Índice
Curso
e Evolução
TRATAMENTOS PARA DEPRESSÃO
Hoje se aceita que a melhor orientação
terapêutica para a Depressão é a combinação da
psicoterapia e da farmacoterapia. As principais
técnicas de psicoterapias usadas são:
Terapia Cognitiva. É calcada na tentativa
de corrigir distorções cognitivas presentes no
transtorno depressivo, isto é, procura corrigir
esquemas de pensamento falhos próprios dos
deprimidos. Os principais objetivos da terapia
cognitiva são: aliviar sintomas por correção dos
pensamentos viciosos da depressão, identificar
cognições autodestrutivas e modificar esquemas de
pensamentos errôneos.
Terapia Comportamental. Baseia-se na
hipótese de que padrões de comportamentos
mal-adaptativos, próprios dos deprimidos, resultam
acabam resultando no mau relacionamento com a
sociedade em geral e, em particular, com a família.
Ao tratar dos comportamentos mal adaptativos os
pacientes aprendem a se relacionar com o mundo à
sua volta de modo mais harmônico.
DISTIMIA
A Distimia é um transtorno afetivo crônico
caracterizado por humor deprimido (ou irritável em
crianças e adolescentes) durante a maioria dos
dias. É comum pessoas com Distimia serem
consideradas "mal humoradas", normalmente
com um padrão comportamental considerado
sarcástico, rabugento, exigente e queixoso.
A doença afeta 3 a 5% da população geral; 30 a
50% dos pacientes em clínicas psiquiátricas
gerais. A prevalência é de 8% em adolescentes
jovens e de 5% em meninos e meninas, e mais comum em
mulheres do que em homens.
Freqüentemente a Distimia coexiste com outros
transtornos emocionais e psicossomáticos, sendo
freqüente as alterações dos padrões de sono, de
apetite, baixa auto-estima, pessimismo, perda de
energia, retardo psicomotor, diminuição do impulso
sexual e preocupações exageradas com relação a
sua própria saúde.
DEPRESSÃO INFANTIL
.Devido à diversidade dos locais onde os estudos
são realizados e das populações observadas,
vários índices de prevalência têm sido
estabelecidos para a depressão na infância.
Estudos norte-americanos revelam uma incidência de
depressão em aproximadamente 0,9% entre os
pré-escolares; 1,9% nos escolares e 4,7% nos
adolescentes. A estabilidade dos sintomas
depressivos tem sido mais pronunciada nos meninos
que nas meninas.
Apesar da tamanha importância da depressão da
infância e adolescência em relação ao suicídio,
às dificuldades na escola, no trabalho e no ajuste
pessoal, dificuldades que podem continuar por toda
vida adulta, esse quadro não é devidamente
diagnosticado.
A maioria das crianças maiores e dos adolescentes
apresenta a Depressão de forma atípica, escondendo
seus sentimentos depressivos sob uma máscara de
irritabilidade, de agressividade, hiperatividade e
rebeldia. Entretanto, apesar da maioria manifestar a
Depressão atípica, algumas podem apresentar
sintomas clássicos, como a tristeza,
ansiedade, mudanças no hábito alimentar e no
sono, etc.
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CURSO
E E EVOLUÇÃO DA DEPRESSÃO
A Depressão é essencialmente um transtorno episódico
e recorrente, isto é, que se repete. Cada Episódio Depressivo dura, geralmente, alguns meses
seguido de um
período normal entre os episódios. Em cerca de 20% dos casos, porém a
Depressão segue um curso crônico e sem remissão, ou seja, é
contínua, especialmente quando não há tratamento adequado
disponível.
A taxa de recorrência para aqueles que se recuperam do primeiro
episódio fica ao redor de 35%, dentro de 2 anos, e cerca de 60%
dentro de 12 anos. A taxa de recaídas é mais alta nas pessoas com mais de 45 anos de idade.
Um dos resultados particularmente trágicos desse distúrbio é o
suicídio. Cerca de 15 a 20% dos pacientes depressivos põem termo à
vida cometendo suicídio. O suicídio
continua sendo um dos resultados freqüentes e evitáveis da
depressão.
