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Fisiopatologia
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ATIVIDADE DA NORADRENALINA,
SEROTONINA E DOPAMINA
Sabe-se que a hiperatividade
da
noradrenalina
ocasiona ansiedade e inquietação e os medicamentos capazes de
aumentar sua atividade melhoram muito os quadros de depressão com
apatia, desinteresse e lentidão psicomotora. A dopamina,
por sua vez, parece estar ligada a
diminuição ou falta de iniciativa, à perda do dinamismo, ao
cansaço e a sensação de prazer, ao mesmo tempo em que a serotonina
estaria relacionada ao
comportamento impulsivo, a emoção, ao sofrimento, à violência, ao
sentimento de culpa e às condutas adictivas (de dependência).
NEURÔNIOS
DA SEROTONINA Existem cerca de 10 bilhões
de neurônios no cérebro humano e, muito
possivelmente, 250 mil deles pertence ao sistema
serotoninérgico. Esses neurônios estão
principalmente distribuídos nos núcleos da rafe
e no mesencéfalo.
O
processo de despolarização no neurônio
pré-sináptico promove a expulsão de serotonina
(5-HT) para a fenda sináptica e para o espaço
extracelular cerebral. A serotonina liberada pode
ativar tanto pré quanto pós-sinápticos,
sendo que os últimos estão localizados no
neurônio-alvo e os primeiros no mesmo neurônio de
onde saiu a serotonina (auto-receptores).
Esses
receptores determinam um número de eventos
intracelulares responsáveis por muitos efeitos
biológicos.
As
múltiplas ações da serotonina são explicadas
pela interação dessa com algum subtipo de
receptor.
Ativados,
esses neuroreceptores produzem inibição da
adenilciclase. O receptor 5-HT1A encontra-se
igualmente envolvido no fluxo de íons.
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Fisiopatologia
da
Depressão
Modelo
Biológico-Bioquímico
A
bioquímica tem sido um dos campos mais frutíferos no estudo da
biologia da depressão, ainda que os achados não permitam grandes
conclusões. As primeiras hipóteses biológicas da fisiopatologia
dos Transtornos Afetivos nasceram juntamente com o estudo dos
possíveis mecanismos de ação dos antidepressivos.
As primeiras
hipóteses biológicas foram da deficiência de catecolaminas,
logo seguida pela hipóteses da deficiência de indolaminas.
Esta
hipótese postulava, em síntese, que a depressão seria o resultado
de um déficit central de noradrenalina, e que a mania poderia
dever-se a um excesso cerebral desse neurotransmissor.
Acreditava-se
e, ainda tem muita gente acreditando, que a depressão estaria relacionada ao hipofuncionamento bioquímico da
atividade de neurotransmissores, notadamente da
serotonina,
noradrenalina e
dopamina.
E de fato, a hipótese de hipofuncionamento dos sistemas de
neurotransmissores passou a ser muito questionada depois que alguns produtos,
incluindo os antidepressivos, agiam melhorando a depressão,
concomitante ao aumento desses neurotransmissores que produziam.
Entretanto,
estas hipóteses não explicavam a falta de eficácia imediata dos
tratamentos antidepressivos, apesar dos rápidos efeitos dos
antidepressivos no aumento das concentrações sinápticas de
serotonina e de noradrenalina.
Realmente,
hoje aceita-se verdadeira a idéia de que o aumento da
disponibilidade de neurotransmissores melhora o quadro depressivo,
que é o que fazem os antidepressivos. Isso parece indiscutível.
Mas, cada vez mais, parece também verdadeira a idéia de que a
depressão não pode ser atribuída exclusivamente ao
hipofuncionamento desses neurotransmissores ou à diminuição de
seus níveis no cérebro. Pode tratar-se de uma fisiopatologia
multifatorial.
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Fatores Biológicos da Depressão
É grande o número de estudos relatando várias anormalidades
nos metabólitos das chamadas aminas biogênicas, como por
exemplo, a
noradrenalina. Esses estudos sugerem haver uma
regulagem para baixo dos neuroreceptores beta-adrenérgicos e
de neuroreceptores pré-sinápticos alfa-2-adrenérgicos,
levando uma diminuição da quantidade de noradrenalina
liberada.
Outra amina biogênica relacionada à Depressão é a serotonina, sendo evidente que sua depleção pode precipitar
crises de depressão, juntamente com o fato dos inibidores
seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e outros
antidepressivos serotoninérgicos serem eficazes no seu
tratamento. A dopamina também estaria associada à
fisiopatologia da depressão, constatando-se estar diminuída na
depressão e aumentada na mania.
