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1 -
CRIMES SERIAIS
1.a - Assassinos Seriais
Assassinos
Sexuais Seriais
1.b - Delito
Sexual e Parafilia
1.c - Assassinos Sádicos
2 - CRIMES ESOTÉRICOS E SATÂNICOS
2.a - Personalidade Múltipla e Crimes Esotéricos
2.b - Rock e Crimes Esotéricos
2.c - Seitas, Crenças e Crimes Esotéricos
3 - CRIMES VAMPÍRICOS E LICANTROPIA
3.a - Quem e como é o Lobisomem
Veja
também: Transe
e Possessão
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ASSASSINOS
ESOTÉRICOS E SATÂNICOS
Seitas,
Crenças e Crimes Esotéricos
Grupos esotéricos
costumam ser autoritários em sua estrutura de poder. O líder tem
autoridade suprema, podendo delegar certos poderes à uns poucos
subordinados com o propósito de que os membros se submetam aos desejos
e ordens do líder.
Os líderes sectários tendem a ser carismáticos,
decididos e dominantes. Eles são muito persuasivos e, inclusive, podem
convencer seus seguidores a abandonar suas famílias, trabalhos e
amizades para seguí-los.
Normalmente os líderes
são autoproclamados messias e presumem ter uma missão especial na
vida. Eles centram a veneração de seus adeptos para si mesmos, ao
contrário dos sacerdotes, rabinos, ministros, líderes democráticos e
de movimentos realmente altruístas, os quais dirigem a veneração de
seus seguidores para Deus, para princípios abstratos ou para o bem
comum.
A seitas esotéricas tendem a ser totalitárias no
controle do comportamento de seus membros, determinando com detalhes
como e em que devem acreditar, pensar e dizer.
No Chile, depois de uma
série de denúncias de seitas perigosas uma comissão especial da
Câmara dos Deputados foi encarregada de investigar o assunto.
Considerou que as organizações têm um "perfil destrutivo",
quando se caracterizam por: Fanatismo, obediência incondicional, grupo
exclusivo e fechado, líder messiânico revelado (veja).
Com essas características os fiéis rompem com o mundo,
especificamente com suas famílias, seus amigos e com o entorno
educacional. Eles são condicionados por meio de métodos de violação
da dignidade humana e, geralmente, são exigidas condutas indignas, tais
como sexualidade pervertida, trabalho escravo, sono diminuído e
desprezo pela família e pelos seus valores.
A sexualidade pode ser muito manipulada, particularmente
das mulheres, que chegam a exercer uma espécie de "prostituição
santa" para que a seita ou o líder consiga mais facilmente seus
objetivos.
Ainda na área da conduta, seus membros costumam ser
estimulados a agredir e profanar outras igrejas tradicionais e lugares
significantes para o cristianismo. Costumam haver profanações de
cemitérios, de sepulturas, práticas de necrofilia e de necrofagia e,
mais grave ainda, suicídios individuais e coletivos.
Temos visto certas manifestações psiquiátricas serem
tomadas por possessões demoníacas ou fenômenos espirituais e, não obstante, o
inverso também ocorre, ou
seja, fenômenos religiosos e culturais serem tomados por doenças
mentais.
Algumas alterações psíquicas podem ser responsáveis
por várias formas de visões, alucinações, vozes e crises de
dissociação histérica e outras, são confundidas com manifestações
religiosas, dependendo do contexto cultural onde se inserem esses
pacientes. Aliás, dependendo do meio cultural, tais alterações
psíquicas acabam sendo muito bem-vindas e até engrandecem seus
portadores.
