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REAÇÕES FÍSICAS E
DEPRESSÃO
As pessoas reagem diferentemente às emoções em geral e à
Depressão, em particular, inclusive em termos de eventuais doenças
psicossomáticas.
Ao estudarmos o Afeto, entendemos haver uma espécie de filtro
(exemplificados como lentes de óculos hipotéticos) através do
qual os fatos e eventos são percebidos pelo indivíduo.
Isto faria distinguir situações percebidas como estressantes por
alguns e não por outros.
A sensibilidade afetiva pessoal diante da vida exerce um efeito
atenuante ou agravante aos eventos, efeito este que depende mais da
própria personalidade que das circunstâncias. Isso definirá o
modo de ser, de reagir, de enfrentar e de se adaptar ao estresse.
Assim sendo, podemos dizer que a elevação da pressão arterial
diante do estresse, por exemplo, parece depender mais da avaliação
pessoal (subjetiva) que o indivíduo faz da situação do que da
própria situação, objetivamente considerada.
Alguns observadores notaram que os hipertensos tendem ao pessimismo,
antecipando conseqüências negativas dos fatos, a interação
interpessoal e social é por eles vivida como fonte de ansiedade e
estresse.
DEPRESSÃO ou HIPOTIMIA
O termo Depressão, mais comumente usado que
Hipotimia, pode significar um sintoma que faz parte
de inúmeros distúrbios emocionais sem ser
exclusivo de nenhum deles, pode significar uma
síndrome traduzida por muitos e variáveis sintomas
somáticos ou ainda, pode significar uma doença,
caracterizada por marcantes alterações afetivas.
Portanto, não está errado dizer que o termo
Depressão seja por demais descritivo e muito pouco
explicativo.
Há sempre uma estranha expectativa do público ao
ouvir, do psiquiatra, com freqüência, que isso ou
aquilo é Depressão, sem muito zelo com maiores
explicações sobre este misterioso fenômeno.
EUTIMIA, o normal
"Os gregos chamam este equilíbrio da
alma de "euthymia" e existe sobre este
assunto uma muito bela obra de Demócrito. Eu o
chamo "tranqüilidade" pois é inútil
pedir palavras emprestadas para nosso vocabulário e
imitar a forma destas mesmas: é a idéia que se
deve exprimir, por meio de um termo que tenha a
significação da palavra grega, sem no entanto
reproduzir a forma."
Portanto, pode ter sido esta uma das primeiras
vezes que a psiquiatria conheceu a palavra Eutimia,
para a qual Sêneca encontra como correspondente
latino a idéia de tranqüilidade ou a ausência de
inquietação.
Em seguida, Sêneca diz o que entende por
tranqüilidade " Vamos, pois, procurar como é
possível à alma caminhar numa conduta sempre igual
e firme, sorrindo para si mesma e comprazendo-se com
seu próprio espetáculo e prolongando
indefinidamente esta agradável sensação, sem se
afastar jamais de sua calma, sem se exaltar, nem se
deprimir. Isto será tranqüilidade".
Nesta afirmativa, definitivamente Sêneca
considera a Eutimia (ou sua tranqüilidade) como um
estado de espírito equilibrado, entre sem se
exaltar, sem se deprimir e sem se afastar da calma.
Essa idéia de equilíbrio sensato deve ter sido
baseado na definição de Aristóteles sobre a
virtude, que para ele era a eqüidistância entre
dois vícios, um por excesso e outro por falta.
Sêneca descreve pessoas vitimadas pela
inconstância do humor, portanto, pessoas que se
afastam da Eutimia, como se fosse um discurso atual,
mostrando que os estados emocionais que angustiam
atualmente o homem moderno não são,
definitivamente, monopólio de nosso tempo.
Mau humor (afetividade
rebaixada) atinge mais mulheres jovens
Os sintomas incluem falta de concentração,
desinteresse pela vida, cansaço e ansiedade.
