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Alguns poucos desses criminosos podem apresentar
Transtornos Neuróticos, sobretudo de tonalidade Obsessivo-Compulsiva (veja).
Apenas um grupo minoritário, de 10 a 20%, é composto por indivíduos
com graves problemas mentais, quadros com características psicóticas
alienantes, quer dizer, juridicamente inimputáveis.
Ao contrário de outros assassinos seriais, não devemos
crer, sistematicamente, que o criminoso
sexual serial é sempre impelido por incontroláveis desejos ou impulsos sexuais incoercíveis, ou qualificar esses agressores sexuais seriais como doentes mentais
alienados. A ausência de doença mental alienante, sobretudo nos violentadores
é a regra habitual e, o que se observa em geral, é que são indivíduos com condutas aprendidas numa socialização deficitária.
Antes de se avaliar cada caso, é importantíssimo distinguir o
Desvio Sexual (Parafilia) do
crime sexual. Este último transgride as leis, enquanto no Desvio Sexual essa transgressão não é obrigatória. É assim, por exemplo, que
um exibicionista (Parafilia) pode ser concomitantemente um criminoso ou,
ao contrário, um masoquista ou sádico (Parafilia) passa a vida toda
sem cometer delito algum.
Não devemos, em hipótese nenhuma, homogeneizar os
agressores sexuais sob rótulo de "loucos", simplesmente por
se tratarem de pessoas que representam o comportamento desviante, o
comportamento diferente e indisciplinado, sem que haja premente preocupação
científica para o caso de cada um. O perito não deve influenciar-se
pela intolerância social com tais comportamentos, inclinando-se
sistematicamente no diagnóstico da "loucura".
A conduta violenta pode ser melhor compreendida como sendo resultado da interação entre a personalidade prévia do autor, seu estado emocional atual, sua situação interpessoal e o contexto social em que se desenvolve o ato agressivo.
Em tese, academicamente, "a violência
consiste em ações de pessoas, grupos, classes ou nações que
ocasionam a morte de seres humanos ou que afetam prejudicialmente
sua integridade física, moral, mental ou espiritual". Para
a psiquiatria essa definição é incompleta, na medida em que não
trata de um dos
aspectos mais relevantes da agressão, ou seja, da angústia, medo, fobia
e toda sorte de ansiedades e depressões que as pessoas
experimentam depois da agressão, sabe-se lá por quanto tempo, ou
do sofrimento emocional diante da simples possibilidade de agressões, antes mesmo de terem sido perpetradas.
Juridicamente, se o comportamento sexual de uma pessoa causa dano à
outra, afeta a sexualidade de um menor, mesmo mediante seu consentimento, constituirá um delito, crime ou delinqüência.
Semiologia da conduta delinqüencial
Para poder realizar uma perícia médica sexológica correta, devemos partir da realização de uma boa semiologia do criminoso e da conduta delinqüencial. Ao considerar cada caso de delito sexual, deve-se fazer o exame da vítima e do agressor, sobretudo deste
último. Trata-se de sua
bio-psicogênese, ou seja, das características de sua personalidade,
bem como dos fatores
ambientais. Para configurar sua personalidade basal e as influências ambientais que sobre ela se fizeram sentir,
devemos avaliar sua historia vital e existencial, tentando argüir os elementos
e eventuais causas para delinqüir
(criminogênese). Atualmente existem várias escalas
preditivas do potencial agressivo que podem ser aplicadas a possíveis
criminosos seriais, como é o caso da HCR-20 (canadense), outras que
apontam para os riscos de reincidência e assim por diante. Infelizmente
pouca coisa há traduzida para o português (veja). Estado
civil Os criminosos seriais podem ser adultos jovens ou de meia idade. É raro observar menores de 18 anos e maiores de 50.
