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Índice dessa secção
Imunidade e Emoção
Ansiedade no Câncer
Depressão no Câncer
Luto da Família
Crianças e a Perda
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DISFUNÇÃO SEXUAL NAS PESSOAS COM CÂNCER Geraldo
J. Ballone - 2001
Com freqüência, muitos tipos de câncer e de tratamentos oncológicos estão relacionados com uma disfunção sexual em ambos os sexos. A investigação indica que em torno de 50% das mulheres que tem tido câncer da mama sofrem de disfunções sexuais prolongadas (Schover, 1997) mais ou menos na mesma proporção de mulheres que tem tido câncer ginecológico (Helgasom, 1996).
É muito importante deixar claro o significado
dos seguintes termos: Pesar e Pena. Estes sentimentos estarão
presentes, de forma variada, nos familiares de pacientes com
câncer e são termos que se usam, freqüentemente, com diferentes
intenções (Rando, 1984).
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Outros
temas Psicossomáticos
O
Somático e a Emoção
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Tireóide e
Emoções
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A Profª Drª em
Psicologia Maria Helena Bromberg tem um artigo em Day Care
intitulado Sintomas do processo de luto onde relata bem o
que acontece psico-emocionalmente no processo de luto. Veja um
trecho:
"Depressão;
Ansiedade;
Culpa;
Raiva e hostilidade;
Falta de prazer;
Solidão ;
Agitação;
Fadiga;
Desamparo;
Distúrbio de sono;
Perda de energias;
Queixas somáticas;
Aumento no uso de psicotrópicos, bebidas alcoólicas e fumo;
Aumento da suscetibilidade a doenças;
Lentidão de pensamento e concentração;
Mudança no hábito alimentar;
Dificuldade de manter relacionamentos.
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O que fazer:
Esteja disponível para escutar a pessoa que está sofrendo, sem
julgar ou ser crítico. Falar ajuda a descarregar o estresse;
interrompa apenas se você tiver muita necessidade. Apenas ouvir
pode ser a melhor ajuda neste momento. A pessoa pode relatar a
mesma história repetidas vezes; ouça com atenção, sem tentar
mudar de assunto, não se preocupe em responder às suas
perguntas; apenas mostre que está ouvindo o que é dito.
Silêncio, proximidade física e gestos também são meios de se
comunicar. Tocar e amparar fisicamente podem ser formas de
oferecer ajuda não verbal.
Para oferecer apoio a quem está sofrendo, você não precisa
concordar com o ponto de vista dela, mas deve escutá-la e
identificar o que estiver dizendo. Escolha um ambiente agradável:
estar em um lugar confortável, sem barulhos constantes e
passagens de outras pessoas é acolhedor e o enlutado percebe que
é respeitado. Procure compreender os comportamentos que são
esperados do enlutado.
Quando for preciso dar-lhe más notícias, sente-se, a menos que
seja absolutamente impossível. Forneça informações claras e
precisas; a pessoa enlutada pode estar confusa, com dificuldade de
concentração, de tomar decisões e de compreender informações
novas...
... Fortes emoções
tornam a comunicação impossível, se ficarem ignoradas. Tente
sempre identificar e reconhecer as emoções do enlutado e as
suas.
O que não fazer:
Não faça promessas que não possa cumprir.
Evite clichês do tipo: "Com o tempo passa...",
"Pense em tudo o que você ainda tem e agradeça a
Deus", "Fique contente porque ele não sofreu".
Não tente fazer com que a pessoa pare de sofrer rapidamente.
Reconheça que é natural que ela esteja sofrendo e que cada um
tem seu ritmo para lidar com isso.
Se a pessoa enlutada utilizar o humor, mesmo que pareça humor
negro, ouça e respeite. Pode ser uma forma de enfrentar a
situação. Mas não acrescente seu próprio humor ou estoque de
piadas.
