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ARTIGOS SELECIONADOSconclusão
1. SELF
POISONING IN NEWCASTLE, 1987-1992
Med J Aust 1995 Feb 20; 162(4): 190-193
Buckley NA, Whyte IM, Dawson AH, McManus PR, Ferguson
NW
Objetivos: Examinar a morbidade e mortalidade
associada com auto envenenamento com diferentes
classes de drogas.
Design da pesquisa: Estudo de cohort prospectivo com
follow-up limitado.
Setting: Centros de referencia primária e terciária
em toxicologia - Austrália
Resultados 1969 admissões com intoxicações por
3724 substancias (2424 provenientes de prescrições)
Foram investigadas 83 mortes relacionadas à intoxicação.
As substâncias mais ingeridas foram benzodiazepinas,
álcool, paracetamol, antidepressivos, neurolépticos,
e anticonvulsivantes. Desde 1980 a porcentagem de
autoenvenenamentos envolvendo benzodiazepínicos
diminuiu, enquanto aumentou aquelas envolvendo
antidepressivos. Mais de 50% da mortes foram
decorrentes de intoxicações por antidepressivos
tricíclicos ou analgésicos opióides.
2. SUICIDE
AND PSYCHOTROPIC DRUGS IN SWITZERLAND
Pharmachopsychiatry 1994 May; 27(3):114-118
Michel K, Arestegui G, Spuhler T
Todos os suicídios do ano de 1990 relacionados ao
uso de drogas foram analisados através do exame de
atestados de óbitos e informações diretas de médicos
e instituições de medicina legal. De um total de
179 pessoas (12,2% suicidas), aproximadamente 50%
dessas pessoas tomaram overdoses de combinações de
diferentes drogas e em 26% dos casos foi constatado o
uso de álcool em combinação com as drogas.
Inesperadamente o estudo identificou 29 suicidas em
pessoas que haviam obviamente usado combinações de
drogas recomendadas pelo EXIT (Uma organização que
advoga a liberdade dos indivíduos de decidir sobre
sua própria vida e a natureza de sua morte. Nos
suicidas do EXIT usualmente barbituratos e anticolinérgicos
foram utilizados conjuntamente. O barbiturato mais
utilizado curiosamente foi aquele que havia sido
excluído do mercado no ano anterior.
Em relação ao todo as drogas psicotrópicas
representaram 78,7% de todas as drogas utilizadas as
benzodiazepinas foram as mais utilizadas (38,9%),
seguida pelos barbituratos (16,6%) e antidepressivos
(13,6%). Os benzodiazepínicos mais utilizados foram flunitrazepam, diazepam e
triazolam, Em 27 atestados
de óbitos os benzodiazepínicos foram citados como
única droga utilizada para o suicídio.
Entre os antidepressivos (utilizados em 20,3% dos
casos de overdoses) os mais comumente utilizados
foram mianserina e trimipramina. Esta ordem de freqüência
reflete os hábitos dos médicos suíços. Dois suicídios
foram verificados com uso exclusivo de neurolépticos.
3. MEDICINE
SELF-POISONING AND THE SOURCES OF THE DRUGS IN LUND, SWEDEN.
Acta Psych. Scan 1994 Apr;89(4):255-261
Alsen M, Ekedahl A, Lowenhielm P, Nimeus A, Regnell G,
Traskman-Bendz l
O propósito deste estudo foi de investigar a
prevalencia dos agentes tóxicos nos atentados e suicídios
completados. A intenção foi também de explorar os
tipos de drogas utilizadas por aqueles que tentam
suicídio.
Informações verbais sobre utilização de drogas
foram coletadas de 280 T.S. durante o período de
1987-1990.Informações sobre os tipos de drogas
utilizadas foram coletadas de 143 destes atentados.
O estudo também inclui um screening toxicológico de
73 envenenamentos com desfecho fatal ao sul da Suécia
durante 1989.
De acordo com as informações verbais, as drogas
mais comumente utilizadas pelos que tentaram suicídio
foram benzodiazepinas (51%), analgésicos (29%) e
antidepressivos(20%).
Screenings toxicológicos dos envenenamentos fatais
demonstraram que os benzodiazepínicos foram os mais
comuns (55%), seguido pelos analgésicos (38%),principalmente
propoxifeno (29%) e antidepressivos (30%),
principalmente amitriptilina (22%)
A conclusão é que a informação a respeito de
overdose de medicamentos é importante, e que
introduzir alternativas para prevenção de
comportamentos suicidas é também muito importante.
