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INTERVENÇÃO TERAPÊUTICA-OCUPACIONAL NA PSICOSE INFANTIL


Ana Rafaella Chiapeta Bezerra
Casiana Tertuliano Chalegre
Daniela Sá Leitão Guimarães
Diany Ibrahim de Souza Camilo

O presente trabalho tem como principais objetivos a compreensão do papel da  terapia ocupacional na psicose infantil, abordar questões relativas a essa patologia desde a sua definição, até a intervenção terapêutica ocupacional. Utilizamos para este fim, inúmeras referências bibliográficas que se destinam a levantar pontos importantes acerca do universo da psicose infantil e a inclusão da terapia ocupacional dentro deste contexto.

Como produto de nossas pesquisas, dividimos o trabalho em duas grandes partes: a que se dedica à descrição da clínica e a segunda e mais importante, referente à atuação terapêutica ocupacional.  

Para realizá-lo estudamos várias perspectivas teóricas, porém nos centramos na teoria psicanalítica, uma vez que esta oferece uma melhor concepção de sujeito, onde a maior parte dos teóricos seguidores dessa linha acreditam que o bom desenvolvimento psíquico é decorrente da “saudável” relação mãe - bebê e caso isso não ocorra, podem surgir patologias, dentre elas o AUTISMO e a ESQUIZOFRENIA. 

Quanto à terapia ocupacional, foi necessária uma busca mais aprofundada sobre o tema. Com isso foram realizadas consultas com profissionais da área objetivando assim uma visão mais atualizada e prática do conteúdo aqui exposto.  

Índice dos Colaboradores  

Ana Rafaella C. Bezerra
Andreza Trigo Ribeiro
Angela Cristini Gebara
Carmen Sylvia Ribeiro
Casiana Tertuliano Chalegre
César de Moraes
Cibele Cintra Souza
Cláudia D'Andretta
Cleber Monteiro Muniz
Daniela Sá Leitão Guimarães
Diany Ibrahim de Souza 
Glaucio Menoni Honorato
Magda Vaissman
Renata Rigacci
Rosângela Maria Bassoli

 

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I - INTRODUÇÃO

Durante séculos, as psicoses infantis eram ignoradas e até negadas em sua existência. Seu estudo livre foi impedido por superstições referentes a possessões diabólicas e bruxarias. Algumas destas crianças foram, infelizmente encarceradas em jaulas destinadas a enfermos mentais e, em muitos casos, colocados para fora das cidades. Às vezes, se as abandonava por completo à sua própria sorte.
Os distúrbios mentais em crianças só tardiamente vieram a se converter em objeto de investigação empírica. No que se refere a psicanálise, o trabalho com criança se constitui efetivamente a partir da década de 10, principalmente, no final desta década com os trabalhos de Melaine Klein e de Ana Freud. Um pouco antes houve teórico na Áustria que se interessavam em estudar crianças. Existem vários teóricos que vão se preocupar em estudar crianças como Margareth Mahler uma austríaca que cria noção do psicose simbiótica além de Spitz, Winnicott e teóricos franceses, ingleses, etc.

Antes da Segunda Guerra Mundial, alguns autores se preocuparam em observar os transtornos psiquiátricos infantis. Pretendia-se encontrar nas crianças os sintomas manifestos pelos adultos. Sante de Sanctis (1905) definiu demência precocissíma; Heller(1906), em cima do modelo da demência precoce e esquizofrenia infantil de Potter (1933) e Lutz (1936) definiu a demência infantil;
Em 1911, E . Bleuler estabelece, a partir da revisão de demência precoce de Kraeplin, o seu próprio conceito, o de esquizofrenia. Para Bleuler, a demência precoce não é sempre precoce nem condiz irremediavelmente à demência.