Não ignore ameaças, inclusive as de suicídio. Se ficar
"entalado", recorra a alguém com mais experiência. veja
o artigo todo
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Pesar Pesar é o sentimento que surge como reação ao fato de ter sofrido uma perda. O Pesar identifica a situação específica das pessoas que tenham experimentado uma determinada perda
(Corr, 1997), portanto, o Pesar é uma reação emocional específica a este determinado "objeto". Devido à perda, se desenvolve uma grande quantidade de emoções, experiências e mudanças na vida psíquica da pessoa. A duração desse estado depende da intensidade da relação com a pessoa que morreu ("objeto" perdido). É bom sublinhar que o Pesar tem também um aspecto antecipatório, ou seja, supõe o aparecimento de emoções e sentimentos antecipadamente à perda (vai morrer). Pena A Pena é o processo normal de reação emocional à percepção (forte indício) de uma perda. As reações de Pena podem ser vistas nas respostas à perdas físicas ou tangíveis, como por exemplo a morte, ou a perdas abstratas e psicossociais, como por exemplo o divórcio, o emprego, etc. Cada tipo de perda implica experimentar algum tipo de falta ou privação. Durante o processo que atravessa uma família que vivencia o câncer, se experimentam várias perdas e cada uma gera sua própria reação. As reações de Pena podem ser psicológicas, físicas, sociais e conflitos emocionais. As reações psicológicas podem incluir a raiva, mágoa, culpa, ansiedade e tristeza. As reações físicas incluem dificuldade para dormir, mudanças no apetite, queixas ou doenças somáticas, enfim, sinais e sintomas relacionados ao
Transtorno de Adaptação e Ajustamento. As reações sociais incluem os sentimentos experimentados ao ter que cuidar de outros membros da família, o desejo de ver ou não a determinados amigos ou familiares (isolamento), ou o desejo de regressar rapidamente ao trabalho. Este processo depende do tipo de relação que se teve com a pessoa que morreu. Lindenmam
(1994) faz notar cinco características:
1. - aflição somática,
2. - preocupação com a imagem da pessoa morta,
3. - culpa,
4. - reações hostis, e
5. - perda da conduta normal.
O conflito emocional, seja ele consciente o inconsciente, pode ser relacionado também à resposta cultural à perda. O processo de incorporar a perda na vida afetiva contrapõe aquilo que queremos, com aquilo que devemos e aquilo que conseguimos. O conflito é, por exemplo, a contraposição entre o fato de sabermos que a morte deve ser inevitável, até como decorrência normal de quem vive, mas mesmo assim não queremos, e nem conseguimos aplicar à realidade essa conotação racional. Muitos outros conflitos, mais complexos que esse do exemplo, podem estar presentes diante da perda de um ente querido. No chamado Processo da Pena se incluem três tarefas necessárias para que a pessoa volte a reintegrar-se à sua vida normal. Estas atividades incluem:
1. - liberar-se dos laços com a pessoa
falecida,
2. - reajustar-se ao ambiente onde a pessoa falecida já não
está e
3. - formar novas relações.
Liberar-se dos laços com a pessoa falecida, implica que se deve modificar a "energia emocional" (o tônus afetivo) invertida na pessoa perdida. Isto não quer dizer, de forma alguma, que tenhamos deixado de amar a pessoa desaparecida, mas sim, que é possível agora dirigir os sentimentos e afetos a outros, em busca de uma satisfação emocional. A morte desperta com freqüência evocações de perdas ou separações do passado. Bowlby
(1961) descrevia três fases do processo de luto:
1. - a urgência de recuperar à pessoa
perdida,
2. - a desorganização e desespero e, finalmente,
3. - a reorganização da vida.