4.
BENZODIAZEPINE FINDINGS IN AUTOPSY MATERIAL. A STUDY
SHOWS INTERACTING FACTORS IN FATAL CASES.
Ericsson HR, Holmgren P, Jakobsson SW,
Lafolie P, De Rees B
O artigo consiste numa pesquisa retrospectiva(dos
dados de 1987) da prevalência de benzodiazepínicos
no sangue na hora da morte. Das 2007 autopsias,
analises químicas forenses foram realizadas em 1587
casos. Em 159 destes casos foi apontada a presença
de benzodiazepínicos. Destes 159 casos, 22 foram
considerados relacionados a causas naturais, e nas
outras 115 mortes foram relacionadas a causas
externas como acidentes (16), suicídio (60), drogadição
(29) ou alcoolismo (10).
O uso de múltiplas drogas benzodiazepínicas foi
encontrado em 37 casos. Em quatro casos a única
causa de morte foi a overdose de benzodiazepinas.
O estudo concluiu que algumas benzodiazepinas
particularmente flunitrazepam, podem ser mais tóxicas
do que é suposto formalmente.
5. SEDATIVES
AND SUICIDE: THE SAND DIEGO STUDY.
Mendelson WB, Rich CL
Embora a experiência clínica aponte para o freqüente
uso de sedativos e hipnóticos em suicídio,
marcadamente poucos dados existem para confirmar esta
impressão. O estudo no qual avaliações toxicológicas
foram realizadas em 90% dos 204 suicídios
consecutivos em San Diego County Coroner durante 1981-1982,
traz uma oportunidade de examinar vitimas de suicídio
que tem utilizado vários medicamentos como drogas de
abuso. Drogas foram detectadas em 68% dos sujeitos
testados. Ansiolíticos e hipnóticos foram
encontrados em 10,7% e 12,3% dos casos
respectivamente. Mulheres apresentaram uma
positividade quatro vezes mais freqüente em relação
a ansiolíticos e hipnóticos do que os homens.
Antidepressivos foram achados em 5,9%. Álcool foi
ingerido por 28,3% de sujeitos. Barbituratos e
benzodiazepínicos foram encontrados em proporções
aproximadamente iguais nas taxas sangüíneas ao
passo que o número de prescrições de barbitúricos
corresponde a 1\6 daquelas de benzodiazepínicos.
Depressão maior foi encontrada em 22,5%, dos casos
com história positiva de depressão maior apenas uma
pequena proporção (varia de 4 a 10%) foram
positivos para antidepressivos, ansiolíticos e hipnóticos.
6. SUICIDAL
POISONING WITH BENZODIAZEPINES
Chodorowski Z, Sein Anand J
No período compreendido entre 1987 a 1996, 103
pacientes suicidas através de envenenamento por
benzodiazepínicos foram tratados, incluindo 62
mulheres e 41 homens de 16 a 79 anos (media de 34anos).
Vinte e três pessoas foram intoxicadas
exclusivamente pôr benzodiazepínicos e em 80 casos
restantes os casos eram de associações (ex: BDZ e
álcool, tricíclicos, barbituricos, opióides, fenotiazinas. Os casos principais de suicidas foram
principalmente de depressão, drogadição e
alcoolismo. Nenhuma morte foi constatada no grupo
daquelas intoxicadas por BDZ enquanto que a
mortalidade no grupo que utilizou diversas drogas foi
de 4%.
7.
EPIDEMIOLOGY OF ACUTE POISONING: STUDY OF 613 CASES
IN THE COMMUNIT OF MADRID IN 1994
Dorado Pombo S, Martin Fernandez J, Sabugal
Rodelgo G, Caballero Valles PJ
Seguindo um determinado protocolo, 613 envenenamentos
agudos (EA) atendidos no departamento de emergência
de medicina interna no hospital doze de outubro,
Madrid, em 1994, foram estudados. A incidência foi
de 90/100.000 habitantes. O número de casos foi
similar em ambos os sexos. A idade média dos
pacientes foi de 32 anos e a mediana de 29 anos.
Maioria dos envenenamentos foi voluntário (601 que
corresponde a 98%), os atentados suicidas
representaram o tipo mais freqüente de envenenamento
agudo (354 - 58%), mas entre os pacientes do sexo
masculino a intoxicação alcóolica predominou (148
48%). Entre os EAs, acidentes domésticos
foram os mais comuns e apenas um foi de natureza
ocupacional.