Predominam os solteiros entre os criminosos sexuais, normalmente portadores de personalidade imatura e instável, entre os 30 e 40 anos de idade, emocionalmente dependentes e habitualmente filhos únicos, convivendo em grande dependência de sua mãe, em geral viúva e dominante. Entre quase 1.200 pacientes
vítimas de agressão sexual atendidas no serviço do Hospital Pérola Byington,
observou-se que entre 86,6% das adolescentes e 88,1% adultas o agressor
era desconhecido, mas na maioria dos casos de crianças agredidas o agressor pôde ser identificado,
normalmente parentes e vizinhos (Aspectos
Biopsicossociais da Violência Sexual, Jefferson Drezett). Numero de agressões
O agressor serial não costuma ter um número limite de agressões em sua vida, por exemplo, quatro crimes sexuais até hoje, sendo o último perpetrado há 10
anos ou coisas assim. Em geral o limite costuma ser determinado pela sua detenção ou morte. Quando
se trata de Criminoso Sexual Serial as agressões cumprem um ritual homicida, o corpo da vítima será o testemunho do fato e permitirá fazer a interpretação psicodinâmica da agressão. Quando as agressões terminam em lesões e, sobretudo, em atentados contra a liberdade sexual, é comum que as vítimas e testemunhas não denunciem o criminoso por medo ou constrangimento. Observa-se atualmente
um maior numero de denúncias nos tribunais contra esses agressores.
Até há pouco tempo as denúncias eram escassas devido ao
constrangimento das vítimas mas essa atitude denunciatória tem colaborado para que o criminoso seja
preso, interrompido sua seqüência de crimes e apenado mais rapidamente. Roupa O Criminoso Sexual Serial agride sexualmente, sem
necessariamente matar. Trata-se da grande maioria dos estupradores e
violentadores sexuais. Caso ocorra a morte ou mutilação da vítima
será um Assassino Sexual Serial, tipo "serial killer",
matando várias vítimas em algum período de tempo com propósito de
gratificar-se sexualmente.
Quando se trata de um criminoso sexual serial
aos moldes de "serial killer", uma constatação importante é sobre a roupa que usa o criminoso. Não raras vezes a roupa pode ser sempre a mesma, quando realiza o
crime. A roupa também pode ser parte de um ritual que tem um simbolismo particular para o agressor,
como se fosse um uniforme de combate, razão pela qual tende sempre a utilizar a mesma roupa. Cada agressor
do tipo "serial killer" utiliza um equipamento pessoal. Em geral não é freqüente que o criminoso utilize um traje social sofisticado, tipo terno, blazer, etc, salvo naqueles casos em que o modo de operar requeira tal vestimenta, por exemplo, para seduzir mulheres em lugares de luxo, para ir a um Hotel ou para a residência da vítima. Aspecto psicofísico
Dificilmente o criminoso sexual serial e o assassino serial sexual apresentam a imagem escraxada do perverso e cruel. Em geral
são, ao contrario, pessoas de razoável a bom nível social, se comportam de forma cordial, se mostram saudáveis,
sedutores, educados, inteligentes e astutos. Com essas características
a criminalidade passa desapercebida no âmbito da comunidade e até para os conhecidos e, se
têm um trabalho estável, também se mostram inocentes e bons companheiros de trabalho. Paralelamente, quando desenvolvem sua atividade delinqüencial, mudam totalmente
de personalidade, como se adotassem outra identidade (na realidade a
personalidade autêntica e original, já que a social é um disfarce) e, não só mudam
a conduta social habitual, senão também assumem seu verdadeiro comportamento ritualizado
que obedece aos desígnios de uma conduta perturbada e delinqüencial. Assim se observa uma serie de características especiais que os identificam. A nível psíquico, podem ser alfabetizados, de bom quociente intelectual, alguns com nível de estudo secundário e até universitário. Nestes casos, é comum que não tenham completado totalmente a universidade devido alguma frustração ou conflito. Excepcionalmente se tem registrado
criminosos sexuais e assassinos sexuais seriais baixo nível intelectual. A linguagem que podem utilizar durante a execução do ato criminoso
