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PERFIL PSIOUIÁTRICO DE
PACIENTES COM OBESIDADE MÓRBIDA
Daphne
Marussi, Paulo Dalgalarrondo
Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria
FCM UNICAMP
Introdução:
A obesidade é doença de difícil controle e elevada
taxa de recidiva. Entre as subpopulações de obesos
mórbidos que necessitam de uma abordagem terapêutica
diferenciada, o subgrupo de comedores compulsivos,
representa 20 a 30% dos pacientes. O comedor
compulsivo tem maior tendência à depressão e freqüentemente
apresenta história de outros transtornos psíquicos.
Objetivos:
Descrever as características principais de pacientes
com obesidade mórbida com relação à seus hábitos
alimentares e psicopatologia.
Material:
Foram avaliados 50 pacientes com obesidade severa (IMC
maior que 40), sendo 38 mulheres e 12 homens,
acompanhados no ambulatório de Síndrome Plurimetabólica
da Endocrinologia e de Cirurgia Bariátrica da
Gastrocirurgia do Hospital das Clínicas da UNICAMP,
que não se encontravam em tratamento farmacológico
para redução de peso.
Método: Foram
aplicadas duas escalas de avaliação: o Bulimic
lnvestigatory Test Edinburgh (BITE), instrumento de auto avaliação
utilizado para estudos epidemiológicos e
acompanhamento de pacientes com bulimia nervosa e
avaliação inicial em obesos que buscam tratamento,
diferenciando um subgrupo de obesos bulímicos e a
escala de medida de ansiedade e depressão (HAD). Os pacientes foram subdivididos em
4 grupos de acordo com os resultados do BITE, sendo
avaliada as particularidades de cada grupo. Através
do teste de Spearman foram avaliadas as correlações
dos coeficientes dos itens de cada escala.
Resultados: A idade
média foi de 39,5 anos. O IMC médio foi de 50,4. 32,6%
encontravam-se desempregados. 24,5% apresentavam BITE
com escore elevado, com comportamento alimentar
compulsivo e grande possibilidade para preencher critérios
diagnósticos para bulimia nervosa e transtorno do
comer compulsivo. 20,4% escore indicativo de um grupo
subclínico com alimentação compulsiva, bulímicos
em estágio inicial ou bulímicos em recuperação.
30,6% apresentaram escores médios que sugere padrão
alimentar não usual. 24,5 % dos pacientes estavam
nos limites da normalidade. O subgrupo de bulímicos
apresentou um significativo desinteresse em cuidar da
própria aparência (p=0,0012) e uma maior freqüência de sensação
de entrar em pânico.
Na escala de
gravidade do BITE, 10,2% dos pacientes apresentaram
alto grau de severidade, 61,2% apresentaram escores
clinicamente significativos e 28,6% apresentaram
escores não significativos. IMC alto correlacionou-se
significativamente com o fato do paciente sentir-se
tenso ou contraído (p=0,019).
Um maior peso,
correlacionou-se significativamente com um menor
gosto pelas coisas que fazia anteriormente (p=0,031). Maior freqüência de episódios
bulímicos correlacionou-se positivamente com uma
dificuldade ficar sentado e se divertir relaxado (p=0,08), com o fato de se sentir tenso ou
contraído (p=0,05), ter uma espécie de medo
como se alguma coisa ruim fosse acontecer (p=0,021), dificuldade em dar risada e se
divertir (p=0,004) e elevados índices totais
na escala de ansiedade (p=0,03) e de depressão (p=0.024). O escore final na escala de
sintomas do BITE correlacionou-se positivamente com
uma maior tendência a ter uma sensação de entrar
em pânico e níveis mais elevados na escala de
gravidade do BITE.
Conclusão:
Existe uma alta incidência de indivíduos com
compulsão alimentar entre os pacientes obesos que
procuram tratamento. Dos pacientes, apenas 24,5%
estavam dentro dos limites da normalidade em termos
de hábitos alimentares.
A escala de gravidade
demonstrando um maior número de pacientes com
escores moderados reflete as próprias características
dos pacientes compulsivos, uma vez que não pontuam
para atitudes purgativas, que levariam a taxas mais
elevadas na escala de gravidade. Alto IMC
correlacionando-se positivamente com o fato do
paciente sentir-se contraído pode refletir a
dificuldade com o próprio corpo uma vez que a
mobilidade física destes pacientes é bastante
limitada, além da vergonha em relação ao seu corpo.
