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CARDIOLOGIA E PSICOSSOMÁTICA
Personalidade tipo A

Não se pretende afirmar que os enfartados de um modo geral tenham personalidades afins, idênticas, nem tampouco semelhantes. Nada disso. O que se afirma é que pessoas portadoras de alguns traços de personalidade, normalmente de natureza ansiosa, são propensas a problemas coronarianos mais que pessoas sem esses traços.

Também se contesta, de modo geral, que a personalidade dessas pessoas seja constitucionalmente do jeito que se descreve. Nada disso. O que há de comum nesse tipo definido como A de personalidade, é a contundente inclinação à ansiedade exagerada. Os tipos de comportamento decorrente da maneira ansiosa de se viver são mais culturais que biológicos. A competitividade, por exemplo, traço marcante de comportamento da Personalidade Tipo A, só é estimulado pela civilização da produção e do sucesso social, portanto, valores culturais.

 

Índice de Cardiologia Psicossomática

- Psicossomática
- Psicotrópicos 
- Personal. Tipo A
- O Enfartado
- O Hipertenso
- A emoção na UTI
- Doença e o Doente
- Arritmias e Depressão
- Coagulação 

   


Infarto do Miocárdio e Personalidade Tipo A

Apesar de sempre se suspeitar de que o estado emocional alterado, a ansiedade excessiva e os conflitos emocionais crônicos estivessem relacionados ao aumento da incidência de enfermidades cardiovasculares, atualmente já se acumulou evidências suficientes para atestar que o estresse social e o comportamento chamado de Tipo A, aumentaram significativamente os riscos de doença cardiocirculatória, principalmente a doença coronariana do tipo Infarto do Miocárdio.

A associação estresse-doença coronariana foi observada, inicialmente, nos próprios médicos. Já em 1910, Willian Osler enfatizava que um dos aspectos característicos da profissão de médico, qual seja, trabalho contínuo, rotineiro e de extrema responsabilidade, eram os responsáveis pelo aparecimento dos sintomas anginosos referidos pelos médicos que padeciam da doença aterosclerótica.

Na década de 1940, Flanders Dumbar já descrevia algumas características de comportamento do paciente coronariano. Dizia que eles eram considerados pessoas compulsivas, com tendência ao trabalho contínuo, hiperativos, desprezavam as férias e não dividiam responsabilidades. Mais marcante ainda era a tendência dessas pessoas minimizarem seus sintomas, possivelmente temendo afastarem-se do trabalho e, taxativamente, negavam estar eventualmente emocionadas ou depressivas.

A descrição, classificação e denominação de Personalidade Tipo A, contudo, foram conceitos introduzidos na literatura médica por Friedman e Rosenman depois de 195O. De acordo com estes autores, existiria um tipo de personalidade chamada Tipo A, o qual se relacionaria à maior propensão para a cardiopatia isquêmica.

Estava pois, caracterizada a Personalidade Tipo A, como sendo portadora de um marcante traço para a ação e emoção, resultando numa atitude de contínua e vigorosa luta em direção aos objetivos, menosprezo às eventuais circunstâncias adversas e afetação especial para com o aproveitamento laborativo do tempo.

OUADRO 1 - CARACTERÍSTICAS DE COMPORTAMENTO NO TIPO A DE PERSONALIDADE
1. Tendência para procurar atingir metas não bem definidas ou muito altas;
2. Acentuada impulsão para competir;
3. Desejo contínuo de ser reconhecido e de progredir;
4. Envolvimento em múltiplas funções;
5. Impossibilidade prática (falta de tempo) para terminar alguns empreendimentos;
6. Preocupação física e mental;
7. Incapacidade de relaxamento satisfatório, mesmo em épocas de folga;
8. Insatisfação crônica com as realizações;
9. Grau de ambição está sempre acima do que obtém;
10. Movimentos rápidos do corpo;
11. Tensão facial;
12. Entonação emotiva e explosiva na conversação normal;
13. Mãos e dentes quase sempre apertados

Além disso, a Personalidade Tipo A parece ser um complexo ação/emoção caracterizado por uma luta contínua, crônica e incessante na tentativa de atingir mais em menos tempo, abrigando uma hostilidade dissimulada e constante. O sentido de urgência no tempo e a hostilidade manifesta ou dissimulada dão origem a aborrecimentos, irritação, rancor e impaciência, sentimentos que podem ser considerados os pontos centrais da Personalidade Tipo A.

