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A ALTA INCIÊNCIA DE DEPRESSÃO NO MUNDO - Organização Mundial de Saúde (OMS). 
A instituição prevê que nos próximos 20 anos, o problema sairá do quarto para o segundo lugar no ranking de doenças dispendiosas e fatais. Ele deverá perder apenas para as enfermidades do coração.
Os últimos dados revelam que hoje a depressão atinge 15% da população em todo o mundo, em pelo menos um momento de suas vidas. Desses casos, aproximadamente a metade irá ter episódios repetitivos de crise e precisará de tratamento contínuo (Diário popular).
Programa
Devido aos números assustadores sobre o assunto, algumas entidades e empresas estão fazendo trabalhos especiais voltados para a conscientização da população. 
Dados
Os últimos dados revelam que a depressão vem alcançando índices preocupantes.
Veja as estatísticas:
— Mais de 400 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão
— O risco de um homem sofrer da doença é de 11%, enquanto que o da mulher pode chegar a 18,6%
— Das pessoas que sofrem de depressão, aproximadamente 15% cometem suicídio
— A falta ou o excesso de sono afeta 90% dos pacientes com o problema
— Indivíduos acima dos 65 anos representam 10% a 15% da população com algum tipo de depressão
— 37% das pessoas com a doença sofrem de problemas sexuais
— Estima-se que 80% dos deprimidos apresentam sintomas como ansiedade ou agitação
— Aproximadamente 20% da população passará por pelo menos um episódio de depressão ao longo da vida (Diário Popular).

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DEPRESSÃO E TERRORISMO
Uma pesquisa, logo após os atentados ao World Trade Center, comprovou que sete de cada 10 norte-americanos afirmam que se sentem deprimidos.
Sentimentos de medo e depressão são também experimentados longe de Nova York e de Washingtom e não atingem apenas aqueles diretamente envolvidos à tragédia.
A maioria dessas pessoas afirma que se sente deprimida após os ataques terroristas, com um terço dizendo sofrer de transtornos para dormir e a metade apresentando dificuldades para se concentrar em suas atividades cotidianas.
Setenta e um por cento dos que admitem estar deprimidos figuram, em primeiro lugar, os que vivem nas costas leste e oeste dos Estados Unidos.
- 80% das mulheres se sentiram deprimidas contra 62% dos homens.
O efeito deprimente destes ataques é mais marcante nas pessoas com filhos, 76%, do que nas que não os têm, 69%.
- 40% das mulheres entrevistadas sofrem de insônia contra 26% dos homens.
- 6, em cada 10, sofrem de problemas de concentração.
- 69% das pessoas rezou para obter alívio e mais da 25% considerou evitar viajar em avião.
Os americanos também se manifestam a favor da cobertura dos atentados pela mídia, embora admitam que as imagens difundidas contribuíram para fortalecer seu sentimento de temor e angústia.
- 63% das pessoas não conseguiam tirar os olhos da televisão e mais de 30% expressou claramente o sentimento de temor que as imagens despertaram.
Fonte:CNNBrasil

 

Veja ilustração do tema


FORMAS CLÍNICAS DA DEPRESSÃO

As várias classificações dos Transtornos Afetivos do tipo depressivo, que na realidade são as várias maneiras da Depressão se manifestar clinicamente, dependem sempre da maneira (existência, freqüência e intensidade) com a qual se manifesta o Episódio Depressivo ou, também, quando a Depressão se manifesta sem a ocorrência de Episódio Depressivo (atípica). Assim sendo, estudando-se o Episódio Depressivo entenderemos todos os tipos de Depressão típica.

A grosso modo e bem didaticamente, gostaria de dividir as manifestações clínicas da Depressão apenas de duas maneiras: Típica e Atípica. As Depressões Típicas seriam aquelas que se apresentam através dos Episódios Depressivos e, de acordo com as classificações internacionais (DSM.IV e CID.10). As Depressões Atípicas são aquelas que se manifestam, predominantemente através de sintomas ansiosos (Pânico, Fobia ...) e somatiformes.