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Heitor Antonio da Silva
é Teólogo Psicanalista, Mestre em Psiquiatria e escreve páginas muito
explicativas. Veja um trecho:
"Todas
estas patologias são ricas em aspectos que podem ser confundidos com
fatores espirituais, que aqui e ali são objeto de exorcismo ou
"libertação", como dizem. É bom lembrar também dos casos de
epilepsia, nos quadros principais, conhecidos como Grande Mal, Pequeno
Mal e Jaksoniana, onde temos, respectivamente, a convulsão, a ausência
e a convulsão focal, que também atribuem a possessão demoníaca. Devo
frisar, também, que boa parte dos líderes religiosos que estimulam
estas práticas estão bem intencionados. Mas isto não os isenta, visto
que "Deus não leva em conta os tempos da ignorância". Pelo
fato de ignorarem a verdade não estão isentos da culpa. Outros há que
sabem muito bem o que está ocorrendo, mas se aproveitam da situação
para tirar benefícios, levar vantagem, especialmente econômica – são
os piores. Alguns acham que a coisa é cumulativa, que o espiritual
provoca o mental e, tendo promovido a "libertação", a cura se
dará – menos mal. Mas a verdade é que todos estão errados. Todos
ignoram o vasto mundo das mais pertinazes enfermidades, e, quando dão
tratamento diferente do medicamentoso, da aplicação dos psicofármacos
que necessitam, estão cooperando para o agravamento do quadro, para que
o mal se torne crônico, irreversível ou refratário, com prejuízos
terríveis para essas pessoas, como é o caso da evolução de qualquer
tipo de esquizofrenia não tratada para a forma residual (F20.5), que
provoca demenciamento que poderia ter sido evitado, etc. Veja
tudo
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As principais patologias responsáveis por esses e outros sintomas
tomados como espirituais seriam:
Casos de Delírium;
Alucinose orgânica
e outras
Transtornos devido ao uso de substâncias psicoativas;
Esquizofrenia e
outras Psicoses;
Transtornos do humor
Transtornos
Dissociativos
Transtorno de
Transe e Possessão
Como bem referem alguns autores, o problema médico que
decorre desse engano psiquiátrico-espiritual está no fato desses
pacientes terem seu tratamento protelado perigosamente. Alguns meios
culturais mais acanhados orientam esses pacientes a "desenvolverem
sua mediunidade" e, de fato, acabam desenvolvendo mais ainda a
patologia de que padecem. Dependendo da doença psíquica as práticas
espirituais podem piorá-la gravemente. De acordo com Hélio Silva,
"não me parece que uma mente transtornada venha melhorar com a
entrada de algo com personalidade diferente da pessoa que é
incorporada, quantas vezes provocando um grau tal de corrupção e
domínio que chega às raias do bizarro, do apavorante, etc.".
No caso dos fenômenos culturais e espirituais serem
tomados por doenças mentais o que está em jogo é a exaltação da
convicção religiosa, compartilhada por um grupo e desencadeadora de
transes com visível contaminação aos participantes do grupo.
Externamos aqui uma opinião médica, emancipada totalmente da
possibilidade dos fenômenos espirituais existirem ou não, lembrando
sempre aos leitores que o enfoque médico é apenas uma maneira, dentre
muitas, de avaliar a pessoa humana, podendo esta ser analisada pela
antropologia, pela estética, pela religião e assim por diante.
Há, mesmo na medicina, pessoas qualificadas para
analisar a questão do transe e possessão à luz da espiritualidade. É
o caso, por exemplo, de Hélio
Silva. Outros, menos sensibilizados pela espiritualidade, estudam as
alterações psicodinâmicas da mediunidade (veja Wellington Zangari).
A questão estará eternamente aberta.
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Caso
Ricky Kasso era um
jovem de 17 anos de idade que residia em Northport, Long Islande.
Apelidaram-no de "Rei do Ácido", devido à sua afeição às
drogas alucinógenas.
Em 1984, a polícia de
Northport recebe uma chamada telefônica declarando que havia sido
achado um corpo semi-enterrado num pequeno bosque de Aztakea. Um grupo
de agentes se dirigiu ao lugar com a intenção de comprovar a
veracidade da chamada, e efetivamente, nos bosques se encontrou o corpo
de Gary Lauwers.
Por o elevado grau de
decomposição do cadáver se estimou que devia levar ali mais de duas
semanas. O homem havia sido apunhalado 32 vezes, das quais umas 22 na
face. Devido ao mal estado do corpo, os agentes não poderiam assegurar
o número exato de feridas, podendo ter sido um total de cortes maior ao
precisado.
A polícia enfocou sua
investigação sobre dos jovens bastante conhecidos no mundo policial
como consumidores de drogas habituais e por cometer atos de vandalismo
próprios de adolescentes. Se tratava de Ricky Kasso e seu amigo James
Troiano. Os dois haviam deixado a escola secundária e se dedicavam a
andar à toa pelas ruas.
Eram dos personagens
curiosos, Troiano tinha o recorde de detenções por roubo, enquanto
Kasso reunia detenções por casos mais estranhos, sendo a última por
ter profanado uma tumba do século 19, tendo roubado um crânio e uma mão.
Segundo suas declarações, pensava utilizar o material roubado num rito
satânico.