Atualmente tem-se admitido que a Personalidade Tipo A não é uma personalidade exclusivamente biológica e inata, resultando também, de hábitos e padrões adquiridos na juventude, através de experiências domésticas e externas, carência material, abandono e outras adversidades. Esse tipo de personalidade pode ser encontrado em todas as classes sociais, e é mais bem observada em pessoas com trabalho ativo entre 30 e 50 anos.

Por outro lado, os indivíduos com a chamada Personalidade Tipo B mostram um padrão oposto de comportamento. Eles não apresentam sistematicamente níveis significativos de aborrecimento, de irritação, de rancor ou de impaciência. Normalmente eles se mostram seguros, firmes, sem pressa, têm conhecimento de suas qualidades intrínsecas e sabem fazer bom uso delas. A pessoas Personalidade Tipo B podem ser seguras, tranqüilas, não são competitivas e tem grande capacidade de captar e receber afeições.

Relação Personalidade Tipo A e Coronariopatia

Vários cardiologistas e fisiopatologistas vêm chamando atenção sobre as possíveis inferências que o estado emocional sobre a dinâmica do coração. Esse conhecimento pode ser constatado depois do aparecimento das novas técnicas de investigação cardiocirculatória.

Assim como os níveis de colesterol, de pressão arterial, o consumo de tabaco, café e bebida alcoólica e o sedentarismo, podiam ser relacionadas à incidência das doenças coronarianas, também as características faciais dos pacientes, suas vozes, suas manifestações psicomotoras, e seu comportamento social, ocupacional e emocional passaram a ser importantes.

Após a caracterização dos Tipos A e B de personalidade, observou-se que a incidência da coronariopatia no indivíduo Tipo A era, simplesmente, 7 vezes maior que no Tipo B. Tal observação propiciou a formação, na década de 1970, do "Western Collaborative Study Group" (WCGS) nos Estados Unidos, cuja finalidade era avaliar pessoas com padrão de comportamento A e B e os portadores de coronariopatia.

NECRÓPSIA DE 51 CASOS DE FALECIMENTO*

Personalidade

No.

39 a 49 anos

50 a 59 anos

Por cardiopatia

%

A

35

10

12

22

62

B

16

2

1

3

19

*Tabela de 1975 da WCGS. Note-se que a grande maioria dos óbitos de Personalidade Tipo B ocorreu fora da faixa etária dos 39-59 anos e a maioria da Personalidade Tipo A ocorreu nessa faixa mais precoce.

Personalidade Tipo A em Mulheres

Com a participação ativa da mulher na força de trabalho atual, evidentemente ela se tornou também vulnerável a alguns estados patológicos anteriormente exclusivos dos homens e acabou perdendo aspectos importantes de sua vantagem biológica. Com isso a mulher passou a ter também altos índices de mortalidade por problemas coronarianos.

Sabe-se que alguns tipos de ocupação favorecem a manifestação da Personalidade Tipo A, e como a grande maioria das ocupações deixou de ser monopólio masculino, essa Personalidade Tipo A passou a incidir praticamente em igualdade entre os sexos. Assim, observa-se que a ocupação de executivo aumenta o risco de coronariopatia em mulheres.

Uma das curiosidades das pesquisas sobre a Personalidade Tipo A em mulheres mostra que o risco de desenvolvimento da doença coronária em mulheres Tipo A é maior entre mulheres com funções executivas e, simultaneamente, com atribuições de trabalho doméstico do que naquelas com trabalho externo mas não envolvidas no trabalho doméstico. Considerando mulheres Tipo A com trabalho externo e homens Tipo B, também com trabalho externo, também há risco aumentado de doença na mulher Tipo A.