Agentes de envenenamento através de fármacos: 96%
dos atentados suicidas particularmente entre mulheres.
Destes dados, benzodiazepinas representam 39%,
antidepressivos 14% como exemplo. A incidência de fármacos
é consistente com os dados existentes na literatura
em outros estudos.
Três por cento dos pacientes foram admitidos em
unidades de terapia intensiva e a mortalidade foi de
0,1%.
8. TAIWAN
NATIONAL POISON CENTER: EPIDEMIOLOGIC DATA 1985-1993.
J. Toxicol. Clin Toxicol. 1996; 34(6): 651-663
Yang CC
O Centro Nacional de Envenenamentos de Taiwan tem
recebido mais de 30.000 chamadas telefônicas desde
sua fundação em julho de 1985.
Objetivo: uma analise retrospectiva de todas as
chamadas entre julho 1985 e dezembro de 1993 foi
conduzida a fim de obter mais informações sobre
envenenamentos em Taiwan.
Métodos: Os seguintes dados foram tabulados: idade,
sexo, intenção de exposição, tipo de exposição,
substâncias ingeridas e severidade clínica.
Resultados: Durante os oito anos (1985-1993), 23.436
chamadas telefônicas referentes a envenenamento
humano foram registradas. Adultos representaram um
maior número de casos (75,2%) e exposição
envolvendo o sexo masculino (54,2%) foram mais
prevalentes que do sexo feminino (44,7%).
Envenenamentos intencionais (54,6%) foram mais comuns
que envenenamentos não intencionais(40,1%).
Depois das anfetaminas a mais freqüente forma de
envenenamento foi através de pesticidas. A taxa de
mortalidade foi de 5,7% de todas as exposições.
Conclusões: Envenenamento humano é um sério
problema em Taiwan. A redução dos atentados
suicidas é o maior objetivo. Envenenamentos infantis
são subnotificados e de alta mortalidade.
9.
CORRELATIONS BETWEEN PRESCRIPTIONS AND DRUGS TAKEN IN
SELF POISONING. IMPLICATIONS FOR PRESCRIBERS AND DRUG REGULATION.
Buckley NA, Whyte IM, Dawson AH, McManus PR,
Ferguson NW
Objetivo: Comparar dados de prescrição da Australia
com drogas ingeridas em auto envenenamento e suicídio,
para determinar quais drogas estão mais
representadas.
Design: Comparação de dados de drogas utilizadas em
admissões de pacientes com auto envenenamento e suicídio
com aqueles de prescrições dispensadas utilizando
os dados do DUSC(Drug Utilization Subcommite).
Settig: Newcastle and Lake Macquarie, Australia, 1989-1992
Subjects: entre julho de 1989 e junho de 1992, 1159
drogas provenientes de prescrições foram utilizadas
em overdoses. Oitenta e três mortes relacionadas á
overdose de fármacos foram investigadas entre 1987 e
1992. Em 48 ocasiões a droga prescrita é responsável
pela primeira causa de morte.
Resultados: As drogas mais representadas em auto
envenenamento (relativas as prescrições
Australianas) foram aquelas que não são prescritas
unicamente para condições psiquiátricas (antidepressivos,
neurolépticos, lítio) mas também benzodiazepínicos,
barbituricos e outros anticonvulsivantes. Os maiores
odds ratios para morte quando ajustados para números
de prescrições foram para barbituricos de curta ação
(523,7 - 95% intervalo de confiança (CI)= 207-1322),
hidrato de cloral (58,1 95% (CI)=18,1-187),
colchicina (27,9 95% (CI)=3,8 202),
dextropropoxifeno (20,8 95% (CI)=8,8-48,9),
tricíclicos (13,3 95% CI=7,2 24,5) e
anticonvulsivantes(11,6 95% (CI)=4,1-32,2).
Conclusões: Barbituricos de curta ação, hidrato de
cloral, e dextropropoxifeno apresentam poucas
vantagens em termos de benefícios terapêuticos e
representam grande toxicidade em overdoses. Eles
poderiam ser removidos do mercado. A toxicidade dos
anticonvulsivantes e colchicina deve ser considerada
quando são prescritas, e menores quantidades por
prescrições devem ser administradas para pacientes
de alto risco.
10.
EXPERIENCE WITH 732 ACUTE OVERDOSE PATIENTS ADMITTED
TO NA INTENSIVE CARE UNIT OVER SIX YEARS.