Pouco depois foram
postos sob custodia, e num interrogatório quase de rotina, ambos
confessaram aos agentes terem cometido aquele assassinato. Diziam que
tinham se unido a um grupo satânico local, conhecido como "Os
Cavaleiros do Círculo Negro", o qual tinha ao redor de vinte
membros e era conhecido por seus sacrifícios animais a satã.
Atribuíram ao crime
parte de um rito satânico, no qual haviam extraído os olhos da vítima.
Kasso declarou que estava no bosque com Lauwers e dois amigos, Quinones
e Troiano. Disse que começou a sentir-se extremamente agressivo, então
começou a golpear a Lauwers até perder o controle. Logo reconheceu
haver sacado uma faca e apunhalado gritando "Diga que ama a
satanás". Como o agredido contestava dizendo que "Não,
eu só amo a minha mãe", matou-o.
Quando viu o que havia
feito sentiu medo mas, nesse momento, disse ter escutado o canto de um
corvo que, em sua mente, identificou como um sinal de satanás dizendo
que o crime havia sido em sua homenagem, sendo um fato positivo para
ele.
Por outro lado, quando
James Troiano foi interpelado em juízo por assassinato em segundo grau,
declarou que nem o grupo de satanistas "Os Cavaleiros do Círculo
Negro", nem o satanismo em geral haviam tido nada a ver com o
crime.
Ele afirma ter sido
apenas uma testemunha do assassinato, junto com Alberto Quinones. E,
mesmo o satanismo não estando envolvido com o assassinato, admitiu que
Kasso tinha um estilo de heavy metal muito duro e bastante
relacionado com o satanismo, mas que as drogas haviam sido o fator
principal do crime. O ato que motivou o assassinato, de fato, foi que
Lauwers tinha roubado dez papelotes de droga de Kasso.
Para finalizar, em 7
de julho de 1984, Richarde Kasso se suicida na prisão de Riverheade, em
Nova Iorque. Anos mais tarde, em 1992, baseado na história de Ricky
Kasso, saia o filme My Sweet Satam (Meu doce satanás), escrita,
dirigida e interpretada por Jim vam Bebber. (veja
este
caso)
Encarnación Guardia
Moreno, de 36 anos, decidiu submeter-se a um ritual exorcista
acreditando que um demônio possuía seu corpo em fevereiro de 1990.
Esse diagnóstico havia sido dado por uma sua tia, com dons de
mediunidade.
Apesar de Encarnación
não acreditar inicialmente nesse diagnóstico, a idéia foi
pouco a pouco tomando ares de verdade, até o ponto de, de fato, ela
"sentir algo estranho no interior".
Duas primas de Encarnación, assíduas freqüentadoras de sessões espíritas, não
tiveram dificuldade em convencê-la de procurar um exorcista para
livra-la do demônio. Encarnación foi para a casa das primas e o
exorcista, um curandeiro conhecido como Mariano Valejo "O
Pasteleiro", foi chamado.
A as quatro horas da
tarde do dia seguinte do exorcismo, ao ver que Encarnación não
regressava, preocupada, uma de suas irmãs vai a casa de suas primas
buscá-la. Mas, uma vez ali, não a deixam entrar dizendo que "não
deveria interromper a sessão".
Mais tarde, com o pai
de Encarnación conseguem entrar na casa. Para surpresa, encontram o
corpo de Encarnación nu e amarrado no chão em meio a uma poça de
sangue... Rapidamente, o corpo ferido é levado a um hospital internado
na UTI, falecendo no dia seguinte em conseqüência
de um edema cerebral, e este, conseqüência da ingestão de uma
grande quantidade de sódio (sal).
O fato é
imediatamente denunciado à polícia, que detém como presuntos culpados
de homicídio Mariano Valejo, o curandeiro, Enriqueta e Isabel Guardia
Alonso, primas da falecida, ainda que investigações posteriores
acabassem implicando mais pessoas acusadas de cumplicidade.
Enriqueta disse em seu
depoimento, que antes de sua morte, Encarnación repetia constantemente
estar possuída, outras vezes dizia ser a esposa de Lúcifer e iria
parir um demônio. Esta atitude da vítima, segundo os informes médicos
que avaliaram o caso, era produto de uma depressão nervosa grave e fora
interpretado como possessão demoníaca. Diante disso, Encarnación começou
a ser submetida a numerosas torturas, cada uma mais brutal que a outra,
com a finalidade de impedir que nascesse tal demônio. O macabro
exorcismo se desenvolveu em três etapas:
Inicialmente,
Encarnación foi obrigada a ingerir uma porção composta por 250 gr. de
sal diluído em água, bicarbonato e aceite. Depois, o exorcista
aplicou-lhe uma brutal surra, machucando todo seu corpo, inclusive
jogando-a várias vezes contra a parede. Para concluir a cerimônia,
acompanhado por familiares da vítima, procedeu à expulsão
propriamente dita do demônio... destroçando o peito da "possuída"
com uma barra de ferro e, em seguida, desgarrando com suas mãos a
vagina para "desprender do interior de seu corpo o feto de satanás".