A alta freqüência de episódios bulímicos
correlacionou-se positivamente com os escores alto5
da escala de ansiedade e de depressão. Isto é
concordante com dados de literatura, os quais mostram
que pacientes obesos com compulsão alimentar
apresentam maior psicopatologia que os pacientes
obesos sem compulsão alimentar. Tais pacientes
apresentam taxas mais elevadas de transtornos do
humor, transtornos de ansiedade e bulimia nervosa.
Tal fato poderia explicar alguns resultados
divergentes obtidos em estudos que procuram
determinar a prevalência de psicopatologia na
obesidade. Estudos anteriores demonstram que
pacientes com compulsão alimentar apresentam
resultados deficitários em programas de perda de
peso quando comparados à pacientes sem compulsão
alimentar, e requerem desta forma programas específicos
de tratamento para o comportamento bulímico.
Desta
forma é recomendada a diferenciação de pacientes
compulsivos dos não compulsivos nos programas de
perda de peso para que estes recebam tratamento
adequado .
ÁLCOOL E OUTRAS DROGAS:
PADRÃO DE CONSUMO E COMORBIDADES PSIQUIÁTRICAS
Gamaliel
C. Macedo, Edneia Zanuto,
Cintia Azevedo Marques,
Daniel Cordeiro
& Pedro Altenfelder Silva
CAISM-Centro de Atenção Integrada à Saúde
Menta ISCMSP
As estimativas sobre
o uso de droga e álcool na população geral variam
muito. Isto se deve a diferentes metodologias
utilizadas, faixa etária estudada, substâncias
incluídas e particularidades da cultura estudada.
Mas é consenso de que os Transtornos Associados ao
uso de Substância são um problema de saúde pública,
especialmente aqueles relacionados com o uso de álcool.
No Brasil, por exemplo o álcool foi responsável
pela maioria das internações ocorridas em hospitais
e clínicas psiquiátricas no período de 1987 a 1993
(Noto, 1995).
A comorbidade nesta população
é freqüente não só a dependência de outras substâncias
como de outros transtornos psiquiátricos. A relação
entre psicopatologia e abuso de droga esta bem
estabelecida (Ross,
1988, Lopes, 1991)
e diversos estudos mostraram que a presença de distúrbio
psiquiátrico entre abusadores de droga pode ser
parcialmente predita pelo número, tipo e via de
administração da droga.
Objetivo:
Explorar possíveis associações entre padrão de
consumo de substâncias psicoativas e transtornos
psiquiátricos.
Métodos:
Foram estudados todos os pacientes entrevistados em
primeira consulta médica (n=61) no ambulatório de drogadependência
no período de 01/01/00 a 16/05/00 e utilizados dados
de prontuários onde os diagnósticos seguem os critérios
da CID-10. Um banco de dados foi criado usando o
programa estatístico SPSS para Windows. Foi
realizada uma análise descritiva dos dados e para
comparar as freqüências relativas entre dois grupos
de variáveis categóricas o teste Qui-quadrado foi
utilizado e para variáveis contínuas o teste t de Student.
Resultados:
Esta é uma população relativamente jovem (média de idade entre usuários
de álcool = 40,2 e outras drogas =27,6), masculina (90,2%), de baixa escolaridade (quase 70% tem até o 1 °
grau),
desempregados (mais
de 60%). Os
etilistas (n=33) usavam álcool em média há
16 anos (dp=9,8) enquanto usuários de
outras drogas em média 5 anos (dp=3,1).
No último mês os
etilistas estavam bebendo diariamente (100%) uma quantidade média de 25 doses (dp=15,4); os usuários de
cocaína/crack
estavam usando a droga diariamente (81 %) em grande quantidade (média=6,8g,
dp=7,7g). Entre etilistas, 39%
apresentavam alguma comorbidade e entre usuários de
outras drogas 23%. Transtornos de humor estavam mais
associados com o uso de álcool (61,5% das comorbidades
presentes) do
que outras drogas (33,3% das comorbidades presentes). Em relação aos
Transtornos de Personalidade, estes eram mais freqüentes
entre a população usuária de outras drogas.
