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Sintomas
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do Assunto
AFETIVIDADE E DEPRESSÃO
O estado psíquico global com que a pessoa se
apresenta e vive reflete a sua Afetividade.
Tal como as lentes dos óculos, os filtros da
Afetividade fazem com que o sol seja percebido com
maior ou menor brilho, que a vida tenha perspectivas
otimistas ou pessimistas, que o passado seja
revivido como um fardo pesado ou, simplesmente,
lembrado com suavidade. Interfere assim na realidade
percebida por cada um de nós, mais precisamente, na
representação que cada pessoa tem do mundo, de seu
mundo.
Podemos pensar na Afetividade como o tônus
energético capaz de impulsionar o indivíduo para a
vida, como uma energia psíquica dirigida ao
relacionamento do ser com sua vida e o humor
necessário para conferir uma determinada
valoração às vivências.
A Afetividade colore com matizes variáveis todo
relacionamento do sujeito com o objeto, faz com que
os fatos sejam percebidos desta ou daquela maneira e
que despertem este ou aquele sentimento.
ESTADO AFETIVO MOMENTÂNEO
Há sempre um ESTADO AFETIVO MOMENTÂNEO para cada
pessoa, um tônus afetivo neste exato momento
atribuindo os devidos valores às vivências, seja a
tristeza na tragédia ou a alegria na comédia, em
condições normais.
Este estado afetivo momentâneo é variável de
momento para momento numa mesma pessoa; ora o humor
está mais elevado, ora mais rebaixado. Um mesmo
fato que nos parece demasiadamente desagradável no
meio do dia poderá parecer-nos muito mais ameno à
noite, ou uma mesma brincadeira que nos fez rir
ontem poder irritar-nos hoje.
Nestes casos não estaria havendo variação ou
mudança nos fatos, mas sim na representação
deles, segundo os "filtros" do afeto.
AFETIVIDADE E DEPRESSÃO
O estado psíquico global com que a pessoa se
apresenta e vive reflete a sua Afetividade.
Tal como as lentes dos óculos, os filtros da
Afetividade fazem com que o sol seja percebido com
maior ou menor brilho, que a vida tenha perspectivas
otimistas ou pessimistas, que o passado seja
revivido como um fardo pesado ou, simplesmente,
lembrado com suavidade. Interfere assim na realidade
percebida por cada um de nós, mais precisamente, na
representação que cada pessoa tem do mundo, de seu
mundo.
Podemos pensar na Afetividade como o tônus
energético capaz de impulsionar o indivíduo para a
vida, como uma energia psíquica dirigida ao
relacionamento do ser com sua vida e o humor
necessário para conferir uma determinada
valoração às vivências.
A Afetividade colore com matizes variáveis todo
relacionamento do sujeito com o objeto, faz com que
os fatos sejam percebidos desta ou daquela maneira e
que despertem este ou aquele sentimento.
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SINTOMAS
DA DEPRESSÃO
Os
sintomatologia depressiva muito variada e muito diferente
entre as diferentes pessoas. Por isso a psicopatologia
recomenda como válido a existência de apenas três sintomas
depressivos básicos e suficientes para sua detecção, no
entanto, estes sintomas básicos darão origem à infinitas
manifestações desta alteração afetiva. Trata-se, esta
tríade, da:
1 - Inibição Psíquica,
2 - do Estreitamento do Campo Vivencial e,
3- do Sofrimento Moral.
Compete à sensibilidade do observador, relacionar um
sentimento, um comportamento, um pensamento ou um determinado
sintoma como sendo a apresentação pessoal e individual de um
desses três sintomas básicos, tradução esta adequada a
disposição pessoal da personalidade de cada um.
Em crianças e adolescentes, por exemplo, o humor pode ser
irritável ao invés de triste. O adulto deprimido também
pode experimentar sintomas adicionais durante a Depressão.
Estes incluem alterações no apetite ou peso, alterações do
sono e da atividade psicomotora; diminuição da energia;
sentimentos de desvalia ou culpa; dificuldades para pensar,
concentrar-se ou tomar decisões, ou pensamentos recorrentes
sobre morte ou ideação suicida, planos ou tentativas de
suicídio.
De qualquer forma, a Depressão deve ser acompanhada por
sofrimento ou prejuízo clinicamente significativo no
funcionamento social, profissional ou outras áreas
importantes da vida do indivíduo. Para algumas pessoas
com Depressão mais leves, o funcionamento pode parecer
normal, mas exige um esforço acentuadamente aumentado. O
estado depressivo freqüentemente é descrito pela pessoa com
setimentos de tristeza, desesperança, falta de coragem ou
como estando "na fossa" (DSM.IV).
