. Ricardo Barini

DEPRESSÃO NA MENOPAUSA E O USO DA TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL
Florence Kerr-Corrêa

ABORDAGEM CLÍNICA E TERAPÊUTICA DA DEPRESSÃO PUERPERAL
Erikson Felipe Furtado

ATUALIZAÇÃO DO USO DE ECT NA DEPRESSÃO
Paulo Dalgalarrondo, Lorena Azi e Neury J. Botega

ABORDAGENS PESICOTERAPÊUTICAS NA DEPRESSÃO
Sergio Ishara

PERFIL PSIQUIÁTRICO DE PACIENTES COM OBESIDADE MÓRBIDA
Daphne Marussi, Paulo Dalgalarrondo

ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS: PADRÃO DE CONSUMO E COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS
Gamaliel C. Macedo, Edneia Zanuto, Cintia Azevedo Marques, Daniel Cordeiro & Pedro Altenfelder Silva

PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS DE HUMOR E DE IDEAÇÃO SUICIDA NUMA POPULAÇÃO DE ADOLESCENTES GRÁVIDAS
Gisleine Vaz Scavacini de Freitas, Neury José Botega

PSICOSE E EPILEPSIA
Florindo Stella

A RELAÇÃO MÃE-CRIANÇA E A MANIFESTAÇÃO DE QUADROS PSICOSSOMÁTICOS NO PRIMEIRO ANO DE VIDA
Luciana Queiroz, Gimol Benzaquen Perosa,
Francisca Teresa Veneziano Faleiros

APRESENTAÇÃO CLÍNICA DO TRANSTORNO DO PÂNICO: ESTUDO DESCRITIVO
Mendes, R.; Dias, R.; Smaira, S.I. e Torres, A.R.

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 Links Relacionados: 


Links Específicos (por doença)
Revistas e Jornais de Psiquiatria
Dep de Psiquiatria - Unifesp/EPM

Instituto Psiquiatria - USP

Departamento Psiquiatria - UFRGS

Revista de Psiquiatria Consiliar

 

Livros


PERFIL PSIOUIÁTRICO DE PACIENTES COM OBESIDADE MÓRBIDA

Daphne Marussi, Paulo Dalgalarrondo
Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria
FCM UNICAMP

Introdução: A obesidade é doença de difícil controle e elevada taxa de recidiva. Entre as subpopulações de obesos mórbidos que necessitam de uma abordagem terapêutica diferenciada, o subgrupo de comedores compulsivos, representa 20 a 30% dos pacientes. O comedor compulsivo tem maior tendência à depressão e freqüentemente apresenta história de outros transtornos psíquicos.

Objetivos: Descrever as características principais de pacientes com obesidade mórbida com relação à seus hábitos alimentares e psicopatologia.

Material: Foram avaliados 50 pacientes com obesidade severa (IMC maior que 40), sendo 38 mulheres e 12 homens, acompanhados no ambulatório de Síndrome Plurimetabólica da Endocrinologia e de Cirurgia Bariátrica da Gastrocirurgia do Hospital das Clínicas da UNICAMP, que não se encontravam em tratamento farmacológico para redução de peso.

Método: Foram aplicadas duas escalas de avaliação: o Bulimic lnvestigatory Test Edinburgh (BITE), instrumento de auto avaliação utilizado para estudos epidemiológicos e acompanhamento de pacientes com bulimia nervosa e avaliação inicial em obesos que buscam tratamento, diferenciando um subgrupo de obesos bulímicos e a escala de medida de ansiedade e depressão (HAD). Os pacientes foram subdivididos em 4 grupos de acordo com os resultados do BITE, sendo avaliada as particularidades de cada grupo. Através do teste de Spearman foram avaliadas as correlações dos coeficientes dos itens de cada escala.

Resultados: A idade média foi de 39,5 anos. O IMC médio foi de 50,4. 32,6% encontravam-se desempregados. 24,5% apresentavam BITE com escore elevado, com comportamento alimentar compulsivo e grande possibilidade para preencher critérios diagnósticos para bulimia nervosa e transtorno do comer compulsivo. 20,4% escore indicativo de um grupo subclínico com alimentação compulsiva, bulímicos em estágio inicial ou bulímicos em recuperação. 30,6% apresentaram escores médios que sugere padrão alimentar não usual. 24,5 % dos pacientes estavam nos limites da normalidade. O subgrupo de bulímicos apresentou um significativo desinteresse em cuidar da própria aparência (p=0,0012) e uma maior freqüência de sensação de entrar em pânico.

