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TRANSTORNO DISMÓRFICO CORPORAL
VIGOREXIA
Introdução
A adicção ou dependência ao exercício, também
chamada de Vigorexia ou Overtraining, em inglês, é um transtorno
no qual as pessoas realizam práticas esportivas de forma continua,
com uma valorização praticamente religiosa (fanatismo) ou a tal
ponto de exigir constantemente seu corpo sem importar com eventuais
conseqüências ou contra-indicações, mesmo medicamente
orientadas.
É bastante curioso observar como as patologias
mentais ou, no mínimo, os sintomas mentais evoluem e se transformam
ao longo do tempo ou entre as diversas culturas, mostrando-se
sensíveis às mudanças sócio-culturais. Observa-se que a
prevalência das Doenças Mentais está absolutamente associada a
uma época determinada e a determinados valores culturais.
A Vigorexia está nascendo no seio de uma sociedade
consumista, competitiva, frívola até certo ponto e onde o culto à
imagem acaba adquirindo, praticamente, a categoria de religião. A
Vigorexia e, em geral os Transtornos Alimentares exemplificam bem a
influência sociocultural na incidência de alguns transtornos
emocionais.
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- Trant. Alimentares
- Aspectos
Culturais
- Sínd.
do Gourmet
- Tr.
Comer Noturno
- Pica
- Sínd.
Pradrer Willy
- Comer Compulsivo
- Obesidade
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Em artigo intitulado
"Pelo Menos Essa Não Me Pega, publicado no jornal O Estado
de São Paulo de 19 de setembro de 1999, João Ubaldo Ribeiro
escreve o seguinte (veja um trecho)
"O desafortunado
vigoréxico nunca está satisfeito com seu corpo e se comporta
como qualquer viciado em drogas, até deixando o trabalho ser
afetado, somente para poder malhar mais. Se acha que não está
100%, não sai de casa para não ser visto em estado para ele
deplorável, come obsessivamente o que considera indispensável
para seu desenvolvimento muscular, se entope de complementos vitamínicos
e até anabolizantes e hormônios, a ponto de muitos morrerem
vendendo saúde e robustez ou se suicidarem, pois a taxa de suicídio
entre vigoréxicos (nos Estados Unidos estimados em um milhão) é
mais alta que no resto da população." Texto
de João Ubaldo Ribeiro.
"Overtraining,
como o próprio nome sugere, refere-se ao excesso de treinamento e
às reações fisiológicas que avisam, por assim dizer, algo está
errado, e são semelhantes ao estresse tais como: insônia, falta
de apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, cansaço
constante, dificuldade de concentração entre outras. Pode até
ser precedido de uma perda de massa muscular (catabolismo).
A disformia muscular está relacionada com uma patologia psíquica
das pessoas excessivamente preocupadas com a aparência chamada de
vigorexia semelhante a anorexia nervosa que é mais comum, as
pessoas conhecem mais e já ouviram falar. Nesse segundo caso,
trata-se das pessoas nunca satisfeitas com sua magreza e as vigoréxicas
são as nunca satisfeitas com seus músculos na busca obsessiva da
perfeição." Artigo
do prof. Luiz Carlos de Moraes
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Com toda certeza, a Vigorexia é uma das mais
recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura, e nem foi
ainda catalogada como doença específica pelos manuais de classificação
(CID.10 e DSM.IV).
A Vigorexia, mais comum em homens, se caracteriza
por uma preocupação excessiva em ficar forte a todo custo. Apesar
dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos, passam
horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos, magros
e até esqueléticos. Uma das observações psicológicas desses
pacientes é que têm vergonha do próprio corpo, recorrendo assim
aos exercícios excessivos e à fórmulas mágicas para acelerar o
fortalecimento, como por exemplo os esteróides anabolizantes.
As pesquisas sobre dependência (ou adicção) a
quaisquer coisas caminham, hoje em dia, através da Psiquiatria,
da Psicologia Experimental e da Neurobiologia no sentido de se
identificar elementos emocionais e biológicos que contribuem para
alterar o equilíbrio do prazer (homeostasia hedonista), levando assim
à dependência ou adicção. A palavra "adicção", em
português, é um neologismo técnico que quer dizer, de fato,
"drogadicção".