Durante o processo de reajuste ambiental (reorganização da vida) tem-se que modificar as regras, os valores, a própria identidade e as habilidades para ajustar-se a um mundo onde o falecido já não está. Ao modificar a energia emocional, a energia que uma vez se concentrava na pessoa falecida, agora se concentra em outras pessoas ou outras atividades. Esse esforço adaptativo costuma requerer muita energia física e emocional e, não é raro, vermos pessoas atravessando essa fase experimentando uma fadiga avassaladora. Nessa fase, em se tratando de um estado depressivo, ou mesmo um Transtorno de Ajustamento, pode estar indicado um tratamento psiquiátrico medicamentoso e/ou
psicoterápico. Esta experiência de Perda e Pesar não é somente pela pessoa que faleceu, mas também por todos os planos, idéias e fantasias que não se levaram a cabo com a pessoa desaparecida. De qualquer forma, os processos de Pesar e de Pena fazem parte normal do universo existencial humano, são normais na medida em que sugerem que os seres humanos necessitam apegar-se a outros para melhorar sua sobrevivência e reduzir o risco de dano. Referências
desse trecho:
1. - Bowlb J: Processes of mourning.
International Journal of Pschoanalsis 42: 317-340, 1961.
2. - Corr CA, Nabe CM, Corr DM: Death ande Ding, Life ande Living.
2nde ed., Pacific Grove: Brooks/Cole Publishing Compan, 1997.
3. - Lindemann, E: Smptomatolog ande management of acute grief.
Centenar Meeting of the Americam Pschiatric Associatiom (1994,
Philadelphia, Pa). Americam Journal of Pschiatr 151(6, Suppl):
155-160, 1994.
4. - Rando TA: Grief, Ding ande Death: Clinical Interventions for
Caregivers. Champaign: Research Press Compan, 1984.
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As crianças e o pesar pela morte de um ente querido.
A reação de uma criança pela morte de um ente querido pode ser muito diferente da reação das pessoas adultas. As crianças de idade pré-escolar acreditam que a morte é temporária e reversível; esta crença está reforçada pelos personagens em desenhos animados que "morrem e revivem" várias vezes.
As crianças entre cinco e nove anos começam a pensar mais como adultos acerca da morte mas, todavia, não podem imaginar que eles ou alguém que eles conheçam possa morrer. Acrescenta-se, ao choque e à confusão que sofre a criança que tenha perdido seu irmão, irmã, pai ou mãe, a falta de atenção adequada de outros familiares que choram essa mesma morte e que não podem assumir adequadamente a responsabilidade de cuidar da criança.
Os padres devem estar conscientes de quais são as reações normais das crianças ante a morte de um familiar, assim como dos sinais de perigo emocional. De acordo com os psiquiatras de crianças e adolescentes, é normal que durante as semanas seguintes à morte, algumas crianças sintam uma tristeza profunda ou que acreditem que o ente querido continua vivo. Entretanto, a negação da morte por longo período, que serve para evitar as demonstrações de tristeza, não é saudável e pode resultar em problemas mais severos no futuro.
Não se deve obrigar a uma criança assustada a ir ao velório ou ao enterro, entretanto, se recomenda que se a faça participar de alguma cerimônia como, por exemplo, ascender uma vela, rezar uma prece ou visitar a sepultura.
Uma vez que a criança aceita a morte, é normal que manifeste sua tristeza, de vez em quando, ou mesmo por um período de tempo mais longo um pouco e, às vezes, em momentos inesperados. Seus parentes devem procurar passar todo o tempo possível com a criança e fazê-la saber claramente que tem permissão para manifestar seus sentimentos livremente e abertamente.
Se a pessoa morta era essencial para a estabilidade do mundo da criança, a raiva, ira ou revolta são reações naturalmente esperadas. Esta ira pode se manifestar em jogos violentos, pesadelos, irritabilidade ou numa variedade de outros comportamentos inadequados. Não é raro que essa criança se mostre com intolerância para com outros membros da família.
Depois da morte de um dos pais, muitas crianças agem como se tivessem idade menor (regressão). A criança temporalmente age de maneira mais infantil, exige comida na boca, quer atenção, carinho e fala "como um bebê".
