| REPRESENTAÇÃO
DA REALIDADE |
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Alterações
da Afetividade | Humor no
DSM.IV | Humor na
CID.10
Como já dissemos em outros temas, as
coisas representam algo diferente para diferentes
pessoas, ou seja, elas têm Representação diferente
e pessoal para cada um de nós. A perda de um ente
querido, por exemplo, costuma ser algo ruim para todo
mundo mas, mesmo assim, Representará algo diferente
para cada um. A perda de um pai de cinco filhos,
embora seja o mesmo pai para os cinco filhos, será
uma perda diferente para cada um deles, Representará
algo diferente para cada um. Na verdade, então, mais
importante que a própria realidade é a Representação
dessa realidade, ou seja, o que os fatos representam
acaba sendo mais importante que os próprios fatos em
si.
Veja A
Representação da Realidade em
outro local deste site
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Vivências
A Representação diferenciada que
cada um de nós atribui aos fatos e acontecimentos
vividos transforma esses fatos e acontecimentos em
Vivências pessoais, ou seja, fatos e acontecimentos
pessoalmente valorizados e representados, única e
exclusivamente por nós. Portanto, nossas Vivências
são nossas experiências pessoais da realidade que
vivemos. Duas pessoas não podem experimentar uma
mesma Vivência, embora possam experimentar um mesmo
fato ou acontecimento porque cada uma delas
Representará esse fato ou acontecimento de maneira
pessoal e diferente.
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Sentimentos
Agora que sabemos o que é uma
Representação da realidade e o que é a Vivência,
podemos falar alguma coisa sobre os Sentimentos que
acompanham as Vivências. As Vivências produzem
Sentimentos no ser humano. Podemos exemplificar a
produção de Sentimentos em resposta às Vivências
tal como acontece com a produção de alergia em
resposta àquilo que nos sensibiliza. As reações alérgicas
são maneiras de reagirmos diante de elementos
capazes de nos sensibilizar. Vamos imaginar várias
pessoas num ambiente repleto de algum elemento capaz
de causar alergia, por exemplo, fungos. Teríamos
algumas pessoas reagindo alergicamente com espirros (rinite),
outras com asma, algumas com urticária e, finalmente,
teríamos também pessoas que não manifestariam
alergia alguma.
Da mesma forma como as pessoas reagem
diferentemente diante de um mesmo estímulo
alergizante, também em relação aos fatos ou
acontecimentos pessoas diferentes manifestam
sentimentos diferentes. Depende da sensibilidade de
cada um.
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REAÇÕES VIVENCIAIS

As Vivências, que são os fatos ou
acontecimentos representados particularmente por cada
um de nós, causam sentimentos variados: ansiedade,
medo, alegria, angústia, raiva, apreensão, etc. Reações
Vivenciais são reações de nosso psiquismo às Vivências,
tal como as reações alérgicas são reações de
nosso organismo aos estímulos que nos sensibilizam.
Assim como as reações alérgicas
produzem alergia, as Reações Vivenciais produzem
sentimentos. Assim como as reações alérgicas
produzem tipos diferentes de alergia nas diferentes
pessoas, também as Reações Vivenciais determinam
sentimentos diferentes nas diferentes pessoas,
diferentes quanto ao tipo e quanto a intensidade.
As Reações Vivenciais, portanto, os
sentimentos, serão sempre proporcionais ao
significado que os fatos têm para as pessoas, ou
seja, dependerão daquilo que os fatos representam
para a pessoa. Um mesmo fato ou acontecimento poderá
determinar sentimentos diferentes em diferentes
pessoas porque eles representam também algo
diferente para diferentes pessoas.
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Reações
Normais e Não-Normais
Uma pessoa com
ansiedade, por exemplo, na verdade está
experimentando uma Reação Vivencial do tipo
ansiedade. Está reagindo à alguma coisa com
ansiedade.
Vamos imaginar a
ansiedade que experimentamos ao saber que existe uma
cobra dentro de nosso quarto. O fato em si é a cobra,
a Vivência que resulta desse fato será o que,
exatamente, representa para nós uma cobra em nosso
quarto. Evidentemente, uma cobra no quarto terá uma
representação diferente entre uma pessoa que tem
muito medo de cobras e uma outra que não tem tanto
medo assim.
De qualquer modo,
essa Vivência resultará numa Reação Vivencial;
muita ansiedade para quem tem muito medo de cobras e
menos ansiedade para quem não tem tanto medo. Isso
deixa claro que o tipo e a intensidade da Reação
Vivencial dependerá daquilo que a cobra representa
para cada um de nós.
