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O
termo psicose é usado ocasionalmente, como eufemismo para loucura alguma
vezes sinônimo de esquizofrenia (uma das entidades dessa categoria) e em
outras ocasiões como depressão psicótica e neurótica. O termo não
qualificado pode receber qualificativos pela diferenciação entre psicoses
orgânicas e funcionais.
Psicoses
orgânicas: delírio, demência e síndrome de Korsakoff.
Psicoses
funcionais: esquizofrenia, psicose maníaco - depressiva.
A
esquizofrenia é, entre as doenças mentais, a que acarreta mais prejuízos.
É um distúrbio do psiquismo e da personalidade, que se manifesta com a
consciência lúcida, caracterizado por diversas alterações nas experiências
psíquicas nos padrões de pensamento e humor.
A
hereditariedade é um fator etiológico importante pois sabe-se que a sua
freqüência é aumentada nos familiares de pacientes. Sendo as chances de
desenvolver esquizofrenia maiores, quanto mais próximo for o grau de
parentesco com o paciente.
1.1.
Quadro clínico:
as
características iniciais da esquizofrenia são delírios, alucinações,
linguagem e comportamento desorganizados, como sintomas positivos. Apatia
marcante, pobreza de discurso, embotamento ou incongruência de respostas
emocionais e retraimento social com falta de iniciativa. A sintomatologia é
muito parecida à do adulto sendo o início infantil mais grave do que no início
adulto.
Aborda-se a seguir os sintomas essenciais
da esquizofrenia infantil:
Ø
Distúrbios do conteúdo do
pensamento:
As
alucinações e delírios são os primeiros aspectos percebidos. São ego
sintônicas, ou seja, crianças esquizofrênicas nem sempre vêm como
invasivas e estranhas. Lidam bem com os sintomas que lhe parecem naturais
porque se iniciam precocemente e de forma insidiosa. O desenvolvimento das
alucinações e delírios se torna de maior complexidade com o tempo.
Ø
Distúrbios da cognição:
Esquizofrênicos
sofrem de um prejuízo leve da cognição. As crianças submetidas a testes
psicológicos de inteligência generalizada apresentam um QI abaixo da média
( entre 80 e 90 ). Nas medidas de aspectos específicos da cognição, os
prejuízos podem ser graves, e, em outros aspectos, pode haver resultados
elevados.
Ø
Distúrbios da afetividade:
Observa-se
rigidez das disposições afetivas, fixação de certos interesses e ausência
ou diminuição da atenção espontânea, inadaptação ao real e a fuga à
realidade, acentuada violência nas reações de angústia ou defesa,
estereotipias no comportamento, nas ocupações, na linguagem , bem como fenômenos
de perseveração e ecolalia. Todos esses fenômenos ocorrem de forma
particular à personalidade de cada indivíduo.
1.
AUTISMO:
Segundo
a American Society for Autism (ASA), o autismo é uma inadequacidade no
desenvolvimento que se manifesta de maneira grave por toda a vida. É
incapacitante e aparece tipicamente nos três primeiros anos de vida.
A
definição aceita pela National Society for Autisc Children e pela Organização
Mundial de Saúde (OMS) diz que: “o autismo é uma síndrome presente
desde o nascimento e se manifesta invariavelmente antes dos trinta meses de
idade. Caracteriza-se por respostas anormais à estímulos auditivos ou
visuais, e por problemas graves quanto à compreensão da linguagem falada.