Na escala de gravidade do BITE, 10,2% dos pacientes apresentaram alto grau de severidade, 61,2% apresentaram escores clinicamente significativos e 28,6% apresentaram escores não significativos. IMC alto correlacionou-se significativamente com o fato do paciente sentir-se tenso ou contraído (p=0,019).

Um maior peso, correlacionou-se significativamente com um menor gosto pelas coisas que fazia anteriormente (p=0,031). Maior freqüência de episódios bulímicos correlacionou-se positivamente com uma dificuldade ficar sentado e se divertir relaxado (p=0,08), com o fato de se sentir tenso ou contraído (p=0,05), ter uma espécie de medo como se alguma coisa ruim fosse acontecer (p=0,021), dificuldade em dar risada e se divertir (p=0,004) e elevados índices totais na escala de ansiedade (p=0,03) e de depressão (p=0.024). O escore final na escala de sintomas do BITE correlacionou-se positivamente com uma maior tendência a ter uma sensação de entrar em pânico e níveis mais elevados na escala de gravidade do BITE.

Conclusão: Existe uma alta incidência de indivíduos com compulsão alimentar entre os pacientes obesos que procuram tratamento. Dos pacientes, apenas 24,5% estavam dentro dos limites da normalidade em termos de hábitos alimentares. 

A escala de gravidade demonstrando um maior número de pacientes com escores moderados reflete as próprias características dos pacientes compulsivos, uma vez que não pontuam para atitudes purgativas, que levariam a taxas mais elevadas na escala de gravidade. Alto IMC correlacionando-se positivamente com o fato do paciente sentir-se contraído pode refletir a dificuldade com o próprio corpo uma vez que a mobilidade física destes pacientes é bastante limitada, além da vergonha em relação ao seu corpo.

 A alta freqüência de episódios bulímicos correlacionou-se positivamente com os escores alto5 da escala de ansiedade e de depressão. Isto é concordante com dados de literatura, os quais mostram que pacientes obesos com compulsão alimentar apresentam maior psicopatologia que os pacientes obesos sem compulsão alimentar. Tais pacientes apresentam taxas mais elevadas de transtornos do humor, transtornos de ansiedade e bulimia nervosa. 

Tal fato poderia explicar alguns resultados divergentes obtidos em estudos que procuram determinar a prevalência de psicopatologia na obesidade. Estudos anteriores demonstram que pacientes com compulsão alimentar apresentam resultados deficitários em programas de perda de peso quando comparados à pacientes sem compulsão alimentar, e requerem desta forma programas específicos de tratamento para o comportamento bulímico. 

Desta forma é recomendada a diferenciação de pacientes compulsivos dos não compulsivos nos programas de perda de peso para que estes recebam tratamento adequado .

ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS: PADRÃO DE CONSUMO E COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS

Gamaliel C. Macedo, Edneia Zanuto, 
Cintia Azevedo Marques, Daniel Cordeiro 
& Pedro Altenfelder Silva
CAISM-Centro de Atenção Integrada à Saúde Menta – ISCMSP

As estimativas sobre o uso de droga e álcool na população geral variam muito. Isto se deve a diferentes metodologias utilizadas, faixa etária estudada, substâncias incluídas e particularidades da cultura estudada. Mas é consenso de que os Transtornos Associados ao uso de Substância são um problema de saúde pública, especialmente aqueles relacionados com o uso de álcool. No Brasil, por exemplo o álcool foi responsável pela maioria das internações ocorridas em hospitais e clínicas psiquiátricas no período de 1987 a 1993 (Noto, 1995). 

A comorbidade nesta população é freqüente não só a dependência de outras substâncias como de outros transtornos psiquiátricos. A relação entre psicopatologia e abuso de droga esta bem estabelecida (Ross, 1988, Lopes, 1991) e diversos estudos mostraram que a presença de distúrbio psiquiátrico entre abusadores de droga pode ser parcialmente predita pelo número, tipo e via de administração da droga.

Objetivo: Explorar possíveis associações entre padrão de consumo de substâncias psicoativas e transtornos psiquiátricos.