A Reação Vivencial
do tipo ansiedade neste exemplo da cobra pode ser
considerada normal. Por quê? Por tratar-se de uma
resposta à um fato estatisticamente capaz de gerar
ansiedade. A cobra é universalmente temida e, embora
represente uma ameaça maior ou menor, dependendo das
pessoas, será sempre uma ameaça para a expressiva
maioria delas.
Mas, por outro lado,
essa Reação Vivencial não seria normal caso a
pessoa experimentasse ansiedade apenas imaginando uma
cobra dentro de seu quarto. Seria uma Reação
Vivencial não-normal porque não existe realmente
uma causa objetiva e concreta para desencadeá-la. A
cobra, de fato não existe, a não ser na imaginação
da pessoa e isso não é uma causa objetiva mas sim,
uma causa subjetiva.
Vamos imaginar ainda
que a pessoa, ao saber existir uma cobra em seu
quarto, experimenta uma ansiedade e medo tão
intensos que acaba tendo um desmaio. Esse tipo de Reação
Vivencial também não é normal. Por quê? Pelo fato
de sabermos, estatisticamente, que a expressiva
maioria das pessoas não desmaia ao saberem de uma
cobra em seus quartos; a maioria das pessoas pode
ficar com medo, com ansiedade, com pavor, etc.,
desmaiar, entretanto, não.
Desmaiar nessas
circunstâncias pode até ser compreensivo, mas isso
não significa ser normal. Não é normal pelo fato
do desmaio ser considerado medicamente uma ocorrência
não-normal e também porque a maioria das pessoas não
desmaiaria nessas circunstâncias. Esse tipo de Reação
Vivencial não-normal que é o desmaio, se deve à
desproporção entre a Reação Vivencial e a Vivência
causadora, ou seja, desmaiar é desproporcional em
relação à ansiedade, sem desmaio, que seria de se
esperar para a maioria das pessoas.
Finalmente, se a
pessoa souber da existência de uma cobra em seu
quarto, em seguida essa cobra for devidamente
removida mas ela continuar apresentando uma Reação
Vivencial de ansiedade uma semana depois do ocorrido,
isso também será uma Reação Vivencial não-normal,
ou seja, não houve uma relação no tempo da Reação
com a causa. Significa que a pessoa não conseguiu
superar o ocorrido depois de um certo tempo no qual a
maioria teria superado.
Assim sendo, vimos
os 3 elementos necessários para definir uma Reação
Vivencial como normal ou não: a causa objetiva para
que a pessoa manifeste uma Reação Vivencial, a
proporção entre a Vivência causadora e a Reação
Vivencial e a relação temporal entre a Vivência
causadora e a Reação Vivencial.
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Sentimentos
Não Normais
A Ansiedade
exagerada, a Síndrome do Pânico, as Fobias, a
Depressão ou a Angústia patológica são exemplos
de sentimentos não-normais. A falta de causa
objetiva, de proporção ou de relação no tempo
entre as Reações Vivenciais e suas Vivências
causadoras proporcionam esses sentimentos não-normais.
É claro que existem
causas para Pânico, Fobia, Depressão ou Angústia,
entretanto, não são causas objetivas e concretas
mas sim, causas subjetivas, ou seja, causas que
existem particularmente na intimidade de cada um e não
no mundo concreto dos fatos e acontecimentos. Essas
causas subjetivas serão o objeto de maior interesse
aqui.
Vamos imaginar um
caso de Fobia Social, onde a pessoa se sente mal (ansiedade
excessiva) quando se encontra diante de muitas
pessoas, em ambientes cheios de gente, etc. Para esse
paciente as outras pessoas representam uma ameaça,
tal como também representa uma ameaça a cobra do
outro exemplo. Neste caso, entretanto, ambientes
cheios de gente simplesmente não representam uma
ameaça concreta e objetiva para a maioria das
pessoas mas sim, uma ameaça imaginária para a
pessoa com Fobia Social. Neste caso podemos dizer que
pessoas e ambientes cheios representam uma causa
subjetiva de ameaça para os pacientes portadores de
Fobia Social. O mal estar causado por essa causa
subjetiva e imaginária, caracterizado por extrema
ansiedade, sensação de vir a desmaiar, sufocamento,
falta de ar, mão frias, sudorese, etc., será uma
Reação Vivencial não-normal.