O termo Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, foi primeiramente
assim denominado pelo psiquiatra americano Harrisom G. Pope, da Faculdade
de Medicina de Harvarde, Massachusetts. Os estudos de Pope foram
publicados na revista Psychosomatic Medicine com a observação de
que cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões
adeptos à musculação podem estar acometidos pela patologia
emocional. As duas rexias, Anorexia e Vigorexia foram consideradas
por Pope como doenças ligadas à perda de controle de impulsos narcisistas.
Apesar de todas as características clínicas da
Vigorexia, vários autores não a consideram uma nova doença ou
uma entidade clínica própria mas sim, uma manifestação clínica
de um quadro já amplamente descrito; o Transtorno Dismórfico
Corporal. Essa manifestação clínica separada seria o chamado
Transtorno Dismórfico Muscular (ou Vigorexia).
Vigorexia ou Síndrome
de Adônis
A escravização que as pessoas das sociedades
civilizadas se submetem aos padrões de beleza tem sido um dos
fatores sócio-culturais associados ao incremento da incidência
dos Transtornos Dismórficos, sejam Corporais (associados à
Anorexia e Bulimia) ou Musculares (Vigorexia).
O habitual desejável ao ser humano moderno é
estar moderadamente preocupado com seu corpo, sem que essa
preocupação se converta numa obsessão. O ideal desejável e
sadio não é o padrão imposto pelas revistas de beleza e pelos
modelos publicitários mas sim, estar satisfeito consigo mesmo e
aceitar-se como é. Mas quem, na adolescência não se sentiu
complexado alguma vez, ao menos pelo tamanho de seu nariz? Quem
não sofreu com a acne na puberdade?
Tais complexos acabam gerando insegurança social,
podem agravar a introversão e timidez. A atitude mais habitual, apesar
de inocente, é acreditar que a timidez e insegurança sociais seriam
resolvidas caso a pessoa fosse bela, forte, um modelo de homem
perfeito, um corpo escultural. Nasce aí a obsessão de beleza física
e perfeição, os quais se convertem em autênticas doenças
emocionais, acompanhadas de severa ansiedade, depressão, fobias,
atitudes compulsivas e repetitivas (olhadas seguidas no espelho) e
que conduzem ao chamado Transtorno Dismórfico Corporal.
O termo Dismorfia Corporal foi proposto em 1886
pelo italiano Morselli. Freud descreveu o caso do "Homem
Lobo", uma pessoa que, apesar de ter um excesso de pelos no
corpo, centrava sua excessiva preocupação na forma e tamanho de
seu nariz. Ele o via horrível, proeminente e cheio de cicatrizes.
Embora exista um grande número de pessoas mais
ou menos preocupadas com sua aparência, para ser diagnosticado
Dismorfia, deve haver sofrimento significativo e uma reiterada
obsessão com alguma parte do corpo que impeça uma vida normal.
Quando esse quadro todo se fixa na questão muscular, havendo uma
busca obsessiva para uma silhueta perfeita, o transtorno se
chamará Vigorexia ou Transtorno Dismórfico Muscular.
A busca de um corpo perfeito e musculoso a
qualquer preço começa, então, a ser tratada como uma patologia.
A Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, é um transtorno emocional
assim denominado pelo psiquiatra americano Harrison G. Pope da
Faculdade de Medicina de Harvard, Massachusetts (veja a entrevista
com Pope em Notícias PsiqWeb).
Os estudos de Pope foram publicados na revista
Psychosomatic Medicine, e constaram da observação de adictos à
musculação, e comprovaram que entre mais de 9 milhões de
norte-americanos que freqüentam regularmente academias de
ginástica, cerca de um milhão poderia estar acometido por este
transtorno emocional.
A Vigorexia, como vimos pode ser sinônimo de Dismorfia Muscular
(ou Transtorno Dismórfico Muscular) e não é casualidade que o
nome Vigorexia rime com Anorexia.
As duas doenças promovem a distorção da imagem
que os pacientes têm sobre si mesmos: os anoréxicos nunca se
acham suficientemente magros, os Vigoréxicos nunca se acham
suficientemente musculosos. Ambas podem ser consideradas como
"patologias do narcisismo". Alguns autores já estão
atribuindo o aparecimento da Vigorexia à moda e à um estilo de
vida tipo "vigilante da praia".
