Abstinência é a abstenção do uso de droga ou, mais comumente, de bebidas alcoólicas. O indivíduo que pratica a abstinência é chamado de abstêmio, aquele que não bebe ou não usa drogas. Deve-se, no entanto, diferenciar abstêmio (que não bebe ou não usa drogas) de abstinente, que é a pessoa que não está, ATUALMENTE, bebendo ou que não está, ATUALMENTE, usando drogas.
A expressão "atualmente abstinente", freqüentemente usada em levantamentos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.
O termo "abstinência" não deve ser confundido com "síndrome de abstinëncia".Por Hipobulia e Abulia entende-se, respectivamente, a diminuição e a total incapacidade do potencial volitivo. Esse enfraquecimento da vontade pode ocorrer, fugazmente em indivíduos normais, em estados de fadiga ou em conseqüência de trauma emocional intenso. Nessa situação há lentidão concomitante das ações e dos movimentos (bradibulia e bradicinesia).
A debilidade da vontade é observada em todos os estados de depressão e de inibição. A Hipobulia pode ser permanente nas esquizofrenias e em oligofrênicos apáticos. O tipo mais característico de debilidade volitiva é encontrado na depressão, na qual a vontade está inibida em todo o período de duração do acesso. Em estados depressivos a Hipobulia é duradoura, onde surge junto com a baixa volição as típicas dificuldade de decisão.Veja Hipobulia e Abulia em Alterações da Atividade Voluntária
No DSM.IV e na CID.10, fala-se em Abuso de Substância, de modo genérico, especificando-se daí, qual a substância abusada. A característica essencial do Abuso de Substância é um padrão mal-adaptativo de uso de substância, manifestado por conseqüências significativamente danosas e recorrentes relacionadas ao uso repetido da substância.
Em decorrência do abuso da substância pode haver um fracasso repetido em cumprir obrigações importantes, pode haver uso repetido em situações nas quais isto apresenta perigo físico, múltiplos problemas legais e problemas sociais e interpessoais recorrentes. Esses problemas devem acontecer de maneira recorrente (com recaídas), durante um período de 12 meses.
À diferença entre Dependência de Substância e Abuso de Substância, diz respeito à tolerância (aumento na quantidade consumida), abstinência (crise por falta da substÂncia) ou um padrão de uso compulsivo, quando há dependência.
Embora um diagnóstico de Abuso de Substância seja mais provável em indivíduos que começaram recentemente a consumi-la, alguns indivíduos continuam por um longo período de tempo sofrendo as conseqüências sociais adversas relacionadas à substância, sem desenvolverem evidências de Dependência de Substância. A categoria Abuso de Substância não se aplica à nicotina e à cafeína.
O indivíduo pode repetidamente apresentar intoxicação ou outros sintomas relacionados à substância, quando deveria cumprir obrigações importantes relativas a seu papel no trabalho, na escola ou em casa. Pode haver repetidas ausências ou fraco desempenho no trabalho, relacionados a "ressacas" recorrentes. Um estudante pode ter ausências, suspensões ou expulsões da escola relacionadas à substância. Enquanto intoxicado, o indivíduo pode negligenciar os filhos ou os afazeres domésticos. A pessoa pode apresentar-se repetidamente intoxicada em situações nas quais isto representa perigo físico (por ex., ao dirigir um automóvel, operar máquinas ou em comportamentos recreativos arriscados, tais como nadar ou praticar montanhismo).
Podem ser observados problemas legais recorrentes relacionados à substância (por ex., detenções por conduta desordeira, agressão e espancamento, direção sob influência da substância). O indivíduo pode continuar utilizando a substância, apesar de uma história de conseqüências sociais ou interpessoais indesejáveis, persistentes ou recorrentes (por ex., conflito com o cônjuge ou divórcio, lutas corporais ou verbais).
ABUSO DE SUBSTÃNCIAS QUE NÂO PRODUZEM DEPENDÉNCIA (F55)
Definido na CID-10 como o uso repetido e inadequado de uma substância isenta de potencial de dependência, que se acompanha de efeitos físicos ou psicológicos nocivos ou envolve um contato desnecessário com profissionais da saúde (ou ambos). Esta categoria poderia ser mais apropriadamente chamada de "abuso de substâncias não psicoativas" (Cotttpare com U50 INDEVIDO DE ALCOOL OU DRoGA). Na CID-10, este diagnóstico está incluído na secção "Síndromes comportamentais associadas a perturbações fisiológicas e fatores físicos" (FSO-F59).
