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AFETIVIDADE E DEPRESSÃO
O estado psíquico global com que a pessoa se
apresenta e vive reflete a sua Afetividade.
Tal como as lentes dos óculos, os filtros da
Afetividade fazem com que o sol seja percebido com
maior ou menor brilho, que a vida tenha perspectivas
otimistas ou pessimistas, que o passado seja
revivido como um fardo pesado ou, simplesmente,
lembrado com suavidade. Interfere assim na realidade
percebida por cada um de nós, mais precisamente, na
representação que cada pessoa tem do mundo, de seu
mundo.
Podemos pensar na Afetividade como o tônus
energético capaz de impulsionar o indivíduo para a
vida, como uma energia psíquica dirigida ao
relacionamento do ser com sua vida e o humor
necessário para conferir uma determinada
valoração às vivências.
A Afetividade colore com matizes variáveis todo
relacionamento do sujeito com o objeto, faz com que
os fatos sejam percebidos desta ou daquela maneira e
que despertem este ou aquele sentimento.
ESTADO AFETIVO MOMENTÂNEO
Há sempre um ESTADO AFETIVO MOMENTÂNEO para cada
pessoa, um tônus afetivo neste exato momento
atribuindo os devidos valores às vivências, seja a
tristeza na tragédia ou a alegria na comédia, em
condições normais.
Este estado afetivo momentâneo é variável de
momento para momento numa mesma pessoa; ora o humor
está mais elevado, ora mais rebaixado. Um mesmo
fato que nos parece demasiadamente desagradável no
meio do dia poderá parecer-nos muito mais ameno à
noite, ou uma mesma brincadeira que nos fez rir
ontem poder irritar-nos hoje.
Nestes casos não estaria havendo variação ou
mudança nos fatos, mas sim na representação
deles, segundo os "filtros" do afeto.
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CAUSAS DA DEPRESSÃO
Segundo
o último relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS),
a Depressão é mais comum no sexo feminino, estimando-se uma
prevalência do episódio depressivo em 1,9% no sexo masculino
e 3,2% no feminino.
Ainda
sobre prevalência, esse órgão da ONU reporta que 5,8% dos
homens e 9,5% das mulheres passarão por um Episódio
Depressivo num período de 12 meses. Essas cifras de
prevalência variam entre diferentes populações e podem ser
mais altas em algumas delas.
Embora
a Depressão possa afetar as pessoas em qualquer fase da vida,
a incidência seja mais alta é nas idades médias e,
infelizmente, há crescente reconhecimento da Depressão
durante a adolescência e início da vida adulta.
A
Depressão é, essencialmente, uma doença que se manifesta
por episódios recorrentes e cada episódio geralmente dura de
alguns meses a alguns anos, com um período normal entre eles.
Em cerca de 20% dos casos, porém, a Depressão segue um curso
crônico e sem remissão, ou seja, continuamente (OMS),
especialmente quando não há tratamento adequado disponível.
Alguns
outros dados estatísticos mostram que a Depressão, agora
não mais o Episódio Depressivo visto acima, mas a Depressão
em geral, afeta de 15% a 20% das mulheres e de 5% a 10% dos
homens. Aproximadamente 2/3 das pessoas com Depressão não
fazem tratamento e dos pacientes que procuram o clínico geral
apenas 50% são diagnosticados corretamente.
A
maioria dos pacientes deprimidos que não é tratada irá
tentar suicídio pelo menos uma vez e 17% deles conseguem se
matar. Com o tratamento correto, 70% a 90% dos pacientes
recuperam-se da Depressão. A doença pode surgir a qualquer
idade, ainda que os sintomas apareçam mais freqüentemente
entre os 20 e 50 anos.
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A depressão aparece mais no Transtorno de Ajustamento,
subtipo com Reação Depressiva, tipo breve ou
prolongada. Nesses casos o indivíduo responde à uma
vivência traumática com significativa dificuldade de
adaptação manifestando sintomatologia depressiva, porém,
sem a necessidade de nenhum transtorno psiquiátrico
pré-existente. Pode, neste caso, tratar-se de uma Reação
Depressiva Breve, como o próprio nome sugere, em reação à
algum evento traumático e de curso fugaz ou, quando não, de
uma Reação Depressiva Prolongada, normalmente quando a
exposição ao agente estressor também é prolongada.
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A
Depressão vem de dentro ou de fora?
Embora
esses termos sejam antigos, são bastante didáticos:
Falamos em Depressão Endógena, para aquela Depressão devida a
fatores constitucionais, internos, de origem biológica e de
predisposição hereditária. Este tipo de Depressão tem uma causa
fundamentalmente biológica e não existe relação palpável com a
história de vida da pessoa, não há motivos vivenciais para estar
triste ou melancólico, nem se percebem causas externas.