A fala custa a aparecer, e, quando isto acontece, nota-se ecolalia, o uso
inadequado dos pronomes, estrutura gramatical imatura, inabilidade de usar
termos abstratos. Há também, em gera, uma incapacidade na utilização
social, tanto da linguagem verbal como da corpórea. Ocorrem problemas muito
graves de relacionamento social antes dos cinco anos de idade, com
incapacidade de desenvolver contato olho a olho, ligação social e jogos em
grupos. O comportamento é usualmente ritualístico e podem incluir rotinas
de vida anormais, resistência a mudanças, ligação a objetos estranhos, e
um padrão de brincar estereotipados. A capacidade para pensamento abstrato-
simbólico ou para jogos imaginativos fica diminuída... ”
Conforme
o National Society for Autistic Children (NSAC) e a American Psychiatric
Association, os sintomas incluem: anormalidade no ritmo de desenvolvimento e
na aquisição de habilidades físicas, sociais e de linguagem; respostas
anormais dos sentidos. O autista pode Ter uma combinação qualquer dos
sentidos (visão, audição, olfato, equilíbrio, dor e paladar); ausência,
atraso ou falta de linguagem; modo anormal de relacionamento com pessoas,
objetos, lugares ou fatos;
Existem
sintomas específicos observáveis na conduta do modo relacional da criança
que podem auxiliar no diagnóstico para Síndrome do Autismo, são eles: não
se misturam com outras crianças; age como se fosse surdo; resiste ao
aprendizado; não demonstra medo a perigos reais; resista a mudanças de
rotina; usa pessoas como ferramentas; risos e movimentos não apropriados;
resiste ao contato físico; acentuada hiperatividade física; não mantém
contato visual; apego não apropriado a objetos; gira objetos de maneira
bizarra e peculiar; às vezes agressivo e destrutivo; modo de comportamento
indiferente e arredio.
2.1.
Características clínicas:
Ø
Incapacidade qualitativa na Interação Social:
-
Ignora presença de pessoas e de sentimentos (uso instrumental de
pessoas e comportamento invasivo);
-
Não busca apoio ou conforto por ocasião do sofrimento quando isto
ocorre se dá de modo estereotipado;
-
Imitação ausente ou comprometida ;
-
Ausência ou deficiência no contato olho a olho.
Ø
Incapacidade qualitativa na comunicação verbal e não verbal e na
atividade imaginativa:
o
Ausência de modo de comunicação, como balbucio comunicativo,
expressão facial, mímica ou linguagem falada; ausência de contato visual,
retraimento ao contato físico, ausência de antecipação;
o
Deficiência na atividade imaginativa, como representação de
papéis de adultos, personagens de fantasias ou animais; falta de interesse em
estórias sobre acontecimentos imaginários;
o
Alterações na linguagem que se estende da anormalidade no uso
dos pronomes pessoais até a ecolalia ou até a ausência absoluta da fala;
o
Incapacidade marcante na habilidade para iniciar ou sustentar
uma conversa com outros e também age como se fosse surdo;
o
Opõe-se ao aprendizado.
Ø
Repertório restrito de atividades e interesses:
o
Estereotipias e repetições (movimentos giratórios,
auto-agressão, ausência da noção de perigo);
o
Interesses restritos (interesses por objetos rotatórios,
interesse em empilhar objetos, exploração do meio pelo paladar e/ou olfato);
o
Resistência a mudanças no ambiente;
o
Insistência em seguir rotinas (atividade monótona rotineira).
Através
de pesquisas detectou-se que 30% dos autistas têm QI normal ou acima da média;
por isso muitos autistas possuem habilidades excelentes, como por exemplo: se
saem muito bem em atividades esportivas, em desenhos, pinturas, músicas, e
podem até apresentar uma memória invejável, capaz de armazenar a mais
remotas reminiscência (memória mecânica).
VII
- AVALIAÇÃO
A
avaliação de terapia ocupacional possui variáveis que dependem de vários
aspectos como grau de comprometimento do paciente e idade com que a criança
chega ao serviço.
Na
ocasião da avaliação, é necessária a presença dos pais ou responsáveis
por se tratarem de crianças que não possuem autonomia.
A
avaliação deve ser uma constante, especialmente porque, no primeiro contato
não é possível estabelecer um vínculo satisfatório, aspecto esse
primordial para a observação da criança.
É
indispensável uma colheita de história adequada para se fazer uma
correta formulação diagnóstica. O profissional precisa ter conhecimentos
adequados e atuais quanto ao desenvolvimento normal e anormal da criança.
Na
avaliação as informações estão baseadas em dados objetivos, que
proporcionam indentificação das capacidades
para tarefas lúdicas, sociais, perceptivas e motoras e limitações na
qual pode-se traçar a proposta de tratamento.
Segundo Spackman(1998), as crianças com transtornos psiquiátricos apresentam
vulnerabilidade no comportamento, afetividade e relacionamento interpessoal,
estes aspectos devem ser vistos em primeiro lugar. Estas crianças apresentam
déficit na área de destreza, por isso é necessário que realize, também, a
avaliação motora e visuomotora.