Henderson A, Wright M, Pond SM
Med J Aust 1993 Jan 4; 158(1): 28:30
Objetivo: Determinar o outcome em pacientes com
overdose aguda e que necessitaram de admissão à
unidade de terapia intensiva.
Design: Survey prospectivo de todas as admissões em
uma UTI por um período de 6 anos terminando em
janeiro de 1991.
Setting: Hospital escola de referência terciário
Pacientes: 732 pacientes cosecutivos em overdose
aguda
Resultados: Os 732 pacientes representaram 13,8% de
todas as admissões e 6% do tempo de internação nos
leitos de UTI. Comparação com todas as admissões
do departamento de emergência por overdose aguda após
27 meses, observa-se que 22% destes pacientes foram
admitidos em UTI. Dos pacientes admitidos na UTI,
antidepressivos tricíclicos.
11.
EPIDEMIOLOGY OF POISONINGS IN THE BLOEMFONTEIN AREA,
1980-1985
S. Afr Med J. 1988 Sep 3;74(5):220-222
Um estudo epidemiológico a respeito de envenenamento
humano foi realizado na área da África denominada
Bloemfontein por um período de 6 anos.
Envenenamentos acidentais e deliberados foram
estudados em relação à: idade e sexo das pessoas
envenenadas, tipo de veneno envolvido e o tempo em
que ocorreu o envenenamento.
O estudo também incluiu o número de pacientes
internados após o envenenamento. As incidências de
alguns agentes envolvidos são comparadas com aquelas
obtidas em outros dois estudos realizados previamente
na mesma área.
12. AN
ANALYSIS OF ACUTE POISONINGS WITH DRUGS
Eksp Klin Farmakol 1992 May, 55(3): 54-56
(Russian)
Análise de envenenamentos agudos por drogas que foi
realizada no Centro Toxicológico de Saint Petersburg
pelo período de 10 anos. Os envenenamentos
produzidos por medicamentos prescritos foi duas vezes
mais freqüente em 1989 e significaram 76% do total
de intoxicações. Envenenamento por tranqüilizantes
foi o primeiro em freqüência, seguido por
antihistamínicos, neurolépticos e hipnóticos.
Em grande parte dos casos, as drogas foram utilizadas
como método de tentativas de suicídio, e mais
raramente utilizadas para potencializar efeitos
euforizantes de álcool. Entre as mulheres, os
envenenamentos foram três vezes mais comuns que
entre homens.
13.
EPIDEMIOLOGY OF POISONING IN THE NEW TERRITORIES
SOUTH OF HONG KONG.
Hum Exp Toxicol 1997 Apr; 16(4): 204-207
Muito pouco se conhece à respeito da incidência e
padrão de envenenamentos em Hong Kong. Foram
estudados os pacientes adultos (>ou = a 15 anos) e
crianças (<ou =14 anos) que foram hospitalizados
no Princesas Margarete Hospital em 1994 com códigos
do CID 960-977 (envenenamentos por medicamentos) ou
980-989 (envenenamentos não medicamentosos). Este é
o principal hospital de retaguarda de urgências 24 h.
servindo como referencia para 0,68 milhões de
pessoas. A incidência de envenenamento em 1994 foi
de 113,5/100.000. A incidência foi maior em homens
que em mulheres (130,0 vs 96,4/100.000).
Envenenamentos foram mais comuns em adultos que em
crianças (128,8 vs 44,9/100.000). Sujeitos com
envenenamentos por medicamentos foram
predominantemente mulheres jovens e hipnóticos e
sedativos foram os principais agentes envolvidos. Em
contraste, homens com idade entre 35 a 64 anos
predominaram em envenenamentos não medicamentosos, e
em grande parte relacionados ao álcool. Em crianças
envenenamentos por medicamentos foram mais comuns que
por outros agentes.
14.
VOLUNTARY ACUTE DRUG POISONING IN THE HEALTH UNIT
NAVARRA I, IN 1989. DESCRITIVE EPIDEMIOLOGIC STUDY.
Peres Gomes JM, Belzenegui Otano T
Intoxicações agudas voluntárias através de
medicamentos constitui-se num sério problema médico
social, freqüentemente relacionado a outros
problemas, tais como drogadição e transtornos
psiquiátricos. Através de um estudo prospectivo dos
casos observados em 1989, na unidade de emergência
de medicina interna do hospital, e para pessoas com
faixa etária maior que 13 anos concluiu-se que há
uma incidência de 70,4/100.000 habitantes, com uma
maioria absoluta e relativa de mulheres e residentes
em áreas urbanas.
