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EQUOTERAPIA, O
TRATAMENTO QUE VEM A CAVALO
Artigo de Eveli Maluf no site Fisioterapia.Com
"Sempre queremos o melhor para nosso paciente e uma das melhores
formas de tratamento é a Equoterapia, o que não dispensa outras.
A Equoterapia ou Equitação terapêutica faz o uso do cavalo para
beneficiar nosso paciente ou como os equoterapeutas preferem
chamar, nosso praticante. Este é um nome que por ele próprio
traduz um dos fatores mais importantes da Equoterapia pois a
pessoa interage, participa de seu tratamento e não apenas
recebe-o passivamente.
Equoterapia é uma
forma de tratamento não ligada apenas à fisioterapia mas sim a
uma equipe interdisciplinar, composta por fisioterapeuta,
terapeuta ocupacional, fonoaudiologista, psicólogo, médico,
educador físico, pedagogo, veterinário, professor de equitação,
zoologista, enfim, todos os profissionais ligados à saúde, educação
e equitação, que visa o tratamento biopsicosocial de forma
global e não segmentada como é a maioria dos tratamentos.
Existe uma explicação
no porquê do uso do cavalo e é claro um animal adequado a ser
utilizado. O mais indicado é um animal acima de cinco anos de
idade, que tenha entre 1,40 e 1,50 metros de altura, dócil, bem
aprumado, com uma andadura ritmada, cadenciada, simétrica e
macia, pois assim sendo o cavalo ao andar promove ao cavaleiro um
movimento tridimencional, para frente e trás, para os lados, para
cima e para baixo e também um componente rotacional.
Todos estes
movimentos por si só são de extrema importância, são estímulos
que geram de 1 à 1,25 ajustes tônicos por segundo (somando um
total de 1800 à 2250 ajustes tônicos durante uma sessão que tem
duração de trinta minutos) e muito se assemelham aos movimentos
que ocorrem no corpo humano durante a marcha. Além disso o cavalo
possui cheiro, cor, som, e diferentes texturas o que também serve
como estímulos ao nosso praticante. É certo então que o passo
do cavalo já traz benefícios mas não basta apenas montar o
nosso praticante e fazer o animal andar, podemos fazer muito mais.
Como fisioterapeutas
podemos lançar mão de técnicas específicas e materiais
diversos com fins terapêuticos durante a sessão de Equoterapia,
vale da criatividade de cada profissional. Se realizarmos nosso
trabalho de maneira correta, eficaz, podemos ter diversos ganhos
como: melhora do tônus, do equilíbrio, da postura, da coordenação,
da conscientização corporal, fortalecimento e alongamento
muscular, inibição de reflexos anormais, inibição de padrões
patológicos, entre outros. Além do trabalho no picadeiro, cabe
ainda ao fisioterapeuta dentro de uma equipe de equoterapia,
avaliar e reavaliar os praticantes, interpretar diagnósticos,
analisar quadros clínicos, orientar a equipe nos estudos de caso,
orientar os pais, traçar planos de sessão com objetivos específicos
para cada praticante e demonstrar técnicas de manuseio aplicáveis
durante o tratamento.
Algumas indicações
para o tratamento de equoterapia são:
- Traumatismo crânio-encefálico;
- Traumatismo raqui-medular;
- Síndrome de down;
- Atraso na fala e cognição;
- Acidente vascular cerebral;
- Atraso no desenvolvimento;
- Encefalopatia crônica não-progressiva;
- Autismo infantil;
- Depressão;
- Patologias ortopédicas congênitas ou adquiridas;
- Disfunção sensório motora;
- Outras." .Veja
a página toda
"A maioria dos pesquisadores e clínicos
concorda que os sintomas do autismo infantil, geralmente,
iniciam-se antes dos trinta meses de idade (AMERICAN PSYCHIATRIC
ASSOCIATION, 1980; ORGANIZAÇÀO MUNDIAL; DE SAÚDE, 1993) .
Indicadores que o processo de
desenvolvimento da criança não vai bem podem ocorrer antes dos
seis meses de idade. Crianças que choram demais ou são vistas
como muito quietas pelos pais, crianças que têm pouco contato
visual, não mantêm posição antecipatória ou não prestam atenção
aos eventos familiares principais podem estar apresentando
sintomas iniciais da síndrome autista. As alterações no ritmo
do desenvolvimento da criança também costumam ocorrer
precocemente.
O início precoce é um dos principais
sintomas que diferenciam o autismo infantil do transtorno
desintegrativo na infância. Na síndrome de Heller, o quadro clínico
se inicia após um período de desenvolvimento normal da criança
e, geralmente, ocorre após os três primeiros anos de vida."