A mesma coisa
podemos dizer da Síndrome do Pânico, onde a pessoa
reage emocionalmente como se, de repente, fosse
morrer, passar mal, perder o controle ou acontecer
algo ruim. Essas pessoas são levadas à Pronto
Socorros e nada que possa estar ameaçando suas vidas
é constatado. Não se constata nada de objetivo e
concreto. Assim sendo, os fatos e acontecimentos para
tal medo, ou seja, achar que sofrem do coração, que
estão prestes a ter algum derrame, etc., só existe
na imaginação, portanto, novamente uma causa
subjetiva, ou seja, uma Reação Vivencial não-normal
Nos quadros de
Depressão típica o paciente se sente triste e
angustiado, julga-se pior do que é, acha que a vida
não tem sentido, pensa que nada vale a pena e coisas
assim. Todas essas idéias são julgamentos que
existem só em sua maneira de pensar, portanto, são
causas subjetivas que não correspondem aos fatos
concretos e objetivos. Trata-se também de uma Reação
Vivencial não-normal.
Resumindo, os
sentimentos não serão normais sempre que forem
determinados por causas íntimas, pessoais, imaginárias
ou que não correspondem à realidade concreta e
objetiva. Essas causas subjetivas vêm de dentro da
pessoa, de sua intimidade emocional e, muitas vezes,
inexplicavelmente.
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A AFETIVIDADE
Vendo uma antiga
fotografia de algum ente querido já falecido,
algumas pessoas experimentam sentimentos tenros,
suaves, saudosos e até agradáveis, outras, por sua
vez, podem experimentar sentimentos de angústia,
tristeza, sensação de perda, pesar, enfim,
sentimentos desagradáveis. O que, realmente, dentro
das pessoas faz com que essa foto seja valorizada (Representada)
dessa ou daquela maneira? Trata-se da Afetividade.
É a Afetividade
quem dá valor e Representa nossa realidade. Essa
Afetividade também é capaz de Representar um
ambiente cheio de gente como se fosse ameaçador, é
capaz de nos fazer imaginar que pode existir uma
cobra dentro do quarto ou ainda, é capaz de produzir
pânico ao nos fazer imaginar que podemos morrer de
repente.
A Afetividade
valoriza tudo em nossa vida, tudo aquilo que está
fora de nós, como os fatos e acontecimentos, bem
como aquilo que está dentro de nós (causas
subjetivas), como nossos medos, nossos conflitos,
nossos anseios, etc. A Afetividade valoriza também
os fatos e acontecimentos de nosso passado e nossas
perspectivas futuras.
O melhor exemplo que
podemos referir para entender a Afetividade é compará-la
à óculos através dos quais vemos o mundo. São
esses hipotéticos óculos que nos fazem enxergar
nossa realidade desse ou daquele jeito. Se esses óculos
não estiverem certos podemos enxergar as coisas
maiores ou menores do que são, mais coloridas ou
mais cinzentas, mais distorcidas ou fora de foco.
Tratar da Afetividade significa regular os óculos
através dos quais vemos nosso mundo.
Porque uma pessoa
portadora de Síndrome do Pânico pensa que pode
morrer ou passar mal de repente? Porque ela acha que
sofre do coração, ou está prestes a ter algum
derrame, ou que está tão descontrolada ao ponto de
perder o controle. Ora, nada disso faz parte da
realidade objetiva e concreta. Trata-se de um juízo
pessimista, uma avaliação negativa que a pessoa faz
de si mesma, ou seja, trata-se de uma Afetividade que
representa negativamente para a própria pessoa o seu
próprio eu. Se a pessoa está se vendo pior do que
é de fato, então afetivamente não está bem.
A Depressão típica,
por sua vez, também faz com que a pessoa se sinta e
se ache pior do que realmente é. Isso produz
insegurança e rebaixa a auto-estima. Novamente aqui
a Afetividade representa negativamente a pessoa para
si mesma. A avaliação negativa de si mesmo, achar
que a vida não vale a pena, que a realidade é sofrível,
sentir medo exagerado, achar-se doente e toda sorte
de pensamentos ruins resultam do Afeto alterado.
Resumindo essa questão
da Afetividade vejamos um exemplo ilustrativo. Vamos
nos imaginar em meio à uma briga de rua. Nosso medo
(ou ansiedade) será diretamente proporcional ao
tamanho de nosso adversário; quanto maior nosso
adversário maior o medo. E como avaliamos o tamanho
de nosso adversário? Seu tamanho será avaliado
sempre em comparação ao nosso próprio tamanho,
pois, nosso único parâmetro de comparação sera
sempre nós mesmos.
Não importa nosso
adversário ser maior ou menor que uma outra pessoa
qualquer, importa apenas ser maior ou menor que nós.
E como sabemos exatamente nosso próprio tamanho?
Quem diz se somos grandes ou pequenos, fortes ou
fracos, espertos ou não, superiores ou não ao
adversário será nossa Afetividade, esse apetrecho
psíquico que dá valor à tudo em nossa vida e,
principalmente, nos dá o valor de nós mesmos.