Uma ampla variedade de medicamentos à venda sob prescrição médica ou de venda livre e de remédios populares e fitoterápicos pode estar envolvida. Os grupos particularmente importantes são:
a) drogas psicotrópicas que não produzem dependência, tais como os atttidepressivos e tteurolépticos;
b) laxativos (o uso inadequado dos mesmos é chamado de "hábito laxativo");
c) attalgésicos que podem ser compra ' sem prescrição médica, tais como aspirina (ácido acefilsalicílico) e paracetamol (acetaminofeno);
d) esteráides e outros hormônios3; e) vitaminas; e
f) antiácidos.
Embora estas substâncias não produzam, tipicamente, efeitos psíquicos agradáveis, as tentativas de desencorajar ou proibir o seu uso freqüentemente encontram resistëncia. A despeito da forte motivação do paciente para tomar a substãncia, não há o desenvolvimento de síndrome de dependêncin nem de síndrome de aóstínência. Estas substâncias nâo têm potencial de dependência no sentido de efeitos farmacológicos intrínsecos, mas sâo capazes de induzir dependência psicológica.
Abuso sexual infantil: O abuso sexual é caracterizado pela investida sexual apesar do não consentimento da criança na relação com o adulto. Este tipo de abuso não necessita, obrigatoriamente, do coito mas pode ocorrer através da coerção ou com jogos de sedução afetiva perpetrados pelos adultos. As formas mais comuns de agressão sexual contra crianças relatadas por especialistas que trabalham com a psicoterapia nos casos de abuso são: as "carícias", o contato com a genitália, a masturbação e a relação sexual vaginal, anal ou oral.
Abuso sexual intrafamiliar: Utiliza-se esta expressão para caracterizar o abuso sexual infantil que ocorre dentro do sistema familiar da criança. O agressor pode ser o pai, um irmão, um primo, ou seja: pessoas com relação de consangüinidade com a criança. Mas também é agressor intrafamiliar um padrasto, um novo namorado da mãe da criança (que a criança conheça), um amigo muito íntimo da família, enfim: todos aqueles que mesmo sem nenhum grau de parentesco têm um certo convívio com a criança a ponto de travar com ela laços afetivos. O abuso sexual intrafamiliar também pode ser chamado de relação de incesto.
Veja Parafilias | Desejo Sexual | Transtornos da Sexualidade
Acatisia é uma condição psicomotora onde o paciente sente uma grande dificuldade em permanecer parado, sentado ou imóvel.
A Acatisia como efeito colateral dos neurolépticos, notadamente os incisivos (haloperidol, flufenazina e trifuoperidol) ocorre geralmente após o terceiro dia de uso da medicação. Clinicamente é caracterizado por inquietação psicomotora, desejo incontrolável de movimentar-se e sensação interna de tensão. O paciente assume uma postura típica de levantar-se a cada instante, andar de um lado para outro e, quando compelido a permanecer sentado, não para de mexer suas pernas. Há um movimento constante e continuado de mexer as pernas como se o paciente estivesse marchando sem sair do lugar.
A Acatisia não responde bem aos anticolinérgicos ou ansiolíticos e o clínico é obrigado a decidir entre a manutenção do tratamento com o antipsicótico com aquelas doses e o desconforto da sintomatologia da Acatisia. Com freqüência é necessário a diminuição da dose ou mudança para outro tipo de antipsicótico. Quando isso acontece normalmente pode-se recorrer aos Antipsicóticos Atípicos.Veja Acatisia entre os efeitos colaterais dos antipsicóticos
É também conhecido como Derrame ou simplesmente AVC. É uma importante causa de morte na velhice e também uma importante fonte de seqüelas. Pode ocorrer em qualquer idade, mas é muito mais freqüente em pessoas com mais de 65 anos. Em 80% dos casos são isquêmicos, isto é, são devidos a súbita falta de sangue em determinada região do cérebro, sem hemorragia.
Na isquemia cerebral ou acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) a causa básica é a arteriosclerose. O processo de arteriosclerose se caracteriza pelo estreitamento das artérias e a formação de placas nas mesmas (ateromas). Esta situação favorece o processo de falta de irrigação de sangue ao cérebro. Esta falta de irrigação pode ocorrer pelo entupimento brusco de uma artéria por um pedaço da placa que se desprendeu de um local mais distante (embolia) ou simplesmente pelo estreitamento da própria artéria (trombose). Há situações em que a falta de irrigação sangüínea ao cérebro se deve a queda brusca da pressão arterial (hipotensão) o que é agravada pelo estreitamento das artérias. Na pessoa portadora de doença cardíaca, como na fibrilação atrial por ex, há condições que também favorecem o deslocamento de placas ou êmbolos para o cérebro.