Trecho da página Autismo de Cesar de Moraes - Veja.
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I Medicamentos que
envolvem a serotonina (5-HTI)
Com base em evidências implicando a disfunção da
serotonina no Autismo Infantil, as drogas com efeitos
serotoninérgicos têm sido investigadas quanto a sua
utilidade clínica nesse transtorno. Múltiplos estudos têm
examinado o potencial da fenfluramina, agonista indireto da
serotonina, a qual promove a liberação desse
neurotransmissor no espaço pré-sináptico, ao mesmo tempo
em que bloqueia sua recaptação.
Embora a fenfluramina aumente abruptamente a neurotransmissão
de serotonina, sua administração em longo prazo resulta
numa redução da transmissão serotonina (5-HT) no SNC e,
talvez, seja essa redução da transmissão serotonina a
responsável pela melhora de alguns sintomas do Autismo
Infantil.
Buspirona
Outros agentes que influenciam a função da serotonina têm
sido estudados em relação à sua utilidade no tratamento do
Autismo Infantil. A imipramina, antidepressivo que bloqueia a
recaptação de noradrenalina e de serotonina, e a metissergida, antagonista não-seletivo da serotonina, não
produziram resultados promissores em experiências clínicas
envolvendo crianças autistas e não foram examinadas quanto
a seus potenciais para tratar adultos com Autismo Infantil. A buspirona, agonista parcial de 5HT 1 A, demonstrou, em
estudos pré-clínicos, aumentar a função serotonina.
Várias experiências de rótulo aberto, uma envolvendo crianças
e três envolvendo adultos com Autismo Infantil e transtornos
relacionados, sugeriram um possível papel para a buspirona
no tratamento de hiperatividade, comportamento estereotipado
e agressividade. Justificam-se outros estudos, especialmente
experiências duplo-cegas controladas por placebo, para
investigar o potencial clínico de buspirona no tratamento de
crianças, adolescentes e adultos com Autismo Infantil e
investigar o papel dos receptores 5-HT1A na fisiopatologia do
Autismo Infantil.
Trazodona
Existem algumas evidências sobre a eficácia da trazodona no
controle da sintomatologia do Autismo Infantil. Trata-se de
uma droga com dupla propriedade, ela pode ser antagonista em
doses baixas e agonista em doses altas da serotonina. Alguns
autores observaram redução em até 75% do comportamento
agressivo e autolesivo do Autismo Infantil com uma dosagem
relativamente baixa de trazodona (Gedye), em torno de 250 mg/dia,
agindo então como antagonista dos receptores 5-HT2.
Observações semelhantes ocorreram em adultos com retardo
mental tratados com doses baixas de trazodona.
Clomipramina
A clomipramina, um tricíclico que antagoniza os
transportadores de dopamina, noradrenalina e, particularmente,
serotonina, tem sido estudada quanto a seu potencial no
tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Autismo
Infantil.
McDougle relata melhora nas interações sociais,
na agressividade, nos pensamentos e no comportamento
repetitivo em adultos com Autismo Infantil, após tratamento
com clomipramina. Gordon, por sua vez, considerou a
clomipramina superior à desipramina e ao placebo, no
controle de sintomas de Autismo Infantil e agressividade, bem
como na melhora dos sintomas de hiperatividade em um grupo de
crianças e adolescentes.
Estudos adicionais, inclusive uma experiência aberta
envolvendo 35 adultos com Autismo Infantil, têm apoiado um
papel para a clomipramina em abrandar o comportamento
repetitivo e a agressividade. Sugeriu-se que o benefício da
clomipramina fosse devido aos seus efeitos serotoninérgicos. Entretanto, como sempre ocorre nas pesquisas sobre o Autismo
Infantil, existem muitas e grandes diferenças nos resultados
de pesquisas usando clomipramina e outros antidepressivos
tricíclicos no tratamento desse transtorno.
Inibidores da Recaptação
da Serotonina
Dadas às evidências de disfunção da serotonina em indivíduos
com Autismo Infantil e alguns resultados promissores com a clomipramina, a busca por drogas seguras e eficazes no
tratamento de Autismo Infantil têm levado a experiências clínicas
com os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRSs).
Pelo menos os ISRSs têm uma farmacocinética mais benigna,
com respeito a efeitos adversos, não possuindo potencial
para cardiotoxicidade e nem por baixar o limiar convulsivo,
efeitos comuns aos tricíclicos.