Ter o humor depressivo na maior parte do dia é o
sintoma central da Distimia, doença
psiquiátrica que afeta principalmente mulheres
jovens, na faixa dos 20 a 30 anos, em gera imaturas
e com forte dependência emocional.
Mas para ser considerada distímica não basta ter
mau humor, que pode até ser um traço da
personalidade, o importante é que ele cause algum
tipo de prejuízo à pessoa, seja no desempenho
social ou profissional.
Os principais sintomas que costumam causar
prejuízos ao cotidiano são:
* Falta de concentração. É, por exemplo, a
situação que, ao estar lendo um livro, precisa
voltar sempre para o começo da página para
relembrar o que leu.
* Perda do interesse por tudo. A pessoa não tem
vontade de sair de casa, não sente mais prazer em
coisas que antes a agradavam.
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DEPRESSÃO
O
termo Depressão pode significar um sintoma que faz parte de
inúmeros distúrbios emocionais sem ser exclusivo de nenhum
deles, pode significar uma síndrome traduzida por muitos e
variáveis sintomas somáticos ou ainda, pode significar uma
doença, caracterizada por marcantes alterações afetivas.
O público está certo ao estranhar a ostensiva e constante
presença desta tal Depressão em quase tudo que diz respeito
à transtornos emocionais, e os psiquiatras não estão menos
certos ao procurarem descobrir uma ponta de Depressão em
quase tudo que lhes aparece pela frente.
Do
ponto de vista clínico seria extremamente fácil e cômodo
se a Depressão fosse caracterizada, exclusivamente, por um
rebaixamento do humor com manifestação de tristeza, choro,
abatimento moral, desinteresse, e tudo aquilo que todos
sabemos que uma pessoa deprimida apresenta.
Desta
forma até o amigo íntimo, o vizinho ou o dono da bar da
esquina poderiam diagnosticá-la. A parte mais difícil e
trabalhosa da psiquiatria está no diagnóstico dos muitos
casos de Depressão atípica, incaracterística ou mascaradas,
bem como, perceber traços depressivos em outras patologias
emocionais, como por exemplo, nos casos de Pânico, Fobia,
etc.
Entre
as emoções, aquelas decorrentes do estado de humor são as
mais estudadas e, entre essas, a mais pesquisada é a
Depressão.
A
sintomatologia depressiva é muito variada e muito diferente entre
as diferentes pessoas. Para entendermos melhor essa diversidade de
sintomas depressivos, vamos considerar que, entre as pessoas, a
Depressão seria como uma bebedeira geral, onde cada pessoa
alcoolizada ficasse de um jeito; uns alegres, outros tristes,
irritados, engraçados, dorminhocos, libertinos...
A
única coisa que todos teriam em comum é o fato de estarem sob
efeito do álcool, todos estariam tontos, com os reflexos
diminuídos, etc. Na Depressão também; cada personalidade se
manifestará de uma maneira.
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Nos
idosos as dificuldades de memória podem ser a queixa
principal e ser confundido com os sinais iniciais da
demência. Este quadro de prejuízo da memória e outros
sinais que poderiam confundir a Depressão com demência
recebe o nome de PSEUDO DEMÊNCIA DEPRESSIVA. Nestes casos,
soma-se à lentidão dos processos psíquicos um exagerado
desinteresse, dando a falsa impressão de que a pessoa não
está tendo consciência absoluta da realidade. Na realidade,
o que o idoso deprimido tem é um grande desinteresse em
lembrar fatos e em participar dos eventos cotidianos.
Veja
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A psicopatologia recomenda como válida a existência de três
sintomas depressivos básicos, os quais darão origem a
variadíssimas manifestações desta alteração afetiva. Essa
tríade sintomática da Depressão seria:
1 - Sofrimento Moral,
2 - Inibição Global e,
3 - Estreitamento Vivencial.