Métodos: Foram estudados todos os pacientes entrevistados em primeira consulta médica (n=61) no ambulatório de drogadependência no período de 01/01/00 a 16/05/00 e utilizados dados de prontuários onde os diagnósticos seguem os critérios da CID-10. Um banco de dados foi criado usando o programa estatístico SPSS para Windows. Foi realizada uma análise descritiva dos dados e para comparar as freqüências relativas entre dois grupos de variáveis categóricas o teste Qui-quadrado foi utilizado e para variáveis contínuas o teste t de Student.

Resultados: Esta é uma população relativamente jovem (média de idade entre usuários de álcool = 40,2 e outras drogas =27,6), masculina (90,2%), de baixa escolaridade (quase 70% tem até o 1 ° grau), desempregados (mais de 60%). Os etilistas (n=33) usavam álcool em média há 16 anos (dp=9,8) enquanto usuários de outras drogas em média 5 anos (dp=3,1).

No último mês os etilistas estavam bebendo diariamente (100%) uma quantidade média de 25 doses (dp=15,4); os usuários de cocaína/crack estavam usando a droga diariamente (81 %) em grande quantidade (média=6,8g, dp=7,7g). Entre etilistas, 39% apresentavam alguma comorbidade e entre usuários de outras drogas 23%. Transtornos de humor estavam mais associados com o uso de álcool (61,5% das comorbidades presentes) do que outras drogas (33,3% das comorbidades presentes). Em relação aos Transtornos de Personalidade, estes eram mais freqüentes entre a população usuária de outras drogas.

Conclusão: Estes dados preliminares indicam uma possível associação de co-morbidades diferentes entre dependentes de álcool e de outras drogas, especialmente Transtornos do Humor e Transtorno de Personalidade e aponta a necessidade de pesquisas futuras na exploração de outros fatores (por exemplo, padrão de consumo).

Esta é uma amostra pequena e de conveniência, portanto os dados devem ~er interpretados com cuidado.

PREVALÊNCIA DE TRANSTORNOS DE HUMOR E DE IDEAÇÃO SUICIDA NUMA POPULAÇÃO DE ADOLESCENTES GRÁVIDAS

Gisleine Vaz Scavacini de Freitas, 
Neury José Botega
Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria
FCM - UNICAMP

Este estudo teve como objetivos: 1-Determinar a prevalência de depressão, ansiedade e ideação suicida em adolescentes grávidas, nos três trimestres da gestação; 2-Verificar, possíveis associações entre ideação com: depressão, ansiedade, história de abuso sexual, de agressão física, de tentativa de suicídio anterior, intenção de engravidar, período gestacional, situação conjugal, e apoio social.

Trata-se de um inquérito populacional do tipo transversal, incluindo avaliação clínica, realizado em adolescentes que se encontravam em diferentes períodos gestacionais.

A amostra foi composta por 120 adolescentes grávidas (40 de cada trimestre gestacional), com idades variando entre 14 e 18 anos, atendidas em serviço de pré-natal da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba.

Uma entrevista foi realizada seguindo um questionário com seções sobre dados sociodemográficos, história gestacional, história pessoal e familiar. Quadros psicológicos de ansiedade e de depressão foram avaliados através da "Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão" (HAD) e também pela "Entrevista Clínica Estruturada-edição revisada" (CIS-R). 

Para avaliar a ideação suicida foi utilizada a "Escala de Ideação Suicida de Beck" (BSI). Criou-se uma variável, composta por 6 itens, para medir apoio social, com pontuação de 0 a 6.As associações entre as variáveis foram avaliadas utilizando estatística nãonaramétrica e, quando aplicável, estatística paramétrica.

Do total dos sujeitos, foram encontrados: casos de ansiedade em 25 (21 %); casos de depressão em 28 (23%). Desses, 12 (10%) tinham ansiedade e depressão. Ideação suicida ocorreu em 19 (16%) sujeitos. Não foram encontradas diferenças nas prevalências de depressão, ansiedade e ideação suicida nos trimestres gestacionais. 

Tentativa de suicídio anterior ocorreu em 16 (13%) sujeitos. A severidade da ideação suicida (BSI) teve associação significativa com a variável depressão (p=0,001; Qui-quadrado) e o estado civil "solteira sem namorado" (p=0,012; Qui-quadrado).

Os resultados deste trabalho descritivo traçam um perfil de uma amostra de adolescentes grávidas proporcionando base para futuros estudos, envolvendo grupo-controle, a fim de que muitas questões relacionadas à gestação na adolescência possam ser respondidas.

