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Psiquiatria da Infância e da Adolescência - Dr. Francisco B. Assumpção Jr

- O que é a psiquiatria da infância e adolescência?

Índice desse Tema
Introdução
Adolescência Normal e Patológica
Sintomas Prodrômicos 
Tendência Psicótica
Sintomas Psicóticos
Episódio Delirante Agudo
Esquizofrenia na Adolescência
Transtorno Grave do Humor
Transtorno Esquizoafetivo
Alucinações Isoladas
Bibliografia
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PSICOSES NA ADOLESCÊNCIA - 2

Esquizofrenia na Adolescência

Pela gravidade, a Esquizofrenia é o tema central dos Transtornos Psicóticos da adolescência. Este diagnóstico, feito com demasiada rapidez e simplicidade em muitas ocasiões, é um diagnóstico sindrômico e deve satisfazer, imperiosamente, a um conjunto de critérios para poder sustentar-se. 

A Esquizofrenia aparece muito raramente durante a infância e o inicio da adolescência. Depois do início da adolescência sua incidência aumenta: 13,5% das esquizofrenias aparecem antes dos 20 anos e 47,3% aparecem entre os 21 e 30 anos. McClelam et al (1993) calcularam que a prevalência da Esquizofrenia de início precoce, ou seja, antes dos 18 anos, era de 12 a 20%.

Enquanto as raras formas que aparecem na infância tendem a ter início insidioso e são invariavelmente mais graves, as esquizofrenias da adolescência seriam muito mais agudas. No que se refere à relação entre sexos, os estudos mostram proporção igual entre homens e mulheres, entretanto, alguns apontam pouca e discreta maior freqüência entre os homens. 

Entre antecedentes pessoais, se encontram com freqüência nos pacientes esquizofrênicos outros transtornos prévios da personalidade, de intensidade moderada ou grave. Em estudo de crianças e adolescentes com transtornos psicóticos (McClelam, idem) foram encontrados 60% de antecedentes de transtornos da personalidade. 

Aliás, as características de personalidade pré-mórbida (antes da crise) são elementos importantíssimos para diferenciar a Esquizofrenia, cuja personalidade pré-mórbida é comumente esquizóide ou paranóide, do Episódio Delirante Agudo, que normalmente não tem essa característica. Um dos critérios de diagnósticos para Esquizofrenia, segundo o DSM IV, é a duração do surto psicótico. 

De fato, esse continua sendo um dos mais importantes diferenciais entre essa doença e o Episódio Delirante Agudo; para ser classificado como Esquizofrenia os transtornos psicóticos persistem durante um período mínimo de seis meses. Este critério de duração é tão importante para a Esquizofrenia do adulto quanto da adolescência e, em revisão dos critérios diagnósticos para Esquizofrenia na adolescência, Jeammet (2000) concluiu que o critério de duração mínima de seis meses continua sendo um dos mais seguros.

Índice de Psicoses
Psicoses PsiqWeb
Introdução-Quadro Clínico
Componente Hereditário
Curso e Evolução
Psicoses Delirantes
Depressão na Esquizof.
Delírio em PsiqWeb
Alucinação em PsiqWeb

Psicoses Delirantes em:
DSM.IV
CID.10

 

 

tem 7 pág. de adolescência: 
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Podem surgir ainda, na fase prodrômica, experiências de percepção incomuns, como por exemplo, sentir a presença de uma pessoa ou força invisível, ainda que não existam alucinações francas. O comportamento nessa fase, embora não seja amplamente desorganizado, pode ser peculiar, como por exemplo, resmungar para si mesmo, colecionar objetos estranhos e visivelmente sem valor. Mas tudo isso só tende a confundir ainda mais o diagnóstico médico, já que, na adolescência normal, tudo isso pode ser perfeitamente comum.

Os sintomas característicos de Esquizofrenia franca envolvem disfunções cognitivas com prejuízo da crítica, alterações da sensopercepção, distúrbios do pensamento, da linguagem, da comunicação, do comportamento, da volição, dos impulsos, da atenção e do afeto. Todo esse conjunto sintomático acaba por resultar em sério prejuízo no funcionamento ocupacional ou social.