Um terço dos casos tinha historia previa de
transtornos psiquiátricos, enquanto outro terço
tinha história anterior de abuso de álcool ou
drogas. A maioria dos pacientes eram menores de 30
anos. Aparentemente um tênue relação com período
do dia se apresentou com predomínio de ocorrências
noturnas. Em 85% dos casos, pode-se determinar o
fator causal. Psicofármacos estiveram presentes em
mais de 60% dos casos de autólise, a maior freqüência
de benzodiazepínicos.
Houve uma grande porcentagem de internações a
despeito de uma evolução favorável, apenas um óbito
nos 103 casos registrados.
CONCLUSÃO
Temos aqui então
uma série de situações de intoxicações por
drogas em alguns pontos do mundo e podemos perceber
algumas diferenças e algumas semelhanças entre os
artigos.
Primeiramente, registramos a insuficiência dos abstracts
por não se mostrarem bons instrumentos à captação
de dados dos artigos, pois, fornecem uma visão
parcial da pesquisa desenvolvida. Esse fato, além de
oferecer riscos à interpretação da pesquisa, também
estimula uma certa ansiedade e inquietação devidas
ao desejo de saber o "algo mais"
que não foi explicitado pelo resumo.
Outra questão é a da apresentação dos artigos
parecer diversificada pois em alguns resumos os
autores já trazem dados epidemiológicos outros nos
mostram o desenho da pesquisa, e outros ainda se
preocupam em descrever os objetivos e outros a
filosofia do trabalho do grupo de pesquisa.
Um fato que chama atenção, são os termos que se
referem à intoxicação. Entre os artigos observamos
termos tais como: auto-envenenamento, autólise,
envenenamento agudo voluntário, overdose aguda,
evenenamento humano deliberado, intoxicações agudas
voluntárias, e autodestruição humana, envolvendo o
uso de substâncias químicas.
Outro ponto interessante foi a preocupação em
apontar os diversos tipos de substâncias utilizadas,
inclusive, constando uma proposta de classificação
de envenenamentos por medicamentos e envenenamentos
não-medicamentosos, baseada na CID.10 (Artigo
13).
Destaca-se nos artigos, também, um interesse
generalizado nos envenenamentos medicamentosos e,
neste caso, com detalhamento sobre tipos mais
utilizados de medicamentos, diferenças entre alguns
países... A maioria dos dados apresenta os
benzodiazepínicos como a droga mais utilizada para
tentativas de suicídio, seja como droga única ou
associada ao álcool e outras drogas.
Em relação às metodologias empregadas, podemos
notar o uso de técnicas mais sofisticadas, como a
utilização de testes toxicológicos em cadáveres
de indivíduos que morreram por envenenamento, por
exemplo, até a utilização de pesquisas
exclusivamente documentais, através de arquivos de
fichas de internação.
Em relação ao setting das pesquisas, temos
os mais variados locais de estudo, tais como centros
de referência em análises toxicológicas, unidades
de internação de emergência, instituições de
medicina legal (para estudo dos atestados de óbitos),
hospital escola de referência terciária (Artigo 10).
Em relação aos países de origem dos trabalhos,
pudemos obter artigos de países variados, tais como
Austrália, Suíça , Escandinávia, Suécia, Polônia,
China, África e Rússia. Essa diversidade geo-demográfica
proporciona comparações entre dados epidemiológicos,
bem como das preferências em relação às drogas
utilizadas para a tentativa ou ato suicida.
Destaca-se entre os estudos, os dados interessantes e
a incidência de envenenamentos em Hong Kong em 1994,
cheggando ao índice de 113,5/100.000, predomínio de
mulheres jovens e consumo de hipnóticos e sedativos
entre os envenenamentos por medicamentos. (Artigo 13)
Dados particulares de alguns países também chamam a
atenção, como por exemplo, o grupo de 29 suicidas (entre
179 indivíduos estudados) provenientes de uma
organização que recomendava a utilização de
barbitúricos e anticolinérgicos para a autoeliminação
(Artigo 2). Outro aspecto que deve ser valorizado é
a questão de envenenamentos na infância, em geral
subnotificados e de alta mortalidade (Artigos 8 e 13).
O quadro a seguir mostra uma fotografia dos dados
encontrados segundo o país de origem das pesquisas:
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