Não se trata, simplesmente, de fazer exercícios
para receber o diagnóstico de Vigorexia. Os exercícios
orientados, com indicação médica ou terapêutica, recreativos
e/ou de condicionamento continuam sendo muito bem vindos na
medicina e na psiquiatria.
Entretanto, as pessoas que treinam
exaustivamente, não apenas para se sentirem bem, mas para ficarem
estupendos e perfeitos, são sérios candidatos ao diagnóstico de
Vigorexia. Normalmente essas pessoas estão dispostas a manter uma
dieta rigorosa, a tomar fármacos e a treinar duro para conseguir
seu objetivo. Elas perdem a noção de sua própria corporeidade e
nunca param ou ficam satisfeitos.
Os sintomas da Vigorexia se evidenciam pela
obsessão em tornar-se musculosos. Essas pessoas olham-se
constantemente no espelho e, apesar de musculosos, podem ver-se enfraquecidos
ou distantes de seus ideais. Sentirem-se assim "incompletos",
faz com que eles invistam todas as horas possíveis em exercícios
e ginásticas para aumentar sua musculatura.
Es difícil estabelecer limites entre um
exercício saudável e um exercício obsessivo, mas é bom lembrar
que os vigoréxicos, além da musculação continuada, comem de forma
atípica e exagerada. Esses pacientes se pesam várias vezes por
dia e fazem continuadas comparações com outros companheiros de
academia. A doença vai derivando num quadro obsessivo-compulsivo,
de tal forma que eles se sentem fracassados, abandonam suas
atividades e se isolam em academias dia e noite.
Alguns anoréxicos podem chegar a ingerir mais de
4.500 calorias diárias (o normal para uma pessoa é 2.500), e
sempre acompanhado por numerosos e perigosos complementos vitamínicos,
hormonais e anabolizantes. Tudo isso é feito com o propósito de
aumentar a massa muscular, mesmo tendo sido alertados quanto aos
graves efeitos colaterais desse estilo de vida.
A Vigorexia deve ser considerada um transtorno da
linhagem obsessivo-compulsiva, tanto pela obsessão em musculatura,
pela compulsão aos exercícios e ingestão de substâncias que
aumentam a massa muscular, quanto pela fragrante distorção do
esquema corporal.
Todavia, apesar de ser clinicamente
característica, a Vigorexia não está ainda incluída nas
classificações tradicionais de transtornos mentais (CID.10 e DSM.IV),
embora possa ser considerada uma espécie de Dismorfia Corporal,
já que também é conhecida com o nome de Dismorfia Muscular.
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Personalidade da Vigorexia
Podemos encontrar, entre portadores de Vigorexia,
pessoas que só buscam a figura perfeita, influenciadas por modelos
culturais atuais, ou esportistas que querem obsessivamente chegar a
ser os melhores, exigindo insensatamente de seu organismo até sua
meta ser alcançada. Recentemente temos visto também, entre os
vigoréxicos, pessoas portadoras de personalidade introvertida, cuja
timidez ou retraimento social favorecem uma busca do corpo perfeito
como compensação aos sentimentos de inferioridade.
Estas pessoas possuem alguns traços
característicos de personalidade, costumam ter baixa autoestima e
muitas dificuldades para integrar-se socialmente, costumam ser
introvertidas e podem, com freqüência, rejeitar ou aceitar com
sofrimento a própria imagem corporal. Em alguns casos, a obsessão
com o próprio corpo se parece muito com o mesmo fenômeno observado
na anorexia nervosa.
O fisiculturismo é um dos esportes que mais
comumente se relaciona com este tipo de transtorno, mas isso não
significa que todos fisiculturistas tenham Vigorexia. Os
vigoréxicos praticam seus esportes e ginásticas sem levar em conta
ou sem se importarem com as condições climáticas, condições
físicas limitadoras ou mesmo inadequações circunstanciais do
dia-a-dia, chegando a sentirem-se incomodados ou culpados quando
não podem realizar essas atividades.
Os critérios de diagnóstico para a Vigorexia
ainda não estão claramente estabelecidos por tratar-se de um
transtorno tornado freqüente mais recentemente, possivelmente
depois da última edição do CID.10 e DSM.IV, portanto, ainda não
reconhecido como um uma doença clássica e característica pelas
classificações internacionais.