Saber se um estado depressivo típico está se apresentando de forma Leve, Moderada ou Grave é apenas uma questão da intensidade com a qual se apresentam os Episódios Depressivos. Saber se o estado depressivo é uma ocorrência única na vida da pessoa ou se é recidivante (repetitivo), dependerá da freqüência com que se apresentam esses Episódios Depressivos. Saber se o Transtorno Afetivo em pauta é simplesmente um quadro depressivo ou se é bipolar, dependerá do fato dos Episódios Depressivos serem a única ocorrência afetiva ou se coexistem com outros episódios de euforia. 

Enfim, como se vê, sabendo-se os Episódios Depressivos, sua intensidade, freqüência e apresentação saberemos classificar o tipo de Transtorno Afetivo depressivo típico.

Embora o juízo crítico esteja freqüentemente conservado, as vivências do deprimido são suportadas com grande sofrimento e com perspectivas pessimistas. A interpretação da realidade assume caráter alterado, de acordo com a intensidade da Depressão: poderá simplesmente se apresentar como idéias falsas, nos casos mais leves ou, nos casos mais graves como delírio franco.

Na psicomotricidade do deprimido percebemos inibição geral das funções, lentidão, pobreza da fala e dos movimentos, ombros caídos e andar com sacrifício, desleixo nos cuidados com a higiene pessoal, abandono de si próprio. Nos casos mais graves podemos ter posturas de negativismo, como se a pessoa estivesse numa espécie de catatonia (apatia intensa e até paralisação psicomotora.

Alguns deprimidos podem salientar apenas sintomas somáticos (físicos) ao invés de sentimentos de tristeza, como por exemplo, dores vagas e imprecisas, tonturas, cólicas, falta de ar, e outras queixas somatomorfas. Para estes, talvez, seja mais fácil comunicar sua aflição e desespero através dos órgãos que do discurso. Também em crianças e adolescentes a depressão pode dissimular-se sob a forma de um humor irritável ou rabugento, ao invés de triste e abatido.

 

Trata-se de uma maneira de sentir a realidade com tonalidade afetiva depressiva e melancólica sem que, necessariamente, seja considerado uma doença franca continuada. Portanto, não há aqui um severo prejuízo das qualidades de vida social ou ocupacional em um grau suficiente para atribuir um caráter patológico, mas a depressão aparece como uma característica existencial dessas pessoas. Hoje, a denominação mais correta para esta afetividade depressiva solidamente atrelada à personalidade e sem características limitantes da vida é o chamado Transtorno Afetivo Persisistente do tipo Distimia.
Conceitualmente entende-se como DISTIMIA uma depressão crônica, com sintomatologia não suficientemente grave para podermos classificá-la como Transtorno Depressivo Recorrente. 
A característica essencial do Transtorno Distímico é um humor cronicamente deprimido. Na Distimia as pessoas se auto-definem como tristes ou "na fossa". Em crianças e em alguns adolescentes o humor, originariamente deprimido, pode ser irritável, rebelde ou opositor.

Outros pacientes podem apresentar irritabilidade aumentada, como por exemplo, crises de raiva, explosividade, sentimentos exagerados de frustração, tendência para responder a eventos com ataques de ira ou culpando os outros. O  que encontramos mais freqüentemente nos distúrbios depressivos são sintomas atrelados predominantemente à afetividade, normalmente sem severo prejuízo da crítica.

A perda de interesse ou do prazer está quase sempre presente em algum grau. Os pacientes podem relatar menor interesse por passatempos, não se importam mais com coisas antes importantes, enfim, falta-lhes prazer para atividades anteriormente consideradas agradáveis, incluindo a atividade sexual.

Aproximadamente 50% dos pacientes com Distúrbio Depressivo Maior têm seu primeiro Episódio Depressivo antes dos 40 anos e a maioria destes surtos não tratados duram de 6 a 13 meses. Tratados, a maioria dos episódios dura cerca de 3 meses.

 

EPISÓDIO DEPRESSIVO

Devido ao fato dos estados depressivos se acompanharem, com muita assiduidade, de sintomas somáticos, a existência ou não destes sintomas faz parte da classificação, assim como também a presença de sintomas psicóticos, como vimos acima. Segundo a CID.10 a classificação dos Episódios Depressivos ficaria assim:

F32 - EPISÓDIO DEPRESSIVO
F32.0 - Episódio Depressivo Leve
F32.00 - ... sem Sintomas Somáticos
F32.01 - ... com Sintomas Somáticos
F32.1 - Episódio Depressivo Moderado
F32.10 - ... sem Sintomas Somáticos
F32.11 - ... com Sintomas Somáticos
F32.2 - Episódio Depressivo Grave sem Sintomas Psicóticos
F32.3 -                                              ... com Sintomas Psicóticos

Os Episódios Depressivos podem proporcionar perturbações do sono. Comumente, estas se manifestam sob a forma de insônia. A insônia da depressão costuma ser intermediária, caracterizada por despertar durante a noite com dificuldade para voltar a dormir. No caso da insônia ser terminal há um despertar muito cedo, com incapacidade de conciliar o sono novamente. 