Vários autores têm sugerido que tanto a mulher quanto o homem Tipo A apresentam aumento da atividade do Sistema Nervoso Autônomo do tipo simpaticotônico (com predomínio das atividades adrenérgicas), fato não encontrado nas pessoas tidas como Tipo B. Como conseqüência disso, também se observam, entre os tais Tipos A e B, diferenças importantes na pressão arterial e freqüência cardíaca.

Fisiopatologicamente sabe-se, hoje em dia, da relação entre a maior descarga simpática e o desenvolvimento de aterosclerose. As alterações hemodinâmicas provocam aumento da tensão na superfície das artérias ocasionando lesão endotelial e criando assim a formação da placa ateromatosas.

Esses estudos sugerem que a doença coronariana aterosclerótica, condição principal para o desenvolvimento de infarto do miocárdio, é de etiologia multifatorial, destacando-se entre esses fatores o tabagismo, a dieta gordurosa, a hipertensão arterial, o sedentarismo e, principalmente, a Personalidade Tipo A.

Patologia da Personalidade Tipo A

No final da década de 50 verificou-se que indivíduos com padrão de comportamento Tipo A eram portadores de níveis sanguíneos mais elevados de colesterol e triglicérides e que, quando submetidos ao estresse de competição, no período pós prandial (depois das refeições), apresentavam elevação maior ainda dos níveis séricos destas gorduras.

Este nível elevado de triglicérides, associado a maior tendência de agregação das hemácias, pode ter importante participação no desenvolvimento de fenômenos de trombose, um dos fatores da doença coronária.

Por outro lado, foi demonstrado em ratos quando que a estimulação do hipotálamo por fatores estressantes, favorece alterações no metabolismo do colesterol e triglicérides juntamente com uma diminuição do fluxo sanguíneo na veia porta. Além disso, pacientes do Tipo A envolvidos em estresse agudo podem desenvolver taxas elevadas de hormônio de crescimento, o qual tem papel importante no metabolismo do colesterol. Para o melhor entendimento das reações orgânicas da ansiedade exagerada, podemos conceituar o estresse como um conjunto de reações do organismo, decorrentes da manifestação psíquica ou orgânica capazes de perturbar a homeostase do organismo todo.

Assim sendo, a ansiedade, a reação emocional. a dor física ou a perda de sangue em grandes cirurgias são capazes de desencadear fenômenos de estresse que, quando agudos, após situação de raiva ou medo, podem desencadear o infarto do miocárdio. Indivíduos normais submetidos a estresse agudo também podem apresentar alterações eletrocardiográficas do tipo ST-T e/ou presença de extrassístoles, como por exemplo, saltar de pára-quedas, falar em público etc. Tais ocorrências podem ser abolidas se administradas drogas bloqueadoras dos receptores adrenérgicos.

Personalidade Tipo A em Mulheres

Com a participação ativa da mulher na força de trabalho atual, evidentemente ela se tornou também vulnerável a alguns estados patológicos anteriormente exclusivos dos homens e acabou perdendo aspectos importantes de sua vantagem biológica. Com isso a mulher passou a ter também altos índices de mortalidade por problemas coronarianos.

Sabe-se que alguns tipos de ocupação favorecem a manifestação da Personalidade Tipo A, e como a grande maioria das ocupações deixou de ser monopólio masculino, essa Personalidade Tipo A passou a incidir praticamente em igualdade entre os sexos. Assim, observa-se que a ocupação de executivo aumenta o risco de coronariopatia em mulheres.

Uma das curiosidades das pesquisas sobre a Personalidade Tipo A em mulheres mostra que o risco de desenvolvimento da doença coronária em mulheres Tipo A é maior entre mulheres com funções executivas e, simultaneamente, com atribuições de trabalho doméstico do que naquelas com trabalho externo mas não envolvidas no trabalho doméstico. Considerando mulheres Tipo A com trabalho externo e homens Tipo B, também com trabalho externo, também há risco aumentado de doença na mulher Tipo A.

