|
Esses hormônios podem aumentar a
probabilidade do nascimento de prematuros, de atrasos no
desenvolvimento infantil e anormalidades comportamentais nas crianças.
As anormalidades de desenvolvimento e de comportamento nos filhos
poderiam ocorrer devido a sensibilidade do cérebro fetal à esses
hormônios maternos aumentados pelo estresse, assim como à ação
danosa no cérebro do feto pelos glicocorticóides e
neurotransmissores envolvidos pelas grandes tensões emocionais da mãe.
São cada vez mais claras e inequívocas as pesquisas sobre os
efeitos danosos da depressão da mãe durante a gestação sobre as
futuras funções maternas no momento do parto e no período neonatal.
A começar pela maior incidência de necessidade de analgesia em
pacientes previamente deprimidas. Chung (2001) mostrou que as mulheres
que tiveram níveis elevados de sintomas depressivos durante o
terceiro trimestre, mais provavelmente necessitavam de anestesia
peridural e maior incidência de partos cirúrgicos.
Chung viu ainda que as crianças
dessas mães deprimidas, eram também mais prováveis de admissões em
unidades de cuidados intensivos de recém nascidos. Tais resultados
sugerem um possível relacionamento causal entre alterações psicológicas
maternais na gestação e pré-parto, e complicações obstétricas e
neonatais.
Por outro lado, também de acordo
com a tal “sabedoria popular” e interpretações psicodinâmicas,
tem procedência científica o tão propalado “espírito materno”,
que se abate sobre gestantes de modo geral, tal qual um sopro mágico.
Ocorrem no cérebro, grandes alterações no metabolismo, secreção e
sensibilidade de receptores de ocitocina, um neurotransmissor
elaborado inicialmente pela hipófise.
Essa ocitocina de liberação
central (no Sistema Nervoso Central) é o elemento bioquímico
atualmente mais relacionado à expressão e comportamento maternal (Russell,
2001). Isso ocorre, diga-se de
passagem, nos ser humano e nos animais, os quais parecem também ser
envolvidos pelo espírito mágico da maternidade. Outras mudanças nos
diversos sistemas neuroendócrinos estão igualmente ligadas à lactação,
à supressão da ovulação, ao apetite aumentado, e demais modificações
gravídicas.
Assim sendo, considerando
verdadeira a sensata hipótese de Monk, a preocupação em
diagnosticarmos se a Depressão que apresenta uma mulher seria um caso
de Tristeza Materna ou de Depressão Pós-Parto (veja
artigo),
pensando nesses diagnósticos como se tratassem de doenças psiquiátricas
diferentes, vamos entender a questão como sendo transtornos
depressivos tradicionais, de graus variados (leve, moderado ou grave)
com a única diferença de terem sido oportunistas e comórbidos com a
gravidez.
Portanto, o correto seria considerar o quadro como Depressão na
Gravidez e não da gravidez.
Depressão na
Gravidez
As constantes e periódicas
mudanças hormonais, as alterações orgânicas da reprodução, da
puberdade, o uso prolongado de contraceptivos orais, as alterações
orgânicas e existenciais do pós-parto e da menopausa contribuem,
significativamente, para que as mulheres tenham duas vezes mais
depressão que os homens (Parry,
2001).
Na clínica diária tem sido
comum algumas pacientes se queixarem ter apresentado depressão depois
do nascimento de seus filhos e que, mesmo estando eles com até 3 anos
de idade, a depressão continuava. Isso tem, de fato, uma confirmação
em pesquisas. Avaliadas por McLennan (2001), 24% de parturientes
manifestavam depressão 17 semanas depois do parto e até 17% delas
continuavam deprimidas 35 meses depois (três anos).
Um dos fatores que favorecem a
depressão durante a gestação está o fato da gravidez não ter sido
desejada. E essa depressão da gravidez persiste depois do parto (como
veremos adiante, nada parece confirmar que exista maior incidência de
depressão depois do parto que durante a gravidez). Dessas, 36% tinha
história de gravidez não desejada. O estado afetivo dessas mães
influiu no estado de saúde das crianças.
A necessidade do pronto tratamento psiquiátrico em mulheres grávidas
com problemas emocionais, decorre da noção sobre os efeitos do estresse,
da ansiedade e da depressão sobre a evolução da gravidez, do parto,
da futura função materna e, principalmente, da qualidade psíquica
da criança que vai nascer. Trata-se, sobretudo, de uma atitude psiquiátrica
predominantemente preventiva (Monk,
2001).
