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Internet, o Psiquiatra e o Paciente
Geraldo
José Ballone
Ao lado da inegável utilidade da internet, às vezes
somos tentados a crer que a anedota segundo a qual "o computador
veio para resolver muitos problemas que não tínhamos", poderia
ser aplicado textualmente à rede web. Portanto, essa visão anedótica
sugere, como já seria de se esperar, que a internet tem pontos muito
positivos e alguns bastante negativos. Vejamos esses prós e contras:
Vantagens
Para os profissionais da área
A internet oferece ao psiquiatra, bem como para as
pessoas relacionadas profissionalmente à área, uma quantidade de informações
inimaginável. Essa democratização da informação científica, coloca
à disposição dos interessados quase 2 milhões de páginas onde
aparece a palavra psychiatry (em inglês), 139.000 em alemão,
104.000 em francês, 83.000 páginas em espanhol e 42.500 em português
(fonte:Google).
Tal facilidade de comunicação profissional acaba
por caracterizar a desinformação como uma espécie de "crime
de omissão", tamanha a disponibilidade de todo esse material informativo.
Novos medicamentos, casos clínicos, descrições minuciosas, teses e
monografias, últimas pesquisas, estatísticas, enfim, tem tudo e
muito mais que um profissional deve saber para que o exercício de sua
profissão seja desempenhado com o mesmo nível de modernidade e eficiência
entre São Paulo e Xapurí.
Para o paciente
O paciente também tem benefícios com a internet. As informações que
eram negadas por uma postura mais elitista da medicina são, agora, oferecidas
com a facilidade de um apertar de botões. Ali ele pode ter noções,
básicas ou não, do potencial de risco de dependência de seus filhos,
dos transtornos de personalidade de seu genro, dos efeitos colaterais
dos medicamentos que toma, das causas de suas fobias, e por aí
afora.
Alguns, além de visitarem os muitos sites de psiquiatria, também agendam
consultas, enviam e-mails aos profissionais disponíveis, aos
variadíssimos grupos de apoio, participam de fóruns, de grupos de discussão,
etc. Muitos são aqueles que encontram na web um consolo para seus males,
ou uma lenitiva cumplicidade e solidariedade de pessoas com os mesmos
problemas.
Desvantagens
Para os profissionais da área
As desvantagens, por incrível que pareça, também são decorrentes
do excessivo volume de informações. Verdadeira causa de angústia e
desespero entre os profissionais, a consciência do tanto de coisas
que devemos saber e não sabemos acaba por produzir um desagradável
sentimento de insuficiência em alguns profissionais. Um pouco de
consolo deve ser conseguido se lembrarmos que 35% das informações
são repetidas.
Só o mecanismo de busca científica MEDLINE dispõe de mais de 19
milhões de artigos médicos. Para se ter uma idéia, buscando pela
palavra fluoxetine a MEDLINE disponibiliza 5.600 artigos e se a
palavra for schizophrenia surgem nada menos que 53.900 artigos. É
bom lembrar que 700.000 artigos são acrescidos anualmente na MEDLINE,
e não conseguiríamos lê-los em um ano se ficássemos contentes com
menos de 1.900 por dia.
Para o paciente
A primeira ameaça da internet aos pacientes são eles próprios, ou
seja, a má compreensão daquilo que lêem. Em segundo é a internet,
ou seja, é o peço da democratização. Com a profusão de informações,
muita coisa de péssima qualidade e procedência duvidosa disputa o
mesmo espaço das matérias idôneas e cientificamente bem amparadas.
Alguns sites se dispõem a vigiar as páginas de conteúdo fantástico,
esdrúxulo e duvidoso. Aliás, o site Quack Watch, que é um deles,
aceita colaboradores .... (visite http://www.geocities.com/quackwatch)
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