O Transtorno Afetivo Bipolar é
caracterizado por Episódios Depressivos
acompanhados de episódios de mania (euforia), quando então o humor
fica
expansivo, aumenta muito a atividade, autoconfiança é excessiva e
há
deterioração da concentração. Em
suma, a Depressão é um transtorno mental comum, capaz de gerar um
ônus de doença muito elevado e deverá mostrar uma tendência
ascendente nos próximos 20 anos.
O
Curso e a Evolução das doenças vêem à tona sempre que os
pacientes e familiares perguntam; "... e aí doutor: como
será minha doença, tem cura? posso voltar a apresentá-la?".
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Transtorno Depressivo Maior
Início: Cerca de 50% dos pacientes têm sintomas
depressivos significativos antes de ser diagnosticado como
portador de episódio depressivo.
Duração: Um Episódio Depressivo não tratado costuma durar de 6 a
13 meses. Quando tratado pode resolver-se em cerca de 3 meses. O número médio
de episódios depressivos ao longo de um período de 20 anos
é cinco ou seis.
Pacientes portadores de Transtorno Depressivo Recorrente, em torno de 5 a 10%
podem vir a desenvolver um episódio maníaco dentro de 6 a 10
anos . Isso em geral se dá aos 32 anos após o paciente já
ter tido 4 episódios depressivos.
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Na
questão da Depressão é importantíssimo saber qual o tipo de
transtorno e de pessoa em questão. Devemos estabelecer um
diagnóstico o mais preciso possível e saber se o problema é apenas
um Episódio Depressivo (único), se é recorrência, se é o 1o., 2o.
ou mais recaídas do quadro, saber se é crônico e vem se arrastando
há tempo, enfim, devemos saber como é a doença e quem é o doente
em questão.
Na
questão paciente, é importante saber desde o início, se a pessoa
ESTÁ ou É doente. Cada qual evoluirá diferentemente, portanto,
algumas circunstâncias devem ser valorizadas:
-
Como
era a personalidade pré-mórbida do paciente?
-
Há
antecedentes familiares de transtornos emocionais?
-
Que
intercorrências vivenciais podem ser associadas ao
desenvolvimento do quadro mórbido e da personalidade?
Como
era a personalidade do paciente antes da doença (pré-mórbida)?
Veja
Transtornos
de Personalidade.
O conceito de Personalidade Pré-Mórbida é indispensável para o
entendimento e avaliação do quadro atual. A pessoa portadora de
traços melancólicos, sensibilidade excessiva terá maior
probabilidade de desenvolver uma quadro depressivo mais crônico e
mais atrelado à personalidade, portanto, terá uma evolução mais desfavorável.
Por
outro lado, uma outra pessoa que apresenta um Episódio Depressivo
depois de um rompimento conjugal, mas não tem
antecedentes emocionais ou traços afetivos hipersensíveis de
personalidade, sem dúvida terá um curso mais benigno e mais breve.
Há
antecedentes familiares de transtornos emocionais?
Existem
vários quadros psicopatológicos com inegáveis componentes
hereditários e familiares. Na Depressão, assim como nas demais
patologias, a transmissão genética diz respeito à probabilidade e
não à certeza. Havendo antecedentes familiares de transtornos
depressivos, , embora não tenha certeza de que terá esses quadros, a
pessoa pode ter uma probabilidade maior de desenvolver um transtorno
do humor.
Quanto
maior o número de antecedentes familiares, maior será a
probabilidade do quadro atual ter forte componente constitucional,
logo, maior probabilidade de ser crônico e recidivante. Suicídios em
membros da família também devem ser investigados, tendo em vista a
maior probabilidade dessa atitude repetir-se em descendentes.
Que
vivências podem ser associadas ao desenvolvimento da Depressão?
Avaliar
a cronologia das vivências traumáticas, as circunstâncias em que
ocorreram e a proporcionalidade entre estas e o estado depressivo é
importantíssimo para estimar o curso do quadro atual. A ocorrência
de negligência ou abandono infantil, de precoce
institucionalização, orfandade e outras vivências em tenra idade,
tornam o quadro mais atrelado à personalidade que experiências
recentes.