Compete
à sensibilidade do observador, relacionar um sentimento, um
comportamento, um pensamento ou sentimento, como a expressão
individual de um desses três sintomas básicos, como sendo a
expressão pessoal e adequada da personalidade de cada um diante da Depressão.
Depressão
com Ansiedade ou
Ansiedade
com Depressão?
Alguns
deprimidos podem apresentar sintomas somáticos (físicos),
juntamente ou ao invés dos sintomas emocionais de tristeza,
angústia, medo, etc. Esses sintomas físicos podem ser, por
exemplo, dores vagas e imprecisas, tonturas, cólicas, falta de ar,
e outras queixas de caracterização clínica complicada.
Para
estes pacientes somáticos, talvez seja mais fácil comunicar sua
aflição e desespero através dos órgãos do que do discurso.
Também em crianças e adolescentes a Depressão pode se dissimular
sob a forma de um humor irritável ou rabugento, revoltado e
irrequieto, ao invés da tristeza e abatimento.
Outras
pessoas podem manifestar sua Depressão com irritabilidade
aumentada, como por exemplo, crises de raiva, explosividade,
sentimentos exagerados de frustração, tendência para responder a
eventos com ataques de ira ou culpando os outros.
Na
Depressão também é muito freqüente um certo prejuízo na
capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões. Os
depressivos podem se queixar de enfraquecimento da memória ou
mostrar-se facilmente distraídas. A produtividade ocupacional
costuma estar também prejudicada, notadamente nas profissões
intelectualmente exigentes. Em crianças deprimidas pode haver uma
queda abrupta no rendimento escolar, como resultado da dificuldade
de concentração.
Freqüentemente
existem pensamentos sobre a morte nos quadros depressivos. Trata-se,
não apenas da ideação suicida típica mas, sobretudo, da
preferência em estar morto a viver "desse jeito". Nos
idosos as dificuldades de memória podem ser a queixa principal e
ser confundido com os sinais iniciais de demência.
O
prejuízo da memória e outros sinais que poderiam confundir a Depressão
com demência recebem o nome de Pseudodemência
Depressiva. Nestes casos, soma-se à lentidão dos processos
psíquicos um exagerado desinteresse, dando a falsa impressão de
que a pessoa não está tendo consciência absoluta da realidade. Na
realidade, o que o idoso deprimido tem é um grande desinteresse em
lembrar fatos e em participar dos eventos cotidianos.
Para
entender porque e como existem sintomas de Depressão atípica,
sintomas que sugerem apenas indiretamente a presença de Depressão,
temos que falar da coexistência da Depressão com a ansiedade,
sabendo que essa última sim, é pródiga em sintomatologia
somática e emocional atípica.
Muito
embora os atuais manuais de classificação de doenças mentais
tratem separadamente os quadros ansiosos dos afetivos, pesquisas e
autores têm se preocupado em estabelecer relações entre esses
dois estados psíquicos. Kendell (1974), ao longo de cinco anos de
observação constatou que o diagnóstico de Depressão passa para
Ansiedade em 2% dos casos e, em sentido contrário, da Ansiedade
para a Depressão, em 24% dos casos. Pode-se constatar também que
antigos quadros ansiosos costumam evoluir no sentido da Depressão
(Roth, 1972 e 1982). Lesse (1982) sustenta ainda a idéia da
evolução do estresse para Ansiedade e em seguida para Depressão.
São
conhecidos os expressivos sintomas depressivos em doentes com
transtornos ansiosos, como aqueles observados por Fawcet (1983), que
encontrou sintomas de Depressão em 65% dos ansiosos e Roth (1972),
que detectou em grande número de pacientes, simultaneamente
irritabilidade, agorafobia, ansiedade, culpa e agitação.
O medo, por exemplo, seja de características fóbica ou não,
reflete sempre uma grande insegurança e pode aparecer tanto nos
transtornos da ansiedade quanto nos transtornos de natureza
depressiva. A associação da Depressão com crises de pânico foi
encontrada, inicialmente, em proporções que variavam de 64 a 44%
dos casos (Clancy, 1979).