costuma ser de ameaças, insultos, desqualificação, agressão, provocação,
autovalorização, vingança, etc. Ocupação
Quase em todos os casos os criminosos seriais têm trabalhos efetivos e se comportam neles de forma responsável, podem ser pontuais e cumpridores, obtendo dos chefes o reconhecimento e boas referências. Alguns trabalham por conta própria, outros têm um bom passado familiar e se dedicam a tarefas recreativas,
hobbys, colecionam objetos artísticos, possuem refinados gostos culturais ou realizam ações de beneficência na comunidade, em atitude paradoxal com suas tendências delituosas. Os que têm filhos, podem ser pais rígidos e autoritários e impõem uma férrea disciplina familiar, com total oposição aos comportamentos transgressores que cumprem durante sua atividade delinqüencial. Modalidade da atividade sexual A modalidade da atividade sexual que realiza o criminoso serial tem a ver com a forma de compensar as dificuldades sexuais que freqüentemente apresenta ao tentar uma relação sexual convencional. Dessa maneira, a agressão sexual costuma ser, de fato, violenta e/ou
intimidatória, e essa violência passa a funcionar como um estímulo erótico compensador da
hiposexualidade que apresenta habitualmente diante das relações convencionais. Apesar do ataque de violação ser, habitualmente, por via vaginal ou anal, também se observa, com assiduidade, ataque sem acesso carnal propriamente dito, como por exemplo, através de equivalentes agressivos sádicos com os quais conseguem
o orgasmo. Antecedentes penais
É raro que essas pessoas apresentem antecedentes delinqüenciais detectados,
públicos ou conhecidos da polícia. Os criminosos seriais que possuem antecedentes criminais podem ser por fatos
muitíssimo similares mas em outras regiões do país. Assim como há criminosos seriais que apresentam uma dupla vida, entre a imagem social e a delinqüencial, se encontram também alguns que têm também uma dupla vida dentro do próprio âmbito criminoso, quer dizer, apresentam uma "carreira" delinqüencial habitual, quase sempre como ladrões e a outra vida "autêntica" de agressor serial. Às vezes utilizam a primeira para lograr a segunda. Personalidade social Não é certa a noção generalizada de que estes criminosos sexuais seriais sejam torpes e agressivos, ou que apresentem antecedentes
públicos de condutas sociais violentas, ou que se caracterizem como libertinos sexuais. É muito raro que as condutas sexuais delituosas seriais se dêem em promíscuos ou "liberados sexuais", bem como em pessoas que se vangloriam socialmente de sua vida sexual abertamente. O habitual é que
nem tenham namorada, que sejam reprimidos sexuais, introvertidos, tímidos, ou dependentes afetivos, sobretudo da mãe.
Comumente seu papel social é exatamente contrário daquele que se
esperaria de uma pessoa sexualmente atirada; retraídos e acanhados. Estado mental
É muito raro que esses criminosos seriais sejam francamente alienados ou psicóticos.
O mais habitual é encontrarmos o criminoso serial com Transtornos da Personalidade e/ou psicopatas instintivos, os quais descarregam sua agressão contra o ser humano do meio circundante, meio este, ao qual não se adaptam. As variantes esquizóides e hístero-paranóides são as de maior prevalência entre os Transtornos da Personalidade. O criminoso serial em geral se mimetiza no meio social para passar desapercebido. Os neuróticos obsessivo-compulsivos, embora estejam também descritos entre os criminosos sexuais seriais, não são de observação tão freqüente como se acreditava antes. De
modo geral são pessoas psiquicamente bem orientadas e lúcidas, têm
noção do certo e do errado, tem crítica de seus atos. Esse grau de
consciência se corrobora pelo fato deles não agirem como agem caso
tenha algum policial por perto. Sociogênese
Deve-se investigar também os fatores ambientais que influem para forjar o desenvolvimento da personalidade básica do criminoso sexual serial. Para ele se deve ter em conta: 1) a personalidade do indivíduo que delinqüe e; 2) seu inseparável contexto social.