Se uma Afetividade
alterada fizer pensar em nós mesmos como pequenos,
fracos, pouco espertos e piores, então teremos medo
em lutar até com uma criança. Nos amedrontaremos e
sentiremos muita ansiedade diante de tudo na vida;
diante das multidões, dos ambientes fechados, de
viajarmos sozinhos, da solidão, da idéia de
estarmos doentes, e assim por diante.
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Conflitos
Íntimos
Saber sobre os
Conflitos Íntimos é importante para o entendimento
dos sentimentos decorrentes de causas subjetivas, ou
seja, da Ansiedade, Angústia, Depressão, Pânico,
Fobias que aparecem sem uma causa objetiva e concreta
aparente.
O ser humano sempre
viveu diante do dilema entre aquilo que ele quer
realmente fazer, aquilo que ele deve fazer e aquilo
que ele consegue fazer. Portanto, nem sempre estamos
fazendo aquilo que queremos, muitas vezes não
queremos fazer aquilo que devemos, outras vezes
queremos e devemos fazer aquilo que não conseguimos.
Enfim, estamos constantemente diante desse conflito.
Essa situação não
diz respeito apenas às questões de nossa vida prática,
diz respeito também aos nossos sentimentos. Se
devemos gostar ou não de determinada pessoa, gostar
ou não de determinada atitude nem sempre obedece ao
fato de querermos gostar ou não. Às vezes odiamos
ou gostamos mesmo não querendo, outras vezes mesmo não
devendo, outras vezes ainda, mesmo devendo e querendo
não conseguimos.
Ora, uma pessoa que
não consegue gostar de sua mãe mesmo sabendo que
deveria gostar (afinal, deve-se amar as mães pelo
simples fato de serem nossas mães), ou sua irmã, ou
seu pai, estará experimentando um conflito. Quem
vive o drama de querer namorar uma pessoa embora
devesse ficar com outra, também vive em conflito.
Quem queria ser ator embora deva continuar sendo
advogado, idem. Ou queria ter um filho homem e só
consegue gerar mulheres, queria e devia ser
respeitada pelo marido mas não está conseguindo,
devia trabalhar mais mas não quer, ou quer ficar em
casa mas deve sair para trabalhar e assim por diante...
Como vimos, todos nós
estamos sujeitos ao Conflito, pois, nem sempre
estamos plenamente felizes com nossa situação atual.
Na verdade, é quase impossível uma pessoa
consciente viver sem nenhum Conflito.
Na saúde emocional
conseguimos conviver bem com nossos Conflitos,
conseguimos viver bem apesar de nossos Conflitos.
Entretanto, estando a Afetividade comprometida,
podemos sucumbir à esses Conflitos. Na Depressão,
por exemplo, um Conflito com o qual convivemos
pacificamente por muitos anos passa a ser insuportável.
Algumas vezes não
temos consciência plena do Conflito, eles podem ser
inconscientes. Isso geralmente acontece em pessoas
muito ativas e que nunca se detém para refletir
sobre suas vidas, pessoas que suportam tudo porque se
acreditam fortes, pessoas que consideram as emoções
uma coisinha trivial. Mesmo essas pessoas se esgotam.
A Afetividade abalada ou esgotada poderá fazer com
que os Conflitos inconscientes sejam capazes de
causar uma ansiedade tão grande ao ponto de
produzirem uma Síndrome do Pânico, ou Fobia, etc.
Outras vezes a
Afetividade depressiva ou esgotada mexe e remexe no
baú de nosso psiquismo. Fatos, Vivências, Conflitos
e traumas praticamente esquecidos voltam à tona,
incomodam e torturam. É como se uma cicatriz que
possuímos há anos e para a qual não dávamos tanta
importância, passasse a nos incomodar muito, fazendo
nos sentir feios, discriminados e magoados por causa
dela.
Os Conflitos Íntimos,
juntamente com as frustrações presentes e passadas,
os traumas presentes e passados e os complexos compõem
aquilo que chamamos de causas subjetivas para as Reações
Vivenciais Não-Normais. Serão sempre não-normais
pelo fato de se originarem sem uma causa concreta e
objetiva detectável. E as causas subjetivas causarão
tanto mais incômodos e tanto mais Reações
Vivenciais Não-Normais quanto mais alterada estiver
nossa Afetividade. Portanto, a correção da
Afetividade alterada será o primeiro e mais
importante passo para o tratamento de todos esses
quadros emocionais.