As crianças menores acreditam que eles sejam a causa do que sucede em seu redor. O pequeno pode crer que seu pai, irmão, mão, etc., tenha morrido porque uma vez ele pode ter desejado que isso acontecesse. A criança se sente culpada porque acredita que seu desejo se realizou. Alguns sinais de perigo emocional:
· um período prolongado de depressão durante o qual a criança perde interesse por suas atividades e eventos habituais · insônia, perda do apetite e medo de ficar sozinho · Regressão a uma idade mais precoce por um período longo de tempo · Imitação excessiva da pessoa morta · Dizer freqüentemente que quer ir-se com a pessoa morta · Isolamento dos amiguinhos · Deterioração pronunciada do rendimento nos estudos ou negar-se ir à escola.
Estes sintomas de aviso podem indicar que se necessita ajuda profissional. Um psiquiatra de crianças e adolescentes pode ajudar a criança a aceitar a morte, bem como assistir a sua família para que ajudem melhor a criança durante o processo de pesar e luto. (Fonte:TuMedico.Com)
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Evelyn Pryzant é
Psicóloga Clínica e escreveu um artigo em Mundo
sem Câncer intitulado "Conversando com as Crianças
Sobre a Morte". Veja um trecho:
"Inevitavelmente, as crianças perguntam sobre tudo. Colocam
questões profundas sobre o ser humano, sobre a vida e sobre a
morte. Falam, querem ouvir, têm idéias. Quando alguém da
família de uma criança morre, ainda que se tente omitir ou
negar, ela irá perceber através das atitudes transformadas dos
familiares ao redor. Existe algo de estranho no ar que ela não
sabe, nem deve saber. Um tabu.
O fato é que cedo ou tarde ela descobrirá. Omitir-lhe a
verdade seria algo grave, seria como ignorá-la só porque ela
não fala como os adultos, como excluí-la da família, e pior
ainda, se as pessoas mais próximas em quem ela deposita toda sua
confiança não forem capazes de falar sinceramente sobre a morte,
ela tomará isso como um modelo a seguir e nem ousará perguntar
à respeito daquilo que sua percepção lhe diz.
Sem ter com quem dividir suas preocupações, a criança
permanece conturbada em seus pensamentos, isolada em seu mundo
interno cada vez mais inacessível às pessoas. Sem contar que ela
amava essa pessoa e estará preocupada com sua ausência. E de
fato, é toda uma história da vida da criança, que ela não
reencontrará mais. Por isso é importante não privá-la da
notícia dessa morte, é não ensiná-la a colocar um véu de
silêncio sobre este assunto.
O que o adulto não sabe é que as crianças questionam sem
angústia a respeito da morte até cerca de sete anos. Por volta
dos três anos de idade esta questão começa a aparecer e é
importante responder às crianças sobre a morte. Aliás, elas a
vêem. Existem animais que morrem em torno delas, elas ouvem
estórias, conversas; o conceito de que as coisas acabam e que os
limites existem já estão estabelecidos desde muito cedo. veja
tudo
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"A dor de perder um(a) filho(a) é para sempre?"
é o nome do artigo de Gabriela Casellato. Veja uma parte:
"Perda de filhos
A perda de um filho implica num tipo muito particular de luto,
pois solicita adaptações tanto sob os aspectos individuais de
cada um dos pais no enfrentamento desta situação, como em
adaptações na relação com o(a) esposo (a), no sistema familiar
e na sociedade.
Quando perdemos um filho perdemos nossa perspectiva de futuro pois
é neles que garantimos a possibilidade de realizar todos os
sonhos e projetos que não conseguimos em nossas próprias vidas.
Um filho não é apenas uma extensão biológica de seus pais, mas
também psicológica, por isso temos a sensação que perdemos um
pedaço de nós.
· Reações à perda de filhos
O luto por um filho é marcado por muita culpa e revolta, e por
algum tempo a pessoa chega a "brigar" com Deus, por não
conseguir entender (aceitar) o porque de estar vivendo uma dor
tão intensa.
As reações ligadas à perda de um filho dependem de alguns
fatores como:
- a relação prévia entre pais e filho. Por exemplo: quando
existem conflitos no relacionamento, os pais sentem-se mais
culpados após a perda de seu filho.