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Embora o juízo crítico possa estar
conservado no paciente deprimido, suas vivências são
suportadas com muito sofrimento e pessimismo.
A interpretação da realidade assume caráter alterado, de
acordo com a intensidade da Depressão: poderá simplesmente
se apresentar como idéias falsas, nos casos mais leves ou,
nos casos mais graves como delírio franco.
Acontece que, para diferenciar o delírio da depressão do
delírio da esquizofrenia, chama-se Idéia Deliróide quando o
delírio é secundário à depressão e Delírio Primário,
quando for da esquizofrenia .
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Em
alguns casos, a tristeza pode ser negada de início, mas
subseqüentemente pode ser revelada pela entrevista, por exemplo,
quando a pessoa chora durante a consulta ou pela fisionomia
aborrecida e entristecida. Outras pessoas, entretanto, podem se
queixar de se sentirem indiferentes, apáticos ou ansiosos ou,
ainda, podem referir queixas somáticas sem correspondência
clínica mais do que sentimentos de tristeza. Muitos referem ou
demonstram irritabilidade aumentada, tendência para responder a
eventos com ataques de ira ou culpando outros, ou um sentimento
exagerado de frustração por questões menores.
Sofrimento
Moral (autoestima baixa)
O
Sofrimento Moral, ou sentimento de menos-valia, é um fenômeno
marcante e desagradável na trajetória depressiva. Trata-se de um
sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade,
incompetência, pecaminosidade, culpa, rejeição, feiúra,
fraqueza, fragilidade e mais um sem-número de adjetivos
pejorativos.
Dependendo
do grau da depressão, o Sofrimento Moral aparece em graus variados,
desde uma sutil sensação de inferioridade até profundos
sentimentos depreciativos. Outro fator que complica o diagnóstico
é o fato do Sofrimento Moral nem sempre ser consciente e claro à
pessoa que o sente. Muitas vezes a pessoa com baixa autoestima
recorre a mecanismos de defesa que ofuscam seus verdadeiros
sentimentos.
Por
exemplo, nas pessoas com importante traço de irritabilidade e
agressividade na personalidade, o sentimento de baixa autoestima se
manifesta com agressividade, com comportamentos de superioridade
ostensiva, com dificuldades gritantes em lidar com as frustrações,
com as filas, com ter de esperar, enfim, são pessoas que manifestam
essa sensação de estarem sendo "agredidas" de alguma
forma, portanto, revidam com mais agressividade.
Em
pessoas naturalmente retraídas e introvertidas, a baixa autoestima
se faz sentir com mais retraimento ainda, com mutismo e quietude
preocupante, com isolamento e extrema dificuldade em expor
sentimentos. Por isso, muitas vezes, "preferem" a
manifestação somática dessas emoções.
Em
pessoas de personalidade ansiosa a baixa autoestima faz com que os
outros (notadamente, a opinião dos outros) pareçam inimigos em
potencial, capazes que são de depreciar, de julgar, de avaliar...
Portanto, nada mais sensato que apresentarem, esses pacientes,
quadros fóbicos sociais, evitação, sintomas autossômicos quando
diante de outras pessoas, e assim por diante.
Quando
a Depressão adquire características muito graves e psicóticas, o
Sofrimento Moral pode ser aparecer sob a forma de delírio. Nesse
caso seria o delírio humorcongruente. Um judeu, psicótico
depressivo, durante uma de suas crises de depressão profunda
apresentava um pensamento francamente delirante, o qual dava-lhe a
certeza de ter parte de seu cérebro apodrecido. Outrossim,
julgava-se culpado por ter ingerido, contra sua crença religiosa,
carne suína há mais de 15 anos. Uma espécie de punição divina
aplicada ao pecador incauto.
O
prejuízo da autoestima proporcionado pela Depressão Grave ou
Psicótica, pode ainda determinar uma ideação claramente
paranóide, onde a culpa adquire uma posição destacada. Para fins
de diagnóstico, deve-se ter em mente que nas psicoses
esquizofrênicas, onde freqüentemente aparece a ideação
paranóide, a autoestima não se encontra perturbada como nos
estados depressivos psicóticos. Esta observação pode auxiliar o
diagnóstico diferencial entre uma depressão com sintomatologia
psicótica (ideação deliróide) e uma psicose esquizofrênica (com
delírios).