A personalidade do criminoso deve ser o centro
da investigação psiquiátrica forense, uma vez que ela é a unidade à qual estão referidas todas as manifestações de sua conduta, motivação, etc., portanto o estudo da conduta delinqüencial deve fazer-se em função da personalidade total do indivíduo (comportamento de acordo com sua historia vital) e seu inseparável contexto
ambiental. A dificuldade crônica do criminoso para aceitar a lei
e sua constante insensibilidade aos demais reflete as dificuldades no desenvolvimento de sua personalidade.
Como se observa freqüentemente, ao estudarmos as gangues, o ato criminoso
do grupo pode significar uma violação ou transgressão da norma
estabelecida desencadeada por uma circunstância existencial adversa, um
reflexo ideológico esdrúxulo, uma desobediência social ou coisas
assim. Entretanto, no caso do criminoso sexual serial nem sempre (ou quase nunca) se encontram circunstâncias sócio-ambientais
associadas ou que tenham influído decididamente em sua conduta delinqüencial. No criminoso sexual serial,
na imensa maioria dos casos, se observa que a psicogênese (traumas psíquicos pessoais) tem maior predominância que a sociogênese (fatores
ambientais). Não obstante, embora não haja circunstâncias sócio-ambientais
associadas na atualidade, mesmo assim devemos investigar o meio social onde o criminoso se criou, seu grau de educação e escolaridade, sua relação parental, o grau de marginalidade social, experiências ocupacionais, abandono familiar, negligência materna, etc. Sempre se tem insistido em acentuar a
diferença que existiria entre o indivíduo criminoso e o homem socialmente adaptado. Pode-se dizer que é evidente existir uma historia pessoal com determinadas características no criminoso, um contexto social e disposições que falam em determinadas circunstâncias, as quais explicariam as condutas delituosas em geral e as condutas sexuais em particular.
Veja ao lado a descrição do caso Pedro Alonso Lopez para ilustrar essa
idéia. Criminogênese A
criminogênese, ou a explicação das causas que teve o criminoso sexual serial para delinqüir, é
fruto do estudo de sua historia biológica, ou seja, do perfil constitucional de sua personalidade básica, mais as influências ambientais que sobre essa personalidade
atuaram resultando na situação atual. Assim, se observam com freqüência alterações psicopatológicas de certa significação. Freqüentemente são indivíduos instáveis, imaturos, inclinados à agressividade diante das frustrações, hostis, reprimidos, com baixa autoestima, necessitados de afeto, inseguros, tímidos, temerosos, etc.
No caso particular do violentador serial típico, se observa habitualmente uma personalidade agressiva com forte componente sádico e com grande hostilidade consciente ou inconsciente para com a mulher (sentimento de insegurança) e temor sobre sua masculinidade.
A personalidade do tipo borderline ou esquizóide pode estar presente. Deve-se recordar que o violentador se diferencia do sádico genuíno porque
exerce sua violência para submeter possessivamente (penetração peniana) a vítima, diferentemente do sádico que pode obter prazer através da violência exercida sobre a vítima mesmo que não se concretize a penetração.
O fato sexual é punível pela atividade sexual executada mediante violência, engano, coação física ou psíquica a outra pessoa ou com um menor de idade. O ato criminoso Depois
do criminoso deve-se investigar o ato da violência para, através dos mecanismos utilizados, observar a dinâmica do delito. Portanto, a conduta delinqüencial surge da interação entre um agressor e um fato criminoso.