Ao contrário do que pensa muita gente, a incidência de
depressão na gravidez mostra taxas mais elevadas até a 32a. semana
de gestação do que até 8 semanas depois do parto. Evans (2001) é
enfático ao dizer, textualmente, que os sintomas da depressão não são
mais comuns ou severos após o parto do que durante a gravidez. O que
acontece, provavelmente, é que a maioria dos obstetras e pediatras
evita esse diagnóstico, devido ao receio ou pouco conhecimento com
relação ao tratamento disso durante a gravidez.
Segundo essa pesquisa, realizada
com 14.000 mulheres grávidas, a
depressão depois do parto (puerperal) não pareceu ser uma síndrome
distinta da depressão que pode acontecer durante o período da gestação.
Sobre as dúvidas acerca das mulheres serem mais vulneráveis à doença
psiquiátrica durante o período pós-natal, Evans concluiu que “a
prevalência da doença depressiva não-psicótica no período pós-natal
foi similar à prevalência na população geral”. De forma radical,
mas convincente, afirma que não foi encontrada nenhuma evidência que
justificasse categorizar, de forma distinta, depressão pós-parto da
depressão de qualquer outra época da vida.
Antidepressivos
A
indicação principal para antidepressivos é depressão e, entre
esses produtos, muitas drogas se mostram eficazes para o tratamento
farmacológico da depressão em gestantes e lactantes. Embora os
antidepressivos de modo geral pareçam ser igualmente eficazes, os
inibidores seletivos do recaptação da serotonina (ISRS) são freqüentemente
as drogas da escolha. Essa preferência deve-se, no mais das vezes, à
sua segurança e aos efeitos colaterais mais menos incômodos
(Majeroni, 1998).
É
claro que as precauções em relação aos medicamentos em grávidas
devem-se ao fato dessas substâncias cruzarem a barreira placentária,
portanto, fazendo supor eventuais implicações para o feto. Porém,
como dissemos, tendo em mente também os evidentes efeitos danosos dos
transtornos da ansiedade e da depressão não tratadas à mãe e ao
feto, a decisão para esse tipo de tratamento deve ser muito bem
ponderada pelos médicos que assistem à gravidez.
A
primeira coisa a saber, e que pode trazer conforto às gestantes, é
que os transportes de radicais e outras substâncias da mãe ao feto,
através da placenta, e das substâncias do feto à mãe começam,
aproximadamente, a partir da quinta semana da vida fetal (Iqbal,
1999).
Esse
conhecimento alivia a angústia de muitas mães que faziam uso de
medicamentos por ocasião de se saberem grávidas. De qualquer forma,
as pessoas que desejam precaver-se do uso de quaisquer produtos
durante o primeiro trimestre de gestação, estarão satisfatoriamente
protegidas se mantiverem essa postura entre a 5a. e a 12a. semanas.
Como
cautelosamente avisam as bulas de psicotrópicos e outros tantos
pesquisadores, apesar do uso muito difundido desses produtos, tais
como benzodiazepínicos e antidepressivos, durante a gravidez, há
ainda pouca informação a respeito de seus efeitos no feto. Diante
dessas dúvidas, e com receio de não se saber o suficiente, há uma
tendência geral para indicação de tratamentos não-farmacológicos
sempre que possível para o tratamento de transtornos da ansiedade e
alguns poucos casos de depressão leve-moderada. A maioria desses
tratamentos não-farmacológicos se faz às custas da terapia
comportamental e cognitiva.
Entretanto,
como pode se apurar na maioria das pesquisas recentes, se alguma
medicação for exigida, as mulheres grávidas devem receber,
preferentemente, antidepressivos (ADT e ISRS) para prevenir conseqüências
mais desastrosas de sua doença emocional sobre si mesma, sobre a
criança e sobre sua família.
Os
limites das pesquisas de psicotrópicos em grávidas se devem,
sobretudo, aos compreensíveis problemas para se submeter mulheres
normais aos estudos. No Brasil, um estudo relativamente recente
comparou os efeitos tóxicos de doses altíssimas de fluoxetina (de 8
a 16 mg/kg) e venlafaxina (40 e 80 mg/kg), administrado durante a
terceira semana da gravidez em ratas e cães. A conclusão foi de que
esses produtos podem reduzir o peso das crias (da Silva, 1999) quando
as doses forem exageradamente altas.