Em termos de comportamento e interação social, a maior parte dos esquizofrênicos mantém contatos sociais relativamente limitados. Na Esquizofrenia, os adolescentes que eram socialmente ativos podem tornar-se retraídos, perdem o interesse em atividades com as quais anteriormente sentiam prazer, tornam-se menos falantes e curiosos, e podem passar a maior parte de seu tempo na cama. Para a família esses sintomas de apatia e desinteresse, chamados de sintomas negativos, costumam ser o primeiro sinal de que algo está errado.

Na criança e no adolescente os sintomas psicóticos mais freqüentes da Esquizofrenia são as alucinações auditivas, o delírio e os transtornos do curso do pensamento, tais como incoerência, prolixidade e fuga de idéias. Apesar desses sintomas, deve ser destaca a presença de alterações afetivas em graus variáveis, concomitantemente presentes em até 52 % dos casos (Hallon, idem).

 

Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos

A maioria dos autores da atualidade reconhece a freqüência elevada dos Transtornos do Humor Grave com Sintomas Psicóticos com início na adolescência. Em 1921 Kraepelim já reconhecia que 3% dos casos de episódios maníacos ocorriam antes dos 15 anos e, 20% deles antes dos 20 anos.

Esta observação, questionada durante algum tempo, se reafirmou na atualidade por alguns estudos publicados, os quais comprovam que os Transtornos do Humor aparecem no 20 a 30% dos casos em pacientes menores de 20 anos (Ballenger, 1982). Nesses trabalhos, a idade media de início dos quadros de humor na adolescência (Transtorno do Humor Grave com Sintomas Psicóticos) fica em torno dos 13,9 e 15,3 anos.

A CID-10 e o DSM IV coincidem na comprovação de que os sintomas psicóticos podem, aparecer no transcurso de um episódio depressivo maior ou de um episódio maníaco com maior freqüência na adolescência que na idade adulta.

Os sintomas psicóticos mais freqüentes nos Transtornos do Humor com manifestações psicóticas são as idéias delirantes, seguidas pelas alucinações auditivas e, por último, por transtornos do pensamento, tais como, perda de associações, incoerência, pobreza do conteúdo, neologismos, perseveração, bloqueios e ecolalia (Abrams, 1981; Ballenger, 1982; Cortos, 1998).

Por causa desses fenômenos psicóticos, jamais podemos considerar, como se fazia antigamente, que as alucinações auditivas sejam patognomônicas da Esquizofrenia. Na adolescência elas são mais comuns em Transtornos Bipolares graves.

Isso explica a freqüência dos erros de diagnósticos de Esquizofrenia em pacientes que sofrem Transtornos Bipolares. E tais erros são tão comuns que, de acordo com o estudo de Werry (idem), a metade dos pacientes bipolares com idade entre 13 e 17 anos foram considerados erroneamente esquizofrênicos depois de reavaliação realizada durante 5 anos de seguimento.

Em adultos esses enganos de diagnóstico são menos freqüentes, embora também ocorram entre essas duas patologias. Pelo estudo de Joice (1982), 72% dos pacientes maníacos cujo transtorno havia começado antes dos 20 anos tiveram um primeiro diagnóstico de Esquizofrenia, contra 24% dos pacientes maníacos cujos transtornos haviam começado depois dos 30 anos.

 

Transtorno Esquizoafetivo

O conceito francês de Psicose Distímica ou Esquizofrenia Distímica, segundo a terminologia da CFTMEA, ou de Transtorno Esquizoafetivo, segundo a terminologia do DSM.IV e CID.10, levanta o difícil e não resolvido problema da fronteira entre a Esquizofrenia e os Transtornos do Humor (Eggers, 1989).

A CID-10 e o DSM IV não fazem nenhuma menção à especificidade desses transtornos na adolescência. No que se refere aos antecedentes pessoais, com maior freqüência se encontram transtornos da personalidade; quanto aos antecedentes familiares, se observam mais antecedentes de Transtornos Afetivos, mas menos antecedentes de Transtornos Esquizofrênicos que nos outros tipos de esquizofrenias.

Se o diagnóstico de Esquizofrenia, em geral, tem sido muito difícil de ser feito em adolescentes, o diagnóstico de Esquizofrenia Esquizoafetiva é mais difícil ainda. Isso porque os sintomas se confundem fortemente, no adolescente, com sintomas dos Transtornos Afetivos ou do Humor.

