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Índice de Psiq-Oncologia

Imunidade e Emoção

Câncer e Emoções

Ansiedade no Câncer

Depressão no Câncer

Pesar e Luto da Família

Crianças diante da perda

Crianças com Câncer

Disf. Sexual no Câncer

Lidando com a morte

Medicina Paliativa

 



 

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Medicina Paliativa e Qualidade de Vida

Parte 1

O grande desenvolvimento da Medicina nas últimas décadas do século XX, junto com as melhoras das condições de vida, tem feito com que a expectativa de sobrevivência do ser humano venha aumentando continuadamente. No começo do século XX a expectativa de vida era em torno de 34 anos e, na atualidade, já passa dos 80 anos em países desenvolvidos. Este fato tem feito aumentar a incidência de doenças crônicas, degenerativas e de câncer.
Desafortunadamente, todos os esforços da ciência para aumentar a quantidade da vida humana podem ser inutilizados, em boa parte, se a medicina não minimizar o significativo prejuízo que essas doenças crônicas e degenerativas podem produzir na qualidade da vida.

Evitando pessoas de adoecerem a medicina já estaria cumprindo seu papel na melhoria da quantidade e da qualidade de vida. Porém, a pergunta intrigante é: o que a medicina tem feito para aqueles que adoeceram e, principalmente, para aqueles que não têm cura? É nesse ponto que aparece a Medicina Paliativa.Ao médico cumpre curar sempre, em não curando, aliviar sempre e, em não aliviando, consolar. Por incrível que possa parecer, com o avanço desacoplado e desproporcional da medicina em relação à humanização da mesma, tornou-se mais comum curar que aliviar. Consolar então, nem se fala, embora não faltem recursos para ambos.

 

Índice da Paliativa  

A Pessoa Doente

Fase Curativa e Paliativa

Qualidade da Vida e Morte

O Paciente Terminal

Família e Paliativa

Emoção e Dor

Dor, Depressão e Suicídio

Dor e Antidepressivos

Dor e Pensar Positivamente

O Centro de Terapia da Dor e Medicina Paliativa do Hospital Amaral Carvalho tem um artigo publicado na internet muito interessante sobre Medicina Paliativa. Veja um trecho:

"Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de 50% dos futuros pacientes com diagnóstico de câncer irão evoluir para o quadro de fora de possibilidade de cura. Mesmo em fase terminal, a qualidade de vida desses pacientes pode ser mantida em níveis satisfatórios, através de técnicas utilizadas em Medicina Paliativa

Algumas doenças degenerativas, particularmente o câncer, apresentam sintomas decorrentes da patologia de base, muitas vezes insuportáveis, confinando os pacientes que evoluiram para o estágio terminal a um modus vivendi fora de qualquer condição aceitável dentro da medicina atual.

Não há dúvidas que a medicina moderrna tem travado e vencido muitas batalhas na guerra contra o câncer, mas há um universo considerável de doentes para os quais essa luta não faz o menor sentido, já que as principais conquistas se aplicam numa fase inicial da doença. Para esses pacientes, fora de qualquer possibilidade de cura, resta o sepultamento em vida e o confinamento a um leito, sofrendo os efeitos colaterais de um mal incurável.

Dados da OMS revelam que 80% dos portadores de câncer avançado terão dores intensas e insuportáveis na fase terminal da doença. Outros sintomas como tosses, soluços, diarréias persistentes, ulcerações tumorais com mau cheiro, vômitos incoercíveis, infecções micóticas orais e bacterianas secundárias do tumor e do trato gastro intestinal, entre outros, também estarão presentes na fase terminal.

A Medicina Paliativa tem dado importante contribuição na amenização desses sintomas. A definição mais aceita no meio clínico para medicina paliativa é exatamente aquela encontrada nos dicionários médicos para o termo paliativo (do latim palliatus: encobrir, mascarar; de palliun, manto, capote, disfarce): que alivia, que mitiga, mas não cura.

Sem a pretensão da cura (pela sua impossibilidade), a meta principal é proporcionar o máximo conforto possível, dentro da vida remanescente do doente, dando ênfase ao controle adequado destes sintomas e aos aspectos emocionais, espirituais, sociais e familiares do paciente.

Uma das maiores autoridades mundiais no assunto, o Dr. Robert Twicross, catedrático da Universidade de Oxford e chefe dos programas educativos da OMS, nesta área, definiu assim a medicina paliativa: "Medicina Paliativa é uma atividade que visa tão somente maximizar a qualidade de vida remanescente de pacientes fora de posssibilidade de cura e de seus familiares, usando técnicas que aumentam o conforto mas não aumentam nem diminuem a sobrevida do doente". Veja o artigo todo

 

 

Existem, infelizmente, muitas doenças e situações médicas onde ainda não tem sido possível a cura mas, nem por isso, a Medicina deve se acomodar e negligenciar o muito que tem para ser feito. O paciente tem direito a pleitear sempre um alívio da dor, uma melhor qualidade de vida e, não obstante, uma melhor qualidade de morte.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, Cuidados Paliativos são aqueles que consistem na assistência ativa e integral a pacientes cuja doença não responde mais ao tratamento curativo, sendo o principal objetivo a garantia da melhor qualidade de vida, tanto para o paciente como para seus respectivos familiares.