- a idade do seu filho: não existe uma idade pior, mas em cada
etapa da vida existem fatores que dificultam a elaboração da
perda, como por exemplo na adolescência, fase em que existem
maiores chances de conflitos entre pais e filhos.
- as circunstâncias da perda: o quê aconteceu, como aconteceu,
as causas da perda.
- Um número grande de sintomas fisiológicos podem acompanhar as
reações psicológicas e sociais dos pais, como por exemplo:
anorexia, distúrbios gastrointestinais, perda de peso, insônia,
cansaço excessivo, choro, palpitações, estresse, perda do
desejo sexual ou hipersexualidade, falta de energia e retardo
psicomotor, respiração curta.
· E o que acontece no casamento?
O casamento sofre um grande impacto com a perda de um filho. As
características do relacionamento obviamente serão afetadas pela
maneira como cada um dos parceiros expressa sua dor. A
comunicação tende a complicar-se pois a mãe pode sentir sozinha
em seu luto, enquanto o pai pode se ver lutando para conter sua
dor a fim de poupar o sofrimento da esposa. Estas tentativas de
evitar o sofrimento do outro, por muitas vezes gera um
distanciamento tão grande nos casais, que não é incomum
ocorrerem separações após a perda de um filho." veja
tudo
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Lidando com as Fases (finais) da Doença Grave Entender como outras pessoas enfrentam as doenças graves poderia ajudar ao paciente de câncer e sua família a preparar-se para lidar com suas próprias doenças. Pode-se dizer que a doença grave consta de quatro fases:
1. - a fase antes do diagnóstico,
2. - a fase aguda,
3. - a fase crônica, e
4. - a fase de recuperação ou morte.
A primeira fase, anterior ao diagnóstico, é quando o paciente se da conta ou suspeita de que corre o risco de desenvolver uma doença. Esta fase se estende por todo período em que a pessoa é submetida à exames, e termina no momento em que recebe o diagnóstico. A fase aguda sucede durante o diagnóstico, quando a pessoa se vê forçada a entender o diagnóstico e tem que tomar uma serie de decisões acerca de seu cuidado médico. A fase crônica se define como o período entre o diagnóstico e os resultados do tratamento, quando os pacientes tentam lidar com as demandas da vida cotidiana ao mesmo tempo em que recebem tratamento e tentam aceitar seus efeitos secundários. Há algum tempo, o período entre o diagnóstico de câncer e a morte era de uns meses, geralmente passados no hospital. Entretanto, atualmente as pessoas podem viver muitos anos depois de receber um diagnóstico de câncer e de se submeterem a tratamento especializado. Em seguida vem a fase de recuperação, durante a qual, as pessoas têm que enfrentar os efeitos psicológicos, sociais, físicos, religiosos e monetários do câncer. A fase final ou terminal de uma doença grave ocorre quando a morte se converte em algo iminente. Neste momento se alteram os objetivos e, ao invés de se tentar a cura ou prolongar a vida do paciente, os esforços se concentram em ajudar a pessoa a se sentir mais confortável e mais aliviada de sofrimentos. As tarefas durante esta fase final, com freqüência, se enfocam no aspecto religioso. Decisões na Etapa Final
Os cuidados à uma pessoa com câncer começam depois do diagnóstico e de se apresentarem os sintomas. Esses cuidados continuam até que o paciente se cure, entre em remissão ou faleça. As decisões que afetam a etapa final da vida devem tomar-se com antecipação, antes de que sejam necessárias e antes que o paciente não tenha condições de opinar sobre elas.
Estes temas não são nem um pouco agradáveis ou fáceis de tratar. Muitas vezes eles refletem o caráter filosófico, moral, religioso ou espiritual do paciente e de sua família. O importante é ressaltar que se o paciente tem sentimentos definidos acerca desses temas, deve comunicá-los à equipe médica e aos familiares para que se possa levá-los a cabo. Não compete à equipe médica questionar assuntos der ordem filosófica, moral e religiosa cultuados pelo paciente.