Conseqüências da Vigorexia
Uma das conseqüências da vigorexia ou
overtraining, dizem respeito ao excesso de treinamento e às
reações corporais que avisam, por assim dizer, que algo está
errado. São reações semelhantes ao estresse tais como: insônia,
falta de apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza,
cansaço constante, dificuldade de concentração entre outras.
Além da obsessão com o corpo perfeito, a
Vigorexia também produz uma importante mudança nos hábitos e
atitudes dos pacientes, notadamente na questão alimentar. Até a
mínima caloria ingerida será contabilizada e medida com máxima
atenção, pois a beleza corporal dependerá disso. A vida do
anoréxico gira em torno dos cuidados com seu corpo, sua dieta é
minuciosamente regulada, eliminando-se totalmente as gorduras e, ao
contrário, consumindo-se excessivamente as proteínas. Esse
desequilíbrio alimentar acaba por sobrecarregar o fígado,
obrigando-o a desempenhar um trabalho extra.
A Vigorexia causa problemas físicos e estéticos,
como por exemplo, a desproporção displásica, também entre o
corpo e cabeça, problemas ósseos e articulares devido ao peso
excessivo, falta de agilidade e encurtamento de músculos e
tendões.
A situação se agrava quando surge o consumo de
esteróides e anabolizantes com o fim de conseguir "melhores
resultados". O consumo destas sustâncias aumenta o risco de
doenças cardiovasculares, lesões hepáticas, disfunções sexuais,
diminuição do tamanho dos testículos e maior propensão ao
câncer da próstata.
Emocionalmente, segundo estudos de Pope, a
Vigorexia pode ter como conseqüência um quadro de Transtorno
Obsessivo-conpulsivo, fazendo com que os pacientes se sintam
fracassados e abandonem suas atividades sociais, inclusive de
trabalho, com o propósito de treinar e exercitar-se sem descanso.
Costuma haver algum grau significativo de
comprometimento social e/ou ocupacional nos pacientes portadores de
Vigorexia, e sua qualidade de vida pode ser agravada ainda por
procedimentos potencialmente iatrogênicos e onerosos, como
tratamentos cirúrgicos e dermatológicos desnecessários.
Sintomas e Patologia da Vigorexia
Psiquiatricamente o quadro mais diretamente
associado à Vigorexia é a chamada Dismorfia Muscular (ou
Transtorno Dismórfico Muscular), uma patologia psíquica das
pessoas excessivamente preocupadas com a própria aparência,
constantemente insatisfeitas com seus músculos e continuadamente em
obsessiva busca da perfeição.
O sintoma central parece ser uma distorção na percepção do
próprio corpo e deste sintoma decorrem os demais, como por exemplo,
a obsessão pelos exercícios e dietas especiais. Esse tipo de
sintoma básico (percepção distorcida do próprio corpo) também
é o sintoma principal dos transtornos alimentares.
Mangweth e cols, compararam 27 homens com
diagnóstico de transtorno alimentar (sendo 17 com anorexia nervosa
e 10 com bulimia nervosa), com 21 atletas masculinos e 21 homens
normais não-atletas, usando um teste computadorizado da imagem do
corpo, o "matrix somatomorphic". Quando era pedido
para todos eles escolherem o corpo ideal que gostariam de ter, os
homens com transtornos alimentares selecionaram uma imagem com a
gordura de corpo muito próxima àquela escolhida pelos homens
atletas e do grupo de controle.
Entretanto, havia grande diferença entre esses
grupos quanto à percepção da imagem corporal, principalmente no
tanto de gordura que a pessoa acredita ter. Os homens com
transtornos alimentares se percebiam ser quase duas vezes mais
gordos que realmente eram, e as pessoas do grupo controle não
mostraram nenhuma tal distorção. Estes resultados foram muito
semelhantes aos estudos realizados com mulheres portadoras de
anorexia e bulimia, as quais também mostram uma percepção anormal
da gordura corporal.
Há, nos vigoréxicos, uma inclinação patológica
para o que se considera o protótipo do homem moderno, supostamente
(e erroneamente, segundo pesquisa de Pope) desejável pelas
mulheres. Há uma busca obsessiva em se tornar o modelo de homem,
com um corpo fibroso, definido, musculoso, e devidamente glorificado
pela televisão, pelo cinema, pelas revistas e passarelas de moda. A
Vigorexia representa bem a sociedade onde "uma imagem vale mais
que mil palavras", tornando os homens obcecados por seus corpos
perfeitos.