A psicose infantil sofreu uma evolução paralela à da demência precoce (Kraeplin) e posteriormente da esquizofrenia (Bleuler). A translação do quadro semiológico adulto ao da criança tropeçou em dois pontos: dificuldade de integrar na criança o conceito de demência que supõe uma organização psíquica prévia suficientemente desenvolvida; a raridade ou ausência, do delírio crônico na criança. Por isso as primeiras descrições de psicose infantil sofreram impasses, pois quanto maior era o rigor na patogenia adulta, menos casos clínicos se encontravam.

A história recente das psicoses infantis, é marcada pela introdução, em 1943, do autismo de Kanner. Seu trabalho rompe com uma tradição da psiquiatria infantil. Para ele não é suficiente apenas pesquisar na criança o que se encontra no adulto ou estudar esquizofrenia infantil; mas, sim, a partir de um trabalho no qual se pode qualificar de experimental e de enunciar um certo número de traços comuns a estas crianças.

II - DESENVOLVIMENTO NORMAL X PATOLÓGICO : CONSTRUÇÃO DO SUJEITO

A constituição da subjetividade do sujeito, se dá a partir da relação “saudável”, que se estabelece entre a mãe e o bebê. Concepções estas apresentadas por D. W. Winnicott, referindo-se ao desenvolvimento emocional-afetivo da criança. Tendo como referencial o investimento libidinal no relacionamento dual (mãe-bebê). De acordo, com Winnicott o bebê em seu primeiro ano de vida, apresenta uma relação visceral com a mãe, sendo esta, considerada por ele, como uma extensão do seu próprio corpo, visto que não houve ainda a divisão do “não-eu” e do “eu” do bebê. Assim, ele tem esta mãe o ambiente ao seu redor, como um prolongamento de seu corpo. Tanto esta mãe, quanto este ambiente, devem ser suficientemente bons, para que haja, de fato, neste bebê, uma formação saudável de sua psique. Esta relação materna satisfatória, permite ao bebê entrar no misterioso espaço transitório, que é uma área intermediária de experiências, que não está nem em seu mundo exterior, nem interno à ele, mas sim, em sua capacidade de prolongar a ilusão da presença materna, quando esta se faz ausente, usando-se assim, desta área de ilusão com a finalidade de transferir sua catexia e prolongar um agradável momento anterior.

Entretanto, vale ressaltar que, se esta mãe não for suficientemente boa, não suprindo satisfatoriamente as necessidades do bebê e caso estas “falhas” não forem corrigidas, estabelece-se na relação mãe-bebê, uma espécie de carência, acarretando para ele uma grande ansiedade e, conseqüentemente, há um comprometimento na constituição de sua subjetividade, devido a esta deficiente relação materna. A abordagem psicanalítica faz referência à construção da subjetividade, sendo isto possível na própria dinâmica familiar que permitirá ou não esse processo.

A origem dos quadros de psicose infantil estaria na ocorrência de distorções no relacionamento mãe-bebê. Segundo Margareth Mahler parece haver crianças que devido a uma inerente fragilidade do ego desde o estágio de indiferenciação, tornam-se alienadas do meio ambiente. Essas seriam as crianças com “psicose autística infantil”, em que a mãe parece nunca ter sido percebida pela criança, nem como entidade emocionalmente significativa, nem como representante do não-eu. Nessas crianças, a mãe permaneceria um objeto parcial que não seria distinto dos objetos inanimados. Nos quadros de psicose simbiótica, o contato com a realidade estaria na dependência de um vínculo simbiótico entre mãe e bebê; em que esta não é percebida como distinta do self, mas se confunde com ele.  

III - CONCEITO DE PSICOSE INFANTIL

Na tentativa de conceituar a psicose infantil, em 1960, um grupo de psiquiatras britânicos buscou oferecer critérios para o diagnóstico da psicose em crianças tais como: o relacionamento prejudicado com as pessoas, confusão de identidade pessoal e inconsciência do eu, preocupação anormal com alguns objetos, resistência a mudanças no ambiente, diminuição ou aumento de sensibilidade aos estímulos sensoriais, reação de ansiedade excessiva ou ajuda em resposta à menor mudança, perturbação da linguagem e da fala, perturbações da motilidade (hiper ou hipoatividade), desempenho assimétrico nos testes de inteligência com área de funcionamento normal a superior intercaladas com áreas de atraso no desenvolvimento intelectual.