Deve-se
prestar atenção ao conteúdo, tipo e qualidade das brincadeiras da criança.
Muitos psicóticos parecem privados da capacidade de iniciar e organizar suas
próprias brincadeiras. É útil perguntar o que faz a criança quando
entregue à sua própria iniciativa. Se ela brinca de maneira adequada ou
tende a se envolver em atividades repetitivas ou esterotipias motoras.
VIII
- TRATAMENTO:
A
intervenção terapêutica – ocupacional
para com o psicótico infantil objetiva essencialmente a busca de
possibilidades que auxiliem esses pacientes a participarem de forma mais
consistente em seu meio.
Diversos
aspectos estão envolvidos no processo de tratamento oferecido pela terapia
ocupacional, esta deve estar direcionada para as limitações da criança,
como incapacidade de abstração, de expressão
verbal, na interação social recíproca, etc.
Existem
diversas orientações teóricas que oferecem um suporte às práticas do
terapeuta ocupacional: desenvolvimental, comportamento ocupacional,
integrativo-sensorial, aquisicional, biomecânica, reabilitativa e psicanalítica.
Esta última com uma visão psicodinâmica, na qual a terapia ocupacional
enfatiza a relação terapêutica e as atividades como fundamentais no
processo de tratamento. Isso é considerado por que é através da comunicação
que se estabelece no nível da linguagem do concreto (ação e expressão) e
através do vínculo que se estabelece com o paciente que, como argumenta
Benneton (1989) pode-se chegar a uma compreensão e intervenção na dinâmica
do processo experienciado pelo paciente.
“...
As atividades vistas como possibilidades de manter a realidade externa, isto
é, de ampliar o campo da consciência, assim o são por propiciar o auto –
conhecimento e conseqüentemente o de fazer – se conhecer. Tal proposta
abarca o apreender para aprender, incluindo também o caráter afetivo da
aprendizagem na terapia ocupacional” (Benneton, 1989, p. 47).
A
intervenção terapêutica atenta para dois aspectos básicos presentes na
realidade e dificuldade da criança psicótica, tanto o lado afetivo/emocional
quanto os aspectos cognitivos; de uma forma integrada, através da realização
das atividades e da relação que se estabelece. Geralmente, na dinâmica
firmada no processo de terapia ocupacional, as interpretações verbais em
relação à criança não estão presentes. Todas as compreensões do psicótico
pelo terapeuta devem ser dinamizadas de forma contextualizada nas ações que
se processam durante o tratamento.
Para
Fernandes (1988), no uso de atividade como proposta reabilitatória, há uma
dinâmica particular entre três elementos básicos: terapeuta – atividade
– paciente. Existem situações onde a atividade funciona como objeto
intermediário entre o terapeuta e o paciente. Em outros, o terapeuta é que
funciona como uma ponte entre o paciente e a atividade.
Um
objetivo difícil e ao mesmo tempo básico para o desenvolvimento do
tratamento do psicótico em um processo de terapia ocupacional, diz respeito
ao estabelecimento da relação terapêutica
o qual será o caminho a seguir possibilitando o tratamento em si e
dando um grande primeiro passo de sucesso obtido entre a criança e o
terapeuta.
As
sessões de terapia ocupacional concedem um reconhecimento recíproco do nível
e da forma com que a criança é capaz de se mostrar, através dos materiais
que explora, da rotina que se forma , do contato que realiza ou não com o
terapeuta, etc. geralmente, a criança psicótica não apresenta habilidades básicas,
sendo o seu fazer tão escasso quanto o seu contato com o mundo externo,
tornando de fato a formação da relação um investimento especial. O
reconhecimento do terapeuta pela criança como lhe for possível, já faz
parte das metas do tratamento.
Outro
objetivo a ser enfatizado é a necessidade da compreensão pela criança dos
limites e espaços que podem ser utilizados por ela e pelo terapeuta.
Um
terceiro aspecto a ser colocado relaciona-se à procura de aproximação ou
chance de uma situação de brincar que precisa ser contextualizado quanto ao
que se pensa, ou seja, deve-se considerar as maneiras primárias da
brincadeira, percebendo-as como forma de comunicação da criança e
expressivas no campo da abstração e simbolização.
PARTE 1
PARTE 3
Veja
Bibliografia
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