O
Sofrimento Moral deve ainda ser considerado o maior responsável
pelo desfecho suicida das depressões severas. Aparece como uma
prova doentia da incompetência do ser, de seu fracasso diante da
vida e de sua falência existencial. Enquanto nos estados eufóricos
a autoestima se encontra patologicamente elevada e as idéias de
grandeza proporcionam uma aprazível sensação de bem-estar, na
Depressão a pessoa se coloca numa das posições mais inferiores
entre seus semelhantes.
Organicamente,
uma pessoa com Sofrimento Moral, portanto, com tendência a
autodepreciar-se em todos os sentidos, pode entender uma simples dor
de estômago como prenúncios de um câncer gástrico, uma tontura
trivial com indícios de um derrame iminente, uma tosse frugal como
sugestiva de câncer de pulmão ou tuberculose, uma simples gripe
como sinal de AIDS, etc.
Inibição
Global (apatia e desinteresse)
A
Inibição global do organismo é um dos sintomas básicos da
Depressão e se manifesta como uma espécie de freio ou
lentificação dos processos físicos e psíquicos em sua
globalidade, uma lassidão e lerdeza generalizada de toda a
atividade corpórea. Em graus variáveis, esta inibição geral
torna o indivíduo apático, desinteressado, lerdo, desmotivado, com
dificuldade em suportar tarefas elementares do cotidiano e com
grande perda na capacidade em tomar iniciativas.
Os
campos da consciência e da motivação estão seriamente
comprometidos, advindo daí a dificuldade em manter um bom nível de
memória, de rendimento intelectual, da atividade sexual e até da
agressividade necessária para tocar adiante o dia-a-dia. Percebemos
os reflexos desta Inibição Global em várias áreas da atividade
da pessoa, inclusive na diminuição da atividade motora e até na
própria expressão da mímica, fazendo com que o paciente tenha
aparência de abatimento e de desinteresse.
A
Inibição Global tem sido a responsável pelo longo itinerário que
muitos pacientes percorrem antes de se acertarem com um tratamento
psíquico. A primeira idéia que os pacientes deprimidos têm,
estimulados também pela família, é que seu mal estar pode
resultar de alguma anemia, fraqueza, problema circulatório...,
depois passam a tratamentos alternativos de macrobiótica, yoga,
tai-chi-chuam..., submetem-se a tediosos a passeios de gosto
duvidoso, levados por amigos bem intencionados e, muitas vezes,
consultam até um neurologista. Este ponto costuma ser o mais
próximo que chegam do aparelho psíquico e, normalmente, a causa
psíquica é a última a ser questionada, embora seja a primeira que
se faz sentir.
As
pessoas que rodeiam o paciente com Inibição Global são solícitas
em lembrá-lo de que a vida é boa, ressaltam que nada lhes falta,
que gozam de saúde, que não são ricos mas tem gente em pior
situação, que pertencem a uma família decente e compreensiva... O
paciente, por outro lado, não sendo um retardado mental, sabe de
tudo isso e as palavras estimulantes apenas aumentam sua
perplexidade, sua culpa e seu aborrecimento consigo próprio.
A
Inibição Global é secundária à Depressão, é um sintoma
decorrente da Depressão e não uma doença que corrompe o juízo
crítico, tornando os pacientes completamente desorientados em
relação às condições de sua vida ou de sua família.
Outro
conceito importantíssimo, é que a Inibição Global é
conseqüência da depressão e não o contrário. Essa colocação
é importante porque, comumente, o público leigo costuma recomendar
à pessoa deprimida para que se esforce e se mobilize para melhorar
da depressão, quando na realidade seria o contrário, ou seja, deve
melhorar da depressão (tratar) para mobilizar-se normalmente e sem
ninguém para pedir.
Estreitamento
Vivencial (perda de prazer)
Estreitamento
Vivencial é a expressão mais adequada para representar a perda
progressiva da pessoa deprimida em sentir prazer. A palavra para
designar o ponto mais alto desse fenômeno de perda do prazer é
Anedonia, ou seja, a incapacidade em sentir prazer por todas as
coisas. No Estreitamento Vivencial o universo de interesses e de
prazeres pelas coisas da vida vai sendo cada vez menor e mais
restrito.
De
fato, o interesse humano está indissoluvelmente ligado ao prazer;
nos interessamos por aquilo quer nos dá prazer, por aquilo com o
qual temos alguma ligação afetiva. Em situações normais a pessoa
abre para si um leque de interesses: interesse pelas notícias,
pelos esportes, pela companhia de amigos e pessoas queridas, pelo
conhecimento em geral, pelos passeios, pelas novidades, pelas
compras, pelas artes, pelos filmes, pela comida, pelas revistas e
jornais, enfim, cada pessoa nutre um rol de interesses pessoais,
evidentemente, interesses por coisas que lhe dão prazer.