Em um grupo de crianças e adolescentes diagnosticados como esquizofrênicos, Thomsen (1996), comprovou, dez anos depois do diagnóstico inicial, que 21% dos pacientes não tinha Esquizofrenia, mas sim, um Transtorno de Personalidade e, entre esses, 12,4% era do tipo Borderline. Concluiu que aproximadamente metade dos adolescentes diagnosticados erradamente como esquizofrênicos, na realidade poderiam ser portadores de Transtornos da Personalidade e, mais especificamente, de um Transtorno Anti-social ou Borderline da Personalidade.

 

Alucinações Isoladas do Adolescente

Alguns autores afirmam que as alucinações, embora sejam tipicamente associadas aos transtornos mentais, também podem ocorrer em pessoas sem antecedentes psiquiátricos. Na realidade acreditamos que a frase é verdadeira em sua intenção mas, em nossa opinião, deveria ser dita da seguinte forma: "as alucinações, embora sejam tipicamente associadas aos transtornos mentais psicóticos, também podem ocorrer em pessoas sem psicoses".

O fenômeno alucinatório é demasiadamente grave para excluir algum transtorno emocional. Ocorre que nem sempre ela é patognomônica da psicose (esquizofrênica ou outra), podendo existir em alguns outros transtornos emocionais, tais como Depressão Grave, por exemplo. Pode ainda, tratar-se de uma maneira exuberante de reação ao estresse, uma espécie de vulnerabilidade alucinatória às exigências emocionais.

Entre os fatores favorecedores das alucinações emancipadas dos transtornos psicóticos encontra-se, além da extrema sensibilidade ao estresse, também elementos culturais, tais como, espirituais e religiosos.
Por razões culturais, sabemos que determinados grupos sociais compartilham alucinações, sejam auditivas, visuais ou qualquer outra, sem que tenham todos alguma psicose esquizofreniforme.

Este falso aspecto de loucura é chamado, em francês, de "Folie a Deux" (loucura a dois) ou, conforme as novas denominações, de Psicose Compartilhada. Tal atitude alucinatória, digamos, cultural, funciona como uma espécie de desprezo contra a realidade, à medida que proporcionem apoio à fantasia coletivamente aspirada.

Nos adolescentes as alucinações, consideradas convencionalmente como sintomas psicóticos, também podem aparecer fora de qualquer diagnóstico de psicose. Alguns autores (Altman, 1997) observaram que alucinações e idéias delirantes podem se apresentar, especialmente, em pacientes portadores de Personalidade Borderline ou Esquizotípica, bem como nos estados de Estresse Pós-Traumático e Transtornos Dissociativos.

FREQÜÊNCIA DE TRANSTORNOS DELIRANTE-ALUCINATÓRIOS

Na Esquizofrenia

71%

No Transtorno do Humor Grave

67%

No Transtorno de Personlaidade
(McClelam e Werry)

20%

Quanto aos adolescentes com transtornos de personalidade, McClelam e Werry (idem) encontraram sintomas alucinatórios freqüentes em portadores de personalidade Borderline, Anti-social, Esquizóide e Esquizotípica. De outra forma, nas reações alucinatórias ao estresse intenso, os sentidos podem perceber estímulos que não existem, com a intencionalidade (inconsciente) de "ver" o que se pretende ser visto.

Alucinações emancipadas das psicoses esquizofreniformes devem, a rigor, ser divididas em Alucinoses e Pseudo-Alucinações. As classificações internacionais e os principais psicopatologistas atribuam à Alucinose uma origem exclusivamente orgânica, notadamente conseqüente ao uso de substâncias ou álcool ou à causas eminentemente neurológicas.

Segundo o prof. Eunofre Marques, em certos tipos de alucinose a consciência está preservada e a pessoa mantém o juízo e a crítica normais, assim, essas alucinações são reconhecidas como anormais pelo próprio indivíduo, o qual tem certeza de que não correspondem à realidade. Elas ocorrem, mais provavelmente, em doenças neurológicas, geralmente lesionais ou tumorais.

Em outro tipo de alucinose, não existe crítica do paciente a elas e ele as vive como se fizessem parte real de seu mundo. Esse tipo também tem natureza orgânica e pode ocorrer em quadros de alcoolismo, uso de substâncias, de corticóides, em problemas metabólicos (uremia, p. ex.), em estados de edema cerebral ou nos estados moderados de demência. De qualquer forma, até por questão convencional, não existem alucinoses sem base orgânica, fazendo delas um indicativo diagnóstico.