Para os fins práticos devemos ter em conta um tripé inseparável: a) personalidade do criminoso b)
dinâmica do crime c) reação do meio ambiente
Em se tratando de violência sexual, esta pode
consistir em um conjunto de vários crimes, além daquele de natureza
sexual, propriamente dito. A mulher pode, por exemplo, além de ser vítima
de violação, também ser vítima de ofensas à integridade física, de
roubo, de dano, etc. Atualmente, os termos "abuso",
"agressão" e "violência" sexual são utilizados de
forma confusa e genérica. Vejamos alguns significados da terminologia
empregada para essas agressões:
a) Violação Sexual
É quando alguém é forçado a manter relações sexuais com
uso de violência, ameaça grave, criação de estado de inconsciência
ou de impossibilidade de reação. Portanto, Violação Sexual ou
Estupro é a mesma coisa, ou seja, o ato físico de atacar outra pessoa
e forçá-la a praticar sexo sem seu consentimento.
b) Coação Sexual
Consiste em constranger outra pessoa por meio de violência,
ameaça grave para esse fim, ou tornar a vítima inconsciente ou
posto na impossibilidade de resistir a sofrer ou a praticar, consigo ou
com outrem, ato sexual de relevo.
c) Assédio Sexual
O Assédio Sexual inclui uma aproximação sexual não-benvinda,
uma solicitação de favores sexuais ou qualquer conduta física ou
verbal de natureza sexual indesejável. Isso é quase igual à Coação
Sexual, com a diferença que na coação há presença obrigatória de
ameaça grave.
d)
Abuso Sexual
É
a prática de ato sexual com pessoa inconsciente ou incapaz de opor
resistência, aproveitando-se do seu estado de incapacidade, mas não
tendo contribuído para a criação desse estado, quando então seria
coação e abuso sexual. As maiores vítimas são crianças e
adolescentes, normalmente incapazes de opor resistência. e)
Exploração Sexual
A Exploração Sexual ocorre quando há algum tipo de
envolvimento sexual (ou intimidade) entre uma pessoa que está prestando
algum serviço (de confiança e com algum poder delegado) e um indivíduo
que procurou a sua ajuda profissional. Por exemplo; a mulher abusada por
um médico, dentista, policial, padre, etc.
Circunstâncias de lugar e tempo
Os cenários dos atos delinqüenciais podem ser variados e concordantes com a psicodinâmica delinqüencial do criminoso.
Assim se observa, em geral, que os delitos podem ocorrer em lugares ocasionais ou predeterminados. Os lugares ocasionais, são aqueles em que a vítima
aparece num momento não buscado mas que, dadas as circunstâncias e o fato de cumprir com as "necessidades" do agressor, este a agride no lugar que encontra mais apropriado a seus propósitos. Os lugares predeterminados, são aqueles que formam parte do
programa que elabora o autor para satisfazer suas necessidades agressivas.
Estes lugares podem ser a residência da vítima, lugares exteriores como terrenos baldios ou obras em construção ou outros mais sofisticados, como colégios, conventos, oficinas, elevadores, etc. Com respeito ao momento de ataque, se observa que o dia da semana, o momento do dia ou a hora tem que ver com o cumprimento de um ritual que satisfaz as necessidades do autor,
enquanto podem ser recordatórios de algum fato de significação pessoal, ou aniversário de algo que se tem que reivindicar o vingar, etc.
tem
2 páginas: 01 > 02
Veja os artigos afins: Parafilias, Personalidade Psicopata, Delito Sexual e Parafilias , Personalidade Criminosa,
Comportamento Sexual Compulsivo
Para referir: Ballone GJ -
Criminoso Sexual Serial - in. PsiqWeb, Internet, disponível em
<http://sites.uol.com.br/gballone/sexo/crimesexo.html>revisto
em 2003
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Aspectos Biopsicossociais da Violência Sexual
é o título de um artigo de
Jefferson Drezett. Veja um trecho:
"A verdadeira
incidência dos crimes sexuais é desconhecida, acreditando-se ser essa
uma das condições de maior subnotificação e sub-registro. Nos EUA,
calcula-se que apenas 16% dos estupros são comunicados às autoridades.