A
Depressão que aparece como reação À alguma vivência traumática
terá, muito possivelmente, um prognóstico melhor do que as
depressões que surgem sem motivo aparente. Quanto mais significativo
for o fator vivencial que desencadeou o quadro, menos provável de ser
a doença atrelada à constituição. Grosseiramente exemplificando, a
pessoa que apresenta depressão, transtorno de ajustamento, episódio
depressivo agudo, etc, mediata ou imediatamente depois de perder sua
mãe, terá muito melhor prognóstico do que aquele que manifesta o
mesmo quadro sem uma vivência causadora.
Na
questão doença, a
CID.10
(Classificação Internacional de Doenças)
considera os Transtornos Depressivos da seguinte maneira:
Episódios
Depressivos
Um Episódio Depressivo geralmente se
desenvolve ao longo de dias ou semanas. Um período prodrômico
(sinais que antecedem o quadro)
pode existir meses antes do início de um Episódio Depressivo e inclui sintomas de ansiedade e depressivos
leves.
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Ao
lado, figura representando um Episódio Depressivo único e a
volta à completa normalidade depois de passado. |
A duração de um Episódio Depressivo
é muito variável. Um episódio não tratado dura tipicamente 6 meses ou
mais, não importando a idade da pessoa. Na maioria dos casos, seja
tratado ou não tratado, existe
a remissão completa dos sintomas, voltando a pessoa à um funcionamento
normal e sem seqüelas. É claro que os casos tratados melhoram de
uma a três semanas.
Em
não se tratando, uma porção significativa dos casos, em torno de 20 a
30%, continua apresentando alguns sintomas depressivos leves ou
moderados por meses ou até anos. A persistência de algum sintoma
depressivo depois de passado o Episódio Depressivo agudo sugere uma
forte possibilidade de episódios subseqüentes. É
relativamente grande o número de pessoas que tem Transtorno Distímico anterior
ao início de um Episódio Depressivo Grave e Único.
Transtorno
Depressivo Recorrente
Segundo
a Organização Mundial de Saúde (OMS),
o risco para desenvolver um Transtorno Depressivo Recorrente (ou Transtorno Depressivo
Maior, se a classificação for o DSM.IV) durante a vida tem variado de 10 a 25% para as mulheres e de 5
a 12% para os homens.
O Transtorno Depressivo Maior pode começar em qualquer idade,
situando-se a média em torno dos 25 anos. Dados
sugerem que a idade de início está baixando atualmente. O curso do Transtorno Depressivo
Maior ou Recorrente,
é variável. Alguns indivíduos têm episódios isolados separados
por muitos anos sem quaisquer sintomas depressivos, enquanto outros
têm agrupamentos de episódios e outros, ainda, têm episódios
progressivamente freqüentes à medida que envelhecem.
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Na
figura ao lado, esquema ilustrativo do Transtorno Depressivo
Recorrente, onde se sucedem Episódios Depressivos. No
exemplo, com volta à normalidade entre os episódios.
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Existem
algumas
evidências de que os períodos de remissão, ou seja, entre os
episódios, em geral duram mais
tempo no início do transtorno. O número de episódios
anteriores é que prediz a probabilidade de desenvolver um novo episódio
subseqüente.
Aproximadamente
50 a 60% das pessoas com Episódio Depressivo Grave e único terá um
segundo episódio. Mas, para ter um terceiro episódio essa
probabilidade aumenta muito, chegando à 70 a 80% e a 90% o risco de
ter um quarto episódio.
Alguns
pacientes que tiveram um Episódio
Depressivo Grave e único (cerca de
10%) desenvolvem, subseqüentemente, Recorrente (ou Maior) é 1,5 a 3 vezes mais comum
em
parentes de pessoas com este transtorno
do que na população geral. Também existem evidências de haver uma incidência maior de Transtorno de Déficit
de Atenção e Hiperatividade nos filhos de adultos com este transtorno.
É
relativamente grande o número de pessoas que tem Transtorno Distímico anterior
ao início de um Transtorno Depressivo Recorrente. As evidências sugerem que esses
portadores de Transtorno Distímico têm maior
propensão a desenvolver Episódios Depressivos adicionais, têm recuperação
pior entre os episódios e podem necessitar de tratamento por um
período maior e continuado.
