|
|||||||||||
|
|
|
|
| |||||||
| |||||||||||||
| |||||||||||||
|
Carmem Leal, Presidente da Sociedade Espanhola de Psiquiatria, reconhece que as situações catastróficas como aquelas ocorridas no World Trade Center, podem aumentar muito a incidência do Transtorno de Estresse Pós-traumático. Não obstante, preocupa-se também com a possibilidade de uma possível supervalorização diagnóstica para esse transtorno. Alerta que nem todo o mundo está sofrendo do Transtorno de Estresse Pós-traumático. Estar angustiado, ansioso ou “nervoso”, estar reagindo emocionalmente de uma maneira algo estranha por alguns dias não significa ter, obrigatoriamente, Transtorno de Estresse Pós-traumático”. Algumas observações têm constatado que só um terço das pessoas expostas a estas situações traumáticas, não apenas às situações que envolvam terroristas, mas também as catástrofes naturais, acidentes viários e, inclusive, a violência doméstica, tem probabilidades de apresentar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (Shalev, 1992). Outras pesquisas chegam a 54% (Weisaeth, 1989). Apesar disso, estudos
psiquiátricos, particularmente dirigidos à questão
terrorista, têm demonstrado que suas vítimas apresentam o
dobro da porcentagem de risco que tem a população geral de
padecer algum transtorno mental. Medina Amor, Pérez e Gancedo, em 2001, procederam um estudo realizado sobre uma mostra de 75 pacientes que apresentavam sintomas de Transtorno de Estresse Pós-Traumático relacionado com o terrorismo urbano, envolvidos em atentados terroristas. Esses autores acharam oportuno diferenciar a sintomatologia do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, segundo as distintas fases evolutivas desse transtorno. Num primeiro momento os pacientes da amostra experimentaram uma série de sintomas clínicos, tais como, sensação de vazio, desesperança, anedonia (perda do prazer com as coisas), tensão interior, ansiedade, medo, sensação de estranheza e outros. Esses sintomas apareceram junto com atitudes pessoais, do tipo hostilidade, desconfiança, isolamento e, tudo isso, sobre um estado de hiperatividade, irritabilidade, hipervigilância, sobressalto aumentado e outros sintomas próprios do Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Esses últimos, os sintomas do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, permaneceram em segundo plano, mais atenuados. Em seguida o quadro inicial evoluiu, de forma progressiva, para uma série de alterações emocionais mais características do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, que estiveram atenuados num primeiro momento, surgindo então os sintomas típicos do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, tais como, a experimentação de lembranças intrusivas, as condutas de evitação, o desinteresse pelas coisas, distanciamento social, embotamento afetivo, perturbações nas relações interpessoais, impulsividade e disforia crônica. O Transtorno por Estresse Pós-traumático (veja página mais completa sobre Transtorno de Estresse Pós-Traumático) é uma categoria de diagnóstico psiquiátrico desenvolvido a partir de 1980 através das classificações internacionais (CID.10 e DSM.IV). Essa categoria de diagnóstico permitiu unificar uma serie de outras categorias de doenças reativas a acontecimentos traumáticos, anteriormente dispersas na psiquiatria. Atualmente, o diagnóstico Transtorno de Estresse Pós-Traumático está cada vez mais freqüente, tanto no campo pericial, a propósito das demandas de reparação médico-legal, até nos atendimentos de massa depois de atentados como o do World Trade Center e afins (bioterrorismo, etc). O terrorismo, por sua vez, é uma das manifestações da violência que, nos últimos anos e junto com grandes catástrofes naturais, tem contribuído para sensibilizar a opinião médica e pública sobre a patologia Pós-Traumática. Sabe-se hoje, serem muito freqüentes as seqüelas psico-traumáticas nas pessoas afetadas por atentados terroristas. Shalev (1992) encontra 33% de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em vítimas civis israelitas. Medina et al. cita outros autores, como, por exemplo, Loughrey, que encontra 23% de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em 499 vítimas do terrorismo em Irlanda do Norte, Abenhaim, com incidência de 18 % de Transtorno de Estresse Pós-Traumático em 354 vítimas de 21 atentados produzidos em França de 1982 a 1987 e, finalmente, Weisaeth, para quem a incidência do Transtorno de Estresse Pós-Traumático chega a 54% em vítimas do terrorismo e da tortura. Evolução dos quadros de Estresse Pós-Traumático O Transtorno de Estresse Pós-Traumático é uma condição emocional muito forte e capaz de causar outros graves problemas psíquicos. Felizmente, a maioria das vítimas de atentados, ou mesmo de uma guerra, não sofre deste transtorno em sua forma mais severa, mas isso não implica que muitas dessas pessoas não requeiram ajuda. Além disso, existem trabalhos demonstrando o valor do diagnóstico precoce de Transtorno de Estresse Pós-Traumático para se evitar outros problemas mentais no futuro. Alguns estudos têm enfatizado fortemente que a severidade e a persistência (cronicidade) do Transtorno de Estresse Pós-Traumático seriam proporcionais à magnitude do acontecimento traumático. Esse ponto de vista evolutivo, notadamente empírico tem sido apoiado por numerosos estudos, segundo Medina Amor, tais como, veteranos da guerra do Vietnam e do Golfo (Buydens-Branchey, 1990 – Solomon, 1993), sobreviventes de campos de concentração (Porot, 1985 – Niederland, 1968), sobreviventes de grandes catástrofes (Holen, 1991 - Lima, 1991), sobreviventes de graves acidentes de trânsito (Brom, 1993), vítimas de agressão sexual (Lopez, 1992 – Foa, 1993 – Bownes, 1991) e vítimas de outros graves acontecimentos (Benedek, 1985). O diagnóstico do
Transtorno por Estresse Pós-Traumático do CID-10 baseia-se
nos seguintes sintomas básicos:
Do ponto
de vista clínico, é bem possível que os Transtornos Fóbicos
dominem o quadro, como veremos abaixo, apresentando medo
exagerado e sofrível para sair de casa ou para freqüentar
lugares públicos se a vivência foi bomba, incêndio ou
coisa assim. Também são freqüentes as Depressões
persistentes com autodepreciação e sentimentos de ser uma
carga para os demais.