Pois
bem. No Estreitamento Vivencial da depressão esse leque de
interesses vai se fechando, aparecendo progressivamente um
desinteresse e desencanto pelas coisas. Há um momento onde a
preocupação com o próprio sofrimento toma conta de todo interesse
vivencial do deprimido.
Não
há ânimo suficiente para admirar um dia bonito, para se interessar
na realização ocupacional, para degustar uma boa bebida, para
deleitar-se com um filme interessante, para sorver uma boa
companhia, para incrementar a discoteca, visitar um amigo...
No
rol de ocupações do deprimido com Estreitamento Vivencial acaba
só existindo a preocupação consigo próprio e com sua dor. Nada
mais lhe dá prazer, nada mais pode motivá-lo. Neste caso, o leque
do campo vivencial fica tão estreito que só cabe nele o próprio
paciente com sua depressão, o restante de tudo que a vida pode
oferecer não interessa mais, a própria vida parece não interessar
mais.
Enquanto
a Inibição Global pode ser entendida como um aspecto exterior do
relacionamento do indivíduo com o mundo, como uma espécie de
prejuízo em sua performance, em seu rendimento pessoal e de
relacionamento com as coisas, o Estreitamento Vivencial, por sua
vez, denota uma alteração mais interior, um prejuízo nas
impressões que o mundo e a vida causam no sujeito.
Um
é centrífugo o outro centrípeto. Na Inibição Global as coisas
são feitas com dificuldade e lerdeza, com maior esforço físico e
mental. No Estreitamento Vivencial as coisas nem sequer serão
feitas.
Como
se manifesta a Depressão
Saber
como, exatamente, a pessoa apresenta sua depressão é uma questão
complicada. Como dissemos, as manifestações depressivas são muito
variadas e extremamente dependentes da personalidade de cada um.
Mas
uma coisa é certa; a Depressão costuma estar junto com a maioria
dos transtornos emocionais, ora aparecendo como um sintoma de
determinado estado emocional, ora apenas coexistindo com quadros
ansiosos, outras vezes como causa de determinados transtornos. Em
muitas situações psíquicas a Depressão se encontra presente, às
vezes de forma típica outras vezes dissimulada.
A
Depressão aparece como um sintoma associado e impregnando todo o
viver dos pacientes emocionais em geral, tanto sob sua forma
típica, com tristeza, choro, desinteresse, etc, quanto em sua forma
atípica, com somatizações, pânico, ansiedade, fobia, obsessões.
De
qualquer forma, o que encontramos mais freqüentemente nos
distúrbios depressivos são os sintomas atrelados a essa
afetividade alterada. Normalmente os sintomas afetivos não
proporcionam prejuízo significativo da crítica mas, apesar do
juízo crítico estar conservado, as vivências do deprimido terão
representação alterada (veja o capítulo sobre a Representação
do Objeto), serão suportadas com grande sofrimento e com
perspectivas pessimistas.
Assim
sendo, a interpretação e valorização afetiva da realidade podem
ter seu caráter alterado, de acordo com a intensidade da
Depressão: a pessoa deprimida poderá simplesmente apresentar
idéias falsas sobre a realidade, nos casos mais leves ou, nos casos
mais graves, poderá desenvolver delírio franco sobre a realidade.
Em
sua forma típica e clássica a manifestação da depressão depende
sempre da maneira (quadro clínico, freqüência, intensidade) com a
qual se manifesta o chamado Episódio Depressivo. Assim sendo,
estudando o Episódio Depressivo entenderemos as manifestações
clínicas de todas as depressões típicas. Enfatizando sempre o
termo "típico".
Apesar
de não ser bem o propósito dessa obra classificar doenças,
estando mais preocupados em fazer entender as emoções, mesmo assim
vamos dar uma pincelada em alguns aspectos classificatórios
importantes para o entendimento global.
Saber
se o estado depressivo é Leve, Moderado ou Grave é apenas uma
questão da intensidade com que se apresenta o Episódio
Depressivo. Saber se esse estado depressivo é uma ocorrência
única na vida da pessoa ou se é repetitivo, dependerá da
freqüência com que os Episódios Depressivos se apresentam. Saber
se o Transtorno Afetivo em pauta é simplesmente um quadro
depressivo ou se é bipolar, dependerá do fato dos Episódios
Depressivos serem a única ocorrência afetiva ou se coexistem com
episódios de euforia. Enfim, como se vê, estudando o Episódio
Depressivo, sua intensidade, freqüência e apresentação, podemos
classificar o tipo de Transtorno Afetivo.