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Neurotransmissores
ou Neuroreceptores?
Eis a questão...
A
idéia de que outros mecanismos podem estar envolvidos na origem da
Depressão começou a ser melhor pensada depois de se constatar que os
níveis dos neurotransmissores aumentam 3 horas depois de tomados os
antidepressivos, mas a melhora da depressão só acontece de 2 a 3
semanas depois. Porque essa discrepância entre aumento de
neurotransmissores e melhora da depressão? Isso não sabemos ao
certo.
Outro
achado que suscitava dúvidas sobre a causa exclusiva da
hipofunção de neurotransmissores, foi que a deficiência de
noradrenalina e/ou de serotonina, assim como de seus metabólitos no
líquido cefalorraquidiano (LCR), no sangue ou na urina, nunca foi
consistentemente demonstrada em pacientes depressivos,
apesar dos múltiplos esforços nesse sentido. Os trabalhos que
atestavam eventual deficiência de catecolaminas e metabólitos em
pacientes deprimidos não eram confirmadas por outros estudos.
Os
avanços recentes no conhecimento da complexa regulação da
síntese dos neurotransmissores e de sua liberação a nível
sináptico, os conhecimentos e determinações dos neuroreceptores pré e
pós-sinápticos, juntamente com as interações desses neuroreceptores
com os sistemas de segundos e terceiros mensageiros, assim como as
relações dos diferentes neurotransmissores entre si e com outras
substâncias, entre muitos outros achados, obrigam a modificar as
hipóteses biológicas mais antigas sobre a fisiopatologia dos
Transtornos Afetivos.
Mas,
apesar dessas novas e esperançosas hipóteses mais modernas,
vários neurotransmissores
(serotonina, noradrenalina, dopamina, GABA, acetilcolina) e
neuropeptídeos (somatostatina, vasopresina, colecistocinina,
opióides endógenos, etc) continuam se relacionando atualmente, de
uma forma direta ou indireta, na patogenia dos Transtornos Afetivos.
Entre esses, as substâncias que parecem continuar mais implicadas
em investigações são os neurotransmissores noradrenérgicos e,
sobretudo, a serotonina, ainda que o modelo baseado na carência
dessas substâncias tenha cedido terreno a teorias baseadas no
desequilíbrio entre os sistemas de neurotransmissão e na
desregulação dos neuroreceptores que regulam a atividade desses
neurotransmissores;
Portanto,
hoje em dia a tônica das hipóteses recai sobre os neuroreceptores,
os quais, ao invés de estruturas rígidas, passam a ser
considerados estruturas plásticas que se adaptam e respondem à
homeostasia orgânica e às alterações dos neurotransmissores.
Existem
dados sugestivos de que as alterações do sistema de
neurotransmissores podem ocorrer como conseqüência de mudanças no
número e/ou na sensibilidade dos neuroreceptores pré e pós-sinápticos
no Sistema Nervoso Central, sem que haja, obrigatoriamente, uma
alteração na quantidade do próprio neurotransmissor. As
hipóteses baseadas na "deficiência" de
neurotransmissores têm sido, pois, substituídas por hipóteses
mais enfocadas nos neuroreceptores.
Estas
novas hipóteses sugerem que a Depressão poderia estar relacionada
mais à uma desregulação da sensibilidade do neuroreceptor do que com
deficiências do neurotransmissor, e que a demora dos efeitos
terapêuticos do tratamento antidepressivo estaria relacionado com
alterações na sensibilidade dos neuroreceptores dependentes do
tempo de uso dos medicamentos. Outra
idéia é a de que os neuroreceptores, por serem proteínas, têm
sua quantidade aumentada ou diminuída apenas por síntese ou
degradação e, ao tratar-se de um processo que consome tempo, este
poderia ser a causa da lenta ação terapêutica dos
antidepressivos.
Os
neuroreceptores têm como missão, receber mensagens químicas
específicas e traduzi-las nas correspondentes respostas neuronais
pós-sinápticas. Acredita-se que a superfície externa do neuroreceptor
serve para reconhecer e unir-se ao neurotransmissor,
enquanto a superfície interna efetua as alterações intracelulares
esperadas.