A mesma preocupação e distorção com o esquema
corporal constatado na Anorexia observa-se na Vigorexia. Na Anorexia
as pacientes - geralmente mulher - acham-se ainda gordas, apensar de
notavelmente magras e, na Vigorexia, acham-se fracas, apesar de
notavelmente musculosas.
O problema é mais comum ter início na
adolescência, período onde, naturalmente, as pessoas tendem a ser
insatisfeitas com o próprio corpo e se submetem exageradamente aos
ditames da cultura. Na adolescência existe uma pressão para as
meninas se manterem magras e uma cobrança para que os meninos
fiquem fortes e musculosos. A importância da identificação da
Vigorexia precocemente, é no sentido de evitar que os adolescentes
façam uso de drogas para obter os resultados desejados (ou
fantasiados).
A Dismorfia Muscular é uma espécie de subdivisão
de um quadro mais abrangente chamado de Transtorno Dismórfico
Corporal, definido como uma preocupação com algum defeito
imaginário na aparência física numa pessoa com aparência normal
A Dismorfia Muscular seria uma alteração na percepção do esquema
corporal, específica da estética muscular do corpo e não um
defeito na percepção corporal imaginário qualquer. Os quadros
mais comuns no Transtorno Dismórfico envolvem, principalmente,
preocupações com defeitos faciais ou outras partes do corpo,
cheiro corporal e aspectos da aparência. Quando diz respeito à
visão distorcida e irreal da estética muscular falamos em
Dismorfia Muscular.
O DSM.IV diz que a característica essencial do
Transtorno Dismórfico Corporal (historicamente conhecido como
Dismorfofobia) é uma preocupação com um defeito na aparência,
sendo este defeito imaginado ou, se uma ligeira anomalia física
está realmente presente, a preocupação do indivíduo é
acentuadamente excessiva e desproporcional.
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César Henrique Arrais,
da equipe do Correio Brasiliense, na edição de 15 de setembro de
2002 escreve um artigo que diz o seguinte (trecho):
"Dedicar
a vida à academia, se sentir deprimido ao ficar uma dia sem
exercício ou uso de anabolizantes. São sintomas da vigorexia,
doença com fortes componentes psicológicos que já é
considerada epidemia na Europa e nos Estados Unidos.
Stallone, Schwarzenegger, Van Damme, He-Man, Superman, Conan,
Vítor Belford... difícil encontrar um adolescente que não
tenha, ao menos uma vez, se inspirado num desses ícones da
virilidade masculina, com músculos enormes, corpo dividido e
muita disposição para dar porrada. Estimulados progressivamente
pela mídia, que associa a idéia do corpo perfeito a sucesso e
felicidade, e pela enorme difusão de academias de ginástica nos
anos 90, os jovens marombeiros foram em busca do sonho de ter o
poder e o respeito encarnados numa silhueta musculosa. Com o
tempo, muitos quebraram a cara. ...
... Trata-se de uma doença
irmã da anorexia, com origens e sintomas parecidos, apesar dos
objetivos serem distintos. Geralmente,o sujeito nutre uma intensa
rejeição pelo próprio corpo, entrando em conflito toda vez que
se olha no espelho. Nunca ele estará magro suficiente, no caso do
anoréxico, ou musculoso o bastante, no caso do vigoréxico.
‘‘Acontece uma alteração da imagem corporal. Ele nunca vai
se enxergar bem fisicamente, por mais que já esteja’’,
explica a psiquiatra Dilma Teodoro" veja
a página
A
ditadura estética contemporânea - esse é o nome de um
artigo de Diógenes
Alves.