Vários autores têm sugerido que tanto a mulher quanto o homem Tipo A apresentam aumento da atividade do Sistema Nervoso Autônomo do tipo simpaticotônico (com predomínio das atividades adrenérgicas), fato não encontrado nas pessoas tidas como Tipo B. Como conseqüência disso, também se observam, entre os tais Tipos A e B, diferenças importantes na pressão arterial e freqüência cardíaca.

Fisiopatologicamente sabe-se, hoje em dia, da relação entre a maior descarga simpática e o desenvolvimento de aterosclerose. As alterações hemodinâmicas provocam aumento da tensão na superfície das artérias ocasionando lesão endotelial e criando assim a formação da placa ateromatosas.
Esses estudos sugerem que a doença coronariana aterosclerótica, condição principal para o desenvolvimento de infarto do miocárdio, é de etiologia multifatorial, destacando-se entre esses fatores o tabagismo, a dieta gordurosa, a hipertensão arterial, o sedentarismo e, principalmente, a Personalidade Tipo A.

Patologia da Personalidade Tipo A

No final da década de 50 verificou-se que indivíduos com padrão de comportamento Tipo A eram portadores de níveis sanguíneos mais elevados de colesterol e triglicérides e que, quando submetidos ao estresse de competição, no período pós prandial (depois das refeições), apresentavam elevação maior ainda dos níveis séricos destas gorduras.

Este nível elevado de triglicérides, associado a maior tendência de agregação das hemácias, pode ter importante participação no desenvolvimento de fenômenos de trombose, um dos fatores da doença coronária.

Por outro lado, foi demonstrado em ratos quando que a estimulação do hipotálamo por fatores estressantes, favorece alterações no metabolismo do colesterol e triglicérides juntamente com uma diminuição do fluxo sanguíneo na veia porta. Além disso, pacientes do Tipo A envolvidos em estresse agudo podem desenvolver taxas elevadas de hormônio de crescimento, o qual tem papel importante no metabolismo do colesterol. Para o melhor entendimento das reações orgânicas da ansiedade exagerada, podemos conceituar o estresse como um conjunto de reações do organismo, decorrentes da manifestação psíquica ou orgânica capazes de perturbar a homeostase do organismo todo.

Assim sendo, a ansiedade, a reação emocional. a dor física ou a perda de sangue em grandes cirurgias são capazes de desencadear fenômenos de estresse que, quando agudos, após situação de raiva ou medo, podem desencadear o infarto do miocárdio. Indivíduos normais submetidos a estresse agudo também podem apresentar alterações eletrocardiográficas do tipo ST-T e/ou presença de extrassístoles, como por exemplo, saltar de pára-quedas, falar em público etc. Tais ocorrências podem ser abolidas se administradas drogas bloqueadoras dos receptores adrenérgicos.

Personalidade Tipo A em Mulheres

Com a participação ativa da mulher na força de trabalho atual, evidentemente ela se tornou também vulnerável a alguns estados patológicos anteriormente exclusivos dos homens e acabou perdendo aspectos importantes de sua vantagem biológica. Com isso a mulher passou a ter também altos índices de mortalidade por problemas coronarianos.

Sabe-se que alguns tipos de ocupação favorecem a manifestação da Personalidade Tipo A, e como a grande maioria das ocupações deixou de ser monopólio masculino, essa Personalidade Tipo A passou a incidir praticamente em igualdade entre os sexos. Assim, observa-se que a ocupação de executivo aumenta o risco de coronariopatia em mulheres.

Uma das curiosidades das pesquisas sobre a Personalidade Tipo A em mulheres mostra que o risco de desenvolvimento da doença coronária em mulheres Tipo A é maior entre mulheres com funções executivas e, simultaneamente, com atribuições de trabalho doméstico do que naquelas com trabalho externo mas não envolvidas no trabalho doméstico. Considerando mulheres Tipo A com trabalho externo e homens Tipo B, também com trabalho externo, também há risco aumentado de doença na mulher Tipo A.

Vários autores têm sugerido que tanto a mulher quanto o homem Tipo A apresentam aumento da atividade do Sistema Nervoso Autônomo do tipo simpaticotônico (com predomínio das atividades adrenérgicas), fato não encontrado nas pessoas tidas como Tipo B. Como conseqüência disso, também se observam, entre os tais Tipos A e B, diferenças importantes na pressão arterial e freqüência cardíaca.