O
estudo de Stavrakaki e Vargo (1986), reavaliando pesquisas dos
últimos 15 anos, sugeriu três tipos de reflexão sobre a questão
Ansiedade versus Depressão:
1. Ansiedade e Depressão diferem qualitativamente;
2. Ansiedade e Depressão diferem quantitativamente e;
3. Ansiedade se associa à Depressão.
Atualmente
tem-se enfatizado muito a teoria unitária, pela qual a Ansiedade e
a Depressão seriam duas modalidades sintomáticas da mesma
afecção. As atuais escalas internacionais de Hamilton para
avaliação de Depressão e de Ansiedade, não separaram nitidamente
os dois tipos de manifestações. Outras escalas anteriores também
mostravam a mesma falta de clareza para diferenciação entre esses
dois quadros emocionais (Johnstone, 1986; Mendels, 1972).
A
tendência unitária Ansiedade-Depressão se reforça ainda na
eficácia do tratamento com antidepressivos, tanto para quadros
ansiosos, como é o caso do Pânico, da Fobia Social, do Transtorno
Obsessivo-compulsivo e mesmo da Ansiedade Generalizada, quanto para
os casos de Depressão, com ou sem componente ansioso importante.
O
número de autores que não acreditam na Ansiedade e Depressão como
sendo a mesma coisa, aos quais nos juntamos, é maioria expressiva,
entretanto, quase todos reconhecem existir alguma coisa em comum
nesses dois fenômenos.
Acreditamos,
pois, na necessidade imperiosa de um antecedente afetivo e de
caráter depressivo para que a ansiedade se manifeste
patologicamente. O mesmo requisito afetivo não se necessita para a
ansiedade normal e fisiológica. Talvez seja por isso que os quadros
ansiosos respondem tão bem à terapêutica antidepressiva.
Saber
com certeza se a Ansiedade pode ser uma das causas de Depressão ou
se, ao contrário, pode surgir como conseqüência desta ou, ainda,
se uma nova entidade clínica independente se constitui quando ambos
fenômenos coexistem num mesmo paciente tem sido uma questão aberta
às pesquisas e reflexões.
Strian
e Klicpera (1984) consideraram há tempos que Depressão e Ansiedade
formavam um quadro unitário. Clancy (1978), há mais tempo ainda
constatou que o humor depressivo antecedia com freqüência ao
primeiro ataque de pânico. Existem boas observações do transtorno
ansioso aparecer em pessoas portadoras de caráter predominantemente
depressivo na personalidade (Lader, 1975), e alguns até consideram
o paciente ansioso como portador de um tipo de Depressão endógena
atípica (Salomon, 1978).
Ansiedade
e Depressão também foram cogitadas como aspectos diferentes do
mesmo transtorno afetivo por Downing e Rikels (1974), entendendo-se
os casos de pânico, fobia, obsessões e somatizações como sendo
reflexo de sintomas depressivos que se manifestariam atipicamente
(Gersh e Fowles, 1979).
De
fato, a insegurança típica do estado fóbico-ansioso pode ser
melhor entendida à luz de uma autopercepção pessimista e de uma
representação temerosa da realidade, ambos de conotação
depressiva. Monedero (1973) considera a angústia como um temor de
algo que vai acontecer e a ansiedade como um temor atual,
caracterizado pela procura e impaciência apressada, enfatizando um
componente humor-congruente depressivo da ansiedade.
Há
ainda autores que admitem a Depressão como uma complicação
freqüente dos transtornos ansiosos ou que os sintomas ansiosos
seriam comuns nas doenças depressivas primárias, aceitando o fato
de pacientes com Depressão primária apresentarem estados ansiosos
graves (Rodney, 1997; Cunningham, 1997). A maioria dos autores,
entretanto, afirma que pacientes com pânico primário, com pânico
complicado pela Depressão, com Depressão Primária complicada por
pânico ou com Depressão Primária, oferecem sérias dificuldades
para se diferenciar nitidamente os estados ansiosos dos depressivos.