Estas
pessoas tendem a se sentir melhor no período da tarde e sua doença
costuma se relacionar com as mudanças de estação, havendo um
aumento de sintomas na primavera e outono. Esses casos podem ser
hereditários.
Por
outro lado, a Depressão Exógena seria devida a fatores que se
encontram no ambiente, como por exemplo, o estresse, circunstâncias
adversas profissionais, familiares, de perda, ruptura, etc, ou seja,
trata-se de uma Depressão causada fundamentalmente por fatores
ambientais externos.
Esse
tipo também se denomina Depressão Reativa, pois se produz como
reação ou resposta a um evento traumático, como por exemplo, uma
perda, um desengano, uma tensão ou outros acontecimentos
incômodos.
Os
fatores exógenos são inespecíficos, ou seja, não nos é
possível associar um evento a um quadro depressivo,
obrigatoriamente. Isso quer dizer que alguns acontecimentos podem
ser depressores para algumas pessoas e não para outras. Existe uma
ampla literatura sobre eventuais relações entre a tensão, a
separação, a perda e outros acontecimentos vitais, com síndromes
de Depressão Reativa.
Porém,
dificilmente poderíamos atribuir à doença uma responsabilidade
exclusiva do ambiente ou da constituição, antes disso, uma
terceira postura é a que considera estar implicados ambos fatores,
tanto endógenos como exógenos, em distintas proporções em os
distintos pacientes.
Realmente
é difícil encontrar uma alteração física que não afete ao
estado de ânimo e vice-versa, pois o estado de ânimo e o organismo
físico costumam estar indissoluvelmente atrelados. E também
podemos dizer que não seriam os fatores ambientais, propriamente
ditos, os responsáveis pela Depressão, senão, desencadeadores.
Isso quer dizer que as agruras da vida desencadeiam a Depressão
principalmente nas pessoas que vivem e reagem com sensibilidade
acentuada.
Depois
de muita polêmica sobre as causas da Depressão, esse mal que
assola impiedosamente boa parcela da população, parece que a
maioria dos pesquisadores, e das mais diversas tendências
ideológicas e científicas, finalmente fala num consenso; a
Depressão teria uma origem bio-psico-social.
De
fato, pela extensão do complexo termo - bio-psico-social - sobra
pouco espaço para os polêmicos. Traduzindo, isso quer dizer que a
Depressão teria uma origem tríplice; biológica, psicológica e,
evidentemente, social.
Essa
posição conciliatória satisfaz os pruridos dos pesquisadores mais
organicistas, para os quais tudo o que sentimos não ultrapassa a
esfera dos neurotransmissores e neuroreceptores, satisfaz também o
discurso político dos antropólogos e sociólogos que consideram a
doença de natureza sócio-cultural e, finalmente, agrada aos
psicologistas, com o malabarismo intelectual que lhes é próprio,
acerca dos complexos, traumas e frustrações.
Fatores
Biológicos
A
biologia tenta buscar a origem da Depressão tanto na pessoa, quanto
nos ascendentes biológicos, ou seja, na fisiopatologia e na
genética.
De
fato, o último relatório da OMS enfatiza que, na Depressão, o
risco da doença pode ser devido a variações nas respostas dos
circuitos neurais e
estas, por sua vez, podem refletir alterações quase
imperceptíveis na estrutura, na localização ou nos níveis de
proteínas críticas para a função psíquica normal.
As
pessoas com Depressão clínica podem ter alterações na quantidade
de algumas substâncias no cérebro, os chamados
"neurotransmissores", bem como no número e sensibilidade
de estruturas funcionais situadas nas paredes de neurônios, os
"neuroreceptores". Em nosso cérebro há mensageiros
químicos chamados neurotransmissores, os quais ajudam a controlar
as emoções. Os dois mensageiros principais são a serotonina e a
norepinefrina.
Paralelamente
aos progressos na neurociência, ocorreram também avanços na
genética. Quase todos os Transtornos Mentais e Comportamentais
estão associados com um significativo componente de risco
genético.
O
componente genético das doenças costuma ser avaliado através de
estudos realizados em gêmeos. Esses estudos são feitos
comparando-se a similaridade entre gêmeos idênticos e gêmeos não
idênticos. Estudam-se os modos de transmissão de Transtornos
Mentais entre diversas gerações de famílias e se comparam os
riscos de Transtornos Mentais em gêmeos monozigóticos
(idênticos), em oposição a gêmeos dizigóticos (fraternos).