No incesto, estes percentuais não chegam aos 5%. No Brasil, acredita-se
que a maior parte das mulheres não registre queixa por constrangimento e
medo de humilhação, somados ao receio da falta de compreensão ou
interpretação dúbia do parceiro, familiares, amigos, vizinhos e
autoridades. Também é comum que o agressor formule ameaças à
integridade física da vítima ou de algum familiar, caso o ocorrido seja
revelado. Apesar do tímido percentual de denúncias, a agressão sexual
é um crime que vem sendo cada vez mais reportado e que, segundo
estimativas, acomete 12 milhões de mulheres, a cada ano, em todo o
mundo. Nos EUA, calcula-se que ocorra uma agressão sexual a cada 6,4
minutos e que uma em cada quatro mulheres já tenha experimentado um
contato sexual não-consentido durante a infância ou adolescência (veja
tudo).
Não confunda Assassino Sexual Serial
com Criminoso
ou Delinqüente Sexual
O
que se observa, nos delitos sexuais, é que eles podem ser cometidos, em grande número de vezes, por pessoas consideradas "normais"
do ponto de vista psicopatológico, porém estupradores e que o acontecimento sexual delituoso
ocorre numa determinada circunstância momentânea.
Isso acontece porque muitos desses delitos são cometidos não diretamente pela perturbação sexual do agressor mas, freqüentemente, por situações
que favorecem o delito, como por exemplo, a intoxicação alcoólica ou por drogas.
Não obstante, e é obvio, tais delitos sexuais também podem ser cometidos por pessoas portadoras de transtornos da sexualidade, como por exemplo as
parafilias. Só enaltecemos as tais circunstâncias ambientais favorecedoras do delito, para que não se tenha a idéia errada de que a existe
sempre um transtorno mental para que a pessoa se transforme num
criminoso sexual.
Assassino Sexual é muito diferente. É
aquele que mata compusoriamente e com freqüência motivado por prazer
sexual.
Foi realizado em
estudo retrospectivo, de 1993 a 1999, sobre crimes sexuais (698 casos),
na região de Bragança Paulista – SP. Nesse período, o crime sexual
mais freqüente foram as tentativas e casos comprovados de estupro (457
casos ou 65,47%) sendo (189, 41,35%) com conjunção carnal
positiva.
A faixa etária onde
ocorreram a maior prevalência de tentativas e de estupros comprovados
foi a de 11-20 anos (172 ou 37,63%), e destes, 140 ou 30,63% apresentaram
exame de conjunção carnal positivo.
Houve 91 casos de abusos sexuais ao sexo
masculino ou 13,03%, sendo 86 ou 94,50% destes atentados violentos ao pudor e a
maior prevalência na faixa etária de 0-10 anos, ou seja 58% dos
atentados violentos ao pudor ao sexo masculino.
O principal autor dos
crimes sexuais ocorridos no período é em sua maioria de origem
desconhecida ou não referido no laudo. Desses
elementos, 591 ou 84,6% fizeram uso de algum tipo de violência ao praticar o abuso
sexual.
Cerca de 74 ou 10,60% dos atos sexual abusivos, acorreram
no próprio ambiente familiar,, sendo o padrasto ou amásio da mãe o autor mais freqüente
(10 ou 2,29%), seguido pelo pai (15 ou 2,14%); e dentre esses casos, em 19
deles, ou 2,72%, foi utilizado algum tipo de violência (Anais
Forense 2000).
Assassino Serial, Assassino em Massa e Criminoso
Sexual Serial.
Considera-se o assassinato serial diferente do "assassinato em
massa" porque este promove a matança de algum número de pessoas de
uma só vez, como são os casos de notórios assassinos que atiram a esmo
e matam inúmeras pessoas desconhecidas e sem propósito aparente.
Assassino Serial pode ser
entendido como um indivíduo que mata ao menos duas vítimas por mês
durante um certo período de tempo ou, conforme outros autores, pessoas
que cometem, no mínimo, três assassinatos através de um período de
duração maior que um mês, sem nenhuma razão aparente, além da
compulsão ou gratificação (veja
mais).