Conclusão:
Estes dados preliminares indicam uma possível
associação de co-morbidades diferentes entre
dependentes de álcool e de outras drogas,
especialmente Transtornos do Humor e Transtorno de
Personalidade e aponta a necessidade de pesquisas
futuras na exploração de outros fatores (por
exemplo, padrão de consumo).
Esta é uma amostra
pequena e de conveniência, portanto os dados devem ~er
interpretados com cuidado.
PREVALÊNCIA DE
TRANSTORNOS DE HUMOR E DE IDEAÇÃO SUICIDA NUMA
POPULAÇÃO DE ADOLESCENTES GRÁVIDAS
Gisleine
Vaz Scavacini de Freitas,
Neury José Botega
Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria
FCM - UNICAMP
Este estudo teve
como objetivos: 1-Determinar a prevalência de
depressão, ansiedade e ideação suicida em
adolescentes grávidas, nos três trimestres da gestação;
2-Verificar, possíveis associações entre ideação
com: depressão, ansiedade, história de abuso sexual,
de agressão física, de tentativa de suicídio
anterior, intenção de engravidar, período
gestacional, situação conjugal, e apoio social.
Trata-se de um inquérito
populacional do tipo transversal, incluindo avaliação
clínica, realizado em adolescentes que se
encontravam em diferentes períodos gestacionais.
A amostra foi
composta por 120 adolescentes grávidas (40 de cada
trimestre gestacional), com idades variando entre 14
e 18 anos, atendidas em serviço de pré-natal da
Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba.
Uma entrevista foi
realizada seguindo um questionário com seções
sobre dados sociodemográficos, história gestacional,
história pessoal e familiar. Quadros psicológicos
de ansiedade e de depressão foram avaliados através
da "Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão"
(HAD) e também pela "Entrevista
Clínica Estruturada-edição revisada" (CIS-R).
Para avaliar a ideação suicida
foi utilizada a "Escala de Ideação Suicida de
Beck" (BSI). Criou-se uma variável,
composta por 6 itens, para medir apoio social, com
pontuação de 0 a 6.As associações entre as variáveis
foram avaliadas utilizando estatística nãonaramétrica
e, quando aplicável, estatística paramétrica.
Do total dos
sujeitos, foram encontrados: casos de ansiedade em 25
(21 %); casos de depressão em 28
(23%). Desses, 12 (10%) tinham ansiedade e depressão. Ideação
suicida ocorreu em 19 (16%) sujeitos. Não foram encontradas
diferenças nas prevalências de depressão,
ansiedade e ideação suicida nos trimestres
gestacionais.
Tentativa de suicídio anterior ocorreu
em 16 (13%) sujeitos. A severidade da
ideação suicida (BSI) teve associação significativa com
a variável depressão (p=0,001; Qui-quadrado) e o estado civil "solteira
sem namorado" (p=0,012; Qui-quadrado).
Os resultados deste
trabalho descritivo traçam um perfil de uma amostra
de adolescentes grávidas proporcionando base para
futuros estudos, envolvendo grupo-controle, a fim de
que muitas questões relacionadas à gestação na
adolescência possam ser respondidas.
PSICOSE E EPILEPSIA
Florindo
Stella
Instituto de Biociências, UNESP, Campus de Rio
Claro, SP.
Ambulatório de Neuropsiquiatrìa, UNICAMP, Campinas,
SP.
Os Transtornos Psicóticos
associados à Epilepsia têm prevalência de 6% na
população geral, podendo chegar a 60% nas Instituições
Psiquiátricas, sendo mais freqüentes e de maior
gravidade nas Crises Parciais Complexas. Dividem-se
em dois grupos: Peri-Ictais e Interictais.
Os Transtornos Peri-Ictais
estão cronologicamente vinculados à ocorrência das
crises. Após a crise, há confusão mental, alucinações
auditivas ou visuais, delírios, agitação
psicomotora e sintomas depressivos ou ansiosos
intensos. Os sintomas melhoram com o desaparecimento
dos efeitos da crise. Quando há intervalo de 6 a 24
horas de lucidez, após a crise, seguido de sintomas
psicóticos, estes são denominados de eventos Pós-Ictais.
A gravidade do
quadro determinará a intervenção com antipsicóticos
ou ansiolíticos. Os Transtornos Psicóticos
Interictais iniciam-se anos após a idade de
surgimento das crises e não têm vínculo cronológico
com a deflagração delas. Clinicamente, caracteriza-se
por delírios bem estruturados, de conteúdo paranóide,
de referência ou místico, atividade alucinatória
auditiva ou visual, neologismos, pensamento com
associações frouxas e sintomas de desrealização e
despersonalização. Tentativas de suicídios
representam risco importante.
