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Gravidez e Esquizofrenia
(
Gravidez e Medicamentos - 3)

Tanto a mãe esquizofrênica como o filho são pacientes de alto risco psicossocial. A Esquizofrenia, apesar de ser uma doença psiquiátrica crônica e que requer tratamento por toda vida, quando bem tratada não é impedimento para a maternidade, pelo menos sob o ponto de vista biológico.

De modo geral, nessas condições a gravidez é pouco recomendável e ela deve ser evitada por representar um duplo risco, tanto para a mãe como para o filho, considerando os fatores biológicos, psicossociais e genéticos. Não obstante, a psiquiatria deve estar preparada, pois, às vezes a paciente esquizofrênica engravida sem planejamento.

O problema da gravidez na esquizofrenia não é, absolutamente, médico. Trata-se de um agravo psicossocial, familiar e de maternidade. Isso sem contar a probabilidade genética da transmissão da doença ao filho.

O fator de risco para herança esquizofrênica é, de modo geral, em torno de 10% para aqueles que têm um membro familiar direto com a doença e de aproximadamente 40% se a doença afeta ambos os pais ou gêmeos idênticos. Aproximadamente 60% dos portadores de esquizofrenia possuem parentes não próximos com a doença. O distúrbio de vestígios no olhar é uma das características genéticas que parece ser associada com a esquizofrenia.

Esse risco hereditário da esquizofrenia costuma se manifestar na criança, caso tenha adquirido, geralmente depois dos 15 anos de idade. Embora algumas delas possam portar, desde o berço ou primeira infância, traços de personalidade esquizóide ou paranóide, podem também ser crianças que estão estudando bem, habilosas e socialmente normais mas, de súbito, manifestam o quadro com as alucinaciones e delírios característicos.

 

 

Gene da Esquizofrenia 
Pesquisadores acreditam ter encontrado um gene que pode indicar se a pessoa sofrerá de esquizofrenia. O trabalho durou 12 anos e envolveu cientistas de universidades e centros de pesquisa americanos e canadenses. Trezentas pessoas de 22 famílias canadenses, com alta incidência de esquizofrenia, foram analisadas durante o período. A esquizofrenia é uma doença mental que afeta 1% da população e se caracteriza por persistentes perturbações na maneira de pensar, ver e ouvir. Alucinações persecutórias, delírios e dificuldade de expressar afetividade são alguns dos sintomas do distúrbio.
Cada família tinha dois ou mais membros com esquizofrenia. Utilizando o mesmo método para localizar genes relacionados ao câncer de mama, os cientistas encontraram o gene da esquizofrenia numa região do cromossomo 1. O próximo passo agora é descobrir a exata localização dele no cromossomo, ou mesmo outros genes que também estejam relacionados com a doença. 
Descobrindo a natureza e a função do gene, os cientistas acreditam que possam entender o mecanismo de desenvolvimento da doença e estabelecer tratamentos mais eficazes contra ela. O estudo foi publicado na revista americana Science, uma das mais importantes do mundo. 

Riscos  
Entre os riscos da gravidez da mãe esquizofrênica, além daqueles vindos das próprias alterações psíquicas que a gestação favorece, estão os efeitos secundários dos medicamentos usados para essa doença. Esses psicofármacos antipsicóticos podem afetar o feto, principalmente quando usados nos três primeiros meses de gestação.

Quando a mãe usa psicofármacos no final da gravidez, o filho pode apresentar efeitos colaterais depois do nascimento, como por exemplo, dificuldades na sucção da mama, taquipnéia (respiração rápida), taquicardia, irritabilidade, tremores, sudorese aumentada e retenção urinária. Mas nenhum desses efeitos tem gravidade.

Outro fator de risco, também de pouca gravidade, é o aumento das probabilidades de complicações de parto. As mulheres com esquizofrenia têm probabilidade maior de problemas do parto, incluindo-se períodos mais curtos de gestação e baixo peso no recém-nascido.

 Talvez os maiores problemas seja, realmente, na esfera da atenção materna e da transmissão genética da esquizofrenia. Geralmente, apenas 30% das crianças filhas de pacientes com problemas psiquiátricos graves (Psicose Puerperal, Esquizofrenia e Episódios agudos de Transtorno Bipolar) recebem atenção materna satisfatória.

Conduta  
A melhor conduta que se pode idealizar, na questão das pacientes esquizofrênicas e do ponto de vista científico, é prevenir a gravidez. Conhecendo os riscos, a própria paciente ou, mais provavelmente, os familiares,  devem optar por algum método anticonceptivo constante ou até definitivo.

Eticamente, entretanto, não se pode proibir que as pacientes psicóticas engravidem. Caso isso aconteça, as atenções pré-natais devem ser redobradas, valendo-se de um psiquiatra juntamente com o obstetra. É desejável que se use o mínimo de medicamentos necessários para manter a paciente fora da crise. Na gravidez tenta-se evitar o uso de AP no primeiro trimestre, mas se for necessário recomenda-se o uso de haloperidol ou trifluoperazina 

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Tabela de Medicamentos na Gravidez

Ballone GJ - Gravidez e Psicotrópicos - in. PsiqWeb Psiquiatria Geral, Internet, disponível em <http://gballone.sites.uol.com.br/mulher/gravimed.htm>2002


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