Uma
terceira posição, há tempos cogitada, é a ansiosa-depressiva
como transtorno unitário e emancipado, quer da Ansiedade
Generalizada, quer da Depressão Maior (Stavrakaki, 1986). Esta
postura unitária, diferente daquela que considera ansiedade e Depressão
como sendo faces de uma mesma doença, também era
sustentada por Paykel (1971) e por Downing e Rikels (1974).
Schatzberg (1983) diz que os pacientes com quadros mistos de
Ansiedade e Depressão exigem terapias diferentes dos grupos de
pacientes que apresentam esses quadros isoladamente. Observa que
quando as duas síndromes coexistem a evolução é mais crônica, a
resposta é menor às terapias convencionais e o prognóstico é
pior.
Hipotimia
ou Depressão
Na
Hipotimia (humor baixo) ou Depressão, verifica-se o aumento da
reatividade e sensibilidade para os sentimentos desagradáveis,
podendo variar desde o simples mal-estar, até o estupor
melancólico, ou seja, uma apatia extrema por melancolia.
Esse
estado de Hipotimia ou Depressão se caracteriza, essencialmente por
uma tristeza profunda, normalmente imotivada, que se acompanha de
lentidão e inibição de todos os processos psíquicos. Em suas
formas leves a Depressão se revela por um sentimento de mal-estar,
de abatimento, de tristeza, de inutilidade e de incapacidade para
realizar qualquer atividade.
Os
pacientes hipotímicos estão dominados por um profundo sentimento
de tristeza imotivada. No doente deprimido, as percepções são
acompanhadas de uma tonalidade afetiva desagradável: tudo Ihe
parece negro. Os doentes perdem completamente o interesse pela vida.
Nada lhes interessa do presente nem do futuro e, do passado, são
rememorados apenas os acontecimentos desagradáveis. As percepções
são lentas, monótonas, descoloridas. Ao paciente parece que os
alimentos perderam o sabor habitual. Nos estados depressivos, as
ilusões são mais freqüentes do que as alucinações.
As
idéias deliróides nos pacientes hipotímicos são comuns,
expressando geralmente idéias de culpa, de indignidade, ruína,
pecado e de auto-acusação. O pensamento é lento e o próprio ato
de pensar é acompanhado de um sentimento desagradável. O conteúdo
do pensamento exprime motivações dolorosas. O paciente é incapaz
de livrar-se de suas idéias tristes pela simples ação de sua
vontade ou dos "pensamentos positivos", como se diz.
O
quadro clínico do estado afetivo depressivo é caracterizado pela
inibição geral da pessoa, pela baixa performance global refletida
pela lentidão e pobreza dos movimentos, pela mímica apagada, pela
linguagem lenta, monótona e pelas dificuldades pragmáticas.
Os
sintomas somáticos são bastante evidentes nos pacientes
hipotímicos. Os distúrbios vasomotores se traduzem em mãos frias,
algumas vezes pálidas e cianosadas, pela palidez dos lábios e
hipotermia. São freqüentes os espasmos ou dilatações vasculares,
com conseqüente oscilação da pressão arterial. Os pacientes
deprimidos dão-nos a impressão de mais velhos. As perturbações
digestivas também são constantes, a língua pode se apresentar
saburrosa, há alterações do apetite, tanto com inapetência
quanto com hiperfagia e constipação intestinal. Os distúrbios
circulatórios ocasionam um sentimento subjetivo de opressão na
região cardíaca, causando a chamada angústia precordial.
Em
determinados casos, sob a influência de fatores externos ou em
conseqüência de causas internas temporárias, a Depressão pode
aumentar de modo considerável, determinando um estado de
excitação ansiosa. Quando o paciente, não encontra solução para
seu sofrimento costuma pensar no suicídio.
