PsiqWeb
>Psicoses - 1 - 2>Orientação Familiar

Encontre 

digite com acentos 

Índice por temas Índice por assuntos Página Principal
.
.

PSICOSES - 3 Esquizofrenia

Orientação Familiar

Geraldo J. Ballone

O tratamento farmacológico (medicamentoso) é fundamental na esquizofrenia. Se houver uma única possibilidade, esta deve ser o tratamento medicamentoso de escolha.
O reconhecimento precoce da doença ou das recaídas e a instituição rápida do tratamento com antipsicóticos aumentam as possibilidades de se evitar a cronificação da esquizofrenia.
É muito importante que o portador de esquizofrenia seja conscientizado da doença e das etapas de tratamento o sucesso deste. O portador deve ser orientado sobre sua doença, suas características e seu diagnóstico.
A questão fundamental é saber escolher o momento adequado para essa comunicação pois, durante o surto agudo, evidentemente, será o pior momento.
A esquizofrenia é uma doença, em geral, de curso crônico. Toda doença crônica necessita de acompanhamento por tempo indeterminado. Esse acompanhamento visa identificar o curso da doença, seus aspectos evolutivos e a prevenção de recaídas. Como qualquer tantas outras doença da medicina, quanto menos recaídas ocorrerem menor será o comprometimento e as seqüelas.

Veja abaixo as opções de Psicoses em PsiqWeb

Veja abaixo outras opções de Psicoses na Web

Orientação Familiar

no DSM.IV

no CID.10


Esquizofrenia

Psicose Delirante Crônica (Paranóia)

Psicose Reativa Breve

VAI PARA PARTE 2

PSICOSES - Orientações


Tanto o paciente quanto a família têm de ser orientados para que, aos primeiros sinais de recaída, entrem em contato com o médico.
Em determinados momentos do surto agudo ou da crise, a internação pode ser útil ou até indispensável. Em geral, são suficientes de 20 a 40 dias de internação para controlar os sintomas da expressiva maioria dos pacientes em surto agudo de esquizofrenia. Essa internação deve ser encarada e conduzida como uma alternativa de tratamento, necessária e muitas vezes indispensável, mas nunca como uma punição ao comportamento bizarro do paciente.
Apesar de a doença ser crônica e grave, ela é perfeitamente controlável na imensa maioria dos casos. O tratamento psicossocial visa à reabilitação do indivíduo, a recuperação das habilidades perdidas e sua capacitação para as atividades cotidianas (ressocialização).
Com o tratamento tradicional ou, quando este for insuficiente, com os modernos antipsicóticos, não há razão para pensamentos pessimistas ou atitudes de desesperança. A doença existe e é real, mas com um tratamento adequado e bem orientado o portador de esquizofrenia pode ter uma vida normal ou muito próxima da normalidade.

Perguntas e Respostas

1. O esquizofrênico é violento?
Em geral o esquizofrênico não é violento ou perigoso. Fora da crise é uma pessoa como qualquer outra. Alguns, quando em crise, se tornam agressivos, verbal ou fisicamente, pois os delírios ou as alucinações podem fazê-los sentir-se ameaçados.
Nesses momentos, é importante conversar com a pessoa sem provocá-la, mantendo um diálogo franco e tranqüilo. Na hipótese de ser necessário conter um ato agressivo, é preciso contar com mais pessoas para evitar que o paciente ou terceiros se machuquem. Episódios de agressividade, a depender da intensidade, são situações que indicam a necessidade de eventual internação para garantir a integridade do paciente ou terceiros.

2. Todos os esquizofrênicos são violentos quando em crise?
Não. Mesmo durante crises intensas, a maioria dos portadores de esquizofrenia não manifesta agressividade importante. O comportamento agressivo depende, como indicado na resposta anterior, da natureza dos delírios e das alucinações que a pessoa apresenta.

3. O que fazer quando, ao obter melhora com a medicação, o portador de esquizofrenia abandona seu uso, diminui as dosagens necessárias e não quer mais saber de remédios? Como a família pode agir nesses casos, para evitar novo surto?
Deve-se tentar dialogar, expor as evidências de que a medicação evita a recaída. Infelizmente, muitas vezes são necessárias várias recaídas até que o doente se conscientize da gravidade da doença, de seu curso com recaídas e da necessidade do tratamento contínuo.
Nas recaídas pode ser necessário internar a pessoa até que ela volte à normalidade. Pela legislação em vigor, a família e o médico têm o direito de internar o portador quando em crise mesmo contra sua vontade. Por crise, entende-se que o portador está delirando, fora da realidade, inadequado, sem controle de si mesmo e de seus atos. Nesse momento, a internação é uma medida de proteção e tratamento. Cabe à família e ao médico, diante de uma situação de crise, avaliar a real necessidade de internação. Há recaídas que não exigem necessariamente internação, principalmente quando tratadas precocemente.

