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Ciúme Patológico
Convivendo com o Próximo
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Relat. OMS - Doenças Mentais
Representação da Realidade
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Transes
e Possessões
Transtornos
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Transt.
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Transtorno Alimentares
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CONVIVÊNCIA COM O PRÓXIMO
Parte 2
C - Os pouco próximos
Ter sentimentos desagradáveis proporcionados por
pessoas que não estão se relacionando diretamente conosco, como
por exemplo, com a atuação da justiça, com o Congresso Nacional,
com movimentos políticos, com os conflitos internacionais, com a
fome no mundo, com as notícias do dia-a-dia, etc., mostra sempre
uma afetividade muito sentimental.
Na realidade, quando a pessoa já não suporta mais
ouvir noticiários, ler jornais ou saber de certos fatos sem se
emocionar exageradamente, é porque está muito desadaptada.
De fato, algumas notícias emocionam muito, causam
perplexidade ou outros tipos de sentimentos mas, de qualquer forma,
embora possamos lamentar, protestar, reclamar e manifestar nosso
constrangimento, não é normal adoecermos por causa delas.
Normalmente quando uma pessoa se queixa de não
poder mais tomar contacto com notícias, quando questiona nossa
sociedade e se entristece muito com o comportamento e com as
atitudes da espécie humana em seus diversos segmentos, é porque
está muito sensível e sentimental, comumente está deprimida.
Vendo notícias da fome em alguns países, por
exemplo, ou tomando contacto com imagens de pessoas sofrendo
privações, carências ou injustiças, todos nós experimentamos
sentimentos constrangedores e até tristeza franca. Esses
sentimentos engrandecem as pessoas e mostram nobres sentimentos, no
entanto, não podemos adoecer por isso. Não podemos sofrer de
insônia, ter crises de choro exagerado, apresentar episódios de
pânico, manifestar hipertensão arterial, gastrite ou qualquer
outro sintoma patológico.
Nesses casos, além do tratamento médico indicado ,
recomendamos ter em mente as incontáveis e meritosas exceções que
existem em nossa espécie. Devemos nos lembrar das incontáveis
pessoas (normalmente anônimas) que fazem a vida valer a pena. Essas
exceções nos animam a continuar acreditando em nossos semelhantes
e nos dão forças para valorizar o mundo no qual vivemos.
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(Adônis)
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1 -Mudar nós mesmos
Entendendo a possibilidade, mais do que certa, das
mesmas coisas representarem algo diferente em diferentes pessoas,
seremos mais compreensíveis com nosso muito próximo e sua maneira
pessoal de sentir o mundo. De qualquer forma, tentar conviver com
nosso muito próximo do jeito que ele é, compreendendo-o e aceitando
seus sentimentos, sua maneira de pensar e de agir requer boa dose de
abnegação e complacência.
Para essa tentativa de convivência precisamos mudar
algumas coisas em nosso interior. Precisamos, principalmente, nos
despojar do orgulho, da vaidade e da presunção. Há pessoas que
não abrem mão desses sentimentos da alma humana (do Ego) alegando o
risco de anularem suas personalidades, como costumam dizer. Trata-se
de uma afirmativa mais retórica que real. Não se anula
personalidade alguma, antes disso, constrói-se uma personalidade
solidamente imune à alguns tropeços da natureza humana.
Abrir mão de nosso orgulho, de nossa vaidade e de
nossa presunção não é tarefa fácil. É instintivo que a natureza
humana se deixe conduzir por tais atributos e toda iniciativa
contrária à eles é trabalhosa. Tudo o que eleva a pessoa é mais
trabalhoso que aquilo que degenera.
Aceitar o fato de que minha opinião possa não ser
a melhor mas apenas minha opinião, que minhas atitudes possam não
ser as mais certas mas apenas minhas atitudes, que meu muito próximo
possa gostar dele o mesmo tanto que gostamos de nós, enfim procurar
fazer com que nosso ego se realize na humildade e não dependa de
adulações são tarefas tão ou mais difíceis que tentar mudar meu
muito próximo.
Ao tentar mudar os outros sabemos para quem e em
qual direção devemos apontar nosso arsenal mas, em se tratando da
mudança em nosso próprio ser, constatamos que nosso maior
adversário encontra-se dentro de nós mesmos. De fato, tentar mudar
a nós mesmos pode ser mais difícil que tentar mudar os outros.
O ideal seria não sofrermos quando a maneira de ser
de nosso muito próximo fosse diferente da nossa. Há pessoas
privilegiadas que conseguem conviver naturalmente com seu próximo
por possuírem uma personalidade nobre. Quando não for esse o caso,
conseguiremos conviver com nosso muito próximo produzindo mudanças
favoráveis em nosso ser, como dissemos. Estaremos, assim,
construindo uma personalidade também nobre.