Sertralina
Tal como em relação à clomipramina, pesquisadores (Buck)
também têm constatado redução do comporiarnento agressivo
e autolesivo em pacientes portadores de Autismo Infantil. A
dose preconizada para esses casos é de 25 a 150mg/dia de
Sertralina.
McDougle (1997) também constata a eficácia da sertralina no
tratamento de sintomas em adultos com Autismo Infantil. Na
dosagem de 50 a 200 mg/dia, 64% dos pacientes responderam de
alguma forma ao tratamento.
Fluoxetina e Paroxetina
Vários investigadores têm descrito melhora de crianças,
adolescentes e adultos com Autismo Infantil, após tratamento
com fluoxetina. Em uma paciente do sexo feminino de 26 anos
com Autismo Infantil, Mehlinger notou redução dos
comportamentos ritualísticos, bem como a uma elevação do
humor depois do tratamento com fluoxetina. Hamdan-Allen
descreveu melhora dos sintomas de tricotilomania refratários
a imipramina, após administração de fluoxetina. Todd também
verificou diminuição dos comportamentos ritualísticos e
repetitivos em indivíduos com Autismo Infantil tratados com
fluoxetina.
Por outro lado, Ghaziuddin observou apenas melhora do humor
em seus pacientes tratados com fluoxetina, embora muitas
características fundamentais do Autismo Infantil
permanecessem inalteradas.
Fluvoxamina
McDougle descreve diminuição dos pensamentos e
comportamentos repetitivos e da agressividade, bem como
melhora do relacionamento social em pacientes adultos com
Autismo Infantil e TOC, após tratamento com fluvoxamina. A
fluvoxamina mostrou superioridade significativa ao placebo após
4, 8 e 12 semanas de tratamento.
O tratamento com a fluvoxamina foi também superior ao
placebo no seguinte: pensamentos e comportamentos repetitivos,
comportamentos mal adaptados, agressividade e comportamento
autista. Houve ainda aumento de algumas áreas do
relacionamento social, particularmente o uso da linguagem, em
adultos com transtorno autista. Esses estudos preliminares
justificam outras pesquisas com fluvoxamina e outros ISRSs em
adultos, adolescentes e crianças com Autismo Infantil.
II - Neurolépticos Atípicos
Os neurolépticos típicos, como o haloperidol e a pimozida,
têm sido usados há várias décadas no tratamento de
Autismo Infantil. Estudos duplo-cegos com placebo têm
demonstrado sua maior eficácia no tratamento de sintomas do
autismo, principalmente crianças e adolescentes. Entretanto,
devido a necessidade de uso contínuo desses neurolépticos típicos
e o desenvolvimento de efeitos extrapiramidais adversos
indesejáveis, como por exemplo a discinesia tardia, sua
indicação tem sido limitada.
Neuroléptico Atípico foi o nome atribuído a uma categoria
de medicamentos com possibilidade de ter eficiente ação
antipsicótica sem produzir, ou produzindo o mínimo de
sintomas extrapiramidais. Outra característica que se pode
atribuir ao neuroléptico atípico, é sua maior eficácia
nos chamados sintomas negativos das psicoses.
Com efeitos colaterais potencialmente favoráveis e perfil
farmacológico com afinidades significativas para receptores
dopaminérgicos e serotoninérgicos, o uso desses neurolépticos
atípicos, como por exemplo a clozapina, a risperidona e a olanzapina, tem sido experimentados em pacientes com Autismo
Infantil.
Clozapina
Existem relativamente poucos estudos com a clozapina para
tratamento de Autismo Infantil. Três crianças autistas
exibindo hiperatividade e agressividade acentuadas receberam
clozapina depois de se mostrarem resistentes aos neurolépticos
típicos. Observaram-se melhoras com três meses de
tratamento em dosagens de até 200 mg/dia, e 2 de 3 pacientes
continuaram a mostrar melhora clínica durante oito meses
seguintes.
A escassez de trabalhos descrevendo o uso de clozapina para
tratamento de sintomas do Autismo Infantil poderia, em parte,
refletir preocupação com o uso de uma droga com aumento dos
riscos de agranulocitose ou crises convulsivas, especialmente
em crianças ou adolescentes. Estudos adicionais se
justificam para determinar a utilidade da clozapina no
tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Autismo
Infantil.
Risperidona e Olanzapina
Recentemente surgem cada vez mais trabalhos atestando o
potencial da risperidona no tratamento de Autismo Infantil.
Como a clozapina, a risperidona também tem alta afinidade
pelos receptores 5-HT, sendo ela particularmente alta para os
receptores 5-HT2A e 5-HT2C.