Seja devido à comorbidade com a Depressão, seja pelo próprio Transtorno por Estresse Pós-Traumático, o paciente sente seu futuro desolador, turvo, e sem perspectivas. Depois da experiência traumática, a pessoa com Transtorno por Estresse Pós-Traumático mantém um nível de hiperatividade e hipervigilância crônica, com reação exagerada aos estímulos (sobressaltos, sustos) e descontrole emocional, tendendo ora à irritabilidade, ora ao choro. Todos esses estudos sugerem que, de fato, é provável que alguns tipos de eventos sejam mais traumáticos que outros e produzam taxas e gravidades diferentes de Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Outra observação importante nesses trabalhos é que o Transtorno de Estresse Pós-Traumático que aparece nas vítimas da violência terrorista não tem preferência em relação ao sexo, sendo acometidos de igual maneira tanto homens como mulheres diante dos atentados sobre a população civil. Tentando estabelecer relações entre os ferimentos e traumas físicos recebidos nessas catástrofes e o grau do Transtorno de Estresse Pós-Traumático, Dab (1988) atesta que 80% das pessoas gravemente feridas desenvolveram o transtorno pós-traumático. Nosso ponto de vista pessoal, entretanto, considera muito provável que as vítimas de atentados terroristas tenham a gravidade de seu quadro de Transtorno de Estresse Pós-Traumático influenciado tanto pela severidade dos eventuais ferimentos recebidos, pela magnitude do atentado (ou catástrofe) e, sobretudo, pela sensibilidade emocional de cada um. Alguns estudos têm demonstrado que as vítimas mais afetadas por atentados ou outras formas de violência, ou seja, aquelas que desenvolvem e continuam mantendo um Transtorno de Estresse Pós-Traumático, podem vir a sofrer uma série de mutações em suas personalidades (por definição, ‘Alterações de Personalidade’). Entre as características observadas nas Alterações de Personalidade decorrentes de experiências muito traumáticas, como são os atentados, guerras, etc, seriam:
Algumas dessas respostas emocionais pessoais podem ser consideradas normais, entretanto, se não tratadas adequadamente, podem transformar-se em reações patológicas ou crônicas. Em países mais desenvolvidos, grandes esforços têm sido dirigidos para a prevenção de transtornos emocionais em vítimas da violência. Em relação ao terrorismo, há um certo consenso sobre os benefícios de uma intervenção psicológica e psiquiátrica imediatamente após o atentado. Esse atendimento imediato objetiva proporcionar informação adequada, ouvir o paciente, manejar sua ansiedade. Essas foram as conclusões de recente congresso sobre esse tema (Primeira Reunião Internacional de Vitimologia, Madrid, 2001).
Outras Páginas
|
Que o medo mata não é nenhuma metáfora: sete israelenses faleceram de terror durante a Guerra do Golfo. Só dois perderam a vida por culpa dos mísseis. Que os atos de violência, em qualquer de suas formas (guerra, atentados, violação, etc), são o câncer da alma também está sobejamente documentado: 60% das vítimas diretas ou indiretas (familiares, testemunhas, etc) corre o risco, ao longo de toda sua vida, de sofrer um transtorno psíquico. A porcentagem da população geral com este mesmo risco é de apenas 20%. Entretanto, e apesar destas e outras constatações
sobre os efeitos da violência na saúde mental e de que a história
da Humanidade está marcada por crimes, os especialistas continuam
buscando as fórmulas mais eficazes para evitar que as pessoas que
sofrem este tipo de catástrofe acabem desenvolvendo algum
transtorno psíquico nas vítimas".... A importância da intervenção imediata depois do atentado, "proporcionando a informação adequada, ouvindo e lidando com a ansiedade da vítima e respaldando de forma prática suas necessidades emocionais", bem como a necessidade de "conscientizar a sociedade e os meios de comunicação da potencialidade, positiva e negativa, que sempre tem o impacto gerado pelas noticias difundidas" são algumas das conclusões da Primeira Reunión Internacional de Victimología, realizada em Madri em 1998. ... Segundo a doutora Zahava Solomon, do Adler Center, Universidade de Tel Aviv; 'O Estresse Pós-Traumático é um agente patogênico muito forte que pode causar alterações graves da pessoalidade e outros problemas psíquicos. Não obstante, insistiu que a maioria das vítimas dos atentados ou de uma guerra, apesar de não apresentar este transtorno em sua forma mais severa, isso não implica que muitas delas requeiram ajuda e não a estejam recebendo'. Em segundo lugar, concluiu-se também que os trabalhos demonstram o valor do diagnóstico para evitar problemas mentais no futuro. Muitas das alterações psíquicas que envolvem os soldados, consideradas como crises emocionais, também podem ocorrer na população civil. E estas crises podem evoluir para um problema psiquiátrico crônico" (trecho traduzido de Patrícia Matey, veja mais).
|
||||||||||||||||||||||||
|
Copyright © G.J.Ballone 2002 |