Entretanto, não sendo possível empreendermos
mudanças favoráveis em nosso ser, impossibilidade normalmente
devida ao nosso gênio irascível, ou quando a maneira de ser de
nosso muito próximo for decididamente irreconciliável com a nossa,
devemos ponderar a seguinte questão: O grau de proximidade desse
nosso muito próximo é suficiente para convivermos obrigatoriamente
com ele?
Se for definitivamente obrigatória a convivência
com esses nossos muito próximos, devemos saber dosar nossa postura:
por um lado, dosar nossos esforços no sentido de modificá-los e
influenciar sensatamente o jeito de serem e, por outro lado,
exercitar nossa complacência, tolerância e compreensão.
Não sendo obrigatória a convivência com esses
nossos muito próximos e não se conseguindo mudanças significativas
em sua maneira de ser, nem em nossa, planos devem ser elaborados para
nos livrarmos dessa proximidade.
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2 - Tentar mudar nosso muito próximo
Ter noção do quê é possível mudar em nosso
muito próximo é uma questão de sabedoria. Primeiro, devemos saber
que os sentimentos são mais difíceis de serem mudados que os
comportamentos. Isso significa, por exemplo, ser mais fácil
convencer nosso muito próximo a não deixar a lâmpada do banheiro
acesa ao sair (comportamento) do que convencê-lo de que isso é
muito importante (sentimento) ou ainda, ser mais fácil convencê-lo
à tratar bem uma pessoa de quem gostamos (comportamento) do que
fazê-lo também gostar dessa pessoa (sentimento).
Em segundo lugar, é bom saber que seria muito mais
sensato procurar entender e conviver bem com os sentimentos de nossos
muito próximos do que pretender mudá-los.
Uma das maneiras para entender e conviver bem com os sentimentos de
nosso muito próximo é procurar nos colocar em seu lugar. O mais
correto para entender seus sentimentos é procurar se sentir como se
fôssemos ele, nas circunstâncias dele, com o temperamento dele,
vivendo a situação dele... e não pretender que ele tenha
sentimentos como se fosse nós, pretender que ele se sinta de acordo
com nosso temperamento e nossa situação.
A pretensão para que nosso muito próximo se sinta
culpado, errado, arrependido, mal agradecido, etc., como às vezes
gostaríamos que se sentisse, dificilmente será satisfeita, pois,
tal como nós, ele também gosta de seu próprio ego como gostamos do
nosso. Ele também se acha certo e com razão.
A pretensão para que nosso muito próximo goste de
nós tanto quanto desejamos (e achamos justo), também pode não ser
possível pois, pelo fato dele ser ele, não sabe o tanto que
gostaríamos de ser gostados. Isso é o mesmo que dizer: se eu fosse
ele eu gostaria muito muito muito de mim, seria grato à mim mesmo,
acharia que estou muito certo...
Para não nos magoarmos, irritarmos ou frustrarmos
com nosso muito próximo é importante termos em mente que ele sente
as coisas de acordo com sua personalidade, com sua idade, com suas
circunstâncias, suas idéias, sua cultura, seu sexo , etc. É
importante termos em mente que esse nosso muito próximo não está
errado por sentir as coisas ao seu modo. Nós erramos por termos a
pretensão para que ele tenha outros tipos de sentimentos, portanto,
ao sofrer por nosso muito próximo, muitas vezes estamos sofrendo por
nossas pretensões.
Quando não conseguimos viver bem com os sentimentos
de nosso muito próximo devemos estudar a possibilidade de alguma
mudança e, para tal, podemos recorrer a elementos valiosos. O
diálogo, a conversa franca, a exposição de nossos próprios
sentimentos, de nossas expectativas contribuem para que nosso muito
próximo venha a reavaliar seus sentimentos, venha a perceber as
coisas de um modo diferente, de uma maneira que nos agrade mais ou,
no mínimo, que se disponha a discutir essa questão conosco.
De um modo geral, não devemos considerar a mudança
dos sentimentos de nosso muito próximo como única condição à
nossa boa convivência. Se acontecer alguma mudança, será algo
excepcionalmente agradável às nossas exigências e, não
acontecendo, o melhor será investirmos na possibilidade de mudar
nosso modo de ser.
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3 - Agredir o Próximo
O ser humano pertence, biologicamente, ao reino
animal e reagir à agressão faz parte da biologia animal. Entre nós
são raríssimas as pessoas capazes de oferecer a outra face. De
qualquer maneira, há uma forte tendência em agredirmos quando nos
sentimos agredidos, portanto, nossa agressividade (excetuando-se
transtornos de personalidade) depende do fato de nos sentirmos
agredidos. Sentir-se ou não agredidos, como gostamos de enfatizar,
depende muito da sensibilidade e do bem estar íntimo das pessoas.