Veja um trechinho:
"Apesar
dos avanços e estudos na área de saúde em relação à
atividade física e nutrição, vivemos em uma sociedade de ícones
de estética altamente opostos e de características paradoxais em
relação à saúde. De
um lado, temos modelos extremamente magras, muitas vezes
apresentando patologias como a anorexia nervosa, e do
outro, temos “atrizes”(não estou citando nomes, pois antes da
aparição da atriz e de toda esta polemica, já havia outras
atrizes e até cantoras internacionais neste caminho, basta ver
algumas revistas antigas) com corpos musculosos próximos a uma
aparência masculina, o qual também apresenta patologia conhecida
como vigorexia (veja mais em Dismorfia
muscular). Diante
deste fato, chegamos a um assustado questionamento: com a atual
super exposição destes ícones na mídia qual será sua
repercussão em nossa sociedade extremamente vaidosa?" Veja
tudo
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Gordos felizes é o
título de uma página do site Primeiras
Edições. Veja um trechinho do artigo de Ana Soromenho:
Watson, um dos cientistas
distinguidos com o Prémio Nobel por ter participado na identificação
da estrutura de dupla hélice do ADN, dirigiu um estudo que sugere
que uns quilinhos extra tornam um ser humano mais feliz.
A investigação incidiu
sobre o estudo de algumas substâncias químicas existentes no
corpo, levando-o a concluir que algumas reservas de gordura têm o
efeito de aumentar as endomorfinas, uma hormona relacionada com o
desejo sexual e com o estado de espírito.
Nas pessoas magras,
segundo ele, foi observado o efeito contrário - menos gordura
condicionava negativamente a recepção de endomorfinas pelo cérebro
. A teoria de Watson é que, no passado, os homens dedicavam a sua
vida à busca incessante de comida e a recompensa pelo trabalho árduo
era comerem e, consequentemente, ganharem peso.
Assim, Watson conclui que,
em termos evolucionistas, magro é igual a descontente. «Pessoas
felizes pesam mais. É por isso que contratamos pessoas magras,
pois trabalham mais arduamente». De acordo com ele, os magros são
tão condicionados pela necessidade de encontrar essa felicidade
efémera que se tornam super-recolectores. veja
a página
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ORTOREXIA
Seguindo a moda das "exias", como
Anorexia, Vigorexia, etc, descreve-se também, dentro das
"patologias culturais", o exagero em dietas naturalistas.
Essa obsessão dietética pode revelar sintomas de um transtorno
recém batizado de Ortorexia Nervosa. A palavra é um neologismo
baseado no grego, em que orthós significa "correto" e
"verdadeiro", e oréxis quer dizer apetite.
Trata-se de um quadro onde o portador é alguém muito preocupado
com os hábitos alimentares e dedica grande parte do tempo a
planejar, comprar, preparar e fazer refeições. A diferença entre
essa Ortorexia e a Síndrome do Gourmet, é que nesta não há
nenhuma preocupação com os alimentos "politicamente
corretos". Além de esse traço obsessivo alimentar, o paciente
dispõe de um autocontrole rigoroso para não se render diante das
tentações da mesa.
Aliás essas pessoas sentem-se superiores a quem se esbalda nos
pecados das impurezas de um filé ao ponto ou de uma guloseima em
calda de chocolate. Com o tempo esses pacientes acabam adotando
comportamentos nutricionais cada vez mais restritivos, com prejuízo
da sociabilidade ou, o que é pior, passam a ter uma desagradável
iniciativa de convencer todo mundo a entrar para sua turma. Isso
gera conflitos e dificuldades de relacionamento, arriscando a pessoa
a ficar falando sozinha.
Como provável indício (pródromo) da Ortorexia surge a
macrobiótica, com sua exclusividade no consumo de frutas, legumes e
folhas. Na base da personalidade desses pacientes está uma forte
inclinação obsessiva, tanto quanto se vê na Vigorexia, uma
preocupação exagerada e tirânica com a perfeição e uma rigidez
cega às normas e regras. Nesse sentido, entraria a alimentação
considerada politicamente correta e pretensamente saudável.
Esses excessos de retidão dietética podem colocar a saúde da
pessoa em sério risco devido à grande perda de peso e carência de
componentes nutritivos. Os autores, de modo geral, acham cedo
classificar esses casos como uma doença autônoma, preferindo
considerá-los como variantes sintomáticos dos Transtornos
Alimentares, da Anorexia ou da Vigorexia (Transtorno Dismórfico
Corporal), ambos situados dentro do Espectro Obsessivo-Compulsivo.
Esse quadro não se trata, simplesmente, da pessoa ser vegetariana.