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Lidando
com a Afetividade Alterada
Os transtornos
emocionais afetivos podem existir de duas maneiras:
a) a pessoa está afetivamente abalada ou;
b) ela é afetivamente problemática. É a mesma
colocação que se pode fazer entre estar com alergia
e ser alérgico.
Pessoas que estão
afetivamente abaladas normalmente são aquelas cuja
personalidade original não tem traços naturais de
sensibilidade afetiva exagerada mas que, por razões
momentâneas e circunstanciais, acabam tendo
problemas afetivos. Entre essas razões
circunstanciais e momentâneas as mais comuns, hoje
em dia, são o stress continuado, as perdas e decepções,
as exigências de adaptação do cotidiano entre
outras.
Esse tipo de
transtorno afetivo surge em algum momento na vida de
uma pessoa afetivamente normal, e pode ser entendido
como uma espécie de esgotamento decorrente da
sobrecarga de Vivências tensas e traumáticas.
O segundo tipo,
aquele que é afetivamente problemático, existe em
pessoas com traços de personalidade de sensibilidade
afetiva é exagerada. Para essas pessoas a vida
normalmente é sentida com mais emoções e as Vivências
tendem a ser experimentadas com maior sentimento. São
pessoas ansiosas por natureza, naturalmente
sentimentais, pessoas que se magoam com facilidade,
sofrem por excesso de responsabilidade. Normalmente são
pessoas mais retraídas, pouco extrovertidas e que não
deixam transparecer suas emoções.
A diferença entre
ser e estar com problemas afetivos será de
fundamental importância para o tratamento. Se o caso
é ser afetivamente problemático o tratamento tende
a ser mais duradouro e, em alguns casos, até
definitivo. É a mesma coisa que ser hipertenso, ser
diabético, ser asmático, ser reumático, enfim, são
casos que caracterizam uma maneira de ser e não de
estar. Os preconceitos acerca de um tratamento mais
prolongado para esses problemas afetivos são por
conta de nossa cultura, pois, o tratamento prolongado
para as outras doenças supra-citadas não despertam
a mesma ojeriza que os tratamentos psiquiátricos,
embora seja praticamente a mesma coisa.
Por outro lado, no
caso da pessoa estar passando por uma fase de
problemas afetivos decorrentes de circunstâncias
momentâneas o tratamento será igualmente momentâneo,
ou seja, durante um prazo de tempo suficiente para
que a pessoa restabeleça sua harmonia afetiva.
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Bases
do tratamento
VEJA
TRATAMENTOS
Aqui, como em tantos
outros casos da psiquiatria, os medicamentos podem
ser indispensáveis e insuficientes. Diz-se que são
indispensáveis porque sem eles o tratamento pode ser
impossível e insuficientes, porque só com eles também
pode ser impossível. A associação entre
medicamentos e psicoterapia pode ser o mais indicado,
tanto para os casos que são problemáticos quanto
para aqueles que estão com problemas.
A alteração da
afetividade implicada nos problemas emocionais aqui
referidos, como o Pânico, a Fobia, a Ansiedade e a
própria Depressão, é o rebaixamento afetivo .
Voltando ao exemplo que comparamos a Afetividade aos
óculos através dos quais vemos nossa realidade,
corrigir esses óculos é o objetivo do tratamento da
Afetividade.
Os antidepressivos são
os medicamentos melhor indicados para o tratamento do
rebaixamento afetivo. Indica-se antidepressivos com o
mesmo objetivo que a medicina indica os antidiabéticos,
os antihipertensivos, os antireumáticos ou antiasmáticos
para suas respectivas doenças.
Além dos
antidepressivos, em alguns casos pode-se associar
também os ansiolíticos, medicamentos destinados ao
alívio dos sintomas da ansiedade. Esses ansiolíticos
atuam mais nos sintomas (ansiedade) que na causa básica
do problema que é a Afetividade mas, mesmo assim,
nos casos onde os sintomas ansiosos são muito
importantes eles estão indicados durante algum tempo.
O tempo de uso dos
antidepressivos dependerá, como já dissemos, do
caso ser de alguém que está ou de alguém que é
afetivamente problemático. Dependerá também da
resposta do paciente ao tratamento.
A psicoterapia
associada ao tratamento com medicamentos é de
fundamental importância. A terapia chamada cognitiva
tem sido uma das mais eficientes nesses casos. Este
tipo de terapia busca uma auxílio de elementos
racionais junto aos tropeços emocionais. Procura
corrigir certos esquemas de pensamento deturpados
pelas emoções.
Alterações
da Afetividade | Humor no
DSM.IV | Humor na
CID.10
Ballone GJ - Afetividade
- in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, 2000 - disponível
em http://www.psiqweb.med.br/afeto.html
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