É sábio o ditado: quem está bem consigo não
incomoda nem não se incomoda com os demais. Sentir-se agredido vai
depender muito do quanto somos sensíveis à crítica, à
contrariedade e à frustração.
Se tivermos uma parte de nosso corpo ferida, por
exemplo, qualquer coisa que esbarrar aí causará dor. Isso que dizer
que nossas feridas são mais sensíveis que a pele sadia e, mesmo
sendo boa a intenção de quem nos esbarra, sentiremos dor.
Excetuando-se as lamentáveis questões da
violência urbana, concreta e atuante de nosso cotidiano, se nos
sentimos demasiadamente agredidos em nosso relacionamento social,
ocupacional ou familiar, normalmente é porque temos feridas íntimas
e profundas. Nesse caso, a dor depende mais de nossa sensibilidade do
que da intenção de nosso pretenso agressor.
Mesmo havendo em nosso pretenso agressor
intencionalidade em nos agredir, essa intencionalidade se perderá no
vazio se não nos sentirmos agredidos. Portanto, não nos sentir
agredidos pode ser a melhor defesa contra as intenções de outros em
nos agredir. Dificilmente as pessoas com auto-estima equilibrada se
sentirão agredidas. Podemos citar alguns casos cuja sensibilidade
exagerada predispõe à sensação de estar sendo agredido.
Pessoas culturalmente menos privilegiadas têm
demonstrado mais sensibilidade às agressões sociais. Por se tratar
de pessoas que naturalmente já se sentem oprimidas e agredidas de
fato pelas circunstâncias existenciais, qualquer coisa do cotidiano
poderá lhes parecer como mais uma agressão, apesar de nem sempre se
tratar, de fato, de algo intencionalmente agressivo. Evidentemente
tendem à revidar agressivamente à pressuposta agressão sentida.
Pessoas orgulhosas e arrogantes também se mostram
especialmente sensíveis às agressões. Elas costumam interpretar
como afrontosas e humilhantes atitudes desprovidas dessa
intencionalidade. São pessoas portadoras de um Ego demasiadamente
espaçoso o qual, quando muito grande, acaba esbarrando em muito mais
obstáculos do cotidiano do que um Ego melhor dimensionado.
De fato, quem tem consciência plena e honesta de
sua dimensão, seja de sua pequenez ou grandiosidade, não pleiteia
adulações. Jamais se sen-te humilhado ou diminuído. Quem tem clara
e sincera noção de sua dimensão, seja ela grande ou pequena, não
se sentirá frustrado se as mesuras e deferências do sistema
confirmarem ou não o seu tamanho.
Ou a pessoa é, de fato, humilde o suficiente para
aceitar sua pequenez como uma coisa inerente ao ser humano em geral
diante da vida, portanto, sem necessidade de buscar no sistema
adulações que a façam parecer maior do que é ou, de outro jeito,
tem nítida consciência de sua grandiosidade como pessoa digna e
íntegra e não depende do reconhecimento público para reforçar seu
Ego.
De qualquer forma, em qualquer um dos casos,
trata-se de um grau de consciência suficientemente sólido para que
a auto-estima seja emancipada da avaliação de terceiros. Ora, não
se sentindo agredido, o ser humano não necessita revidar
agressivamente para manter sua dignidade.
Também as pessoas portadoras de estado depressivo,
as quais têm como conseqüência um rebaixamento da auto-estima,
tendem magoar-se demais diante da vida. Os deprimidos podem tomar
como ofensivas atitudes neutras ou até amistosas. Tendem a se
sentirem menos queridas, mais discriminadas, menos valorizadas do que
são, portanto, sentem-se mais agredidas. Nesses casos agridem mais.
Quando falamos nesse tipo de agressão não estamos
falando apenas da agressão com violência, necessariamente. Às
vezes o simples silêncio, o descaso ou a indiferença têm uma
séria intenção agressiva e, de fato, acabam agredindo mais que uma
atitude violenta. Mostrar-se plenamente feliz ou absolutamente calmo
quando alguém suplica por um pouco de solidariedade aos seus
sentimentos de angústia também pode agredir. Isso quer dizer que,
muitas vezes, o não fazer nada agride mais que o fazer qualquer
coisa.
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Para referir:
Ballone GJ - A Convivência com o Próximo - in. PsiqWeb,
Internet, disponível em <http://sites.uol.com.br/gballone/voce/proximo.html>
revisto em 2003
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