A
Depressão patológica é um dos sintomas fundamentais do Transtorno
Afetivo Bipolar, em sua fase depressiva. Estados depressivos também
podem ser observados em todas as psicoses e neuroses. No Transtorno
Afetivo Bipolar, entretanto, a Depressão tem uma origem ligada a
fatores afetivos internos (sentimentos vitais), que escapam à
compreensão do doente e de seus familiares.
Nas
Distimias, nas Reações Agudas ao Estresse e nas neuroses de modo
geral, a Depressão costuma ser mais reativa, isto é, mais
psicogênica (mais anímica que vital), originando-se de situações
psicologicamente compreensíveis e de experiências desagradáveis.
A anormalidade do sentimento depressivo nesses quadros psicogênicos
está na intensidade e na duração desse afeto em comparação às
pessoas normais e não em sua qualidade, como acontece nos
Transtornos Afetivos Bipolares.
Tipos
de Depressão; quanto a origem
Os
afetos depressivos podem aparecer como uma resposta a SITUAÇÕES
REAIS, através de uma Reação Vivencial depressiva, quando
diante de fatos desagradáveis, aborrecedores, frustrações e
perdas. Trata-se, neste caso, de uma resposta a conflitos íntimos e
determinados por fatores vivenciais. Daí denominação DEPRESSÃO
REATIVA, ou seja, em reação a alguma coisa real e acontecida,
à uma fonte exógena que pode ser casualmente relacionada àquela
reação.
Esta
Depressão Reativa, embora compreensiva por tratar-se de uma
reação afetiva à uma vivência desagradável, não deve ser
entendida como normal e fisiológica mas apenas compreensível.
Diante de fatos desagradáveis podemos esperar, fisiologicamente, a
tristeza e não a Depressão e, quanto à isso, não devemos fazer
nenhuma confusão.
Esta
última, a Depressão, deve ser uma denominação reservada para as
Reações Vivenciais Anormais proporcionadas por circunstâncias
vivenciais desagradáveis, ou seja, reações desproporcionais em
quantidade, qualidade e temporalmente ao agente causal. Os
sentimentos de tristeza que normalmente acompanham situações
frustrantes são diferenciados da Depressão por não comportarem a
tríade sintomática de Inibição Psíquica, Estreitamento de Campo
Vivencial e Sofrimento Moral.
A
Depressão pode aparecer ainda acompanhado, ou aparentemente
motivada, por SITUAÇÕES ANÍMICAS. Neste caso, certas
perspectivas futuras, certos anseios e objetivos de vida estão
representados intrapsiquicamente de maneira negativa. Há um
sentimento depressivo associado às conjecturas irreais de tal forma
que o panorama atual dos acontecimentos e a expectativa do porvir
são funestamente valorizados. Sofre-se por aquilo que não existe
ainda ou, muito possivelmente, nem existirá. Um exemplo disso é a Depressão
experimentada diante da possibilidade da perda de um emprego, ou da
perspectiva de vir a sofrer de grave doença e assim por diante.
Evidentemente,
não se trata aqui, de que tais perspectivas sombrias estejam a
alimentar a Depressão, mas muito pelo contrário, ou seja, a
Depressão é quem confere um significado lúgubre às
possibilidades do futuro. Não se pode acreditar que, neste caso,
exista uma relação causal vivencial solidamente vinculada à
Depressão, pois, de qualquer forma, as situações referidas como
promovedoras e alimentadoras da Depressão não aconteceram
ainda.
Em
outros termos e de acordo com que se sabe sobre Reações Vivenciais
(vide adiante), falta o elemento estressor, o qual existe apenas na
imaginação do paciente. Portanto, é lícito pensar já numa
Depressão mais profundamente arraigada no ser, a qual, embora
atrelada à personalidade, utiliza os elementos vivenciais apenas
para nutrir sua necessidade de sofrimento (uma vez que, ainda não
aconteceram concretamente).