Tradicionalmente,
o que mais preocupa e se pesquisa é saber se esses antidepressivos e
outras drogas podem causar possíveis efeitos teratogênicos (de
malformações) aos fetos. O uso dos antidepressivos durante a
gravidez tem sido consideravelmente avaliado com respeito às condições
de segurança. Alguns relatórios anteriores sobre antidepressivos
tricíclicos (ADTs) sugeriam a necessidade ajustar a dose durante a
gravidez para manter concentrações terapêuticas no sangue. De fato,
em relação aos ISRS, também parece haver necessidade de aumento da
dose em grávidas à partir da 20a. à 27a. semanas para se obter o
mesmo efeito que nas pessoas não grávidas (Hostetter,
2000).
Os
inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), incluindo a
fluoxetina, sertralina, paroxetina, fluvoxamina e citalopram,
representam um avanço importante na farmacoterapia dos transtornos do
humor e são os tratamentos da escolha para muitos quadros afetivos.
Entre esses quadros incluem-se a depressão maior (ou grave), a
distimia, o transtorno do pânico, o transtorno obsessivo-compulsivo,
transtornos alimentares, e o transtorno disfórico pré-menstrual.
Masand
reviu os trabalhos sobre esse tema catalogados em Medline nos últimos
15 anos. A maioria dos autores pesquisados alega segurança na
gravidez para os ISRS, notadamente para a fluoxetina. Os efeitos
colaterais dos ISRS incluem distúrbios gastrintestinais, dor de cabeça,
sedação, insônia em alguns casos, hiperatividade em outros, ganho
ou perda de peso, a perspiração excessiva e disfunção sexual
(Masand, 1999).
A
capacidade para determinar malformações fetais (teratogenicidade) e
outros efeitos da medicação psiquiátrica no feto, recém nascido ou
no lactente, deve ser muito bem discutida e considerada, em comparação
com os riscos do não tratamento. A medicação, quando requerida,
deve ser mantida na dose mínima necessária para tratar adequadamente
os sintomas incômodos e perigosos.
Revendo
a bibliografia dos últimos dois anos, a maioria dos trabalhos mostra
que os antidepressivos não têm nenhum efeito teratogênico aparente
(Buist, 2000). Por outro lado, os estabilizadores do humor (Lítio, Carbamazepina e Valproatos) são mais prováveis
ter efeitos teratogênicos e devem, em geral, ser evitados durante a
gravidez.
Horváth
(2000) analisou, na Hungria, dados referentes à 127 grávidas que
procuraram aconselhamento genético por fazerem uso de medicação
durante a gravidez. A maioria dessas mulheres (78%) procurou o serviço
de orientação genética antes da 12a. semana de gestação. As
indicações principais para os tratamentos foram, por ordem de freqüência,
as infecções, transtornos psiquiátricos (depressão e ansiedade),
neurológicos (epilepsia), endócrinos (diabetes, hipertiroidismo),
doenças cardiovasculares e problemas gastrintestinais. Os grupos
principais das drogas utilizadas eram os antibióticos, analgésicos e
antitérmicos, antidepressivos, antidiabéticos e anti-hipertensivos.
Exames
de ultra-som foram periodicamente realizados pelos autores no intuito
de avaliar o desenvolvimento de malformações fetais em pacientes que
faziam uso de medicações desde o primeiro trimestre da gravidez.
Quando a paciente fazia uso de medicações múltiplas o risco de
malformações aumentava, resultando em 6,3% dos casos.
Em
Milão, Addis (2000) examinou a possibilidade de risco aumentado para
as malformações fetais devido ao uso do antidepressivo fluoxetina
durante o primeiro trimestre da gravidez, mediante uma complexa
meta-análise. Depois de analisados os dados, concluiu que o uso do
fluoxetina, durante o primeiro trimestre da gravidez, não é
associado com os efeitos teratogênicos no ser humano.
O
desenvolvimento intra-útero e peri-natal das crianças cujas mães
fizeram uso de tricíclicos ou de fluoxetina durante a gestação não
apresentou diferença daquelas crianças do grupo controle (que não
usaram esses medicamentos). Em alguns neonatos, cujas mães foram
tratadas com os antidepressivos perto do termo da gravidez, pode-se
observar efeitos da substância e efeitos diretos da retirada delas
(Wisner, idem).
Outros
estudos de meta-análise sobre efeitos adversos sobre o feto de medicações
psicotrópicas analisaram dados de 12 anos; de janeiro de 1976 à
fevereiro de 1998 (MEDLINE EMBASE). A conclusão foi de que nem os
ISRS nem os ADT parecem causar anomalias e malformações congênitas,
mas ambos podem ser associados com um risco aumentado pequeno de
alterações menores, como por exemplo, a prematuridade e algumas
complicações neonatais (Austin,
1998).