A insônia inicial, quando há dificuldade para adormecer, é a mais incomum na depressão pura (sem ansiedade). Menos freqüentemente alguns pacientes reagem à depressão com sonolência excessiva (hipersonia), na forma de episódios prolongados de sono noturno ou de sono durante o dia. Ocasionalmente a razão pela qual o indivíduo busca tratamento pode ser esta perturbação do sono.


Muito marcante também é a apatia durante a crise depressiva. A diminuição da energia física e mental é comum e se traduz por cansaço e fadiga crônicos, muitas vezes responsáveis por inúmeros exames de sangue a que se submetem os pacientes. O deprimido pode relatar fadiga persistente sem esforço físico compatível e as tarefas mais leves parecem exigir mais esforço que o habitual. 

Também pode haver diminuição na eficiência para realizar tarefas. A pessoa deprimida pode queixar-se, por exemplo, de que as coisas levam o dobro do tempo habitual para serem feitas.

Na depressão também é muito freqüente um certo prejuízo na capacidade de pensar, de concentrar-se ou de tomar decisões. Os depressivos podem se queixar de enfraquecimento de memória ou mostrar-se facilmente distraídas. 

A produtividade ocupacional costuma estar também prejudicada, notadamente nas pessoas com atividades acadêmicas ou profissionais intelectualmente exigentes. Em crianças deprimidas pode haver uma queda abrupta no rendimento escolar como resultado da dificuldade de concentração.

Freqüentemente existem pensamentos sobre morte durante o Episódio Depressivo. Trata-se, não apenas da ideação suicida típica mas também da preferência em estar morto ainda que não propositadamente. Em pessoas menos gravemente deprimidas, tais pensamentos costumam ser uma crença de que seria preferível estar morto à conviver com este sofrimento e, nos casos mais severos, pensamentos recorrentes sobre cometer suicídio.

Nos idosos as dificuldades de memória podem ser a queixa principal e ser confundido com os sinais iniciais da demência. Este quadro de prejuízo da memória e outros sinais que poderiam confundir a depressão com demência recebe o nome de Pseudo Demência Depressiva

Nestes casos, soma-se à lentidão dos processos psíquicos um exagerado desinteresse, dando a falsa impressão de que a pessoa não está tendo consciência absoluta da realidade. Na realidade, o que o idoso deprimido tem é um grande desinteresse em lembrar fatos e em participar dos eventos cotidianos.

Uma porção significativa das mulheres relata uma piora dos sintomas depressivos alguns dias antes do início do período menstrual. O sucesso do tratamento da chamada Tensão Pré-Menstrual (TPM) com antidepressivos é hoje um indício da labilidade afetivas de parte expressiva dessas pacientes.

A duração de um Episódio Depressivo Maior é variável. Quando não-tratado o Episódio Depressivo costuma durar 6 meses ou mais, não importando a idade de início. Na maioria dos casos, existe a remissão completa dos sintomas, retornando o funcionamento ao nível normal, mas não sem severo sofrimento e/ou outros prejuízos vivenciais.