O AVCI se caracteriza por paralisia de membros de um lado do corpo (hemiplegia), podendo ocorrer distúrbios na fala e na compreensão (distúrbios da linguagem: ver Afasia). Dependendo do local lesado no cérebro pode haver vários tipos de manifestações, como dificuldade na deglutição, paralisias de músculos da face, dificuldade na movimentação dos olhos, etc. Pode também ocorrer convulsões. Lesões extensas ou em determinadas localizações pode desenvolver o estado de inconsciência.
Há situações em que a falta de sangue ao cérebro é transitória, durando poucos minutos e levando a sintomas também transitórios, como dificuldade de fala e paralisias, que regridem totalmente em poucas horas. Esta situação caracteriza o AVCI Transitório que é um tipo comum de acidente vascular cerebral isquêmico aonde não chega a ocorrer uma lesão definitiva da célula nervosa. Este tipo de acidente transitório, entretanto, pode se tornar definitivo com lesão cerebral.
Nos casos em que há hemorragia, acidente vascular cerebral hemorrágico (AVCH), a principal causa é a hipertensão arterial, que leva ao rompimento de pequenas artérias. Certas malformações de artérias como os aneurismas, situações em que há diminuição da coagulação como na leucemia, em certos tipos de tumores cerebrais ou durante o uso de drogas anticoagulantes pode também ocorrer a hemorragia cerebral.
O AVCH em geral é mais grave que o AVCI, ocorrendo com freqüência diminuição do nível da consciência e até o coma. Dependendo do local lesado podem ocorrer paralisias, distúrbios da fala, da visão, da deglutição, da memória, da marcha, etc. Como no AVCI também pode ocorrer crise convulsiva. O AVCH eventualmente pode determinar a formação de um coágulo ou hematoma dentro do cérebro que pode se confundir com um tumor cerebral.
A tomografia cerebral e/ou a ressonância nuclear magnética são os principais exames para o diagnóstico, localização e extensão da lesão. O exame do líquor deve ser feito em algumas ocasiões especiais, como para se excluir a possibilidade de processo infeccioso do sistema nervoso (encefalite). É freqüente a tomografia cerebral se apresentar normal logo no inicio da doença, principalmente no AVCI, mostrando-se alterada somente horas ou dias após o inicio dos sintomas.
A prevenção do AVC é a principal arma contra a doença. A identificação dos fatores de risco para as doenças vasculares e o seu controle diminuíram muito o numero de casos de derrame cerebral. O controle das doenças cardiovasculares, da hipertensão arterial, e de distúrbios metabólicos como o diabetes, são fundamentais na profilaxia da doença. O tabagismo é um importante fator de risco que também deve ser eliminado. A atividade física regular sempre deve ser estimulada.
Não se conhece medicamento eficiente para o tratamento da fase aguda do acidente vascular cerebral. Recentemente foram desenvolvidos estudos com medicamentos vasodilatadores cerebrais
(bloqueadores de cálcio) que apresentam algum beneficio na fase aguda da doença, principalmente no AVCH. A principal droga, utilizada como preventiva do AVCI, é a aspirina. A sua principal indicação ocorre naquelas situações que caracterizam o AVCI Transitório.
Medicamentos denominados vasodilatadores cerebrais são substâncias que provocam uma melhora no fluxo de sangue levando benefícios aos órgãos irrigados. Teoricamente melhorariam o fluxo sangüíneo para o cérebro provocando uma melhoria na função cerebral. Mas na prática não é o que se observa. Não se conhece substância até o momento capaz de reverter o processo isquêmico que ocorre no AVCI, ou de melhorar o rendimento intelectual, ou a memória, ou mesmo reverter um processo de demência.
A identificação de placas de ateromas é importante na avaliação de riscos de AVC. O ateroma em geral ocorre nas artérias carótidas ao nível de suas origens (pescoço) e também nas artérias vertebrais. O exame clínico pode indicar um estreitamento arterial devido a uma placa de ateroma através da ausculta de um sopro ao nível do pescoço. A avaliação precisa da lesão é feita através da Angiografia, podendo também ser utilizada a Ultra-sonografia (Eco-Doppler) que tem menor precisão mas é menos agressiva. Em algumas situações muito especiais, como aquela em que há estreitamento importante (superior a 50% da luz da artéria) e o paciente apresentou manifestação neurológica transitória, está indicada o tratamento cirúrgico da artéria para a retirada da placa: endarterectomia. Nas obstruções arteriais sem sintomas a indicação cirúrgica é discutível.