Por
outro lado, os benzodiazepínicos, o lítio, os anticonvulsivantes e a
clorpromazina produzem uma taxa aumentada de anomalias congênitas
assim como maiores problemas neonatais.
O
estudo ressalta ainda que, quando alguns psicotrópicos forem
associados com anomalias congênitas e complicações peri-natais, não
devemos esquecer que a doença mental, por si mesma, pode também ser
associada com um resultado adverso no desenvolvimento da criança.
Foram
acompanhadas 969 mulheres grávidas em uso dos antidepressivos em
idade gestacional mais avançada. Dessas, mais da metade (531) usou
somente inibidores seletivos de recaptação da serotonina (ISRS) e
423 usaram outros antidepressivos, e 15 usaram associações de
antidepressivos (Ericson, 1999).
|
Observações
de Ericson (1999) sobre 969 grávidas em uso de antideprssivos
|
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1 - As
mulheres que usaram antidepressivos eram mais velhas e fumavam
mais que outras mulheres controle
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2 - Pareceu
haver um excesso de mulheres elevadas da paridade entre elas
|
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3 - A freqüência
de nascimentos múltiplos era mais baixa do que esperada, com
poucos nascimentos gêmeos nas mulheres que tinham usado ISRS
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4 - A duração
da gravidez entre as mães solteiras era mais curta que das
casadas mas não afetou a sobrevivência infantil
|
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5 - As crianças
nascidas eram um tanto mais pesados do que esperados,
notavelmente quando eram usados ADTs.
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6 - Nenhum
aumento de malformações congênitas foi observado no período.
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Baseado nesses dados,
Ericson conclui que o uso dos antidepressivos na gravidez adiantada não
parece acarretar algum risco significativo para o bebê detectável
durante o período neonatal.
Outras Drogas
Aproximadamente um terço
de todas as mulheres grávidas fazem uso de drogas psicotrópicas ao
menos uma vez durante a gravidez. Embora as drogas psicotrópicas não
sejam exaustivamente testadas, nem totalmente aprovadas pelo FDA
(Administração para uso de Drogas e Alimentos dos EUA) para uso
durante a gravidez, algumas mulheres continuam fazendo uso dessas medicações
quando engravidam (Cohen, 1998).
Os riscos do uso de
drogas psicotrópicas durante a gravidez poderiam incluir os efeitos
teratogênicos, o efeito tóxico neonatal direto, e o potencial para seqüelas
neuro-comportamentais quando se trata por um período mais longo. Mas
também existem os riscos do transtorno psiquiátrico para a integridade
feto-placentária e o desenvolvimento fetal do sistema nervoso central.
As decisões clínicas
para o tratamento psico-farmacológico na gravidez devem envolver, além
do médico, também a mulher e seu companheiro, sempre tendo em mente
que a omissão de tratamento adequado pode ser extremamente danosa para
a mãe e para a criança, apesar de ser comodamente confortável para o
médico.
Os riscos e os benefícios
da farmacoterapia para estas mulheres devem ser pensados separadamente
para cada paciente. Normalmente o tratamento deve ser limitado às situações
onde os riscos do transtorno emocional à mãe e ao feto são,
presumidamente, maiores que os eventuais riscos do tratamento biológico.
Os interesses sobre a
exposição fetal à medicação psicotrópica estão sendo crescentes
na prática clínica de psiquiatras e de médicos generalistas da atenção
primária.
A necessidade de se
saber mais sobre o uso de psicotrópicos durante a gravidez, pós-parto
e lactação é imperiosa e deve-se, sobretudo, pela elevada e crescente
taxa de doenças psiquiátricas durante esses períodos. Entre as drogas
pesquisadas, sugere-se que há aumento do risco para malformações congênitas
após a exposição intra-uterina do lítio e aos estabilizadores do
humor, mas tal risco nunca pode ser provado para a maioria dos
antidepressivos (Lanczik, 1998).
Amamentação
A maioria dos estudos
procura relacionar concentração dos produtos químicos encontrados no
leite materno e a concentração desses produtos do sangue da mãe (relação
milk/plasma [M/P]). Apesar destes estudos serem em número já
expressivo, há notavelmente poucos relatórios atestando efeitos
adversos nos bebês expostos aos psicotrópicos administrados às suas mães
(Llewellyn, 1998).