Todos
os estudos deste tipo mostram que os gêmeos geneticamente
idênticos têm mais possibilidades que os gêmeos fraternos de
compartilhar a doença. Para os gêmeos idênticos, as
possibilidades de compartir o transtorno depressivo são de 50 a
80%, enquanto que em os gêmeos fraternais são de entre 15 e 25%.
Isto significa que nesta doença há algo muito importante
relacionado com a genética.
Apesar
disso, deve ficar claro que existem importantes influências não
genéticas, embora não saibamos quais. Pois, mesmo sendo alta a
concordância entre gêmeos idênticos, ela não é de 100%, logo,
os genes não são o único fator.
O
mais sensato em se dizer atualmente, é que os Transtornos Mentais e
Comportamentais devem-se, predominantemente, à interação de
múltiplos genes com fatores ambientais. Ademais, é possível que a
predisposição genética ao desenvolvimento de determinado
distúrbio mental ou comportamental se manifeste somente em pessoas
sujeitas a certos estressores que desencadeariam a patologia.
Resumindo, voltamos à fórmula original e centenária: Fenótipo =
Genótipo + Ambiente.
Uma
das principais falsa crença sobre essa doença é que as pessoas
que têm um padrão de pensamento negativo desenvolvem a Depressão.
Mentira. As pessoas deprimidas é que são pessimistas, que se
preocupam excessivamente, que tem uma autoestima baixa ou sentem que
tem pouco controle sobre os acontecimentos da vida. Portanto, ao
invés de acreditarmos que para não ter Depressão a pessoa deve
ter "pensamentos positivos", devemos pensar bem ao
contrário, ou seja, para ter "pensamentos positivos" a
pessoa não deve ter Depressão.
Fatores
Agravantes e Desencadeantes
Há
uma série de circunstâncias "fora" da constituição da
pessoa que poderiam predispor ao desenvolvimento da Depressão.
Estas circunstâncias são chamadas de fatores de risco depressivo
ou, como se diz modernamente, preditores de Depressão. Os
principais fatores de risco identificados pela maioria das pesquisas
seriam:
1.
Vida Urbana.
Este
fator, como todos os demais, deve ser tido apenas como fator de
risco. Aliás, como fator de risco de desencadear Depressão e não
de cria-la, como alguns poderiam pensar.
Ainda
que o meio urbano seja por demais competitivo, agressivo e exigente,
a medicina não pode aceitar isso como CAUSA de Depressão porque
ela funciona na base das relações causais. Exemplo: a medicina
sabe que o meningocóco causa meningite porque, injetados na meninge
de animais, todos eles desenvolvem meningite. Sabemos, assim, que
nem todas as pessoas submetidas ao meio urbano desenvolvem
Depressão, logo, a Depressão não pode simplesmente ser atribuída
á vida urbana. Há pessoas que participam da vida urbana com muita
alegria e prazer.
2.
Desemprego
Vale
o mesmo raciocínio do caso anterior. Se todos os desempregados
ficassem deprimidos estaríamos descobrindo uma relação causal
direta desemprego-depressão. Mas, embora seja um forte fator
desencadeante e agravante, o desemprego não cria a Depressão por
si só.
2.1
- Vejamos que tipo aproximado de pessoa teria maior probabilidade de
ficar deprimido com o desemprego imediato (disse MAIOR
PROBABILIDADE):
Os pessimistas, porque acham que nunca mais arranjarão outro
emprego.
Os inseguros, porque acham que outros conseguirão emprego e eles
não.
Os inferiores (auto-estima baixa) porque os outros são melhores e
serão preferidos.
Os muito responsáveis, porque sobre seus ombros pesa o dever de
prover.
Os muito submissos à opinião dos demais, porque os outros estarão
comentando sobre sua ociosidade.
Os melancólicos, porque o desemprego justifica sua infelicidade.
Ora,
todos esses traços caracterizam pessoas com tonalidade afetiva
rebaixada, ou seja, com certa predisposição a sentir o mundo com
mais seriedade e amargura, enfim, pessoas que já teriam maior
probabilidade de se deprimirem diante de adversidades.
2.2
- Vejamos que tipo aproximado de pessoa teria maior probabilidade de
ficar deprimido com o desemprego em médio prazo (disse MAIOR
PROBABILIDADE):
Os
ansiosos, que têm muito maior probabilidade de passarem para o
esgotamento depois de algum tempo diante de um estressor capaz de
mantê-los ansiosos.
2.3
- Vejamos que tipo aproximado de pessoa teria maior probabilidade de
ficar ansioso, portanto, potencialmente esgotado com o desemprego
(disse MAIOR PROBABILIDADE):
Os inseguros, porque acham que outros conseguirão emprego antes
deles.