4. Em que situações a internação é necessária? Quanto tempo deve durar? Existem internações "para sempre"?
A internação é indicada nos momentos de crise ou de surto agudo, quando então o esquizofrênico não tem controle sobre si mesmo. Deve ser a mais curta possível e, com os atuais antipsicóticos, são suficientes um mês ou mês e meio dias para controlar as manifestações mais graves da doença.
Não se recomendam internações prolongadas ou "para sempre". Para os crônicos, são indicadas pensões e/ou oficinas protegidas que os capacitem a voltar viver independentemente.

5. A família deve manter total observação ou supervisão em relação ao paciente como, por exemplo, arrumando seu quarto, examinando seus objetos, acompanhando-o quando sai à rua?
A ajuda deve ser no sentido de promover a maior independência possível do paciente. Ele deve ser incentivado a cuidar de suas coisas e de sua higiene. Tão logo quanto possível ele deve voltar a caminhar pela cidade independentemente. Essas atitudes visam preservar a auto-estima do paciente, evitando constrangimentos.

6. Considerando-se a rotina familiar, o que pode ser solicitado ao portador de esquizofrenia em termos de colaboração, participação, coisas tais como, cuidar de seu quarto, lavar o quintal, lavar a louça, fazer compras, ir ao banco?
No início, ele deve ser acompanhado, até recuperar as habilidades perdidas. Aos poucos, deve ir assumindo responsabilidades como qualquer membro da família, de acordo com suas possibilidades.

7. Como orientar o portador de esquizofrenia em termos de administrar o dinheiro, valor das coisas, preços, trocos, economia?
A orientação pedagógica é imprescindível. O portador deve ser orientado para que possa compreender o valorizar o preço das coisas e administrar seu dinheiro.

8. O que deve a família fazer para garantir a tranqüilidade futura do portador de esquizofrenia no que se refere a sua segurança social: pensão, aposentadoria, habitação, assistência médica, medicamentos?
As alternativas de atuação familiar, nesses casos, são variadas e dependem da situação específica de cada família, não apenas no que se refere à variável sócio-econômica, mas também no acolhimento oferecido ao paciente pelos demais membros da família, quando há os casos em que apenas alguns membros da família assumem os cuidados necessários.
Em casos crônicos, nos quais o portador não tenha mais condições de trabalhar, é importante que a família propicie condições para a segurança social futura do paciente, providenciando sua aposentadoria e/ou auxílio benefício. Condições de moradia, assistência médica e de defesa de seus direitos devem ser igualmente propiciadas, pois, como qualquer outra pessoa, os portadores de esquizofrenia têm direito à cidadania plena.

9. Um esquizofrênico pode dirigir veículos?
Dirigir veículos é uma questão de bom senso. Se ele estiver controlado, fora de crise e tomando regularmente a dose de manutenção, tem condições de dirigir veículos, desde que tenha consciência de que a medicação pode eventualmente reduzir a rapidez de seus reflexos. Convém ser acompanhado inicialmente por familiares que avaliam suas habilidades.

10. Quais são os sinais de recaída? O que a família pode fazer quando os perceber?
Os principais sinais e sintomas de recaída são as alterações de comportamento. Irritabilidade, insônia, comportamento agitado ou de isolamento social podem ser os sintomas de recaída, assim como alucinações e delírios.
Tão logo o familiar perceba ou suspeite de recaída, deve levar o paciente para uma avaliação médica, de modo que o psiquiatra possa intervir rapidamente, modificando a medicação ou a dose que o paciente recebe. Todo esforço deve ser feito para evitar uma nova recaída.

11. A dificuldade de contato social dos portadores de esquizofrenia dificulta que estabeleçam relações afetivas, tais como, namorar, encontrar companheiros(as), relacionar-se sexualmente? É possível ao familiar ajudá-los na busca desses objetivos?
Apesar da dificuldade em manter contato social, alguns portadores da doença conseguem encontrar um(a) companheiro(a), estabelecer relacionamentos afetivos significativos e manter relacionamentos sexuais. Os familiares devem orientá-los na busca de um relacionamento que não venha a ser estressante e que possa desencadear recaídas.
Tratando-se tais dificuldades, normalmente derivadas do isolamento social, a família pode ajudar incentivando a participação dos portadores nas mais diversas formas de atividades voltadas à ressocialização, tais como a freqüência a centros de convivência, lazer e cultura, grupos de auto-ajuda etc. Quanto ao relacionamento sexual, devem estar orientados sobre os cuidados para evitar doenças sexualmente transmissíveis (por exemplo, AIDS), principalmente o uso de camisinha. As mulheres devem ser acompanhadas também por ginecologista, que pode orientar quanto a métodos contraceptivos seguros, como remédios anticoncepcionais ou DIU.