Em 1970, Ajuriaguerra na 1ª edição do manual de psiquiatria infantil definiu a psicose infantil como um transtorno de personalidade dependente de um transtorno da organização de eu e da relação da criança com o meio ambiente.

Tradicionalmente os psiquiatras definem o termo psicose como um distúrbio no sentido da realidade. Em contrapartida, numa visão psicodinâmica a psicose seria uma desorganização da personalidade podendo então ser compreendida como uma confusão entre o mundo imaginário e perceptivo na ausência do Ego (Freud), estrutura limitante entre esses dois mundos.

Características do psicótico infantil:
§ Dificuldades de se afastar da mãe;
§ Problemas na compreensão do que vê;
§ Problema na compreensão dos gestos e da linguagem;
§ Alterações marcantes na forma ou conteúdo do discurso, repetindo imediatamente palavras e/ou frases ouvidas (fala ecolálica), ou utilizando-se de estereotipias verbais e de frases ouvidas anteriormente e empregadas de forma idiossincrática. A inversão pronominal é comum, a criança se refere a ela mesma utilizando-se da terceira pessoa do singular ou do seu nome próprio.
§ Alterações marcantes na produção da fala, com peculiaridades quanto à altura, ritmo e modulação.
§ Habilidades especiais.
§ Conduta socialmente embaraçosa.
§ Negação da passagem da alimentação líquida para sólida ou bulimia indiferenciada incorporando qualquer objeto pela boca.
Ao longo desse trabalho, as definições mais específicas classificadas quanto ao tipo de psicose infantil serão melhor abordadas

IV - INCIDÊNCIA

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Distúrbio Autista é cerca de três vezes mais comum em meninos que em meninas. Em relação a população em geral, é de cinco em cada dez mil pessoas. Para Grunspun (1999), as estimativas epidemiológicas da prevalência da esquizofrenia com início na infância não são precisas e são calculadas na população infantil em torno de 0,04%. A incidência é, em crianças, acima de sete a oito anos de idade e é igual para os dois sexos.

V - CLASSIFICAÇÃO

Em psicose infantil, a classificação encontra dificuldades devido às divergências de pensamento sobre seu conceito entre os estudiosos. Para superar esses obstáculos, recorre-se a classificações multiaxiais ( CID - 10 e DSM - III ), um sistema baseado num enfoque biopsicosocial e sua etiologia relacionada é puramente descritiva.

Há algum tempo, as classificações gerais das doenças mentais não mencionavam as psicoses infantis. A primeira vez que a classificação internacional considerou os distúrbios psicopatológicos próprios da criança foi em 1979 (CID 9), propondo os seguintes títulos: Autismo infantil (síndrome de Kanner); Psicose desintegrativa (síndrome de Heller); Psicoses infantis atípicas; essa classificação parece já ultrapassada.

Os autores da DSM – III (1980) classificam as psicoses da criança sob a denominação “ Distúrbios difusos do desenvolvimento”, preferem não utilizar o termo “psicose” , fundamentados nas diferenças semiológicas importantes entre as psicoses do adulto e da criança. Dividem o título em três itens: Autismo infantil; distúrbios difusos do desenvolvimento com início na infância;Distúrbios atípicos do desenvolvimento. 

Na classificação francesa encontramos a diferenciação segundo a idade, que se divide em: Psicoses precoces, onde os sintomas apresentam-se antes dos quatro anos de idade, não oferecendo à criança a possibilidade de adaptação ao meio extrafamiliar; Psicose do período de latência ou Psicose infantil de exteriorização tardia, se manifestam entre os cinco primeiros anos e a puberdade; Psicose da puberdade e da adolescência.

Apesar dos esforços de psiquiatras infantis e psicanalistas da criança, não há ainda acordo completo entre os especialistas sobre uma classificação única.

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Veja Bibliografia

 

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