No julgamento, Valejo
admitiu haver realizado as práticas exorcistas a pedido dos familiares
da vítima. Enriqueta e Isabel foram acusadas de terem convencido a vítima
de comparecer ao ritual, além de estarem presentes e de terem preparado
a porção de sódio. Josefa Fajardo, outra implicada, reconheceu ter
sido a encarregada de introduzir a mão pelo ânus da vítima e de
ferir-lhe a vagina com uma agulha esquentada no fogo, afirmando que
todos haviam contribuído de uma forma ou outra para a expulsão.
(relato
do caso)
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Segundo Wellington Zangari, falando da relação entre
mediunidade e dissociação, "...Há uma tendência, antiga e
atual, em interpretar o fenômeno da mediunidade como um estado
dissociativo. O conceito de dissociação tem sido construído
diferentemente de acordo com a cultura do pesquisador. O conceito de
desagregação, proposto por Pierre Janet, por exemplo, refere-se os
fenômenos por meio dos quais duas ou mais idéias ou estados de
consciência tornam-se separados e operam com aparente independência,
tal como ocorre com a hipnose, os estados de fuga e a mediunidade.
Krippner propõe que a "dissociação envolve a ocorrência de
experiências e comportamentos que se supõe existirem afastados, ou
terem sido desconectados, da consciência, do repertório comportamental
e/ou do auto-conceito. ‘Dissociação’ é o processo pelo qual essa
desconexão ocorre". Hilgard (1992) e Braun (1988) apontaram que a
dissociação pode ocorrer em variados níveis, além de não estar
limitada a fenômenos disfuncionais. Haveria um continuun entre a
dissociação patológica e a dissociação não patológica (veja
tudo)."
A chamada "Dissociação Não-Patológica"
estaria, assim, condicionada aos estímulos culturais para que a pessoa
a desenvolva, até como uma adequação as solicitações de adaptação
ao sistema. Dessa forma, já que a adaptação está relacionada à
saúde emocional, tais pessoas "adaptadas" seriam
perfeitamente normais, apesar de se apresentarem em transe.
Nesses casos, apesar da mediunidade dar-se através da,
digamos, potencialidade dissociativa (histriônica) do médium, ela
obedece sempre os anseios, vocações e valores do grupo social do
médium. Serão sempre os elementos sócio-culturais do grupo, da
comunidade, ou do sistema que ditarão as características das entidades
possessórias evocadas pelo médium e, evidentemente, refletirão sempre
conteúdos mentais do médium ou do possuído.
Alguns países
tentam incluir no Código Penal, sob o rótulo de delito de controle
mental, os
cultos e seitas esotéricas consideradas destrutivas, apesar das grandes
dificuldades encontradas pelos legisladores. Foi difícil, inclusive,
encontrar um termo de consenso, o qual parece ter ficado como “Grupo
Destrutivo”.
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3 - CRIMES VAMPÍRICOS E LICANTROPIA
3.a - Quem e como é o Lobisomem3.a - Quem e como é o Lobisomem
Para referir: Ballone GJ -
Crimes Esotéricos e Satanismo - in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://sites.uol.com.br/gballone/forense/exotericos.html>
atualizado 2003
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Caso
Segue o relato
de um aficionado da Death Metal espanhol. Em 30 de abril de
1994, no bairro madrileno de Bacarés, foi descoberto o corpo
sem vida de um homem de meia idade, sadicamente crivado de
punhaladas. O crime foi atribuído à Javier Rosado de 21 anos e
Félix Martínez de 17, ambos estudantes.
Rosado e Martínez
eram assíduos jogadores de um jogo idealizado por Rosado e
inspirado no racismo e chamado por eles de “Raças”.
Os assassinos
estiveram toda uma tarde no parque, sentados, ouvindo Death
Metal e planejando o crime. Haviam decidido matar,
preferentemente, uma mulher, e do local onde estavam foram
escolhendo possíveis vítimas entre as pessoas que passavam.
Às quatro e
meia, optaram por matar a primeira pessoa com que topassem, e
esta seria Carlos Moreno, um empregado de limpeza pública de 52
anos, que se encontrava esperando o ônibus para voltar para
casa.