PSICOSE E EPILEPSIA

Florindo Stella
Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio Claro, SP.
Ambulatório de Neuropsiquiatrìa, UNICAMP, Campinas, SP.

Os Transtornos Psicóticos associados à Epilepsia têm prevalência de 6% na população geral, podendo chegar a 60% nas Instituições Psiquiátricas, sendo mais freqüentes e de maior gravidade nas Crises Parciais Complexas. Dividem-se em dois grupos: Peri-Ictais e Interictais.

Os Transtornos Peri-Ictais estão cronologicamente vinculados à ocorrência das crises. Após a crise, há confusão mental, alucinações auditivas ou visuais, delírios, agitação psicomotora e sintomas depressivos ou ansiosos intensos. Os sintomas melhoram com o desaparecimento dos efeitos da crise. Quando há intervalo de 6 a 24 horas de lucidez, após a crise, seguido de sintomas psicóticos, estes são denominados de eventos Pós-Ictais.

A gravidade do quadro determinará a intervenção com antipsicóticos ou ansiolíticos. Os Transtornos Psicóticos Interictais iniciam-se anos após a idade de surgimento das crises e não têm vínculo cronológico com a deflagração delas. Clinicamente, caracteriza-se por delírios bem estruturados, de conteúdo paranóide, de referência ou místico, atividade alucinatória auditiva ou visual, neologismos, pensamento com associações frouxas e sintomas de desrealização e despersonalização. Tentativas de suicídios representam risco importante. 

Cabe lembrar que o paciente epiléptico, em geral, apresenta 4 vezes mais tentativas de suicídio do que a população geral. E, na Epilepsia de Lobo Temporal, estas tentativas chegam a 25 vezes mais do que nessa população. Na Depressão e na Psicose as tentativas de suicídio são mais freqüentes.

Fatores contribuintes para Transtornos Psicóticos são: antecedente psiquiátrico, idade de início e freqüência das crises epilépticas, presença de crises do tipo parcial complexo, convulsões com traumas cranianos, medicação antiepiléptica e EEG epileptiforme em Regiões Temporais bilaterais.

De modo geral, as drogas antiepilépticas provocam alterações das funções mentais - afetivas, cognitivas e do juízo da realidade. O Topiramato, introduzido no mercado há vários anos, tem sido considerada uma droga segura quanto a efeitos adversos do tipo psicótico. São poucos os relatos na literatura internacional sobre estes eventos com esta droga.

Entretanto, há o caso de um paciente, por nós acompanhado na UNICAMP, sem transtorno mental anterior, que sofreu importante surto psicótico do tipo esquizofreniforme, com esta medicação. Isto aponta para a necessidade de se estar alerta quanto ao surgimento de episódios psicóticos com o Topiramato em pacientes epilépticos, mesmo isentos de antecedentes psiquiátricos.

A RELAÇÃO MÃE-CRIANÇA E A MANIFESTAÇÃO DE QUADROS PSICOSSOMÁTICOS NO PRIMEIRO ANO DE VIDA

Luciana Queiroz, 
Gimol Benzaquen Perosa,
Francisca Teresa Veneziano Faleiros

Faculdade de Medicina de Botucatu
Universidade Estadual Paulista
São Paulo

Introdução: Estudos recentes têm tentado demonstrar que o vínculo e o tipo de interação mãe-filho são variáveis responsáveis pelo surgimento e manutenção de doenças psicossomáticas na infância. Partindo-se desse pressuposto, o presente trabalho pretendeu:

a) traçar um perfil da interação entre um grupo de mães com seus filhos, cuja idade variava de 6 a 18 meses, tendo como contexto a consulta pediátrica e;

b) relacionar as diferentes formas de interação encontradas com a ocorrência de doenças psicossomáticas nessas crianças.

Método: Foram selecionadas, aleatoriamente, 19 díades de mães-filhos, que foram atendidas no ambulatório de puericultura do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina - UNESP. As díades foram observadas a partir de um instrumento adaptado da Escala de Observação RAF (Recherche Action Formation) de Bobigny (1993). As interações observadas foram classificadas segundo as categorias propostas por Kreisler (1999) para avaliar a qualidade das interações: grau de responsividade, permissividade (colocação de limites coercitivos/não coercitivos) e prazer no contato. Ao final da consulta as mães foram entrevistadas quanto a : idade da mãe, número de gestações, estrutura familiar, cuidador da criança, planejamento da gravidez, preocupações relacionadas ao parto/puerpério e amamentação. Para correlacionar os perfis de interação com doenças psicossomáticas fez-se, posteriormente, um levantamento de histórico médico da criança a partir de dados do prontuário.