Nos Adolescentes, onde, excetuando-se a questão do uso de drogas, na maioria das vezes estão afastadas as causas orgânicas, os casos de alucinações isoladas dão-se por razões eminentemente psicogênicas. Com freqüência o próprio adolescente tem noção e crítica da irrealidade do que está percebendo, tornando esses fenômenos mais um tipo de pseudo-alucinações do que alucinações propriamente ditas.

  
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Ballone, GJ - Psicose na Adolescência - in. PsiqWeb, Internet, disponível em <http://sites.uol.com.br/gballone/infantil/adolesc4.html>revisto em 2003

 

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Sintomas Psicóticos são, principalmente, as Alucinações e os Delírios. Vejamos o que significam: 

Delírio
Uma descrição demasiado fácil do delírio seria dizer: o delírio é uma convicção errônea não-corrigível. Mas, seria preciso lembrar que nem toda convicção errônea não-corrigível é um delírio. Se essa convicção se relacionar com falta de cultura ou erudição, com a falta de conhecimentos ou de inteligência, então não será um delírio, seria mais uma ignorância. Tampouco será delírio aquelas representações errôneas que se originam de sentimentos compreensíveis. Se o amante, por exemplo, está convicto da perfeição da amada imperfeita não se trata de idéias delirantes. As convicções filosóficas ou religiosas também não são delírios, mesmo que muitas pessoas as considerem errôneas, elas devem ser classificadas como idéias supervalorizadas.

Se desejarmos qualificar o delírio como um erro, é preciso que se trate de um erro não ambíguo, nem justificável, nem circunstancial e nem, muito menos, emocional. Deve tratar-se sim de um erro que está em oposição visível à realidade objetiva dos fatos. No Delírio ocorre alteração do conteúdo do pensamento, mas não da memória e nem da atenção.

Jaspers define o Delírio com sendo um juízo patologicamente falseado e que deve, obrigatoriamente, apresentar três características:

1. Uma convicção subjetivamente irremovível e uma crença absolutamente inabalável com impossibilidade de sujeitar-se às influências de correções quaisquer, seja através da experiência ou da argumentação lógica;
2. Um pensamento de conteúdo Impenetrável e incompreensível psicologicamente para o indivíduo normal e;
3. Uma representação vivencial sem conteúdo de realidade que não se reduz à análise dos acontecimentos vivenciais.

É irremovível e inabalável porque, diante do paciente delirante não se consegue demover o conteúdo de seu pensamento mediante qualquer tipo de argumentação. Caso o paciente se deixe convencer pela argumentação lógica razoavelmente elaborada, decididamente não estaremos diante de um delírio, mas de um engano ou de uma formação deliróide. A argumentação racional e lógica não deve afetar a realidade de quem delira, independentemente da capacidade convincente e da perseverança daquele que se empenhar nesta tarefa infrutífera. Para ser delírio a convicção dever ser sempre inabalável e irremovível.

Alucinação
Alucinação é a percepção real de um objeto inexistente, ou seja, são percepções sem um estímulo externo. Dizemos que a percepção é real, tendo em vista a convicção inabalável que a pessoa manifesta em relação ao objeto alucinado, portanto, será real para a pessoa que está alucinando.

Sendo a percepção da alucinação de origem interna, emancipada de todas variáveis que podem acompanhar os estímulos ambientais (iluminação, acuidade sensorial, etc.), um objeto alucinado muitas vezes é percebido mais nitidamente que os objetos reais de fato.

Tudo que pode ser percebido pode também ser alucinado e isso ocorre, imaginativamente, com maior liberdade de associações de formas e objetos. Na alucinação, por exemplo, um leão pode aparecer de asas, ou um caracol que cavalga um ouriço. O indivíduo que alucina pode ter percebido isoladamente cada umas das formas e, mentalmente, combinado umas com as outras.

As alucinações podem manifestar-se também através de qualquer um dos cinco sentidos, sendo as mais freqüentes as auditivas e visuais. O fenômeno alucinatório tem conotação muito mais mórbida que a Ilusão, sendo normalmente associado à estados psicóticos que ultrapassam a simplicidade de um engano dos sentidos. Na Alucinação o envolvimento psíquico é muito mais contundente que nos estados necessários à Ilusão.

 

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