Entretanto devido à natureza delicada dessas decisões, o que se observa na clínica cotidiana é que quase nunca esses temas são tratados pelo médico ou pelos familiares e, às vezes, nem pelo paciente. Este último costuma sentir-se constrangido em abordar os problemas sobre sua eventual morte.
Normalmente as pessoas envolvidas pensam que sempre haverá tempo para falar sobre essas coisas mais tarde mas, muitas vezes, quando chega o momento de tomar estas decisões, o paciente e a família não serão mais capazes de fazê-lo, e quem acabará decidindo serão pessoas que, em alguns casos, nem conhecem os verdadeiros desejos do paciente.
O primeiro passo a dar, quando se precisa tomar decisões na etapa final da vida, é outorgar ao paciente ou a quem ele decidir, poderes (legais ou de fato) relacionados aos cuidados de sua saúde. Muito preferentemente, o paciente deve ter o poder, ele próprio, de decidir por si ou, no caso de não poder fazê-lo, deve ter o poder de escolher uma pessoa de sua confiança para tomar as decisões. Nos EUA existe um formulário chamado Health Care Proxy (HCP), através do qual se outorga um poder legal relacionado aos cuidados da saúde a quem quer que o paciente decida.
Deve ser respeitada a vontade do paciente, como é o caso, por exemplo, das ordens de não ressuscitá-lo em situações especiais. Isso significa dar instruções aos médicos e outras pessoas encarregadas do cuidado médico, para que não tomem medidas extremas com o propósito de prolongar a vida do paciente, no caso, por exemplo, do coração deixar de bater ou dele deixar de respirar. Quando esse tema não for omitido e havendo vontade expressa do paciente, está é sempre soberana em relação às tentativas de ressucitamento.
É aconselhável que os pacientes com idéias claras e lúcidas sobre esses assuntos conversem com seus médicos e com as pessoas encarregadas de sua saúde o mais cedo possível, antes que a pessoa perca a faculdade plena de tomar decisões.
Apesar dos familiares e pacientes se sentirem usualmente incomodados com esses assuntos, os médicos e o pessoal da enfermagem não podem, de forma alguma, furtar-se dessa importante responsabilidade. Nos serviços que dispõem de apoio psicológico e/ou psiquiátrico, os profissionais dessas áreas podem prestar relevante ajuda nesses momentos. Existem algumas propostas (alguns programas, nos EUA e outros países), que dão a honrosa oportunidade dos pacientes poderem morre em suas casas. Essa é mais uma questão sobre a qual o paciente deve ser intensamente consultado.
As pessoas que se encontram em processo de morrer podem avançar para o final de sua vida de maneiras diferentes; a morte pode apresentar-se em um prazo curto ou prolongado. O trajeto até a morte depende da causa da morte.
O trajeto para morte pode ser um caminho largo e lento, que pode prolongar-se durante anos, ou ocorrer rapidamente, como no caso de um acidente automobilístico, onde a fase crônica é curta ou não existe. A trajetória do tipo "altas e baixas", comumente observado em pacientes gravemente enfermos, surge em pacientes que melhoram, com freqüência, só para voltar a piorar em seguida, como por exemplo, nos pacientes de AIDS ou leucemia.
Outra trajetória para a morte é a caracterizada por um decréscimo grande e lento da saúde, seguido por um período de estabilização. Estes tipos de pacientes devem adaptar-se à perda de alguns niveles de funcionamento ao longo da doença.
Com freqüência as mortes associadas ao câncer têm processos longos, muitas vezes com dores e sofrimentos em longo prazo e perda do controle sobre as funciones mentais e corporais. As mortes por câncer se caracterizam por uma demanda física e mental à que estão expostos tanto os pacientes como seus familiares, estendendo-se durante largos períodos de tempo.
Ballone GJ - Psiquiatria
Oncológica - in. PsiqWeb, Internet, disponível em
<.http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/cancer3.html>revisto
em 2002

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