Os inferiores (auto-estima baixa) porque os outros são mais
rápidos e espertos e serão preferidos.
Os muito responsáveis, dinâmicos e ativos, porque sobre seus
ombros pesa o dever de prover e eles não se dobrarão diante dessas
"pequenas" adversidades.
Os muito preocupados com a opinião dos demais, porque os outros
estarão comentando sobre seu insucesso, sua ociosidade e, pior,
sobre sua fraqueza.
Pois
é, voltamos ao ponto inicial: são pessoas predispostas a reagir
dessa forma diante das adversidades.
3.
Doença Física.
A
Depressão freqüentemente ocorre junto com certas doenças
orgânicas, como por exemplo, o derrame ou Acidente Vascular
Cerebral (AVC), doença cardíaca, esclerose múltipla, câncer,
doença de Parkinson, doença de Alzheimer e diabetes.
Este
tipo de Depressão é chamado de Depressão Co-ocorrente ou
Depressão Comórbida e é importante que ela seja tratada
juntamente com a doença física, pois, se observa com freqüência
a formação de um círculo vicioso: doença-depressão-demora para
sarar-depressão-piora da doença.
Doenças
graves e deteriorantes também podem levar à Depressão na medida
em que são dolorosas ou que oferecem perspectivas sombrias.
Alterações
dos hormônios também podem predispor à Depressão. Se os níveis
de alguns hormônios entrarem em desequilíbrio, como por exemplo os
hormônios tiroideanos, a Depressão pode surgir, o mesmo se diz em
relação aos hormônios supra-renais, etc.
4.
Alteração Afetiva Prévia e Outras Doenças Emocionais.
Quem
já teve um quadro depressivo tem muito maior probabilidade de
desenvolver uma segundo episódio. A probabilidade de um segundo
episódio depressivo é de 35%, de um terceiro é de 65% e de um
quarto episódio, 90%.
Assim
sendo, um dos fatores preditores de depressão é a própria
biografia afetiva da pessoa. Em não havendo antecedentes francos de
depressão ou de episódio depressivo, também importam as
ocorrências afetivas marcantemente difíceis, como por exemplo, a
adaptação ao primeiro dia na escola, às mudanças de domicílio,
de escola, a primeira menstruação, às rupturas de namoro, etc.
A Depressão clínica pode "co-ocorrer" em pessoas com
outros transtornos mentais, tais como os transtornos alimentares,
transtornos de ansiedade, incluindo a Síndrome do Pânico,
Transtorno Obsessivo-Compulsivo e Síndrome de Estresse
Pós-Traumático. Veja Onde Ocorre a
Depressão
5. Histórico Familiar de Depressão.
Existem vários estados psicopatológicos com inegáveis componentes
hereditários e/ou familiares. A transmissão genética diz respeito
à probabilidade e não à certezas. Assim sendo, a pessoa pode ser
portadora de uma probabilidade maior de desenvolver um transtorno
ansioso, ou do humor, embora não haja certeza de que terá esses
quadros.
Quanto maior o número de antecedentes deprimidos entre familiares,
maior será a probabilidade do de desenvolver uma Depressão de
natureza constitucional. Há uma significativa porcentagem de filhos
de pais deprimidos que desenvolve a doença e, mais marcante ainda,
uma expressiva porcentagem quando os dois pais são deprimidos,
mesmo que o filho tenha sido criado por outra família
não-deprimida.
Suicídios em membros da família também devem ser investigados,
tendo em vista a maior probabilidade dessa atitude repetir-se em
descendentes.
6. Adolescência.
Muitas pessoas apresentam uma primeira crise de Depressão durante a
adolescência, apesar de nem sempre essa crise ser reconhecida ou
diagnosticada. Segundo pesquisas, a Depressão comumente aparece
pela primeira vez em pessoas com idade entre 15 e 19 anos, embora
costume ser diagnosticada em pessoas mais velhas.
Durante muitos anos acreditou-se que os adolescentes, assim como as
crianças, não eram afetadas pela Depressão, já que,
supostamente, esse grupo etário não tinha problemas vivenciais.
Como se acreditava que a Depressão era exclusivamente uma resposta
emocional à problemática existencial, então quem não tinha
problemas não deveria ter Depressão.
Atualmente sabemos que os adolescentes são tão susceptíveis à
Depressão quanto adultos, devendo ser encarada seriamente em todas
as faixas etárias. A Depressão pode interferir de maneira
significativa na vida diária, nas relações sociais e no bem-estar
geral do adolescente, podendo até levar ao suicídio.