Cada
neuroreceptor tem no mínimo dois componentes, um de reconhecimento
e outro efetor (superfície externa e interna, respectivamente), e
existe um conjunto mais o menos complexo de componentes
intermediários em dependência do tipo de neuroreceptor. Seriam os
neuroreceptores, mais que os neurotransmissores, que determinariam
qual neurotransmissor atuará sobre a célula e, curiosamente, se
essa ação será excitatória ou inibitória.
Ainda
sobre neuroreceptores e ação dos antidepressivos, tem-se suposto
que os antidepressivos
tricíclicos
inibem imediatamente o mecanismo de recaptação de noradrenalina
e/ou de serotonina pelo neurônio pré-sináptico, o que originaria
um aumento da disponibilidade desses neurotransmissores (noradrenalina
e serotonina) para serem captados pelos neuroreceptores pós-sinápticos.
Como resposta, estes neurônios pós-sinápticos acabam por reduzir
o número de seus neuroreceptores e, muito possivelmente, também da
sensibilidade e atividade deles (dowm regulation). Veja
ilustrações disso.
A
correlação encontrada entre a dowm
regulatiom dos neuroreceptores pós-sinápticos e a resposta clínica aos antidepressivos é
provavelmente um dos poucos dados que sugerem um papel direto do
sistema noradrenérgico na depressão.
Descobriu-se
também a existência de auto-receptores inibidores no neurônio
pré-sináptico, o qual se estimularia com o aumento na
concentração do neurotransmissor no espaço intersináptico e
inibiria a liberação do mesmo neurotransmissor pelo neurônio
pré-sináptico (dai o nome 'auto-receptor').
Enfim,
as hipóteses da desregulação no número e na sensibilidade do
neuroreceptor sugerem que, em síntese, as deficiências funcionais
na neurotransmissão podem ocorrer mesmo com níveis normais de
neurotransmissores, e não têm sido conclusivos os estudos para
identificar uma clara evidência entre as deficiências catecolaminas
e indolaminas nos pacientes depressivos.
Fisiopatologia
da
Depressão
Modelo
Neuro-Anatômico
Pensando
no
modelo neuroanatômico da depressão, que considera as estruturas cerebrais
envolvidas na depressão, teríamos a amígdala
como uma das regiões primárias para avaliação e processamento do
estímulo emocional. O envolvimento do córtex
pré-frontal,
que possui
conexões abrangentes com outras estruturas igualmente participantes
do comportamento
emocional e das respostas autonômicas e neuroendócrinas a
estressores tem sido constatado por recentes exames da função
cerebral. Essas estruturas incluem a amígdala, hipotálamo, núcleo
accumbens, e núcleos serotoninérgicos, noradrenérgicos e
dopaminérgicos do tronco cerebral.
A
tomografia computadorizada ( TC), a Ressonância Magnética
(RM) e a
Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET) deram grande impulso ao
estudo das doenças neuropsiquiátricas. Hoje muito se sabe sobre a
função cerebral através desses exames funcionais computadorizados
do cérebro.
Utilizando
a PET, têm sido realizados estudos em voluntários normais durante
várias situações emocionais,incluindo: imaginação ou
recordação de eventos pessoais que despertam tristeza e outros
sentimentos, indução de emoções por filme ou fotografias e
reconhecimento de faces expressando estados emocionais. Esses
estudos têm demonstrado ativação de áreas cerebrais
tradicionalmente implicadas na regulação de afetos, como por
exemplo, o córtex pré-frontal e orbito-frontal, cíngulo e
amígdala.
Foram
avaliados pacientes com depressão unipolar grave e voluntários
normais durante um estado de tristeza induzido por filme de forte
conteúdo emocional em comparação com filmes sem conotação
emotiva. Durante o filme indutor de tristeza, áreas cerebrais
previsivelmente envolvidas na mediação de afetos foram ativadas
tanto em voluntários normais como pacientes com depressão maior.
Essas áreas são os gânglios da base e as áreas pré-frontais,
consideradas áreas para-límbicas, incluindo córtex pré-frontal
inferior e medial, cíngulo e córtex temporal medial.
No
entanto, a ativação do córtex pré-frontal medial e giro do
cíngulo foi significativamente maior em pacientes deprimidos.
Esses achados sugerem o envolvimento dos mesmos circuitos cerebrais
na indução de tristeza tanto em pessoas normais como em pacientes
com transtornos do humor. Porém, por outro lado, as diferenças
obtidas nos padrões de ativação para-límbica sugerem um
possível componente quantitativo de estimulação nessas áreas, na
evocação emocional de pacientes deprimidos (Geraldo
Busatto Filho).
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