Há,
finalmente, casos de Depressão procedentes de um temperamento
francamente depressivo ou seja, a nível de SENTIMENTOS VITAIS.
São, neste caso, transtornos da afetividade emancipados dos
elementos vivenciais quanto à causalidade. Isso não impede que
sejam desencadeados por vivências traumáticas. Trata-se de uma
Tonalidade Afetiva Básica rebaixada e, evidentemente, talhada à
reagir sempre depressivamente à vida.
As
pessoas que se encontram depressivas durante uma fase de suas vidas,
cujo contexto vivencial sugere-nos uma circunstância sofrível,
quer como conseqüência de um fato único, quer como uma somatória
de fatos traumáticos sucessivos, sem que possamos detectar um
temperamento depressivo prévio, provavelmente estarão apresentando
uma Depressão Reativa. Neste caso, esta reação depressiva não
pode ser tida como decorrência de uma Tonalidade Afetiva Depressiva
de Base, mas como uma resposta emocional à uma circunstância de
vida. Daí empregar-se, antigamente, a denominação de DEPRESSÃO
EXÓGENA, ou seja, dependente de fatores externos à
personalidade da pessoa.
Depois
de estabelecido nesta pessoa o estado depressivo, ainda que,
conseqüente a fatores reais e externos à sua personalidade, tudo
mais em sua vida parecerá depressivo, até que saia desta fase
afetiva. Assim sendo, poderá também ser pessimista quanto à sua
situação futura, portanto, depressivo quanto à Situações
Imaginárias.
Da
mesma forma, os pacientes portadores de Tonalidade Afetiva
Depressiva de Base, por possuírem um temperamento previamente
depressivo, independentemente dos fatos vividos, sempre estarão
tingindo de negro suas perspectivas futuras. São portadores da,
anteriormente denominada, DEPRESSÃO ENDÓGENA e, como se
viu, relacionada não apenas ao Sentimentos Vitais como também às
Situações Imaginárias.
A
questão em se saber a natureza endógena ou exógena do estado
depressivo, hoje em dia, parece não despertar o mesmo interesse de
antes. Os indivíduos com características afetivas depressivas
(anteriormente denominados de depressivos endógenos) reagirão
sempre aos estímulos da vida de uma forma consoante ao seu afeto
depressivo, portanto, dando-nos a falsa impressão de apresentarem
Depressão Reativa: a maioria dos eventos, para eles, terá uma
conotação negativa. Por outro lado, a clínica tem mostrado, com
freqüência, determinadas vivências bastante suportáveis para
alguns, ocasionando, em outros, verdadeiras Reações Depressivas.
Isso nos sugere que tal Reação Depressiva não deve ser legada
apenas aos elementos vivenciais.
No
fundo, considerando o estado afetivo no qual o indivíduo se
encontra no momento, tem sido tarefa muito penosa estabelecer a
natureza de sua Depressão. Nestes casos, recorremos quase sempre à
personalidade pregressa do paciente; se a tonalidade afetiva era,
anteriormente, depressiva, há possibilidade deste estado depressivo
atual ser de natureza endógena, mas mesmo assim não será uma
implicação obrigatória.
Outras
vezes, também de acordo com exemplos cotidianos da prática
clínica, personalidades previamente bem adaptadas e sugerindo uma
boa adequação afetiva poderão, não obstante, apresentar fases de
profunda Depressão sem motivação vivencial. Procura-se, nestes
casos de Depressão sem motivação ambiental ou, talvez, em
atenção a um conforto do terapeuta, justifica-la como decorrência
da eventual somatória de vivências passadas. Certeza disso,
entretanto, ninguém pode ter.
Baseado
no Livro "Da Emoção à Lesão" - Ballone
GJ, Ortolani IV, Pereira Neto, E - Da Emoção à Lesão, ed.
Manole, 2002
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