A Oncologia tem sido capaz de curar em torno de 50% dos pacientes diagnosticados de câncer. Embora tenhamos saltado de escassos 5% de cura, na primeira década do Século XX, até os 50% dos casos na atualidade, ainda restam metade dos pacientes que chegam à dura fase do câncer onde se costuma dizer “estão esgotadas todas as possibilidades terapêuticas que não sejam aquelas meramente sintomáticas ou paliativas”.

A Medicina Paliativa nasceu da necessidade de melhorar a qualidade de vida dos pacientes para os quais a cura não é mais possível e a qualidade de vida está ou estará em breve deteriorada. O objetivo concreto dessa área da saúde é aliviar os sintomas decorrentes de doenças degenerativas, crônicas e refratárias, favorecer o melhor possível as atividades do paciente, oferecer adequada atenção emocional e social, tanto ao paciente quanto à própria família.

O controle dos sintomas do enfermo com doenças crônicas, degenerativas, dolorosas e/ou fortemente limitantes da qualidade de vida, deve ser abordado não só do ponto de vista farmacológico, senão também do ponto de vista psicológico, social, ético, filosófico, religioso, familiar, etc... Felizmente, parece que algumas vozes mais humanitárias estão se juntando num eloqüente coro moral para que a medicina, como qualquer outra área da atividade humana, se adeqüe ao próprio ser humano, tomando-o por uma pessoa que sente, sonha e aspira alguma coisa além do perfeito equilíbrio hidro-eletrolítico.

Portanto, diante da necessidade em se ultrapassar a lida farmacológica para portadores de doenças crônicas, degenerativas, dolorosas e/ou fortemente limitantes, podemos considerar a Medicina Paliativa apenas como um dos integrantes do Tratamento Paliativo; é preciso tratar tanto dos problemas físicos, quanto dos familiares, sociais e econômicos criados pela evolução dessas doenças degenerativas, crônicas e refratárias.

 

Medicina Paliativa e a Pessoa Doente

A medicina, através de seu lado mais técnico e científico, sempre sabe do prognóstico biológico da doença, mas quase nada sabe do prognóstico biográfico do doente. Conhecemos como está funcionando o fígado do paciente, mas ignoramos quase todo o resto sobre a pessoa que vive em torno desse fígado: suas preocupações, angústias, medos, ilusões, projetos, valores, prioridades e, principalmente, desejos.

Embora possa parecer redundante, é bom lembrarmos que a doença sempre acomete uma pessoa concreta e, por isso, deve ser abordada dentro da individualidade própria de cada doente, dentro das peculiaridades desse ser humano particular, com suas características próprias de personalidade, de família e de relações sociais.

Portanto, será essa pessoa individualizada e doente quem, de fato, terá mais direito e autoridade em sentir sua doença, suas dores e suas queixas dessa ou daquela maneira. E suas queixas e dores nem sempre conseguem acompanhar a rotina do hospital, atender aos horários das medicações analgésicas... Nem sempre é possível que essa pessoa durma ou se mantenha no leito o número de horas e os horários mais adequados à enfermagem...

A prática clínica deve levar em consideração aspectos mais globais do paciente, ir além do fazer medicamente e fisiologicamente correto. Isso faz lembrar dos pacientes que, tendo de submeterem-se a algum diagnóstico por imagens, eram deixados em jejum. Evidentemente está correto. Entretanto, muitos casos iam ao centro de diagnóstico às 18 horas e tinham estado em jejum desde as 0 horas. Talvez teriam um dia mais saudável num campo de concentração.

Não esqueço também uma passagem cômica (e triste) ocorrida num hospital que trabalhava, onde os pacientes internados eram acordados às 23 horas para tomarem a medicação para dormir.

Lamentavelmente a atenção médica emocional aos pacientes gravemente enfermos tem sido algo insatisfatória. Não é incomum que os profissionais clínicos se mostrem indiferentes à angústia e até ao próprio sofrimento de seus pacientes. Tenho certeza de que não se trata de algo proposital, mas alguma coisa relacionada à falta de percepção dos aspectos biológicos, sociais e existenciais do paciente que ultrapassam os limites da especialidade do médico, os limites órgão ou sistema de sua formação profissional.