A maioria das
investigações recentes demonstra a segurança do feto exposto a
antidepressivos inibidores seletivos de recaptação da serotonina
(ISRSs) durante a gravidez. Todos os ISRSs relatados nos estudos foram
excretados no leite materno, e níveis baixos foram detectados no sangue
da criança (Misri, 2000).
Entretanto, 74% por
cento dos bebês de mães que usavam psicotrópicos não apresentaram
nenhuma concentração detectada no sangue, ou poderia haver alguma
concentração que se encontrava abaixo do limite de deteção do
laboratório. Nos 26% restantes, as concentrações sanguíneas de
psicotrópicos e/ou dos metabólitos ativos foram detectados. Em cada um
destes casos, os bebês tinham sido expostos à medicação psicotrópica
da mãe não apenas durante a gravidez mas também na amamentação
(Birnbaum, 1999).
Sobre a concentração
de psicotrópicos que eventualmente pode surgir no sangue da criança
que amamenta em mãe que faz uso de psicotrópicos foi avaliado em relação
à venlafaxina (Efexor®). Os dados preliminares mostram que a dose de
Venlafaxina e de seu metabólito ativo foi de 9,2% da dose administrada
à mãe (Ilett, 1998).
Estes dados sugerem
uma baixa incidência de toxicidade infantil e de efeitos adversos
associados com o uso dos antidepressivos e de benzodiazepínicos durante
amamentação, sugerem também que nenhum desses medicamentos parece ser
mais seguro do que outro. Conseqüentemente, a escolha do tratamento
farmacológico durante a amamentação deve ser guiada pela restauração
do bem estar psiquiátrico maternal.
|
RISCOS
DA FARMACOTERAPIA
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1.
Antipsicóticos
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|
|
a)
Antipsicóticos Baixa potência
CLORPROMAZINA Amplictil,
Clorpromazina
LEVOMEPROMAZINA Levozine,
Neozine
SULPIRIDA Dogmatil,
Equilid
TIORIDAZINA Melleril
TRIFLUOPERAZINA Stelazine
AMISULPRIDA Socian
|
Seu uso
durante o terceiro trimestre pode provocar ictericia,
movimientos extrapiramidais,
hiper e hiporreflexia no recém nascidos (A. Benarrabe,
M. Bernardo, E. Arrufat e J. Salva. El manejo e o tratamiento de
los trastornos mentais graves em a embarazada. Actas Luso-Esp.
Neurol. Psiquiatr.,1998;26,3:187-2001).
|
|
b)
Antipsicóticos Alta potência
FLUFENAZINA Anatensol,
Flufenan
HALOPERIDOL
Haldol, Haloperidol
PENFLURIDOL
Semap
PIMOZIDA
Orap
PIPOTIAZINA
Piportil, Piportil L4
ZUCLOPENTIXOL
Clopixol
|
Seu uso,
especialmente entre a 6ª e a 10ª semana de gestação, se
associa a malformações neonatais. Há sempre absoluta
necessidade de se considerar o risco decorrente da suspensão do
tratamento com antipsicóticos, tendo em vista o aumento de
mortes fetais nesses casos
(A. Benarrabe, M. Bernardo, E.
Arrufat e J. Salva, 1998).
|
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2.
Antidepresivos
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a) Tricíclicos
AMITRIPTILINA
Amytril,
Tryptanol
CLOMIPRAMINA Anafranil
IMIPRAMINA
Imipra, Tofranil
MAPROTILINA
Ludiomil
NORTRIPTILINA
Pamelor
|
Não aumentam
o risco de malformações congênitas. Seu uso em período
perinatal pode provocar o aparecimento de irritação, convulsões
e sintomas secundários aos efeitos anticolinérgicos, próprios
deste tipo de medicamento
(Lee S.Cohen, M.D., ande Jerrolde F.
Rosenbaum, M.D. Psychotropic drug use during pregnancy: weighing
the risks. J. Clin. Psychiatry 1998;59 (supl 2):18-28).
|
|
b) ISRS
CITALOPRAM
Cipramil, Parmil
FLUOXETINA Daforim,
Deprax, Eufor, Fluxene, Nortec, Prozac, Verotina
NEFAZODONA Serzone
PAROXETINA Aropax,
Pondera, Cebrilin
SERTRALINA Novativ,
Tolrest, Zoloft
|
Exceto para a
fluoxetina, os datos que se têm deste grupo são limitados. No
caso da fluoxetina, não existe incremento do risco de aparição
de malformações congênitas.
(Alexis Llewellyn, Zachary N.