Mesmo entre vegetarianos deve primar o bom senso, havendo aqueles
que criticam a posturas mais radicais.
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Os pacientes acometidos de Vigorexia compartilham
com os portadores de Dismorfia Corporal e Anorexia os mesmos
pensamentos obsessivos, e todos eles executam alguns rituais
repetitivos diante do espelho, o qual sempre lhes mostra sua imagem
distorcida.
Harrisom G. Pope descreveu esse quadro pela
primeira vez em 1993, chamando-o inicialmente de Anorexia Reversa.
Em seus últimos trabalhos Pope preferiu usar o termo "Complexo
de Adônis", reconhecendo que os homens eram os principais
acometidos e, mais raramente, algumas mulheres. Esse autor observou
existirem muitos elementos em comum entre a Vigorexia e outros
transtornos alimentares, notadamente com a Anorexia Nervosa. Apontou
algumas das características em comum:
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Pope realizou
estudos em três países sobre a imagem que os homens teriam deles
próprios, sobre a imagem que achariam ideal para si e sobre a
imagem que acreditam que as mulheres preferem. Os resultados
mostraram que a escolha do corpo ideal foi em média de,
aproximadamente, 13 quilos a mais de massa muscular do que eles
tinham.
Também estimaram que as mulheres prefeririam um corpo masculino
aproximadamente 14 quilos de massa muscular a mais do que eles
tinham. Em um estudo piloto paralelo, entretanto, os autores
encontraram que as mulheres preferiram, de fato, um corpo
masculino comum e sem os músculos adicionais que os homens
pensavam ser necessários.
Como conclusão, Pope atestou a grande discrepância entre o
estado real e o ideal muscular dos homens, ajudando assim a
explicar a aparente ascensão de distúrbios tais como o
Transtorno de Dismorfia Muscular, relacionado ao abuso de
esteróides anabolizantes.
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Características Comuns da
Anorexia e da Vigorexia
1. Preocupação exagerada com o próprio corpo
2. Distorção da Imagem Corporal
3. Baixa autoestima
4. Personalidade Introvertida
5. Fatores sócio-culturais comuns
6. Tendência a automedicação
7. Idade de aparecimento igual (adolescência)
8. Modificações da dieta
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Diferenças
Básicas entre a Vigorexia e a Anorexia
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Anorexia
Autoimagem
Obeso
Automedicação
laxantes, diuréticos
Sexo
Feminino
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Vigorexia
Autoimagem
de fraco
Automedicação
anabolizantes
Sexo
Masculino
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Transtorno Dismórfico Corporal e Transtorno
Dismórfico Muscular
Pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal
sofrem de idéias persistentes sobre o modo como percebem a própria
aparência corporal, portanto, todo paciente com Vigorexia tem
também Transtorno Dismórfico Corporal. Esses pensamentos
persistentes, intrusivos, difíceis de resistir, invadindo a
consciência e em geral acompanhados por compulsões rituais de
olhar-se no espelho constantemente seriam muito semelhantes aos
pensamentos obsessivos dos pacientes com Transtorno
Obsessivo-Compulsivo.
Essas idéias obsessivas sobre defeitos no próprio corpo são, em
geral, egodistônicas, ou seja, estão em desacordo com o gosto da
pessoa, portanto, fazem a pessoa sofrer.
No Transtorno Dismórfico Corporal são mais comuns as queixas que
envolvem defeitos faciais, como por exemplo a forma ou tamanho do
nariz, do queixo, a calvície, etc. mas, não obstante podem
envolver outros órgãos ou funções, como a preocupação com o
cheiro corporal que exalam, mau hálito, odor dos pés, etc.
Choi1, Pope e Olivardia definem o Transtorno Dismórfico Muscular
como uma nova síndrome onde as pessoas, geralmente homens,
independentemente de sua musculatura (embora normalmente sejam bem
desenvolvidos), têm uma opinião patológica a respeito do próprio
corpo, acreditando terem uma musculatura muito pequena.
A co-morbidade do Transtorno Dismórfico Corporal ou de sua
variante, o Transtorno Dismórfico Muscular (Dismorfia Muscular),
com outros quadros psiquiátricos, tais como a Fobia Social, o
Transtorno Obsessivo-Compulsivo, a Depressão e outros quadros
delirantes é bastante freqüente. Com Depressão e Ansiedade essa
co-morbidade chega a 50% dos casos, especialmente com quadros de
ansiedade tipo Pânico.