Segundo o
testemunho dos autores do crime:
“a
vítima era uma pessoa gordinha, maior e com cara de tonto.
Discutimos seriamente a última possibilidade, sacaríamos as
facas ao legar no ponto do ônibus, atracaríamos a vítima, e
pediríamos que nos oferecesse o pescoço, momento no qual eu
meteria minha faca em sua garganta e meu companheiro o
apunhalaria nas costas”.
"Desde
o principio me pareceu um trabalhador, um pobre coitado que não
merecia a morte. Era gordinho, rechonchudo, com uma cara de
alucinado que apetecia golpear, tinha a barba de 3-4 dias.
Aproximaram-se do homem simulando um roubo como desculpa para
sacar as facas, pedem todo seu dinheiro”.
"...
disse para levantar a cabeça e cravei-lhe a faca no pescoço.
Emitiu um som estrangulado, de surpresa e terror, nos chamou de
"filhos da puta". Voltei a cravar-lhe faca no pescoço,
mas me dava conta de que não estava fazendo praticamente nada,
exceto abrindo uma brecha, por onde saia muito sangre. Meu
companheiro já havia começado a debilitá-lo com punhaladas no
ventre e nos membros, mas nenhuma dessas era realmente
importante, senão que distraia a vítima do verdadeiro perigo,
que era eu."
Desesperado,
Carlos trata de libertar-se dos dois verdugos empurrando-os e
começando correr por duas vezes mas, no estado de fraqueza que
se encontrava e devido as continuas punhaladas que continuava
recebendo por todo o corpo, não consegue ir muito longe. Para
evitar mais fugas, empurram à vítima por um aterro, onde
continuam com o horrendo ataque.
“Decidi
agarrá-lo por trás e imobilizá-lo o mais que pude, para que
meu companheiro o matasse. A presa redobrou seus esforços, mas
estávamos na situação ideal, comigo sujeitando-o e meu amigo,
a um metro, dando-lhe mais punhaladas. Começava a aborrecer-me
o fato dele não morrer nem se debilitar... Segui tentando
sujeitá-lo e minhas mãos encontraram uma das brechas causadas
por minha faca momentos antes em seu pescoço. Meti por essa
brecha uma de minhas mãos e comecei a desgarrar e arrancar pedaços
de carne, aranhando as mãos em meu trabalho...”.
...
era espantoso: Como demora morrer um idiota! Levamos quase um
quarto de hora destroçando-o e continuava tentando fazer ruídos.
Que asco... Meu companheiro me chamou a atenção para dizer-me
que eu havia tirado suas tripas. Vi uma porcaria brancacenta
saindo de onde tinha o umbigo e pensei: Redobrarei meus esforços
divertidos... e me alegrei quando pude agarrar-lhe a coluna
vertebral com uma mão, e não parei até desconjuntá-la...
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Fernando Portela Câmara,
psiquiatra clínico, professor da UFRJA, tem um magnífico artigo sobre intitulado
Psiquiatria Transcultural Brasileira: Seitas Espiritistas e Saúde Mental
Coletiva, trata desse assunto dos transes. Veja um trecho:
"As culturas primitivas
tinham seu próprio método para lidar com os transtornos mentais e do
comportamento, e este conhecimento é transmitido através do que hoje
denominamos “cultura popular” e “folclore”. No Brasil, as seitas
espiritistas que tem um valor assistencial e psicossocial inquestionável
dentro das chamadas camadas populares. Num país desassistido são estas
seitas organizadas no seio do povo que desempenham o papel que o governo
não consegue cumprir satisfatoriamente, até porque o modelo
assistencial adotado é economicamente inviável para um país das dimensões
como o nosso.
O saber psiquiátrico, como
todo o saber médico em geral, é hoje essencialmente um saber acadêmico
gerado em sua maior parte nos países do Primeiro Mundo, com paradigmas
espelhados em sua realidades e teorias socioculturais e econômicas que
influem nos modelos médicos assistenciais e nas teorias aplicadas à saúde
mental. A pressão econômica destes países sobre aqueles “em
desenvolvimento”, como o nosso, resulta em uma progressiva aculturação
que se reflete igualmente no modelo assistencial psiquiátrico. O
resultado é confusão e distanciamento cada vez maior da realidade autóctone
pela oposição de dois paradigmas: o modelo psi de um saber dominante,
economicamente imposto, e o modelo psi de um saber dominado, que resiste
em nossa cultura popular." veja
tudo
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