Fisiopatologicamente sabe-se, hoje em dia, da relação entre a maior descarga simpática e o desenvolvimento de aterosclerose. As alterações hemodinâmicas provocam aumento da tensão na superfície das artérias ocasionando lesão endotelial e criando assim a formação da placa ateromatosas.

Esses estudos sugerem que a doença coronariana aterosclerótica, condição principal para o desenvolvimento de infarto do miocárdio, é de etiologia multifatorial, destacando-se entre esses fatores o tabagismo, a dieta gordurosa, a hipertensão arterial, o sedentarismo e, principalmente, a Personalidade Tipo A.

Patologia da Personalidade Tipo A

No final da década de 50 verificou-se que indivíduos com padrão de comportamento Tipo A eram portadores de níveis sanguíneos mais elevados de colesterol e triglicérides e que, quando submetidos ao estresse de competição, no período pós prandial (depois das refeições), apresentavam elevação maior ainda dos níveis séricos destas gorduras.

Este nível elevado de triglicérides, associado a maior tendência de agregação das hemácias, pode ter importante participação no desenvolvimento de fenômenos de trombose, um dos fatores da doença coronária.

Por outro lado, foi demonstrado em ratos quando que a estimulação do hipotálamo por fatores estressantes, favorece alterações no metabolismo do colesterol e triglicérides juntamente com uma diminuição do fluxo sanguíneo na veia porta. Além disso, pacientes do Tipo A envolvidos em estresse agudo podem desenvolver taxas elevadas de hormônio de crescimento, o qual tem papel importante no metabolismo do colesterol. Para o melhor entendimento das reações orgânicas da ansiedade exagerada, podemos conceituar o estresse como um conjunto de reações do organismo, decorrentes da manifestação psíquica ou orgânica capazes de perturbar a homeostase do organismo todo.

Assim sendo, a ansiedade, a reação emocional. a dor física ou a perda de sangue em grandes cirurgias são capazes de desencadear fenômenos de estresse que, quando agudos, após situação de raiva ou medo, podem desencadear o infarto do miocárdio. Indivíduos normais submetidos a estresse agudo também podem apresentar alterações eletrocardiográficas do tipo ST-T e/ou presença de extrassístoles, como por exemplo, saltar de pára-quedas, falar em público etc. Tais ocorrências podem ser abolidas se administradas drogas bloqueadoras dos receptores adrenérgicos.

 


A idéia de buscar fora da pessoa os elementos que explicassem seu comportamento e sua desenvoltura vivencial teve ênfase com as teorias de Russeau, segundo o qual era a sociedade quem corrompia o homem. Subestimou-se a possibilidade da sociedade refletir, exatamente, a totalidade das tendências humanas. Seres humanos que trazem em si um potencial corruptor o qual, agindo sobre outros indivíduos sujeito à corrupção, produzem um efeito corruptível. Ou seja, trata-se de um demérito tipicamente humano.

Outra concepção acerca da Personalidade foi baseada na constituição biotipológica, segundo a qual a genética não estaria limitada exclusivamente à cor dos olhos, dos cabelos, da pele, à estatura, aos distúrbios metabólicos e, às vezes, às malformações físicas, mas também, determinaria às peculiares maneiras do indivíduo relacionar-se com o mundo: seu temperamento, seus traços afetivos, etc.

As considerações extremadas neste sentido descartam qualquer possibilidade de influência do meio sobre o desenvolvimento e performance da Personalidade e atribui aos arranjos sinápticos e genéticos a explicação de todas características da personalidade da pessoa.
Buscando um meio termo, como apelo ao bom senso, podemos considerar a totalidade do ser humano como sendo um balanço entre duas porções que se conjugam de forma a produzir a pessoa tal como é:

1- uma natureza biológica, tendo por base nossa natural submissão ao reino animal e nossa submissão também às leis da biologia, da genética e dos instintos. Assim sendo, os genes herdados se apresentam como possibilidades variáveis de desenvolvimento em contacto com o meio (e não como certeza inexorável de desenvolvimento);
2- uma natureza existencial, suprabiológica conferindo à Personalidade elementos que transcendem o animal que repousa em nós. A pessoa, ser único e individual, distinto de todos outros indivíduos de sua espécie, traduz a essência de uma peculiar combinação bio-psico-social.