Com o Transtorno Obsessivo-Compulsivo clássico, Fobia Social e
Anorexia Nervosa a comorbidade também é alta, em torno de 40%.
Pacientes com Transtorno Dismórfico Corporal em geral são
perfeccionistas e podem ter traços de personalidade obsessivos ou
esquizóides.
Critérios Diagnósticos para F45.2 (CID.10) ou
300.7 (DSM.IV) do Transtorno Dismórfico Corporal
A. Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma
ligeira anomalia física está presente, a preocupação do
indivíduo é acentuadamente excessiva.
B. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou
prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas
importantes da vida do indivíduo.
C. A preocupação não é melhor explicada por outro transtorno
mental (por ex., insatisfação com a forma e o tamanho do corpo na
Anorexia Nervosa).
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Causas
Ainda que não se tenham dúvidas sobre o forte
elemento sociocultural no desenvolvimento e na incidência da
Vigorexia, também parece que a patologia esteja relacionada com
desequilíbrios de diversos neurotransmissores do sistema nervoso
central, mais precisamente da serotonina.
Também a causa do Transtorno Dismórfico
Corporal é desconhecida, embora existam relatos de algum
envolvimento orgânico em casos que tiveram início
pós-encefalite ou meningite. Isso reforça a hipótese de
envolvimento ou disfunção dos gânglios da base nestes quadros.
Essa mesma hipótese tem sido emprestada ao Transtorno
Obsessivo-Compulsivo e outros transtornos do espectro
obsessivo-compulsivo.
Para Pope, pode-se recorrer a fármacos que atuem
sobre esses neurotransmissores para o tratamento dessa doença. A
própria resposta positiva dos medicamentos bloqueadores seletivos
da recaptação de serotonina tem sugerido que os sintomas de
Transtorno Dismórfico Corporal estejam relacionados à função
da serotonina. Existem relatos de exacerbação dos sintomas do
quadro com o uso de maconha, a qual também tem ação
serotoninérgica. Veja Transtorno
Dismórfico Corporal no DSM.IV
Entretanto, a psicoterapia é fundamental e deve ser,
preferencialmente, comportamental e cognitiva. O objetivo é
modificar a conduta da pessoa, recuperando sua autoestima e
superando o medo do fracasso social.
Incidência
Os transtornos derivados da excessiva preocupação com o corpo
estão se convertendo numa verdadeira epidemia. Desejar com ardor
uma imagem perfeita não implica sofrer de uma doença mental, mas
aumenta as possibilidades de que esta apareça. Ainda que haja
hipóteses biológicas para estes transtornos, como por exemplo,
eventuais alterações nos desequilíbrios nos níveis de
serotonina e outros neurotransmissores cerebrais, não cabem
dúvidas de que os fatores sócio-culturais e educativos têm uma
grande influência em sua incidência.
Os portadores de Vigorexia são, em sua maioria, homens entre 18 e
35 anos, os quais começam a dedicar demasiado tempo (entre 3 e 4
horas diárias) a atividade de modelação física, resultando em
algum tipo de prejuízo sócio-ocupacional. A idade de início
mais comum do Transtorno Dismórfico Corporal também é no final
da adolescência ou início da idade adulta. A média de idade
está em torno dos 20 anos, não sendo raro que o diagnóstico
seja feito mais tardiamente. Por causa dessas coincidências é
que a Vigorexia (ou Transtorno Dismórfico Muscular) pode ser
incluída dentro do Transtorno Dismórfico Corporal.
Segundo dados de Pope, entre 9 milhões de norte-americanos que
freqüentam academias de ginástica, existe perto de um milhão de
pessoas afetadas por um transtorno de ordem emocional que os
impede ver-se como são na realidade. Por mais treinamento que
essas pessoas realizem, por mais musculatura que desenvolvam, elas
sempre se acharão fracas, débeis, raquíticas e sem nenhum
atrativo físico. Esses seriam os vigoréxicos.
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Referências Bibliográfica
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Ballone GJ - Vigorexia -
in. PsiqWeb, Internet, disponível
em <http://gballone.sites.uol.com.br/alimentar/vigorexia.html>
revisto em 2004
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