Mas nós temos que aprender que quando a pessoa adoece, ela o faz de forma integral, não em parcelas, partes ou prazos. Todos os componentes do ser humano ficam afetados e cada um deles demanda sua própria sintomatologia, sua própria necessidade. Assim, a doença gera sintomas físicos como a dor, desequilíbrios metabólicos, limitações e, com a mesma tenacidade, gera também sintomas emocionais, como o medo, ansiedade, ira, depressão, necessidades espirituais, sentimentos de culpa, de perdão, de paz interior... Além disso tudo, a doença determina ainda necessidades sociais como apoio, conforto material, segurança econômica, consideração por parte dos demais, não abandono.

Exigir que o médico assistente, clínico, cirurgião, oncologista, etc, saiba como lidar com todos esses aspectos inerentes ao adoecer seria um contra-senso, mas no mínimo, seria lícito pedir para que seja sensível o suficiente para chamar, pedir e facultar o atendimento por parte de outros profissionais.

O Tratamento Paliativo envolve uma equipe de profissionais médicos e não-médicos com o propósito de melhorar a qualidade de vida global do paciente com um quadro grave, geralmente limitante, doloroso e extremamente incômodo, melhorar a qualidade de vida da família desses pacientes e, finalmente, melhora a qualidade de sua morte.

 

Fase Curativa e Fase Paliativa

O objetivo principal na fase inicial do tratamento do câncer ou de outro quadro muito grave é, sem dúvida, modificar a historia natural da doença. A iniciativa médica para mudança favorável no curso da doença constitui a fase curativa.

Mas com certa freqüência há um período de transição durante a lide com uma doença grave. Esse período é desconfortável e se situa entre a fase curativa, onde os recursos terapêuticos são viáveis e os resultados são mais visíveis, até a fase paliativa

Na fase curativa, diante de expectativas otimistas e esperançosas, a dor, os vômitos, a ansiedade, a cirurgia, a internação, enfim, todas as seqüelas indesejáveis do tratamento são bem toleradas e, inclusive, bem aceitas por pacientes, familiares e equipe de saúde.

A fase paliativa, entretanto, é uma etapa muito mais problemática. Nessa fase os objetivos terapêuticos estão pouco definidos, confusos, contraditórios ou ambivalentes. Aqui é quando ocorrem recaídas da doença, quando voltam as dores, aumentam as dúvidas e o pessimismo. Nessa fase o peso dos efeitos colaterais do tratamento pode começar a sobrepor-se aos benefícios.

É nessa fase, a paliativa, que a autonomia do paciente deve adquirir maior relevância e autoridade na tomada de decisões. Para tal, é fundamental que o médico e a família tenham plena noção do curso da doença, da fase em que se encontra e do que, realmente, está ao alcance da medicina sem sacrificar a já precária qualidade de vida do paciente.

O herói dos tratamentos heróicos não é o médico, senão o paciente, e seu heroísmo só aparece quando fracassam todos os remédios disponíveis. A muitos pacientes é imposto este heroísmo involuntário, quando se sentem obrigados a consumir “tratamentos” contra a morte, líquida e certa, até o último instante.

Mas, tendo a serenidade suficiente para identificar a fase paliativa, a medicina entenderá que seu papel não é mais vencer a doença ou a morte, mas aliviar o sofrimento, limitar o mal e acalmar a dor. Nessa fase a medicina curativa não tem mais direito de imiscuir-se na vida daqueles que não a necessitam mais. Resta ainda à medicina integral, sua mais nobre função: consolar.

Nessa fase de agonia, que na realidade faz parte do trajeto vital da grande maioria das pessoas, a medicina deve preocupar-se em aliviar sintomas, acalmar dores e tratar das emoções, pois agora já não podemos negar, nem duvidar e nem nos escondermos da morte.   

 

 

 

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Para referir:

Ballone GJ - Medicina Paliativa e Qualidade de Vida, in: PsiqWeb, Internet, disponível em: <http://gballone.sites.uol.com.br/psicossomatica/paliativa.html> revisto em 2003

 

A Revista do CREMESC (Conselho Regional de Medicina de Santa Catarina), de Maio/Junho 2002 publicou pesquisa que avalia como os novos médicos lidam com a morte. 

Essa revista divulgou resultados do trabalho de Suzana Clasen Moritz, Rachel Duarte Morítz e Josiane Martins, sobre “Aceitação e Conhecimento do Tema Morte ou Morrer, dos Alunos dos Cursos de Medicina e de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina”. 

As constatações finais não deixam dúvida sobre a necessária abordagem da questão:
- Impotência e tristeza são os sentimentos que mais atingem os acadêmicos pesquisados, diante da morte dos enfermos.
- A maioria deles se sente despreparada para lidar com o fato.
- Tanto o curso de Medicina como o de Enfermagem da UFSC não preparam seus alunos para lidar com a morte de pacientes.
- Professores também estão despreparados. Veja o artigo todo intitulado "Profissionais da Saúde não Sabem Lidar com a Morte"


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