Resultados e Conclusões: Houve interação mãe-criança nos três momentos da consulta (anamnese, exame físico e orientação) mas ela foi mais freqüente durante o exame físico, principalmente se esse envolvia manipulações dolorosas. As formas de interação foram semelhantes na amostra como um todo: alta responsividade, trocas não-coercitivas e prazerosas. Três díades diferenciaram-se desse perfil, especialmente em relação à responsividade (carência ou excesso de estimulação). Com relação a doenças psicossomáticas constatou-se uma alta incidência dessas nos seis primeiros meses de vida (problemas alimentares, transtornos do sono, cólicas intestinais, constipação intestinal, alergias de pele, problemas respiratórios -asma, bronquite-, atraso no desenvolvimento) mas a maioria não se manteve após a criança completar um ano, exceto nas três díades com menor responsividade.

Nessas díades, as crianças continuaram apresentando problemas alimentares, constipação intestinal e alergias de pele. Os dados sugerem que a observação das interações durante a consulta pode auxiliar no entendimento de quadros psicossomáticos e orientar a intervenção.

APRESENTAÇÃO CLÍNICA DO TRANSTORNO DO PÂNICO: ESTUDO DESCRITIVO

Mendes, R.; Dias, R.; Smaira, S.I. e Torres, A.R.
Faculdade de Medicina de Botucatu
UNESP

Considerando-se a importância de se diagnosticar e tratar precocemente o transtorno do pânico (TP) e constatando-se a freqüente demora que ainda ocorre entre o aparecimento dos sintomas e o tratamento adequado, parece relevante descrever seus aspectos clínicos, no sentido de ampliar os conhecimentos sobre este quadro. Assim, este trabalho propôs-se a avaliar 31 pacientes (17 mulheres e 14 homens) portadores de TP (critérios diagnósticos da CID-10) tratados no ambulatório de Psiquiatria da FMB-UNESP. A maioria (74,2%) era procedente de Botucatu e região e tinha até 40 anos de idade (45,2% entre 19 e 30 anos), sendo 71 % casados e 61 ,3% católicos. 

Quase 30% eram de famílias numerosas (de 8 a 15 irmãos), sendo apenas sete primogênitos. Relataram ansiedade de separação na infância 32,3% dos casos, sem diferença entre os sexos. A idade de início dos sintomas ocorreu até os 25 anos em 64,6% dos pacientes e até os 35 anos em 77,4% deles.

Metade dos pacientes chegou a procurar pelo menos quinze vezes pronto atendimento médico. Todos os pacientes passaram por clínicos e outros especialistas, principalmente cardiologistas (61,3%) e neurologistas (41,9%). O ECG foi o exame mais realizado, em 54,8% dos casos. Quatorze (45,2%) procuraram três ou mais especialistas, sendo que 29% levaram pelo menos três anos até chegarem à Psiquiatria. 

Os sintomas mais comuns durante as crises foram: medo de morrer (93,5%), taquicardia e parestesias (83,9%), falta de ar e tremores (80,6%), ondas de frio e calor (77,4%), sudorese (71 %), dor no peito e medo de enlouquecer (67,7%), tontura e sensação de desmaio (58,1%). Em 64,5% dos casos as crises duravam em média entre 10 e 30 minutos, e em 22,5% até 10 minutos.

Apesar de ideação suicida ter ocorrido em 35,5% dos pacientes em algum momento, apenas três tiveram tentativas de suicídio. Vinte e dois casos (71 %) relataram acontecimentos vitais relevantes pouco tempo antes do início das crises (ex: rompimentos afetivos, doença ou morte de familiares, doença pessoal, nascimento de filhos). Em 25,8% dos casos havia pelo menos um parente de 10 grau também com provável TP. Quanto a comorbidade, tivemos mais agorafobia (80,6%) e transtornos depressivos (42%).

Uso de tabaco foi relatado por 64,5% dos pacientes e abuso ou dependência de álcool por 19,3%, significativamente mais entre homens.

Houve associação estatisticamente significante entre sexo feminino e ocorrência de parestesias e diarréia durante os ataques de pânico, assim como agorafobia secundária. Dependência de outras pessoas, isolamento social e dificuldades no trabalho foram as complicações do TP mais citadas.