Ao lado das Tendências Naturais, capazes de identificar todos nós como pertencentes à mesma espécie, vamos encontrar as peculiaridades próprias e particulares com as quais cada um se apresentará e se relacionará com o mundo. Allport ilustra estas diferenças funcionais de cada um através de suas considerações sobre os TRAÇOS PESSOAIS; verdadeiros arranjos pessoais e constitucionais determinados por fatores genéticos, os quais, interagindo com o meio em maior ou menor intensidade, resultariam numa característica psíquica capaz de particularizar um indivíduo entre todos os demais de sua espécie(6).

Entende-se os traços herdados como possibilidades de vir a ser e não como uma certeza de que será. Há uma quantidade enorme, ainda pouco delimitada pela genética, de traços possíveis de transmissão hereditária, porém, apenas parte desses traços se manifestarão no indivíduo. Esta maneira singular da pessoa interagir com seu mundo, decorrente de seus traços pessoais, pode ser chamada de DISPOSIÇÃO PESSOAL.

Assim, conhece-se por Disposição Pessoal, a tradução no indivíduo da combinação particular de traços que se manifestam em sua personalidade, combinação esta só possível nele próprio. Desta feita, a Disposição Pessoal de um indivíduo confunde-se com sua própria Personalidade, sua maneira particular de lidar com a vida, com o mundo e com suas próprias emoções.

É possível, como mostraram inúmeros autores, agrupar indivíduos de acordo com determinadas características psíquicas mais ou menos comuns aos diversos grupos. Temos assim classificações que reconhecem os introvertidos, extrovertidos, sensitivos, pensativos, intuitivos, sentimentais ou, de outra forma, os explosivos, melancólicos, obsessivos, e assim por diante. Trata-se do reconhecimento de traços predominantes na personalidade ou na maneira de ser, de tal forma que permitem uma classificação. Isso não quer dizer, de forma alguma, que a Personalidade total dos indivíduos classificados desta ou daquela maneira seja idêntica em todos do mesmo grupo: entre todos introvertidos, cada qual dispõe de uma Personalidade peculiar e apenas manifestam em comum uma tonalidade afetiva depressiva com sua conseqüente apresentação social introvertida. Veja Teorias da Personalidade

Outro tipo de personalidade que predispõe pessoas à patologia cardíaca é o Transtorno Obsessivo-Compulsivo da Personalidade.

Há, neste Transtorno de Personalidade, um padrão generalizado de perfeccionismo e inflexibilidade. As pessoas assim preocupam-se com a observância das normas, das regras, com a organização e com os detalhes. Normalmente são escravizados pelo simétrico, pelo limpo e pela ordem das coisas, desde a arrumação de seus pertences pessoais (guarda-roupas, gavetas, mesas), até a organização extremamente cuidadosa de coisas relacionadas à ocupação e profissão.

A preocupação com a origem geral das coisas é tanta que, não raras vezes, é impossível conciliar o sono se vier-lhes à mente a impressão de que os chinelos estão desarrumados, ou que há uma gaveta semi-aberta, ou que talvez a porta não esteja trancada e assim por diante. Evidentemente, observamos também um zelo exagerado para com a arrumação do banheiro, havendo desconforto se este se encontrar respingado, com uma torneira gotejante ou com algo fora de lugar.

Estas pessoas são incapazes de suportar tudo aquilo que consideram como infração às suas próprias determinações de organização, por isso são inflexíveis consigo próprios e com os que lhes são mais próximo na observância de suas leis. O exagerado perfeccionismo, a precisão meticulosa na arrumação das coisas e a constante repetitividade para que tudo saia da forma obsessivamente idealizada tornam estes indivíduos muito enfadonhos.