Aproximadamente
40% dos pacientes que tiveram Episódio Depressivo evoluem para o
Transtorno Depressivo Maior (ou Recorrente) e a gravidade do Episódio Depressivo Maior inicial parece
predizer a evolução desfavorável para Transtorno Depressivo Maior.
É
comum que os episódios de Transtorno Depressivo Recorrente se
manifestem depois de um estressor psicossocial severo, como por
exemplo a morte de um ente querido, demissão ou separação
conjugal.
É difícil prever se o primeiro episódio de um Transtorno
Depressivo Recorrente evoluirá para um Transtorno Afetivo
Bipolar mas, alguns autores sugerem que o início agudo de uma depressão
severa, especialmente se tiver como sintomas alguns aspectos psicóticos,
notadamente se for em uma pessoa jovem, estará mais
propenso a evoluir para um Transtorno Afetivo Bipolar. Uma história familiar de
Transtorno Bipolar também pode sugerir o desenvolvimento subseqüente
de um Transtorno Bipolar.
Distimia
O Transtorno Distímico tem, freqüentemente, um curso precoce e
lento, isto é, começa na infância, adolescência ou início da idade
adulta, além de ser crônico. Nos contextos clínicos, os indivíduos
com Transtorno Distímico em geral têm um Transtorno Depressivo Maior
sobreposto, que freqüentemente é a razão para a busca de tratamento
médico.
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Na
figura ao lado, exemplo do Transtorno Distímico, onde não
existem Episódios Depressivos mas há um rebaixamento do
humor por longo período. |
Se o Transtorno Distímico precede o início do Transtorno
Depressivo Recorrente ou Maior, há uma menor probabilidade de ocorrer uma
recuperação completa e espontânea entre os Episódios Depressivos e uma maior probabilidade de episódios futuros mais
freqüentes.
A
evolução da Distimia é crônica, provavelmente para a vida toda,
e pode mesmo fazer parte de um traço melancólico da personalidade.
Aliás, o próprio conceito de Distimia engloba tanto a idéia
anterior da Neurose Depressiva quanto de um Transtorno Melancólico
da Personalidade.
O Transtorno Distímico também é mais comum entre os parentes biológicos em
primeiro grau de pessoas com Transtorno Depressivo Recorrente ou Maior, do que na
população geral.
Transtorno
Afetivo Bipolar
O Transtorno
Afetivo Bipolar é também um transtorno recorrente e, infelizmente, mais de 90%
das pessoas que têm um Episódio Maníaco Único terão outros
episódios futuros. Aproximadamente 60 a 70% dos Episódios Maníacos
freqüentemente precedem ou se seguem a Episódios Depressivos Maiores.
O número de
episódios durante a vida, sejam Depressivos ou Maníacos, tende a
ser mais numerosos que os episódios do Transtorno
Depressivo Recorrente. Alguns trabalhos calculam uma média de
quatro episódios durante 10 anos.
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O
A figura ao lado representa o Transtorno Afetivo Bipolar,
onde Episódios Depressivos coexistem com Episódio ou
Episódios Eufóricos. Entre os episódios a grande maioria
volta ao normal. O intervalo entre os episódios
tende a diminuir com a idade. |
Existem algumas evidências de que
alterações no ciclo de sono/vigília, tais como as que ocorrem
durante as mudanças de fuso horário ou privação do sono, podem
precipitar ou exacerbar um Episódio Maníaco.
Aproximadamente 5 a 15% das pessoas com Transtorno Bipolar têm
múltiplos episódios de alteração do humor, seja Episódio Depressivo
ou Maníaco durante um ano.
Embora a maioria das pessoas com Transtorno Bipolar retorne a um
funcionamento plenamente normal entre os episódios, infelizmente alguns
(de 20 a 30%)
continuam apresentando instabilidade do humor e dificuldades
interpessoais ou ocupacionais mesmo fora das crises.
Sintomas psicóticos podem
desenvolver-se dentro de dias ou semanas quando o episódio é grave
e, quando ocorrem esses aspectos psicóticos, os episódios subseqüentes tendem mais a
ser mais graves. A
recuperação incompleta entre os episódios é mais comum quando o
episódio atual é acompanhado por sintomas psicóticos.
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