Conclui-se que médicos não-psiquiatras precisam conhecer melhor esse quadro para encaminhar mais prontamente os casos, em geral adultos jovens, evitando prolongar o sofrimento e a incapacitação.

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RELATÓRIO DA OMS – Doenças Mentais do Mundo

SIMPÓSIO SOBRE SUICÍDIO (J.Hopkins Hospital)

PSICOPATOLOGIA E O MODELO MÉDICO

ALCOOLISMO COMO PROBLEMA DE SAÚDE NO TRABALHO

DEPRESSÃO PÓS-PARTO E RELAÇÃO MÃE-FILHO

REVISÃO DE SUICÍDIOS COM TRANQÜILIZANTES

MESAS REDONDAS do VII... - 2002

TEXTOS DOS POSTERS do VII Congresso Brasileiro de Psiquiatria Clínica - 2002

 

 

Há duas tendências sociais cruciantes para pessoas acima do peso ideal; uma é a grosseira e desumana discriminação estética e a outra é encarar o obeso como uma pessoa que não tem força de vontade e que ele é assim por que é preguiçoso.

Algumas vezes, isto gera preconceito em relação à pessoa obesa, dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para encontrar emprego e até mesmo quadros psiquiátricos conseqüentes a essa marginalização.

 

A obesidade é considerada hoje uma doença, tipo crônica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa a morte precoce. Tudo isso é verdade, mas de qual doença estamos falando? Quem é obeso?

 

Na psiquiatria aprendemos que existem graus variáveis entre estar perfeitamente normal e perdidamente doente, ao contrário da obstetrícia, onde a pessoa está ou não está grávida; não há meio-termo. Com a obesidade dá-se o mesmo que na psiquiatria, ou seja, graus variados, indo desde o sobre-peso discreto até a obesidade mórbida.

 

Alguns autores começam seus artigos dizendo que “a obesidade acomete uma grande proporção de pessoas - no Brasil 40% da população adulta tem excesso de peso. Outros dizem... “calcula-se que 300.000 pessoas nos Estados Unidos morrem por ano precocemente devido à obesidade e no Brasil, este número está entre 50.000 e 100.000 pessoas”. Às vezes temos a impressão que esses dados têm outro objetivo além da informação, eles podem pretender causar pânico entre todos os gordinhos. A indústria da obesidade, das dietas, das academias de ginástica, da tirania da estética é gigantesca.  

 

Nossa cultura, altamente consumista, tem por hábito a ingestão excessiva de alimentos supérfluos, como balas, bolachas, salgadinhos, etc. Inclusive no relacionamento social, agraciamos nossas visitas, amigos, clientes ou grupos culturais com jantares, lanches, happy hour, cafezinho, bolo, etc.
Admite-se que a porcentagem de gordura corporal deve situar-se entre 15 e 18% para o sexo masculino e entre 20 e 25% para o sexo feminino. Podem ser considerados obesos os homens com percentual superior a 25% e as mulheres com mais de 30%.

 

Qualquer definição de obesidade pode ser considerada arbitrária. Não é fácil a obtenção de uma classificação que separe com precisão indivíduos obesos e não obesos. A heterogeneidade da raça humana estimulou a criação, pelos estudiosos do assunto, de diversas definições, cálculos, tabelas, enfocando aspectos qualitativos e quantitativos. Mas, qualquer que seja o parâmetro ou a definição empregada, não há como separar o termo obesidade de excesso de gordura corporal. Veja a página

 

 

 

 

 

 

 

 

Gravidez Precoce
A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão e de suas famílias.

A incidência de gravidez na adolescência está crescendo e, nos EUA, onde existem boas estatísticas, vê-se que de 1975 a 1989 a porcentagem dos nascimentos de adolescentes grávidas e solteiras aumentou 74,4%. Em 1990, os partos de mães adolescentes representaram 12,5% de todos os nascimentos no país. Lidando com esses números, estima-se que aos 20 anos, 40% das mulheres brancas e 64% de mulheres negras terão experimentado ao menos 1 gravidez nos EUA .

No Brasil a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 70, engravidam hoje em dia (Referência). A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos.

A Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 1996, mostrou um dado alarmante; 14% das adolescentes já tinhas pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido a complicações de abortos clandestinos. Quase três mil na faixa dos 10 a 14 anos.
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