Conheça alguns Serial Killers,
no site de Ilana Casoy. Veja:
Pedro Alonso Lopez
O mais mortal serial killer dos arquivos, conhecido como Monstro dos
Andes, agiu em 3 países. Nasceu na Colômbia, mãe prostituta que o
expulsou de casa aos 8 anos de idade por ele ter acariciado sua irmã
mais nova. Para piorar as coisas, foi recolhido por um pedófilo e
sodomizado à força. Aos 18 anos, foi espancado na prisão por uma
gangue e se vingou matando 3 de seus algozes.
Ao ser solto, começou matando
meninas com júbilo e impunidade. Em 1978, já havia assassinado mais de
100 meninas no Peru. Mudou-se para Colômbia e Equador, onde matava em
média de 3 vezes por semana. Ele gostava mais de matar meninas
equatorianas, pois segundo ele, eram mais gentis e confiáveis, mais
inocentes. A polícia atribuiu o grande número de desaparecimentos de
meninas às atividades de escravização e prostituição na área.
Em 1980, um dilúvio de sangue
revelou a primeira de suas vítimas. Quando foi preso, contou aos
investigadores as assustadoras histórias de sua trilha de morte. No
início, as autoridades estavam cépticas sobre o relatado, mas todas as
dúvidas desapareceram quando ele mostrou o local onde estavam enterradas
mais de 50 corpos. Acredita-se que 300 assassinatos ainda seja uma baixa
estimativa para este serial killer.
Luis Alfredo Gavarito
Em 1999, o colombiano Garavito confessou estuprar, torturar e matar 140
crianças em 5 anos de matança. Foram encontrados 114 esqueletos. Em seu
bolso, o matador carregava um velho caderno, onde em 140 linhas estavam
simbolizadas cada uma de suas vítimas.
Os corpos mutilados, a maioria
masculinos com idade entre 8 e 16 anos, foram descobertos em mais de 60
cidades da Colômbia Os corpos estavam decapitados e com sinais de
amarradura e mutilação.
A Caçada Nacional foi disparada
depois que 36 corpos em decomposição foram encontrados perto da cidade
de Pereira, em 1997. Na época da investigação, as suspeitas eram de
que se tratava de casos relacionados com rituais de magia negra. As
autoridades também suspeitaram de tráfico de órgãos e pedofilia.
Depois de 18 meses de investigação, Garavito foi preso sob acusação
de estuprar uma criança, em Villavivencio.
Nascido na Colômbia, na região
cafeeira, era o mais velho de sete crianças. Foi repetidamente espancado
pelo pai e estuprado por dois vizinhos. Garavito também era alcoólatra
grave, além de ter sido tratado por depressão e tendências suicidas.
Declarou ter cometido a maioria dos crimes enquanto bêbado. Estudou
somente por 5 anos, e saiu de casa aos 16 anos. Trabalhou como caixeiro
de loja e vendedor de rua de imagens religiosas e cartões de oração.
Os promotores do caso declararam que ele encontrava suas vítimas nas
ruas, ganhando sua confiança ao dar-lhes refrigerantes e dinheiro.
Aparentemente, cometeu o primeiro assassinato em 1992.
A polícia só se deu conta que
havia um serial killer à solta depois que 25 corpos foram encontrados na
cidade de Pereira. As vítimas foram encontradas com a garganta cortada,
e alguns traziam nos corpos sinais de tortura e estupro. Eram crianças
pobres, que perambulavam pelas ruas do mercado ou moravam na rua.
Garavito era conhecido como PATETA, O LOUCO e O PADRE. Se apresentava
como vendedor de rua, monge, indigente, doente ou representante de
fundações fictícias para idosos e educação infantil. Dessa maneira,
conseguia entrada livre nas escolas como palestrante.
Mudou-se para diversas partes do
país depois que começou a matar grande número de vítimas, em 1994.
Passou um tempo no Equador, mas não se sabe quantas vítimas fez ali. A
maioria dos assassinatos ocorreu no estado de Risaralda e sua capital,
Pereira. Quarenta e um corpos foram encontrados ali e 27 na cidade
vizinha de Valle de Cauca. Em maio de 2000, na cidade de Bogotá, foi
condenado a 1.853 anos de prisão. Veja
o site
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