Stowe, M.D., ande Charles B. Nemeroff,M.D.,Ph.D. Depressiom
during pregnancy ande the porperium. J.Clin.Psychiatry
1997;58(suppl 15):26-32)
|
|
c) IMAOs
TRANILCIPROMINA
Parnate, Stelapar
MOCLOBEMIDA
Moclobemida
SELEGILINA
Elepril, Jumexil
|
Os
antidepressivos IMAOs devem ser evitados durante a gravidez
devido ao aumento da probabilidade de malformações
congênitas.(Lee
S.Cohen, M.D., ande Jerrolde F. Rosenbaum, M.D., 1998)
|
|
3.
Eletroconvulsoterapia
Eletroconvulsoterapia
|
Até hoje não
existem evidências de malformações congênitas pela
Eletroconvulsoterapia. É o método recomendado para situações
de alto risco, dado à sua eficacia e segurança
(Alexis
Llewellyn; Zachary N. Stowe, M.D.; ande James R. Strader, Jr.
The use of lithium ande management of womem with bipolar
disorder during pregnancy ande lactatiom J. Clin. Psychiatry
1998;59 (suppl 6):57-64).
|
|
4.
Estabilizadores do Humor
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|
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a) Litio
CARBONATO
DE LITIO Carbolim,
Carbolitium, Litiocar, Neurolithiun
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Apesar de
controversa, a administração de Lítio durante o primeiro
trimestre está associada a um aumento no número de malformações
cardiovasculares. Seu uso no período perinatal se relaciona com
a síndrome do "floppy baby", caracterizada por
cianose e hipotonia muscular
(Ellem Leibenluft, M.D. Issues im
the treatment of womem with bipolar illness. J.Clin.Psychiatry
1997;58 (supl 15):5-11).
|
|
b)
Carbamazepina
CARBAMAZEPINA
Carbamazepina, Tegretard,
Tegretol
|
De 0,5-1% dos
casos de espina bífida estariam relacionados à utilização de
carbamazepina no primeiro trimestre. A carbamazepina é uma
alternativa para os casos de resistencia ao litio ou, no primer
trimestre, se a mania não cede com antipsicóticos ou TEC.
Aconselha-se administrar folatos e vitamina K, juntamente com a
carbamazepina para evitar a diminuição dos fatores de coagulação,
dependientes que são das malformações neuronais
(Ellem
Leibenluft, M.D., 1997).
|
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c) Acido
valproico
ÁCIDO
VALPRÓICO
Depakene, Valpakine
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O uso do
(Di)Valproato de Sódio ou Ácido Valpróico está associado com
defeitos na formação do tubo neural em 3 a 5% dos fetos. O Ácido
Valpróico não deve, de forma alguma, ser usado na gravidez,
inclusive em situações extremas
(Ellem Leibenluft, M.D.,
1997).
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5.
Benzodiazepínicos
ALPRAZOLAM
Frontal, Tranquinal
BROMAZEPAM Brozepax, Deptran,
Lexotam, Nervium, Novazepam, Somalium, Sulpam
BUSPIRONA Ansienon, Ansitec,
Bromopirim , Brozepax, Buspanil, Buspar
CLOBAZAM
Frizium, Urbanil
CLONAZEPAM Clozal, Rivotril
CLORDIAZEPÓXIDO
Psicosedim
CLOXAZOLAM
Elum, Olcadil
DIAZEPAM
Ansilive, Calmociteno, Diazepam, Diazepan, Kiatriun, Noam,
Somaplus, Valium
LORAZEPAM
Lorium, Lorax, Mesmerin
|
Existe risco
de anomalías congênitas pela utilização de tranquilizantes
benzodiazepínicos durante o primeiro trimestre da gravidez. Sua
utilização no período perinatal provoca alterações na
termorregulação, pode favorecer apnéia, hipotonia muscular e
diminuição na puntuação do Apgar do recém naascido. Seu uso
deve ser evitado durante o primeiro trimestre.
Entretanto, usados durante o segundo e terceiro trimestre, o uso
ocasional de tranquilizantes benzodiazepínicos não costuma
afetar a gestação e o feto de forma negativa
(Lee S.Cohen,
M.D., ande Jerrolde F. Rosenbaum, M.D. , 1998).
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Bibliografia
Tabela
de Medicamentos na Gravidez
Ballone GJ -
Gravidez
e Psicotrópicos - in. PsiqWeb - Psiquiatria Geral, Internet, 2001 -
disponível em http://gballone.sites.uol.com.br/mulher/gravimed.htm
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