Hoje em dia é comum pais se orgulharem ao ver seu filhinho/a
lidando perfeitamente bem com o computador, com o vídeo cassete,
com aparelho de DVD e outras parafernálias da tecnologia, muitas
vezes quando eles próprios não sabem fazê-lo tão bem.
Essa admiração pela versatilidade tecnológica das crianças é,
às vezes, acompanhada de hipóteses familiares (notadamente de
avós orgulhosos) sobre "as crianças de hoje serem mais
inteligentes e espertas do que as crianças de antes". Na
realidade, o que tem acontecido é que as crianças de hoje deixam
de ser subordinadas na medida em que detém mais saber ou
experiência, deixam de submeter-se à supervisão dos mais velhos,
como foi durante muitas eras.
O conflito do adolescente é fator de risco para desencadear a
Depressão, e este conflito surge quando a criança se percebe
diante de posições contraditórias; ela é, ao mesmo tempo, aquela
que não sabe por não ser adulta ainda, portanto, tendo que
obedecer ao protocolo cultural de freqüentar a escola, cursos cada
vez mais sofisticados e esportes que nada têm de lúdico e, por
outro lado, ela já não pode se comportar com a agitação e
inconseqüência da infância.
Veja Depressão
na Adolescência
7. Eventos estressantes ou perdas.
É normal sentir-se triste após uma perda, como a morte de um ente
querido ou o rompimento de uma relação. Às vezes essa tristeza
pode se transformar em Depressão, em pessoas que têm tendência
depressiva. Problemas de dinheiro, trabalho ou outros problemas
pessoais podem também desencadear a Depressão ou são tidos como
fatores de risco, na medida em que oferecem possibilidades
favorecedoras ao estresse e, conseqüentemente, ao esgotamento.
Toda a fisiologia e a patologia do estresse é inseparável da
emoção, da angustia e da Depressão, sobretudo enquanto
representam os esforços adaptativos do organismo para afrontar uma
situação de alarme. Nesses casos, a Depressão apareceria como
conseqüência de um estado de esgotamento, onde estariam esgotadas
as capacidades adaptativas por excesso de estresse.
Avaliar a cronologia das vivências traumáticas, as circunstâncias
em que ocorreram e a proporcionalidade entre estas e o estado
emocional é importantíssimo para privilegiar as condutas
psicoterapêuticas. Verificar "negligência ou abandono
infantil", institucionalização, orfandade e outras vivências
precoces tornam o quadro mais atrelado à personalidade que as
experiências recentes.
Quanto mais importante for o fator ou estresse desencadeante da
Depressão, menos atrelada à constituição é a doença. A pessoa
que apresenta depressão depois de perder a mãe, terá muito melhor
prognóstico do que aquele que manifesta o mesmo quadro sem perder a
mãe.
8. - Personalidade Prévia
É importante, para qualquer contacto com a psicopatologia clínica,
que antes se tenha um contacto com o tema Desenvolvimento da
Personalidade e, principalmente, com os Transtornos de
Personalidade.
O conceito de "personalidade pré-mórbida" é
indispensável para o entendimento dos quadros atuais de Depressão.
A pessoa portadora de Transtorno Anancástico (Obsessivo-compulsivo)
da Personalidade terá, obviamente, uma propensão a desenvolver o
Transtorno Obsessivo-Compulsivo franco. Da mesma forma ocorre no
Transtorno Ansioso da Personalidade, Histriônico, Esquizóide,
Paranóide, etc.
A avaliação dos traços de personalidade e da sensibilidade
afetiva exagerada em fase pré-mórbida também é importante para
avaliarmos a possibilidade da Depressão.
Um paciente que esteja apresentando um quadro Obsessivo-compulsivo
mas, não obstante, mostra em seus antecedentes pessoais uma
sensibilidade afetiva aumentada será, sem dúvida, portadora de um
quadro depressivo atípico ou com características predominantemente
ansiosas.
Outra pessoa que atravessa um Episódio Depressivo pós-rompimento
conjugal, mas sem nenhum antecedente emocional pessoal ou traço
afetivo hipersensível de personalidade, está mais provavelmente
apresentando uma Depressão Reativa. Veja
Transtornos
de Personalidade
9. Medicamentos, drogas ou álcool.
Alguns medicamentos, como por exemplo os anti-hipertensivos,
antituberculosos, medicamentos para "labirintite", etc,
podem causar Depressão. O álcool e algumas drogas ilegais podem
piorar a Depressão. Não é bom que os deprimidos usem essas
substancias, mesmo que pareçam ajudar momentaneamente.
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