Estas características de obsessão rigidamente voltadas para a perfeição, somadas ao medo de que algo pode não estar perfeito fazem com que estas pessoas tenham muita dificuldade para terminarem aquilo que começaram. Não importa quão boa esteja a realização em pauta mas sim a obsessiva impressão de que algo esteja faltando, algo não esteja correto ou imperfeito.

Os obsessivos têm dificuldade em expressar sentimentos de ternura, compaixão e compreensão aos sentimentos e comportamentos dos outros. Quando eles se dão ao luxo do lazer e recreação, fazem isso com tanto planejamento e meticulosidade a ponto de sacrificarem o próprio prazer em benefício das regras e normas para que tenham prazer.Veja Teorias da Personalidade

 

 

 

Resposta Emocional do Paciente de UTI

A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) se destaca por seus recursos altamente tecnológicos e especializados, tornando-se indispensável na assistência ao cardiopata. Mas o impacto da ameaça à vida faz com que um número crescente de pacientes de UTI necessitem imperiosamente de cuidados psiquiátricos intensivos durante a internação. A internação em UTI promove, quase invariavelmente, um desequilíbrio emocional no paciente.

As respostas de ansiedade e depressão nos pacientes de UTI são facilmente observadas e estão entre os principais diagnósticos psicológicos. Também o delirium, um quadro confusional agudo, pode estar presentes em diferentes tipos de UTI. Após as primeiras 24 h de internação é possível começar a se delinear as reações emocionais desses pacientes, desde que estejam orientados e conscientes sobre a possibilidade de morte.

Segundo algumas pesquisas, nos 2 primeiros dias de internação, o principal diagnóstico é a ansiedade, juntamente com a atitude de recusar o tratamento e solicitações de alta a pedido. A depressão ou desespero costuma aparecer principalmente após o 4º dia de internação, período onde começa decrescer a ansiedade. Esse estado depressivo costuma persistir nos dias subseqüentes.

A ansiedade pode, resposta normal do ser humano ao desconhecido, pode se manifestar como Estado Ansioso, circunstancial e transitório, caracterizada por sentimentos desagradáveis de tensão e apreensão conscientemente, e como Personalidade Ansiosa, quando a pessoa tem um traço arraigado de reagir a situações adversas sempre com ansiedade mais intensa que a média das pessoas.

A Depressão seria a resposta emocional caracterizada pelo abatimento do humor, interesse diminuído, distúrbio do sono, agitação ou lentificação psicomotora, fadiga e perda de energia, sentimento de desvalia ou culpa, diminuição da capacidade de pensar e se concentrar, pensamento recorrente sobre a morte.

Ansiedade e Depressão variam segundo diversos fatores numa situação de internação em UTI.
É interessante que o paciente se familiarize com as rotinas da unidade, conheça a equipe e seja orientado quanto a sua situação e procedimentos, o mais rapidamente possível para quer a ansiedade e depressão comece a ceder.

A atenção psicológic adequada faz com que após o 2º ou 3º dia de internação, os pacientes acreditem que sua situação é melhor e a preocupação excessiva diminui. O ideal será oferecer uma atenção psicológica necessária para que os pacientes aceitem a internação como uma boa (ou melhor) forma de restabelecimento da saúde.

Veja mais: Internação em UTI. Variáveis que Interferem na Resposta Emocional
Maria Alice F. P. Novaes, Bellkiss Wilma Romano, Silvia G. Lage
Instituto do Coração do Hospital das Clínicas - FMUSP , São Paulo, SP
Arquivos Brasileiros de Cardiologia 67(2):, 1996

Psicossomática e Cardiologia
Psicotrópicos na Cardiologia
Personalidade Tipo A
O Coronariano e o Infartado
O Hipertenso
A resposta emocional do paciente de UTI
Depressão e Arritmias 
Coagulação e Depressão
A Doença Cardíaca Segundo o Paciente

Ballone GJ - Personalidade Tipo A e Cardiologia - in. PsiqWeb, Internet, 2001 - disponível em <http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/cardiologia3.html>2003

 

Copyright © G.J.Ballone 2003