Cabe lembrar que o
paciente epiléptico, em geral, apresenta 4 vezes
mais tentativas de suicídio do que a população
geral. E, na Epilepsia de Lobo Temporal, estas
tentativas chegam a 25 vezes mais do que nessa população.
Na Depressão e na Psicose as tentativas de suicídio
são mais freqüentes.
Fatores
contribuintes para Transtornos Psicóticos são:
antecedente psiquiátrico, idade de início e freqüência
das crises epilépticas, presença de crises do tipo
parcial complexo, convulsões com traumas cranianos,
medicação antiepiléptica e EEG epileptiforme em
Regiões Temporais bilaterais.
De modo geral, as
drogas antiepilépticas provocam alterações das funções
mentais - afetivas, cognitivas e do juízo da
realidade. O Topiramato, introduzido no mercado há vários
anos, tem sido considerada uma droga segura quanto a
efeitos adversos do tipo psicótico. São poucos os
relatos na literatura internacional sobre estes
eventos com esta droga.
Entretanto, há o
caso de um paciente, por nós acompanhado na UNICAMP,
sem transtorno mental anterior, que sofreu importante
surto psicótico do tipo esquizofreniforme, com esta
medicação. Isto aponta para a necessidade de se
estar alerta quanto ao surgimento de episódios psicóticos
com o Topiramato em pacientes epilépticos, mesmo
isentos de antecedentes psiquiátricos.
A RELAÇÃO MÃE-CRIANÇA
E A MANIFESTAÇÃO DE QUADROS PSICOSSOMÁTICOS NO
PRIMEIRO ANO DE VIDA
Luciana
Queiroz,
Gimol Benzaquen Perosa,
Francisca Teresa Veneziano Faleiros
Faculdade de Medicina de Botucatu
Universidade Estadual Paulista
São Paulo
Introdução:
Estudos recentes têm tentado demonstrar que o vínculo
e o tipo de interação mãe-filho são variáveis
responsáveis pelo surgimento e manutenção de doenças
psicossomáticas na infância. Partindo-se desse
pressuposto, o presente trabalho pretendeu:
a) traçar um perfil
da interação entre um grupo de mães com seus
filhos, cuja idade variava de 6 a 18 meses, tendo
como contexto a consulta pediátrica e;
b) relacionar as
diferentes formas de interação encontradas com a
ocorrência de doenças psicossomáticas nessas crianças.
Método:
Foram selecionadas, aleatoriamente, 19 díades de mães-filhos,
que foram atendidas no ambulatório de puericultura
do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina -
UNESP. As díades foram observadas a partir de um
instrumento adaptado da Escala de Observação RAF (Recherche Action Formation) de Bobigny (1993). As interações observadas foram
classificadas segundo as categorias propostas por
Kreisler (1999) para avaliar a qualidade
das interações: grau de responsividade,
permissividade (colocação de limites coercitivos/não
coercitivos) e prazer no contato. Ao final da
consulta as mães foram entrevistadas quanto a :
idade da mãe, número de gestações, estrutura
familiar, cuidador da criança, planejamento da
gravidez, preocupações relacionadas ao parto/puerpério
e amamentação. Para correlacionar os perfis de
interação com doenças psicossomáticas fez-se,
posteriormente, um levantamento de histórico médico
da criança a partir de dados do prontuário.
Resultados e
Conclusões: Houve interação mãe-criança nos
três momentos da consulta (anamnese, exame físico e
orientação) mas ela foi mais freqüente durante o
exame físico, principalmente se esse envolvia
manipulações dolorosas. As formas de interação
foram semelhantes na amostra como um todo: alta responsividade, trocas não-coercitivas e prazerosas.
Três díades diferenciaram-se desse perfil,
especialmente em relação à responsividade (carência
ou excesso de estimulação). Com relação a doenças
psicossomáticas constatou-se uma alta incidência
dessas nos seis primeiros meses de vida (problemas
alimentares, transtornos do sono, cólicas
intestinais, constipação intestinal, alergias de
pele, problemas respiratórios -asma, bronquite-,
atraso no desenvolvimento) mas a maioria não se
manteve após a criança completar um ano, exceto nas
três díades com menor responsividade.