Ademais, a risperidona parece ter incidência bem mais baixa
de efeitos colaterais que os neurolépticos típicos.
Purdon descreve melhora clínica com referência à atenção,
aos pensamentos e aos comportamentos repetitivos, em adultos
portadores de Autismo Infantil e retardo mental tratados com risperidona. McDougle observou melhoras significativas nas
relações sociais, pensamentos, comportamentos repetitivos e
agressividade, melhoras estas mantidas por um período mínimo
de um ano. Simeon também relata melhora significativa com a
risperidona em dose de 1 mg/dia nos sintomas do Autismo
Infantil. Fisman referiu melhora do comportamento e dos
sintomas de anorexia nervosa no Autismo Infantil.
Fisman e Steele relataram uma série de casos de Autismo
Infantil tratados com risperidona e descreveram melhora clínica
em 93% dos pacientes. Realça a redução do comportamento disruptivo, da agitação e da ansiedade, bem como a melhora
da conscientização social, da concentração e dos sintomas
obsessivos. Hardan publicou os resultados de uma experiência
clínica com risperidona em crianças e adolescentes com
retardo mental e/ou transtornos do desenvolvimento. A melhora
observada foi predominante nos comportamentos mal-adaptativos,
tais como a hiperatividade, agressividade, comportamentos de
oposição, impulsividade, comportamento autolesivo e acessos
de agressividade.
Praticamente os mesmos resultados obtidos com a risperidona
para os sintomas do Autismo Infantil se observaram em relação
à sintomas encontrados na Deficiência Mental. Luit
investigou a utilidade da risperidona em grupo heterogêneo
com retardo mental. A risperidona se associou à melhora clínica,
após seis meses, em 10 de 13 indivíduos, promovendo a
diminuição do comportamento agressivo e autolesivo.
McDougle também observou diminuição significativa do
comportamento repetitivo, da agressividade e da impulsividade,
bem como o aumento do relacionamento social com monoterapia
de risperidona.
Resultados semelhantes têm sido obtidos com a olanzapina no
tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Autismo
Infantil.
A característica dos neurolépticos atípicos de modular as
vias serotoninérgica e dopaminérgica, e talvez o equilíbrio
em que o fazem, foi postulada como possível causa de sua
melhor eficácia sobre os neurolépticos típicos no
tratamento de crianças, adolescentes e adultos com Autismo
Infantil.
Conclusões
Apesar da quantidade significativa de pesquisas básicas e clínicas
acerca da(s) etiologia(s) do Autismo, desde que esse
transtorno foi descrito por Kanner, ainda são muito
importantes os achados dos níveis sangüíneos elevados de
serotonina em 30% a 40% dos portadores desse distúrbio. Isso
sugere a regulação do sistema serotoninérgico como
importante contribuinte à fisiopatologia do Autismo Infantil.
Os recentes achados relacionados à exacerbação dos
sintomas com diminuições agudas e significativas da
serotonina no SNC, somente apóiam um papel central para esse
neurotransmissor na expressão característica do Autismo
Infantil. Isso também sugere uma eventual grande
sensibilidade nos indivíduos com Autismo Infantil em relação
a alterações da disponibilidade da serotonina.
Como costuma acontecer em outros transtornos psiquiátricos,
estratégias de tratamento têm sido desenvolvidas para
Autismo Infantil, a despeito da ausência de uma
fisiopatologia bem compreendida.
Sobre outros inibidores da recaptação da serotonina (ISRSs),
tendo em vista as substanciais melhoras observadas em adultos
autistas tratados com fluvoxamina, há necessidade de estudos
adicionais, faixas etárias e subtipos de Autismo Infantil.
Os antipsicóticos denominados neurolépticos atípicos, em
comparação com neurolépticos típicos, parecem ter perfis
mais benignos, relacionados com efeitos colaterais adversos.
São interessantes as descrições de alterações da função
da dopamina e da serotonina em indivíduos com Autismo
Infantil, bem como a afinidade significativa por receptores
de dopamina D2-símiles e por receptores 5-HT2 dos neurolépticos
atípicos. Isso autoriza tentativas de utilização dessas
substâncias no tratamento desse transtorno.
Já contamos com alguns relatos de casos iniciais referentes
à utilidade dos neurolépticos atípicos, particularmente da
risperidona e a olanzapina, no tratamento de indivíduos com
Autismo Infantil.
Ballone GJ - Estratégias de Tratamento Medicamentoso
do Autismo Infantil - in. PsiqWeb, Internet, disponível em
<http://www.psiqweb.med.br/autism.html>
revisto em 2003
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