No AVCH com presença de coágulo ou hematoma dentro do tecido cerebral e que se comporta como um tumor, está indicado o tratamento cirúrgico para sua remoção.
A ponte cerebral, isto é, o enxerto de veia com o intuito de revascularizar o cérebro que apresenta insuficiência circulatória ( técnica semelhante à revascularização do coração ou ponte de safena) não teve o sucesso esperado e atualmente não está sendo mais realizada.
Refere-se a dois compostos: acido nicotínico e nicotinamida. É um tipo de vitamina B que não possui grande capacidade de se armazenar no organismo, daí sua deficiência isolada ser mais fácil de ocorrer. Tem função no processo respiratório das células. Ocorre em inúmeros alimentos, principalmente carne, leite e ovos. Dieta à base de milho favorece a deficiência de niacina, mas o alcoolismo é a sua principal causa. Sua deficiência gera a pelagra, doença caracterizada por manifestações cutâneas (manchas escuras em áreas expostas à luz), diarréia, emagrecimento e irritabilidade. Ocorre lesões nos cantos da boca e na língua. Nas formas graves ocorre quadro de demência, podendo surgir crises convulsivas e alucinações. A maiorias dos produtos vitamínicos comerciais só contem a nicotinamida. Em doses elevadas contribui no tratamento do aumento de gorduras no sangue (triglicerídeos e colesterol). Durante algum tempo a niacina foi tentada no tratamento de certos distúrbios psiquiátricos, como a esquizofrenia, mas sem resultados positivos. Altas doses da niacina podem provocar vasodilatação e dores abdominais.
Aculturação é o processo de mudança de cultura e se efeitos, qver em um indivíduo quer em grupo, como resultado de contato contínuo entre membros de grupos culturalmente distintos. Crupos em contato um com o outro freqüentemente compartilham aspectos de sua cultura com a de outros, mas o menor ou o mais fraco destes grupos adota mais aspectos da cultura dominante do que a cultura dominante dos grupos mais fracos e menores.
A afasia é um distúrbio da linguagem que ocorre com freqüência nas doenças vasculares cerebrais, principalmente no acidente vascular do tipo o isquêmico (AVCI). A linguagem é a forma de expressão das pessoas e se dá através da fala, da escrita e dos gestos. O cérebro possui um dicionário que é formado durante a vida e que por meio de complexos mecanismos traduz as palavras em todas as formas de expressão. A compreensão faz parte evidentemente, deste processo. A linguagem é processada no hemisfério cerebral esquerdo das pessoas destras em determinados locais bem conhecidos pelos neurofisiologistas.Distúrbios ocorridos nestas regiões produzem a afasia ou a disfasia que se caracteriza pela dificuldade em falar. Dependendo do local afetado a fala pode permanecer conservada mas se torna absolutamente incoerente e sem sentido. Outras vezes ocorre completa falta de compreensão estando a fala preservada, fluente, mas desconexa. Tais distúrbios ocorrem principalmente nos acidentes vasculares cerebrais podendo ser transitórios.
Tumores cerebrais também podem produzir afasia. Pode ocorrer também situação em que há prejuízo de ambas, da fala e da compreensão. Freqüentemente há também prejuízo da linguagem escrita. Algumas vezes ocorre uma dificuldade ou incapacidade de executar movimentos anteriormente aprendidos (como o gesto de se bater continência ou de fazer "o nome do padre") apesar de não haver qualquer paralisia. Este distúrbio denomina-se apraxia. Cada tipo de distúrbio significa uma determinada localização da lesão cerebral. A afasia raramente está isolada sendo freqüentemente acompanhada de outros sintomas neurológicos como paralisias ou alterações visuais.
O distúrbio pode ser transitório, que ocorre no acidente vascular cerebral transitório, durando horas ou dias, e que regride espontaneamente. Outras vezes é definitivo, necessitando de cuidados especiais (exercícios foniátricos). A correção destes distúrbios é feito através de exercícios especializados sob orientação de profissional especializado.
Afasia de Broca é uma Afasia na qual o paciente, embora sabendo o que deseja falar ou expressar, vê-se impossibilitado de fazê-lo devido à lesão dos centros neurológicos necessários à coordenação dos movimentos responsáveis pela emissão daqueles sons adequados para esta cominicação.Veja: Alterações da Linguagem (Afasia)