Nessas díades, as
crianças continuaram apresentando problemas
alimentares, constipação intestinal e alergias de
pele. Os dados sugerem que a observação das interações
durante a consulta pode auxiliar no entendimento de
quadros psicossomáticos e orientar a intervenção.
APRESENTAÇÃO CLÍNICA DO
TRANSTORNO DO PÂNICO: ESTUDO DESCRITIVO
Mendes,
R.; Dias, R.; Smaira, S.I. e
Torres, A.R.
Faculdade de Medicina de Botucatu
UNESP
Considerando-se a
importância de se diagnosticar e tratar precocemente
o transtorno do pânico (TP) e constatando-se a freqüente
demora que ainda ocorre entre o aparecimento dos
sintomas e o tratamento adequado, parece relevante
descrever seus aspectos clínicos, no sentido de
ampliar os conhecimentos sobre este quadro. Assim,
este trabalho propôs-se a avaliar 31 pacientes (17 mulheres e 14 homens) portadores de TP (critérios diagnósticos da
CID-10) tratados
no ambulatório de Psiquiatria da FMB-UNESP. A
maioria (74,2%) era procedente de Botucatu
e região e tinha até 40 anos de idade (45,2% entre 19 e 30 anos), sendo 71 % casados e 61 ,3%
católicos.
Quase 30% eram de famílias numerosas (de 8 a 15 irmãos), sendo apenas sete primogênitos.
Relataram ansiedade de separação na infância 32,3%
dos casos, sem diferença entre os sexos. A idade de
início dos sintomas ocorreu até os 25 anos em 64,6%
dos pacientes e até os 35 anos em 77,4% deles.
Metade dos pacientes
chegou a procurar pelo menos quinze vezes pronto
atendimento médico. Todos os pacientes passaram por
clínicos e outros especialistas, principalmente
cardiologistas (61,3%) e neurologistas (41,9%). O ECG foi o exame mais realizado,
em 54,8% dos casos. Quatorze (45,2%) procuraram três ou mais
especialistas, sendo que 29% levaram pelo menos três
anos até chegarem à Psiquiatria.
Os sintomas mais
comuns durante as crises foram: medo de morrer (93,5%), taquicardia e parestesias (83,9%), falta de ar e tremores (80,6%), ondas de frio e calor (77,4%), sudorese (71 %), dor no peito e medo de enlouquecer
(67,7%), tontura e sensação de
desmaio (58,1%). Em 64,5% dos casos as
crises duravam em média entre 10 e 30 minutos, e em
22,5% até 10 minutos.
Apesar de ideação
suicida ter ocorrido em 35,5% dos pacientes em algum
momento, apenas três tiveram tentativas de suicídio.
Vinte e dois casos (71 %) relataram acontecimentos vitais
relevantes pouco tempo antes do início das crises (ex:
rompimentos afetivos, doença ou morte de familiares,
doença pessoal, nascimento de filhos). Em 25,8% dos
casos havia pelo menos um parente de 10 grau também
com provável TP. Quanto a comorbidade, tivemos mais
agorafobia (80,6%) e transtornos depressivos (42%).
Uso de tabaco foi
relatado por 64,5% dos pacientes e abuso ou dependência
de álcool por 19,3%, significativamente mais entre
homens.
Houve associação
estatisticamente significante entre sexo feminino e
ocorrência de parestesias e diarréia durante os
ataques de pânico, assim como agorafobia secundária.
Dependência de outras pessoas, isolamento social e
dificuldades no trabalho foram as complicações do
TP mais citadas.
Conclui-se que médicos
não-psiquiatras precisam conhecer melhor esse quadro
para encaminhar mais prontamente os casos, em geral
adultos jovens, evitando prolongar o sofrimento e a incapacitação.
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RELATÓRIO
DA OMS – Doenças Mentais do Mundo
SIMPÓSIO
SOBRE SUICÍDIO (J.Hopkins Hospital)
PSICOPATOLOGIA
E O MODELO MÉDICO
ALCOOLISMO COMO
PROBLEMA DE SAÚDE NO TRABALHO
DEPRESSÃO PÓS-PARTO
E RELAÇÃO MÃE-FILHO
REVISÃO DE
SUICÍDIOS COM TRANQÜILIZANTES
MESAS
REDONDAS do VII... - 2002
TEXTOS
DOS POSTERS do VII Congresso Brasileiro de Psiquiatria Clínica -
2002
Há
duas tendências sociais cruciantes para pessoas acima do peso
ideal; uma é a grosseira e desumana discriminação estética e a
outra é encarar o obeso como uma pessoa que não tem força de
vontade e que ele é assim por que é preguiçoso.