CRITÉRIOS DSM-IV PARA EPISÓDIO DEPRESSIVO MAIOR
A. Cinco (ou mais) dos seguintes sintomas estiveram presentes durante o mesmo período de 2 semanas e representam uma alteração a partir do funcionamento anterior. Pelo menos um dos sintomas é:
(1) humor deprimido ou;
(2) perda do interesse ou prazer.
Nota: Não incluir sintomas nitidamente devidos a uma condição
médica geral ou alucinações ou delírios incongruentes com o humor.
(1) humor deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias, indicado por relato subjetivo (por ex., sente-se triste ou vazio) ou observação feita por outros (por ex., chora muito).
Nota: Em crianças e adolescentes, pode ser humor irritável
(2) interesse ou prazer acentuadamente diminuídos por todas ou quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias (indicado por relato subjetivo ou observação feita por outros)
(3) perda ou ganho significativo de peso sem estar em dieta (por ex., mais de 5% do peso corporal em 1 mês), ou diminuição ou aumento do apetite quase todos os dias.
Nota: Em crianças, considerar falha em apresentar os ganhos de peso esperados
(4) insônia ou hipersonia quase todos os dias
(5) agitação ou retardo psicomotor quase todos os dias (observáveis por outros, não meramente sensações subjetivas de inquietação ou de estar mais lento)
(6) fadiga ou perda de energia quase todos os dias
(7) sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada (que pode ser delirante), quase todos os dias (não meramente auto-recriminação ou culpa por estar doente)
(8) capacidade diminuída de pensar ou concentrar-se, ou indecisão, quase todos os dias (por relato subjetivo ou observação feita por outros)
(9) pensamentos de morte recorrentes (não apenas medo de morrer), ideação suicida recorrente sem um plano específico, tentativa de suicídio ou plano específico para cometer suicídio
B. Os sintomas causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
C. Os sintomas não se devem aos efeitos fisiológicos diretos de uma substância (por ex., droga de abuso ou medicamento) ou de uma condição médica geral (por ex., hipotiroidismo).
D. Os sintomas não são melhor explicados por Luto, ou seja, após a perda de um ente querido, os sintomas persistem por mais de 2 meses ou são caracterizados por acentuado prejuízo funcional, preocupação mórbida com desvalia, ideação suicida, sintomas psicóticos ou retardo psicomotor.
Veja ilustração do tema

TRANSTORNO DEPRESSIVO RECORRENTE

Com esse nome a CID.10 classifica os transtornos depressivos que se caracterizam pela ocorrência repetida de Episódios Depressivos correspondentes à descrição supra-citada de um Episódio Depressivo. 

Esse transtorno pode, contudo, comportar breves episódios caracterizados por um ligeiro aumento de humor e da atividade(hipomania), sucedendo imediatamente a um Episódio Depressivo, e por vezes, podem ser precipitados por um tratamento com medicamentos antidepressivos. 

As formas mais graves do Transtorno Depressivo Recorrente apresentam numerosos pontos comuns com os conceitos da fase depressiva de um transtorno que  era chamado, antigamente, de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD), ou de Melancolia, assim como de Depressão Vital ou Depressão Endógena por outros autores. Assim sendo, repetindo apenas com finalidade didática, aquilo que a CID.10 chama de Transtorno Depressivo Recorrente Grave é sinônimo de Psicose Maníaco-Depressiva (PMD) fase depressiva, Melancolia, Depressão Vital ou Depressão Endógena. 

O primeiro Episódio Depressivo do Transtorno Depressivo Recorrente pode ocorrer em qualquer idade, da infância à senilidade, podendo ter um início agudo ou insidioso, durando de algumas semanas a alguns meses. 

O risco de ocorrência de um episódio de euforia (maníaco) não pode jamais ser completamente descartado em um paciente com um transtorno depressivo recorrente, qualquer que seja o número de Episódios Depressivos apresentados. Entretanto, em caso de ocorrência de algum Episódio Maníaco em portadores de Transtorno Depressivo Recorrente, autoriza a mudar o diagnóstico para Transtorno Afetivo Bipolar.

As subclassificações do Transtorno Depressivo Recorrente são:

  1. Transtorno depressivo recorrente, episódio atual leve

  2. Transtorno depressivo recorrente, episódio atual moderado

  3. Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave sem sintomas psicóticos

  4. Psicose maníaco-depressiva, forma depressiva sem sintomas psicóticos

  5. Transtorno depressivo recorrente, episódio atual grave com sintomas psicóticos

  6. Psicose maníaco-depressiva, forma depressiva, com sintomas psicóticos

  7. Transtorno depressivo recorrente, atualmente em remissão

  8. Outros transtornos depressivos recorrentes

  9. Transtorno depressivo recorrente sem especificação

  10. Depressão unipolar SOE

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Ballone, GJ - Depressão, in. PsiqWeb, Psiquiatria Geral, disponível na Internet em <http://www.psiqweb.med.br/deptexto.html>, atualizado em 2002

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