Devido
ao fato dos estados depressivos se acompanharem, com assiduidade, de
sintomas somáticos, a existência ou não destes sintomas também
acaba fazendo parte da classificação. Da mesma forma, a presença
concomitante ao Episódio Depressivo com sintomas psicóticos
determinará diferentes classificações.
Cumprindo
apenas um propósito acadêmico, e aproveitando para mostrar que a
classificação dos Transtornos Afetivos (ou do Humor) é
relativamente fácil, relacionamos abaixo a classificação formal,
de acordo com a CID.10 (Classificação Internacional das Doenças).
DELÍRIO
NA DEPRESSÃO
O
Delírio Depressivo aparece só nos quadros muito graves.
Normalmente surge sob a forma de Delírio de Pecado, quando a idéia
principal é de culpa, ou quando o problema é a saúde, sob a forma
de Delírio de Doença. Se o medo diz respeito à fortuna, surgirá
o Delírio de Ruína ou de Empobrecimento.
Percebe-se
claramente que todos esses 3 tipos de delírios depressivos dizem
respeito à severo prejuízo da auto-estima.
O
doente com Delírio Pecaminoso crê, sem razão, ter cometido
os piores crimes e pecados ou aumenta pequenas transgressões reais
e tentações, mesmo apenas em pensamentos, para um pecado
imperdoável. Por este motivo não apenas o próprio paciente, nesta
vida e na vida além da morte, como também todos os seus parentes e
até todo o mundo será castigado de forma indescritível.
O
Delírio de Empobrecimento ou o castigo muitas vezes é
pensado de forma contaminante; não é apenas o doente a ser
castigado por suas dívidas ou irá morrer de fome, mas também seus
parentes terão igual destino.
O
Delírio de Doença depressivo é a crença de ter
determinadas doenças, sempre especialmente graves. Devemos
estabelecer uma distinção entre este delírio da depressão, do
Delírio Hipocondríaco, que surge na Esquizofrenia ou na Psicose
Delirante Persistente, sem necessária existência de
depressão.
Via
de regra existe também uma diferença no fato de que o Delírio de
Doença depressivo transfere para o futuro o pior que poderá
acontecer, ao passo que o hipocondríaco se preocupa com o presente.
O depressivo crê sofrer de obstrução intestinal e que irá morrer
de forma especialmente horrenda; o hipocondríaco sofre, neste
momento atual, em função de constipação intestinal e exige e
espera ajuda.
INTERESSE,
APETITE E SONO NA DEPRESSÃO
A
perda de interesse ou prazer quase sempre está presente, pelo menos
em algum grau nas pessoas com Depressão.
Os
pacientes podem relatar menor interesse por passatempos, "não
se importar mais", ou a falta de prazer com qualquer atividade
antes considerada agradável.
Os membros da família freqüentemente percebem um certo retraimento
social ou descaso para atividades agradáveis, como por exemplo,
jogar, assitir tv, ler revistas, reunir-se com amigos, brincar com
netos e/ou com colegas, etc.
Em
muitos casos há uma redução significativa nos níveis de
interesse ou do desejo sexual.
O
apetite geralmente está reduzido, sendo que muitos indivíduos
sentem que precisam se forçar a comer. Outros, por outro lado,
podem ter uma incômoda avidez por alimentos específicos, como por
exemplo, chocolates, doces, etc.
Quando
as alterações no apetite são severas, seja por diminuição ou
aumento, pode haver uma perda ou ganho significativos de peso.
A
perturbação do sono mais comumente associada com um Episódio
Depressivo é a insônia, tipicamente intermediária, ou seja, com
despertar durante a noite e dificuldade para voltar a dormir. Menos
freqüente é a insônia terminal, isto é, despertar muito cedo,
com incapacidade de conciliar o sono novamente. A insônia inicial,
isto é, a dificuldade para adormecer, embora menos freqüente,
também pode ocorrer.
Além
disso, alguns pacientes apresentam, curiosamente, uma sonolência
excessiva (hipersonia), na forma de episódios prolongados de sono
noturno ou de sono durante o dia.
Baseado
no Livro "Da Emoção à Lesão" - Ballone
GJ, Ortolani IV, Pereira Neto, E - Da Emoção à Lesão, ed.
Manole, 2002
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