Algumas
vezes, isto gera preconceito em relação à pessoa obesa,
dificuldades para relacionamentos sociais e afetivos, problemas para
encontrar emprego e até mesmo quadros psiquiátricos conseqüentes
a essa marginalização.
A
obesidade é considerada hoje uma doença, tipo crônica, que
provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa
a morte precoce. Tudo isso é verdade, mas de qual doença estamos
falando? Quem é obeso?
Na
psiquiatria aprendemos que existem graus variáveis entre estar
perfeitamente normal e perdidamente doente, ao contrário da obstetrícia,
onde a pessoa está ou não está grávida; não há meio-termo. Com
a obesidade dá-se o mesmo que na psiquiatria, ou seja, graus
variados, indo desde o sobre-peso discreto até a obesidade mórbida.
Alguns
autores começam seus artigos dizendo que “a obesidade acomete
uma grande proporção de pessoas - no Brasil 40% da população
adulta tem excesso de peso”. Outros dizem... “calcula-se
que 300.000 pessoas nos Estados Unidos morrem por ano precocemente
devido à obesidade e no Brasil, este número está entre 50.000 e
100.000 pessoas”. Às vezes temos a impressão que esses dados
têm outro objetivo além da informação, eles podem pretender
causar pânico entre todos os gordinhos. A indústria da obesidade,
das dietas, das academias de ginástica, da tirania da estética é
gigantesca.
Nossa
cultura, altamente consumista, tem por hábito a ingestão excessiva
de alimentos supérfluos, como balas, bolachas, salgadinhos, etc.
Inclusive no relacionamento social, agraciamos nossas visitas,
amigos, clientes ou grupos culturais com jantares, lanches, happy
hour, cafezinho, bolo, etc.
Admite-se que a porcentagem de gordura corporal deve situar-se entre
15 e 18% para o sexo masculino e entre 20 e 25% para o sexo
feminino. Podem ser considerados obesos os homens com percentual
superior a 25% e as mulheres com mais de 30%.
Qualquer
definição de obesidade pode ser considerada arbitrária. Não é fácil
a obtenção de uma classificação que separe com precisão indivíduos
obesos e não obesos. A heterogeneidade da raça humana estimulou a
criação, pelos estudiosos do assunto, de diversas definições, cálculos,
tabelas, enfocando aspectos qualitativos e quantitativos. Mas,
qualquer que seja o parâmetro ou a definição empregada, não há
como separar o termo obesidade de excesso de gordura corporal. Veja
a página
Gravidez
Precoce
A gravidez precoce é uma das ocorrências mais preocupantes
relacionadas à sexualidade da adolescência, com sérias conseqüências
para a vida dos adolescentes envolvidos, de seus filhos que nascerão
e de suas famílias.
A incidência de
gravidez na adolescência está crescendo e, nos EUA, onde existem
boas estatísticas, vê-se que de 1975 a 1989 a porcentagem dos
nascimentos de adolescentes grávidas e solteiras aumentou 74,4%. Em
1990, os partos de mães adolescentes representaram 12,5% de todos
os nascimentos no país. Lidando com esses números, estima-se que
aos 20 anos, 40% das mulheres brancas e 64% de mulheres negras terão
experimentado ao menos 1 gravidez nos EUA .
No Brasil a cada ano,
cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número
que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas
que na década de 70, engravidam hoje em dia (Referência).
A grande maioria dessas adolescentes não tem condições
financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa
da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas
abandonam os estudos.
A Pesquisa Nacional em
Demografia e Saúde, de 1996, mostrou um dado alarmante; 14% das
adolescentes já tinhas pelo menos um filho e as jovens mais pobres
apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas
atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31%
dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos. Nesses cinco
anos, 50 mil adolescentes foram parar nos hospitais públicos devido
a complicações de abortos clandestinos. Quase três mil na faixa
dos 10 a 14 anos.
Veja
a Página
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